{"id":43819,"date":"2010-03-01T00:18:31","date_gmt":"2010-03-01T00:18:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/01\/catequese-do-cardeal-patriarca-no-2-o-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2010-03-01T00:18:31","modified_gmt":"2010-03-01T00:18:31","slug":"catequese-do-cardeal-patriarca-no-2-o-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-cardeal-patriarca-no-2-o-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Catequese do Cardeal-Patriarca no 2.\u00ba Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Cristo realiza, de forma perfeita e em plenitude, a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Como vimos na primeira Catequese, no Antigo Testamento, o sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico, organizado na pesada estrutura sacerdotal do Templo de Jerusal&eacute;m, n&atilde;o foi fiel &agrave; pureza da atitude sacerdotal exigida pela santidade de Deus e pelo ideal de santidade, na fidelidade, que constitu&iacute;a o cora&ccedil;&atilde;o da Alian&ccedil;a e, por isso, n&atilde;o garantiu a pureza e a qualidade da fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Isso originou no seio do Povo, sobretudo a partir dos Profetas que denunciaram a falta de santidade dos sacerdotes, um ideal de sacerd&oacute;cio a realizar no fim dos tempos, que se confundem progressivamente com a vinda do Messias. As vis&otilde;es do Messias como Filho do Homem Celeste e como Servo que oferece a Sua vida em sacrif&iacute;cio, s&atilde;o j&aacute; de ruptura com a estrutura sacerdotal do Templo. Jesus, que tantas vezes rejeita a aplica&ccedil;&atilde;o a Si Mesmo da ideia do Messias-Rei, devido &agrave;s confus&otilde;es da interpreta&ccedil;&atilde;o que lhe era dada, assume a miss&atilde;o do Servo que se oferece, e chama-se, a Si Mesmo, o Filho do Homem Celeste, designa&ccedil;&atilde;o que re&uacute;ne o mist&eacute;rio da encarna&ccedil;&atilde;o-humaniza&ccedil;&atilde;o do Verbo eterno de Deus e sublinha a import&acirc;ncia da Sua &uacute;ltima vinda gloriosa, na inaugura&ccedil;&atilde;o do tempo definitivo.<\/p>\n<p>Cristo vive toda a sua miss&atilde;o em atitude sacerdotal e, sem pertencer &agrave; classe sacerdotal, realiza perfeitamente a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Porque se situa mais na linha prof&eacute;tica do que no messianismo oficial, toda a miss&atilde;o de Jesus &eacute; uma ruptura com a estrutura sacerdotal do Antigo Testamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ruptura e a realiza&ccedil;&atilde;o plena da fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal<\/p>\n<p>1. A miss&atilde;o de Jesus, em rela&ccedil;&atilde;o ao Antigo Testamento, assume duas dimens&otilde;es: de ruptura e de plena realiza&ccedil;&atilde;o do que estava, apenas, intu&iacute;do e anunciado. Ali&aacute;s, isso torna-se numa dimens&atilde;o fundamental da compreens&atilde;o da nova vida, em Cristo: s&oacute; a ruptura garante a abertura &agrave; novidade da Salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estrutura sacerdotal, esta ruptura manifesta-se de v&aacute;rios modos. Jesus n&atilde;o &eacute; sacerdote segundo a vis&atilde;o do Antigo Testamento. N&atilde;o pertence &agrave; tribo de Levi e a nenhuma fam&iacute;lia sacerdotal. N&atilde;o pode, sequer, reivindicar para Si, a qualidade sacerdotal. Perante a estrutura organizativa do Antigo Testamento, Jesus &eacute; um leigo, um judeu comum. Quando muito, alguns reconhecem-n&rsquo;O como Mestre (rabbi). A partir de um determinado momento, tamb&eacute;m devido ao enfraquecimento, no exerc&iacute;cio do sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico, do minist&eacute;rio da Palavra, surgem as sinagogas, lugar por excel&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o da Palavra, onde se lia sempre e se comentava a Escritura. A sinagoga n&atilde;o era dominada pelos sacerdotes. Eram leigos preparados &ndash; os &ldquo;Mestres&rdquo; e os &ldquo;doutores da Lei&rdquo; &ndash; que assumiam essa fun&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A ruptura manifesta-se, tamb&eacute;m, no facto de Jesus se situar na linha prof&eacute;tica de cr&iacute;tica aos sacerdotes do Templo, sobretudo na defesa da pureza do culto e da santidade do Templo como casa de Deus, &ldquo;Casa do Pai&rdquo; e &ldquo;casa de ora&ccedil;&atilde;o&rdquo; (cf. Mc. 11,15-19). Ele realiza a purifica&ccedil;&atilde;o do Templo e afirma-se maior que o Templo (f. Mt. 12,6). Como j&aacute; acontecera com os grandes profetas, h&aacute; um conflito crescente entre Jesus e os sacerdotes do Templo. Este conflito ser&aacute; a causa expl&iacute;cita da sua condena&ccedil;&atilde;o &agrave; morte. Jesus assume que, com Ele, cessa o sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico. A ruptura torna-se radical.