{"id":43843,"date":"2010-03-02T11:11:09","date_gmt":"2010-03-02T11:11:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/02\/sera-o-fim-do-mundo\/"},"modified":"2010-03-02T11:11:09","modified_gmt":"2010-03-02T11:11:09","slug":"sera-o-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sera-o-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 o fim do mundo?"},"content":{"rendered":"<p>Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espa\u00e7o e at\u00e9 dos factos que nos parecem o fim do mundo e que n\u00e3o passam duma gota de \u00e1gua oceano incomensur\u00e1vel de Deus <!--more--> <\/p>\n<p>Acontece no dia-a-dia. Ou melhor, num dia entre muitos dias. Parece que se acorda com tudo a correr ao contr&aacute;rio. O trabalho urgente a concluir e chega um telefonema a decretar outro mais urgente, uma dor de cabe&ccedil;a que n&atilde;o vem a prop&oacute;sito, um assunto que chegou ao fim mal conclu&iacute;do, um problema novo que se interp&ocirc;s a todos, alguma sensa&ccedil;&atilde;o de nervosismo com a ideia de que tudo corre mal. Para n&atilde;o falar no que est&aacute; por fazer, na culpa de alguns insucessos, choques, tens&otilde;es, com o ego de rastos, a triste sensa&ccedil;&atilde;o de incapacidade para iniciar um novo projecto, o cansa&ccedil;o que desaba e parece bloquear qualquer sa&iacute;da para qualquer problema. E tudo se enrola numa vis&atilde;o mais alargada na profiss&atilde;o, na fam&iacute;lia, no pa&iacute;s de aspecto insol&uacute;vel, na economia que parece de terra queimada, na corrup&ccedil;&atilde;o e esperteza como segredo de triunfo, no poder arrogante dos vencedores de sempre. E depois o fio da hist&oacute;ria, o bem e o mal, a incerteza do fim, a d&uacute;vida sobre o amanh&atilde;, os tons carregados de cinzento que se abatem sobre o humor, a resist&ecirc;ncia, a alegria, a rela&ccedil;&atilde;o com os outros, a estima por si pr&oacute;prio. E uma sequ&ecirc;ncia de trag&eacute;dias naturais exaustivamente exibidas cujas origens reais n&atilde;o sabemos deslindar. Tudo embrulhado na ementa informativa servida a cada refei&ccedil;&atilde;o, numa selec&ccedil;&atilde;o quase s&aacute;dica e macabra de acontecimentos como se n&atilde;o houvesse outra forma de pintar a hist&oacute;ria a n&atilde;o ser em cores de sangue e dor, com tiros, l&aacute;grimas e gemidos lancinantes &agrave; mistura.<\/p>\n<p>Ser&aacute; esta uma representa&ccedil;&atilde;o real da vida ou estaremos marcados pela n&aacute;usea de Sartre, o niilismo de Nietzsche, o desespero de Hamlet, a f&uacute;ria de Herodes e a loucura de Hitler, ou a depress&atilde;o e ansiedade dum p&oacute;s modernismo insano?<\/p>\n<p>Bem diferente &eacute; a teoria de Jesus. E a sua pr&aacute;tica: o desprendimento dos &ldquo;l&iacute;rios do campo&rdquo;, a provid&ecirc;ncia sobre &ldquo;os cabelos da vossa cabe&ccedil;a&rdquo;,a certeza de que &ldquo;nada do que pedimos &eacute; em v&atilde;o&rdquo;, a confian&ccedil;a &ldquo;no p&atilde;o que nos concede&rdquo; em vez do escorpi&atilde;o, a certeza de que Ele venceu o mundo &ndash; tudo isso que nos sustenta &ndash; e nos projecta para al&eacute;m do desencanto que pode ser um dia mal passado ou uma vis&atilde;o azeda da hist&oacute;ria. Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espa&ccedil;o e at&eacute; dos factos que nos parecem o fim do mundo e que n&atilde;o passam duma gota de &aacute;gua oceano incomensur&aacute;vel de Deus. H&aacute; negrumes na alma que apenas a sabedoria de Deus pode romper.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Rego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada sabemos fechados no casulo estreito do nosso tempo, do nosso espa\u00e7o e at\u00e9 dos factos que nos parecem o fim do mundo e que n\u00e3o passam duma gota de \u00e1gua oceano incomensur\u00e1vel de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[191],"class_list":["post-43843","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43843\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}