{"id":43808,"date":"2010-02-27T11:23:07","date_gmt":"2010-02-27T11:23:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/27\/nota-pastoral-para-a-semana-caritas\/"},"modified":"2010-02-27T11:23:07","modified_gmt":"2010-02-27T11:23:07","slug":"nota-pastoral-para-a-semana-caritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-para-a-semana-caritas\/","title":{"rendered":"Nota pastoral para a Semana Caritas"},"content":{"rendered":"<p>Do Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social <!--more--> <\/p>\n<p>Jesus despendeu parte do seu tempo de miss&atilde;o a abrir os olhos dos disc&iacute;pulos. N&atilde;o se pode ser crist&atilde;o fora da realidade, sem estar atentos &agrave;s injusti&ccedil;as e desigualdades, &agrave;s pobrezas e exclus&otilde;es que vingam e crescem na hora presente. A primeira atitude perante tais situa&ccedil;&otilde;es seria de indigna&ccedil;&atilde;o &eacute;tica, nascida de uma consci&ecirc;ncia que considera sem sentido uma vida de costas voltadas para a compaix&atilde;o e a miseric&oacute;rdia diante dos pobres e exclu&iacute;dos. Esta causa para a Igreja fiel a Jesus n&atilde;o pode constituir uma causa de alguns mais sens&iacute;veis, mas a causa a que todos consagrem dedica&ccedil;&atilde;o e responsabilidade em ordem a erradicar a pobreza. Temos de chegar ao que a Caritas Europa chamou Pobreza zero.<\/p>\n<p>Imp&otilde;e-se, antes de mais, um conhecimento cr&iacute;tico e transparente da realidade, muito ocultada por mecanismos de interesses cruzados. Ir &agrave;s ra&iacute;zes das injusti&ccedil;as e destruir-lhes a fatalidade &eacute; trabalho de caridade e dever de cada ser humano diante de si pr&oacute;prio. H&aacute; solu&ccedil;&otilde;es para a pecaminosidade que a situa&ccedil;&atilde;o evidencia. Os pobres e exclu&iacute;dos n&atilde;o s&atilde;o realidade homog&eacute;nea e a nossa vis&atilde;o &eacute; situada e variada, a partir do ponto social em que a olhamos e consideramos. A convers&atilde;o do nosso olhar adquire objectividade para reconhecer que &eacute; o modelo de desenvolvimento que seguimos a abrir a nossa mente e cora&ccedil;&atilde;o aos que perdem os mais essenciais la&ccedil;os de perten&ccedil;a social e de cidadania consciente, propendem para a marginalidade, afastados das oportunidades de integra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A crescente tomada de consci&ecirc;ncia que os pobres e exclu&iacute;dos t&ecirc;m de si mesmos e a assun&ccedil;&atilde;o do seu caminho libertador, deve ser prosseguida como paciente servi&ccedil;o ao futuro. Importa passar ao seu terreno fazendo nosso o seu projecto, n&atilde;o dirigindo-o, mas apoiando-o, estando ao servi&ccedil;o. Ser companheiro das suas lutas e defensor dos seus interesses, ajud&aacute;-los a ter peso na sociedade implica em n&oacute;s um &ecirc;xodo mental e cultural, pol&iacute;tico e afectivo, muito adequado ao tempo quaresmal em que vivemos este dia Caritas.<\/p>\n<p>Conscientes, sem ingenuidade, da complexa globaliza&ccedil;&atilde;o com suas coordenadas geopol&iacute;ticas e ultrapassada a passividade e a indiferen&ccedil;a, tomamos posi&ccedil;&atilde;o e definimos estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o neste drama maior da hist&oacute;ria. Seria desperd&iacute;cio escandaloso gastar vida e recursos em tarefas superficiais e secund&aacute;rias, quando h&aacute; ocasi&atilde;o oportuna para ac&ccedil;&atilde;o urgente e eficaz.<\/p>\n<p>A complexidade dos problemas, dada a sua articula&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, pol&iacute;tica, cultural e socio-pedag&oacute;gica, torna a exclus&atilde;o um monstro, que alguns pensariam descart&aacute;vel. Ou seja: a dificuldade em enfrentar e curar o mal pode excluir a quest&atilde;o para os discursos da ret&oacute;rica, a que o ano europeu obriga. Ora, com os exclu&iacute;dos n&atilde;o importa jogar, mas intervir. A sua exist&ecirc;ncia denuncia as feridas do corpo social a que pertencemos. N&oacute;s estamos doentes com eles e necessitamos de uma opera&ccedil;&atilde;o. E a interven&ccedil;&atilde;o &eacute; prolongada.<\/p>\n<p>A vis&atilde;o de f&eacute; que nos sustenta faz-nos sentir afectados por esta situa&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento do mundo e rasgar caminhos do Reino novo que Jesus abriu e o Esp&iacute;rito do Senhor impele entre n&oacute;s. Neste ano &eacute; essencial estar com as pessoas exclu&iacute;das. &Eacute; op&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria que requer: tempo acolher e perceber as hist&oacute;rias de vida, paci&ecirc;ncia para os retrocessos, humildade para os avan&ccedil;os. No ambiente das pessoas exclu&iacute;das entra-se pouco a pouco, at&eacute; entendermos que o seu lugar &eacute; lugar de Deus. Podemos passar, tendo percursos diferentes, e reconhecendo a nossa alteridade, ser companheiros compassivos, com princ&iacute;pios, meios e recursos. &Eacute; esta rela&ccedil;&atilde;o que a todos humaniza e liberta. Esta proximidade destina-se a criar autonomia, de modo que as interven&ccedil;&otilde;es nas&ccedil;am, quanto poss&iacute;vel, da consci&ecirc;ncia dos atingidos pela exclus&atilde;o. O terreno &eacute; dif&iacute;cil para pessoas que perderam a sentido de perten&ccedil;a ao colectivo e vivem como an&oacute;nimos. O grande exerc&iacute;cio de transforma&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s da promo&ccedil;&atilde;o de valores e de atitudes, do desenvolvimento do sentido cr&iacute;tico, da participa&ccedil;&atilde;o activa, &eacute; pr&oacute;prio de quem acredita no futuro.<\/p>\n<p>Convido todos a viver o Dia caritas dispostos a repensar as suas atitudes para com a pobreza e a exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p><em>Lisboa, 14 de Fevereiro de 2010<br \/>D. Carlos A. Moreira Azevedo, Presidente da Comiss&atilde;o Episcopal de Pastoral Social<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[203,282,91],"class_list":["post-43808","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-europa","tag-pastoral-social","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43808\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}