<\/p>\n<p>&Eacute; por isso que os textos do Novo Testamento, excep&ccedil;&atilde;o feita &agrave; Carta aos Hebreus, nunca aplicam a Jesus nem a linguagem nem a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cristo realiza plenamente a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal<\/p>\n<p>2. Os Evangelhos, apesar de nunca atribu&iacute;rem a Jesus o t&iacute;tulo e a qualidade de sacerdote, segundo a estrutura sacerdotal do Templo, apresentam o minist&eacute;rio e a miss&atilde;o de Jesus como realiza&ccedil;&atilde;o perfeita da &ldquo;fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal&rdquo;, na sua pureza e na sua verdade, como ela tinha sido anunciada para os tempos messi&acirc;nicos. Cristo assume a sua miss&atilde;o na linha do que tinha sido anunciado pelos grandes profetas e pelos salmos. &Eacute; nessa linha que a sua atitude &eacute; sacerdotal, e se situam os seus ensinamentos, os seus gestos e, sobretudo, a sua morte. Lembremos as principais concretiza&ccedil;&otilde;es desta atitude sacerdotal no ensinamento e na vida de Jesus Cristo:<\/p>\n<p>A santidade do culto. &Eacute; uma exig&ecirc;ncia da santidade de Deus a quem &eacute; oferecido. Os profetas e os salmos tinham acentuado a ideia de que os sacrif&iacute;cios lit&uacute;rgicos, se n&atilde;o forem oferecidos por um cora&ccedil;&atilde;o puro, n&atilde;o agradam a Deus. O Salmista diz a Deus: &ldquo;N&atilde;o ter&aacute;s nenhum prazer no sacrif&iacute;cio, se eu Te oferecer um holocausto, n&atilde;o o aceitar&aacute;s. O meu sacrif&iacute;cio &eacute; um cora&ccedil;&atilde;o contrito; um cora&ccedil;&atilde;o contrito e humilhado, Tu n&atilde;o o desprezar&aacute;s&rdquo; (Sl. 51,18-19). &ldquo;Oferece a Deus um sacrif&iacute;cio de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, cumpre os teus votos ao Alt&iacute;ssimo; quem oferece ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as glorifica-me, ao homem recto farei ver a salva&ccedil;&atilde;o de Deus&rdquo; (Sl. 50,14.23).<\/p>\n<p>Esta &eacute; uma exig&ecirc;ncia central do Reino de Deus pregado por Jesus: a renova&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; exigido para que se possa oferecer a Deus o sacrif&iacute;cio lit&uacute;rgico. &Eacute; a nova justi&ccedil;a do Reino. &ldquo;Quando apresentas a tua oferta no altar, se te lembrares que o teu irm&atilde;o tem raz&atilde;o de queixa contra ti, deixa a oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irm&atilde;o; depois volta para apresentares a tua oferta&rdquo; (Mt. 5,23-24). A santidade do culto exige a convers&atilde;o daqueles que o oferecem, os sacerdotes e todo o povo.<\/p>\n<p>No di&aacute;logo com a Samaritana, respondendo &agrave; quest&atilde;o, posta por ela, da legitimidade do templo da Samaria, Jesus ultrapassa claramente a quest&atilde;o do templo para p&ocirc;r o acento na pureza do cora&ccedil;&atilde;o exigida aos verdadeiros adoradores: &ldquo;Vai vir a hora, e j&aacute; estamos nela, em que os verdadeiros adoradores adorar&atilde;o o Pai em esp&iacute;rito e verdade, porque s&atilde;o esses adoradores que o Pai quer&rdquo; (Jo. 4,23). Quando Jesus diz que essa hora j&aacute; chegou, refere-se a Si Mesmo e &agrave; sua miss&atilde;o. Jesus tem consci&ecirc;ncia de que n&rsquo;Ele, o Filho de Deus Pai, feito Homem, se garante e inicia essa adora&ccedil;&atilde;o perfeita que enche o cora&ccedil;&atilde;o de Deus. A partir d&rsquo;Ele, todos os verdadeiros adoradores s&oacute; o s&atilde;o unidos a Ele, participando da sua oferta e do seu louvor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O