{"id":43857,"date":"2010-03-02T12:04:16","date_gmt":"2010-03-02T12:04:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/02\/catequese-quaresmal-de-d-manuel-felicio\/"},"modified":"2010-03-02T12:04:16","modified_gmt":"2010-03-02T12:04:16","slug":"catequese-quaresmal-de-d-manuel-felicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-quaresmal-de-d-manuel-felicio\/","title":{"rendered":"Catequese Quaresmal de D. Manuel Fel\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p><strong>A ora&ccedil;&atilde;o faz-nos disc&iacute;pulos mission&aacute;rios<\/strong><\/p>\n<p>1. Vivemos o segundo domingo da Quaresma, com o quadro da transfigura&ccedil;&atilde;o de Jesus, no Monte Tabor, perante Pedro, Tiago e Jo&atilde;o, e entre Mois&eacute;s e Elias. Ao contemplarmos a Transfigura&ccedil;&atilde;o de Jesus, somos tamb&eacute;m convidados a pensar na nossa pr&oacute;pria transfigura&ccedil;&atilde;o ou renova&ccedil;&atilde;o pessoal e das nossas comunidades da F&eacute;, para servi&ccedil;o do mundo onde nos encontramos, o qual em muitas das suas dimens&otilde;es tamb&eacute;m precisa de se renovar. N&oacute;s queremos viver este domingo e esta segunda semana da Quaresma no empenho pela nossa renova&ccedil;&atilde;o, pela renova&ccedil;&atilde;o do mundo e da Igreja que o deseja servir, por vontade de Cristo. Sentimos que a ora&ccedil;&atilde;o, sendo encontro vivo e pessoal com Deus em Cristo Ressuscitado &eacute; a fonte e o lugar desta m&uacute;ltipla renova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>2. O apelo de Deus &agrave; renova&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m se chama convers&atilde;o, vem hoje na Palavra de Deus, acompanhado da oferta de uma alian&ccedil;a &agrave; Pessoa de Abra&atilde;o e sua descend&ecirc;ncia. Sabemos que a alian&ccedil;a com Deus percorre toda a vida do Povo de Deus do Antigo Testamento. Prometida, no in&iacute;cio, aos primeiros pais, teve sucessivas concretiza&ccedil;&otilde;es e reajustamentos, desde No&eacute; at&eacute; Mois&eacute;s, passando pela figura de Abra&atilde;o de que nos fala hoje o livro do G&eacute;nesis que acab&aacute;mos de escutar. Na pessoa de Jesus Cristo foi selada uma nova e definitiva alian&ccedil;a entre Deus e os homens e mulheres de todos os tempos. Esta Nova Alian&ccedil;a traz consigo um novo estatuto de vida para todos os que aceitam entrar nela. E desse novo estatuto de vida fala-nos hoje S. Paulo, quando estabelece o contraste entre os que vivem ao sabor dos crit&eacute;rios e das inclina&ccedil;&otilde;es do mundo e aqueles que decidem viver da esperan&ccedil;a na pessoa de Cristo Ressuscitado. N&oacute;s queremos ser daqueles que vivem da esperan&ccedil;a em Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p>O Evangelho fala-nos hoje da identidade e da miss&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p>A nota fundamental da identidade da pessoa de Jesus &eacute; ser o Filho &uacute;nico de Deus e como tal Senhor de toda a cria&ccedil;&atilde;o e acima dela. Intimamente ligada a esta sua identidade est&aacute; a miss&atilde;o de salvar a humanidade, que Deus Pai lhe confiou, uma miss&atilde;o ligada ao caminho humanamente chocante do abaixamento at&eacute; &agrave; morte e morte de cruz. Registe-se que este era o tema da conversa entre Mois&eacute;s e Elias, durante a cena da Transfigura&ccedil;&atilde;o. E foi o caminho da cruz voluntariamente abra&ccedil;ado por Cristo para cumprir esta Sua miss&atilde;o que os disc&iacute;pulos n&atilde;o entenderam.<\/p>\n<p>Ora , &eacute; esta contradi&ccedil;&atilde;o que o Evangelho hoje nos recorda e nos prop&otilde;e tamb&eacute;m a n&oacute;s como caminho para aprofundarmos a nossa identidade de filhos de Deus, disc&iacute;pulos de Cristo, com a miss&atilde;o de levarmos&nbsp; a Sua Boa Nova &agrave; vida das pessoas vivida nas variad&iacute;ssimas situa&ccedil;&otilde;es do mundo e das sociedades de hoje.