verdadeiro sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>3. Os &ldquo;sacrif&iacute;cios de expia&ccedil;&atilde;o&rdquo; eram os mais solenes da liturgia judaica, no Templo de Jerusal&eacute;m. O sacerdote implorava o perd&atilde;o dos seus pr&oacute;prios pecados para, depois, implorar o perd&atilde;o de Deus para todo o Povo e imolava um animal como sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o, aspergindo o Povo com esse sangue de reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>J&aacute; vimos como o Profeta Isa&iacute;as, nos c&acirc;nticos do Servo (cf. Is. 53,1-12), d&aacute; um sentido novo a este sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o textos que se situam no contexto da tens&atilde;o entre os profetas e os sacerdotes do Templo. Eles, homens de Deus, sentem o drama do seu Povo e percebem que n&atilde;o s&atilde;o chamados &agrave; simples oferta de um animal, mas eles pr&oacute;prios carregam, sobre si, todos os pecados e sofrimentos do Povo e oferecem-se a si mesmos, como sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o, numa uni&atilde;o inesperada entre o sacerdote que oferece e a v&iacute;tima oferecida, anunciando profeticamente o sacerd&oacute;cio de Cristo e da Igreja que &eacute; o seu Corpo.<\/p>\n<p>J&aacute; vimos que Jesus, ao mesmo tempo que denuncia o sacerd&oacute;cio oficial, aplica a Si Mesmo as vis&otilde;es sacerdotais dos profetas post-ex&iacute;lio, cuja perspectiva &eacute; o tempo escatol&oacute;gico. Ele aplica a si mesmo a miss&atilde;o do Servo do Profeta Isa&iacute;as. S&atilde;o Mateus narra-nos a primeira vez que os fariseus decidem a morte de Jesus e o Senhor consciencializa a sua miss&atilde;o de Servo: &ldquo;Ao verem isto (um milagre ao S&aacute;bado) os fariseus sa&iacute;ram e reuniram o Conselho contra Ele, em ordem a verem-se livres d&rsquo;Ele. Jesus soube-o e deixou aqueles lugares (&hellip;) Assim se devia cumprir o or&aacute;culo do Profeta Isa&iacute;as: Eis o meu Servo que Eu escolhi&rdquo; (Is. 42,1-4). Jesus assume que a sua miss&atilde;o &eacute; a do Servo (cf. Mt. 12,15ss).<\/p>\n<p>Nos seus discursos, adoptando para Si a designa&ccedil;&atilde;o messi&acirc;nica de &ldquo;Filho do Homem&rdquo;, atribui-se o destino e a miss&atilde;o do Servo: &ldquo;Quem quiser ser o primeiro entre v&oacute;s, deve fazer-se vosso servo. &Eacute; assim, pois o Filho do Homem n&atilde;o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate pela multid&atilde;o&rdquo; (Mt. 20,27-28). Anuncia v&aacute;rias vezes a sua Paix&atilde;o mostrando, assim, a consci&ecirc;ncia clara de que a sua miss&atilde;o &eacute; a do Servo de Isa&iacute;as: &ldquo;Eis que subimos a Jerusal&eacute;m e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas e eles conden&aacute;-l&rsquo;O-&atilde;o &agrave; morte e O entregar&atilde;o aos pag&atilde;os para ser humilhado, flagel&aacute;-l&rsquo;O-&atilde;o e crucific&aacute;-l&rsquo;O-&atilde;o. E ao terceiro dia Ele ressuscitar&aacute;&rdquo; (Mt. 20,17-19). Jesus junta em Si as tradi&ccedil;&otilde;es messi&acirc;nicas do Servo sofredor e do Filho do Homem glorioso, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel pela certeza que tem da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o gloriosa como vit&oacute;ria sobre o sofrimento e sobre a morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Na &uacute;ltima Ceia (cf. Mc. 14,24; Mt. 26,28), Jesus assume pessoalmente a atitude do profeta que se oferece a si mesmo, carregando sobre si os pecados da humanidade. Ele sabe que &eacute; um sacrif&iacute;cio de Alian&ccedil;a (cf. Ex. 24,8), da nova e definitiva Alian&ccedil;a. N&atilde;o sendo sacerdote segundo a Lei, Ele assume a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal, realizando plenamente o sentido do sacrif&iacute;cio cultual de expia&ccedil;&atilde;o. Ele n&atilde;o oferece a Deus &ldquo;coisas&rdquo;, mas oferece-se a Si Mesmo. Pela primeira vez na longa hist&oacute;ria da fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal no Povo de Deus, o sacerdote que oferece o sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m v&iacute;tima que se oferece. A oferta do Filho ao Pai insere-se no mist&eacute;rio da comunh&atilde;o entre as Pessoas Divinas e retoma a fun&ccedil;&atilde;o criadora do Verbo, recriando todas as coisas. Ao oferecer-Se como v&iacute;tima, Cristo oferece ao Pai uma &ldquo;nova cria&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A Ceia Pascal &eacute; decisiva para compreender a dimens&atilde;o sacerdotal da oferta de Cristo na Cruz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perfei&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica do Sacerd&oacute;cio<\/p>\n<p>5. J&aacute; vimos, na Catequese anterior, como, perante a imperfei&ccedil;&atilde;o do sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico, come&ccedil;a a ser anunciado para o tempo do Messias um sacerd&oacute;cio perfeito. Surge mesmo o an&uacute;ncio de um Messias Sacerdotal, para o fim dos tempos.<\/p>\n<p>Podemos certamente relacionar com esta vis&atilde;o escatol&oacute;gica, a designa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Filho do Homem&rdquo; como Jesus, e s&oacute; Ele, se designa a Si Mesmo. Encontramo-la com este sentido da plenitude escatol&oacute;gica em Dan. 7,13ss. Jesus designa-se, a Si Mesmo, v&aacute;rias vezes como Filho do Homem. Mas a mais solene &eacute; durante o seu processo, em que respondendo ao Sumo Sacerdote, Jesus usa a designa&ccedil;&atilde;o do Filho do Homem Celeste, vindo sobre as nuvens do C&eacute;u, revestido de poder, como designa&ccedil;&atilde;o messi&acirc;nica (cf. Mt. 26,62-66).<\/p>\n<p>Na sua &uacute;ltima vinda em gl&oacute;ria, Jesus inaugurar&aacute; o tempo definitivo, a assembleia dos bem-aventurados, em que Ele ser&aacute; o &uacute;nico Sacerdote que oferecer&aacute; a Deus o culto perfeito, com toda a assembleia dos Santos.<\/p>\n<p>A designa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Filho do Homem&rdquo;, que no juda&iacute;smo significava o homem, o filho de Ad&atilde;o, no seu paradoxo: pequeno diante de Deus mas que Deus engrandece acima dos Anjos (cf. Sal. 8). Ao designar-se como &ldquo;Filho do Homem&rdquo; do tempo definitivo, Jesus afirma tamb&eacute;m a dignifica&ccedil;&atilde;o definitiva do homem que, em assembleia sacerdotal, oferecer&aacute; por toda a eternidade o culto digno de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A media&ccedil;&atilde;o perfeita e definitiva<\/p>\n<p>6. Sem se chamar sacerdote, Jesus realiza, de modo perfeito e definitivo, a principal fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal, a de ser mediador entre Deus e os homens. Essa foi a raz&atilde;o de ser da Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus, e assegurou para toda a eternidade essa media&ccedil;&atilde;o entre Deus e a humanidade resgatada (cf. 1Tim. 2,5).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A uni&atilde;o entre a Palavra e o Culto<\/p>\n<p>7. Ao assumir a &ldquo;fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal&rdquo;, Jesus, a Palavra eterna de Deus, volta a restabelecer a unidade entre culto e escuta da Palavra, quebrada, como vimos, no Antigo Testamento, na tens&atilde;o entre sacerdotes e profetas. Faz parte da &ldquo;fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal&rdquo; comunicar a mensagem divina. Esta &eacute; a chave de compreens&atilde;o da Liturgia crist&atilde;: a Palavra e o Sacrif&iacute;cio fazem parte do mesmo acto de culto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Carta aos hebreus s&iacute;ntese da vis&atilde;o neo-testament&aacute;ria do Sacerd&oacute;cio de Cristo<\/p>\n<p>8. A Carta aos Hebreus &eacute; o &uacute;nico texto do Novo Testamento que exprime a miss&atilde;o salv&iacute;fica de Jesus, que, como j&aacute; vimos, realiza plenamente a &ldquo;fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal&rdquo;, aplicando-lhe a linguagem sacerdotal. Compreende-se, pois trata-se de um texto dirigido a crist&atilde;os vindos do juda&iacute;smo. Trata-se de lhes mostrar que Cristo, na oferta de Si Mesmo, na Cruz, realiza plenamente tudo o que era anunciado no sacerd&oacute;cio do Antigo Testamento e o ultrapassa definitivamente.