<\/p>\n<p>3. A nossa identidade &eacute;, por isso, sermos disc&iacute;pulos de Cristo e n&acute;Ele filhos de Deus. Daqui brota para todos e cada um de n&oacute;s a miss&atilde;o de vivermos e darmos a conhecer a novidade de Deus e o que Ele representa para toda a Humanidade chamada a ser uma &uacute;nica fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Por for&ccedil;a desta nossa miss&atilde;o, temos a responsabilidade de trabalhar para que toda a sociedade se aproxime o mais poss&iacute;vel deste ideal de fam&iacute;lia para que se encontra vocacionada. Essa &eacute; tamb&eacute;m a responsabilidade da Igreja e de cada uma das sua comunidades de F&eacute;, as quais t&ecirc;m como primeira obriga&ccedil;&atilde;o renovarem-se a si mesmas, segundo o esp&iacute;rito do Evangelho. Esta renova&ccedil;&atilde;o segundo o esp&iacute;rito do Evangelho significa caminharmos para comunidades que vivem intensamente o ideal da rela&ccedil;&atilde;o viva com Deus; comunidades que s&atilde;o verdadeiras escolas de F&eacute;; comunidades que vivem segundo o imperativo da lei da caridade e procuram que a mesma caridade seja o princ&iacute;pio regulador da vida e das rela&ccedil;&otilde;es entre todos os cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos consci&ecirc;ncia de que a Igreja renovada segundo o Evangelho de Cristo n&atilde;o existe por causa de si mesma, mas sim para testemunhar no mundo a novidade do mesmo Evangelho.<\/p>\n<p>Por isso, como crist&atilde;os e comunidades crist&atilde;s estamos empenhados em contribuir para a renova&ccedil;&atilde;o da nossa sociedade. E quando pensamos numa sociedade renovada vemo-nos diante de modelos de sociedade onde todos participam, onde todos contribuem para o Bem Comum e se sentem respeitados e ajudados a cumprir a sua aut&ecirc;ntica voca&ccedil;&atilde;o humana de cidad&atilde;os, em di&aacute;logo e franca coopera&ccedil;&atilde;o com outros cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;Por for&ccedil;a do Evangelho de Cristo, queremos tamb&eacute;m trabalhar para que, na nossa vida social, todos possam intervir activamente nas decis&otilde;es que devem ser tomadas. Queremos continuar a criar formas de proximidade com todos e cada um dos cidad&atilde;os, desfazendo assim todas as formas de exclus&atilde;o. E neste ano europeu de luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o social sentimos que h&aacute; formas novas e complicadas de exclus&atilde;o, que n&atilde;o se podem desfazer s&oacute; com leis ou mesmo s&oacute; com novos apoios materiais que o governo possa decidir. &Eacute; preciso apostar em pr&aacute;ticas de proximidade e fazer a partir da&iacute; a motiva&ccedil;&atilde;o das pessoas para que, por si mesmas possam colaborar activamente na supera&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de marginalidade e exclus&atilde;o. Estamos convencidos de que os pobres t&ecirc;m de ser os primeiros agentes da luta contra a pobreza e os exclu&iacute;dos tamb&eacute;m os primeiros a quererem retomar os caminhos da inclus&atilde;o. Para isso s&atilde;o precisas ajudas materiais, isso &eacute; verdade, mas tamb&eacute;m e muitas vezes principalmente ajudas que motivem as pessoas a usarem todas as suas capacidades para superarem situa&ccedil;&otilde;es indesej&aacute;veis. Isto sup&otilde;e atitudes e mesmo programas de ajuda que passam principalmente pela forma&ccedil;&atilde;o das pessoas e sua motiva&ccedil;&atilde;o para entrarem por caminhos de participa&ccedil;&atilde;o na vida das comunidades. H&aacute; hoje claramente o risco de as pessoas se instalarem na pr&oacute;pria depend&ecirc;ncia e fazerem da marginalidade o seu modo de vida, o que seria mau em primeiro lugar para elas mesmas e depois para a sociedade.<\/p>\n<p>E falando em participa&ccedil;&atilde;o das pessoas na vida das comunidades, sabemos que ela se faz, nas sociedades modernas, principalmente atrav&eacute;s de representantes eleitos. Estes ficam com a obriga&ccedil;&atilde;o formal de levar aos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o o aut&ecirc;ntico sentir dos representados, que, como sabemos, n&atilde;o permanece o mesmo ao longo de toda uma legislatura, mas, como &eacute; normal, est&aacute; em constante evolu&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, os nossos representantes nos &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o n&atilde;o podem contentar-se com falar com os seus eleitores apenas de 4 em 4 anos. Pelo contr&aacute;rio, est&atilde;o obrigados a accionar os mecanismos indispens&aacute;veis para auscultar com regularidade estes seus representados.