<\/p>\n<p>Ele n&atilde;o &eacute; Sacerdote segundo a ordem lev&iacute;tica. Citando o Salmo 110, situa-o mais na &ldquo;ordem de Mechisedec&rdquo; (cf. Gen. 14,18-20). Mas a verdadeira origem do seu sacerd&oacute;cio &eacute; a sua filia&ccedil;&atilde;o divina, a envolver-nos na sua Encarna&ccedil;&atilde;o, onde na obedi&ecirc;ncia amorosa &agrave; vontade do Pai, Ele Lhe presta o culto perfeito. Jesus &eacute; Sacerdote porque &eacute; o Filho de Deus feito Homem, e por isso Ele &eacute; superior a David (He. 5,1-10).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Sumo Sacerdote da Alian&ccedil;a definitiva<\/p>\n<p>9. O autor da carta aos Hebreus valoriza a afirma&ccedil;&atilde;o de Jesus na &uacute;ltima Ceia. A Sua morte &eacute; um sacrif&iacute;cio de Alian&ccedil;a, da nova e definitiva Alian&ccedil;a. Por isso faz cessar toda a antiga alian&ccedil;a e, consequentemente, a vis&atilde;o do sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico que a servia. Sacerdote da Alian&ccedil;a definitiva, Cristo realiza a anunciada perfei&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica do sacerd&oacute;cio. Esta nova e eterna Alian&ccedil;a &eacute; a do tempo definitivo, a plenitude escatol&oacute;gica. O sacerd&oacute;cio de Cristo &eacute; do tempo definitivo; o seu santu&aacute;rio &eacute; o C&eacute;u, a Casa do Pai a que se juntam todos os redimidos; a liturgia a que preside &eacute; a liturgia celeste da assembleia dos bem-aventurados. Nesse santu&aacute;rio, Ele entrou uma s&oacute; vez e para sempre. Diz a Carta aos Hebreus: &ldquo;O ponto central das nossas afirma&ccedil;&otilde;es &eacute; que n&oacute;s temos um Sumo Sacerdote que se sentou &agrave; direita do trono da Majestade, nos C&eacute;us, ministro do Sacerd&oacute;cio e da Tenda, a verdadeira, aquela que foi erguida pelo Senhor e n&atilde;o por um homem&rdquo; (Heb. 8,1-2).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10. Sumo Sacerdote definitivo, Ele preside &agrave; liturgia celeste. A grande novidade da compreens&atilde;o do Povo de Deus, no Novo Testamento, &eacute; que o novo Povo de Deus, nascido de Cristo ressuscitado, participa j&aacute; dessa liturgia celeste, vive, no tempo hist&oacute;rico, a plenitude do tempo definitivo. A Igreja &eacute; um &ldquo;tempo interm&eacute;dio&rdquo; entre a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo e a escatologia. Nela, novo Povo de Deus, que espera a &uacute;ltima manifesta&ccedil;&atilde;o da gl&oacute;ria messi&acirc;nica de Cristo, toda a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal est&aacute; ao servi&ccedil;o dessa liturgia celeste, antecipada na Igreja, que faz um com Cristo. A Igreja &eacute; peregrina dessa celebra&ccedil;&atilde;o definitiva a que preside Cristo glorioso, Sumo Sacerdote definitivo. Como antecipa&ccedil;&atilde;o da liturgia celeste, &agrave; liturgia da Igreja s&oacute; Cristo pode presidir.<\/p>\n<p>Como preside Cristo, Sacerdote do Santu&aacute;rio definitivo, &agrave; liturgia da Igreja? &Eacute; o segredo do Sacerd&oacute;cio Apost&oacute;lico, exercido por aqueles que Cristo escolheu e consagrou e a quem deu o poder de exercerem, em seu nome, o seu sacerd&oacute;cio. &Agrave; liturgia da Igreja &eacute; Cristo que preside, Ele, o &uacute;nico Sacerdote, atrav&eacute;s dos Ap&oacute;stolos e seus sucessores. Aprofundaremos este tema na pr&oacute;xima Catequese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 28 de Fevereiro de 2010<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Cristo realiza, de forma perfeita e em plenitude, a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal&rdquo; &nbsp; Introdu&ccedil;&atilde;o Como vimos na primeira Catequese, no Antigo Testamento, o sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico, organizado na pesada estrutura sacerdotal do Templo de Jerusal&eacute;m, n&atilde;o foi fiel &agrave; pureza da atitude sacerdotal exigida pela santidade de Deus e pelo ideal de santidade, na fidelidade, que constitu&iacute;a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,246,91],"class_list":["post-43819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-liturgia","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43819"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43819\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}