<\/p>\n<p>E mesmo assim a participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fica inteiramente garantida, pois h&aacute; quest&otilde;es de fundo que implicam, por si mesmas, grandes transforma&ccedil;&otilde;es da vida social e que, por isso, precisam de ser bem identificadas, bem reflectidas, explicadas e decididas com a m&aacute;xima participa&ccedil;&atilde;o de todos e no respeito pelos crit&eacute;rios &eacute;ticos que, de facto, condicionam a vida pessoal e social de todos os cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>E no que &agrave; nossa vida social diz respeito, em vez do relativismo e desprezo pelos valores que infelizmente vai minando e tomando conta de muitas decis&otilde;es que comprometem a vida dos cidad&atilde;os, no nosso pa&iacute;s, precisamos de uma nova cultura alicer&ccedil;ada nos valores que dignificam as pessoas e d&atilde;o futuro &agrave; sociedade.<\/p>\n<p>Estamos a viver o Ano Sacerdotal e esperamos a vinda do Papa a Portugal no pr&oacute;ximo m&ecirc;s de Maio.<\/p>\n<p>Desejamos aproveitar estes dois acontecimentos para, como disc&iacute;pulos de Cristo cumprir a especial obriga&ccedil;&atilde;o de ajudar a nossa sociedade e a nossa cultura a reencontrarem-se consigo mesmas, na fidelidade aos valores da nossa tradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, dos quais depende a vida de todos os cidad&atilde;os, incluindo as gera&ccedil;&otilde;es futuras.<\/p>\n<p>O Santo Padre vir&aacute; certamente interpelar a nossa F&eacute; de crist&atilde;os e comunidades crist&atilde;s para que seja mais verdadeira, mais aut&ecirc;ntica; mas vir&aacute; tamb&eacute;m lembrar &agrave; nossa cultura e &agrave;s nossas institui&ccedil;&otilde;es sociais e de governo caminhos de afirma&ccedil;&atilde;o dos valores essenciais para a vida pessoal e comunit&aacute;ria de todos os cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>4. Perguntamo-nos agora: onde est&aacute; a fonte das energias necess&aacute;rias para desencadear este processo de renova&ccedil;&atilde;o da vida do mundo e da Igreja? A resposta &eacute; que essa fonte est&aacute; na ora&ccedil;&atilde;o. Ora&ccedil;&atilde;o entendida como experi&ecirc;ncia forte do encontro com Deus na Pessoa de Cristo Ressuscitado, que vem para fazer novas todas as coisas. Ora, a nossa ora&ccedil;&atilde;o &eacute; oportunidade para pedir e agradecer os dons de Deus; &eacute; forma de contemplar, louvar e adorar o mesmo Senhor Nosso Deus. Para isso, usa palavras, umas de iniciativa da pessoa que reza, outras consagradas na vida e na tradi&ccedil;&atilde;o seculares da Igreja; mas o mais importante da ora&ccedil;&atilde;o est&aacute; para al&eacute;m das palavras e gestos utilizados, porque, em si mesma, &eacute; o encontro vivo com Deus na Pessoa de Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p>At&eacute; chegar &agrave; experi&ecirc;ncia da ora&ccedil;&atilde;o no encontro vivo e pessoal com Deus, h&aacute; sempre um longo caminho a percorrer. Desde a Fam&iacute;lia, &agrave; catequese, &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o da F&eacute; que enquadra a pessoa na vida da comunidade, &eacute; importante que se fa&ccedil;a a pedagogia da ora&ccedil;&atilde;o. Sendo a ora&ccedil;&atilde;o uma necessidade da caminhada da F&eacute;, n&atilde;o se pode falar em obriga&ccedil;&atilde;o de orar imposta pela lei, mas a verdade &eacute; que tamb&eacute;m se pode aperfei&ccedil;oar e mesmo ensinar a pr&aacute;tica e a experi&ecirc;ncia da ora&ccedil;&atilde;o. Aqui o acompanhamento da comunidade, desde a Fam&iacute;lia, &agrave; Catequese e &agrave; Liturgia, os frequentes e variados encontros com a Palavra de Deus, as pr&oacute;prias f&oacute;rmulas de ora&ccedil;&atilde;o testadas pela tradi&ccedil;&atilde;o multissecular da Igreja s&atilde;o ajudas que n&atilde;o devemos dispensar.<\/p>\n<p>Temos consci&ecirc;ncia de que aqui se encontra a fonte da verdadeira transfigura&ccedil;&atilde;o da nossa vida pessoal, da vida da Igreja e mesmo da vida do mundo.<\/p>\n<p>Que o Senhor nos ajude a que o nosso programa de ora&ccedil;&atilde;o nesta Quaresma seja a grande alavanca tanto do nosso progresso pessoal como da renova&ccedil;&atilde;o da Igreja e do pr&oacute;prio mundo.<\/p>\n<p>Pinhel, 28\/2\/2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+Manuel R. Fel&iacute;cio, B. da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ora&ccedil;&atilde;o faz-nos disc&iacute;pulos mission&aacute;rios 1. 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