{"id":437936,"date":"2026-08-21T10:00:23","date_gmt":"2026-08-21T09:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=437936"},"modified":"2026-08-11T16:49:01","modified_gmt":"2026-08-11T15:49:01","slug":"nao-podemos-ser-indiferentes-ao-drama-migratorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-podemos-ser-indiferentes-ao-drama-migratorio\/","title":{"rendered":"N\u00e3o podemos ser indiferentes ao drama migrat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Ant\u00f3nio Luciano, Bispo de Viseu<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_435294\" aria-describedby=\"caption-attachment-435294\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-435294\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/antonio-luciano-viseu2026.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-435294\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Viseu<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o podemos fechar os olhos e ser indiferentes ao drama humano migrat\u00f3rio. A vulnerabilidade a que est\u00e1 exposta hoje a maioria dos migrantes e descolados leva os crist\u00e3os a pensar com seriedade em todos aqueles que, por falta de trabalho, de casa, de p\u00e3o e de ordenado se sentem obrigados a sair da sua terra rumo a um destino desconhecido, onde a poss\u00edvel morte os surpreende e o futuro almejado se torna incerto.<\/p>\n<p>A realidade migrat\u00f3ria descontrolada, que continua a ser um tema atual e muito pertinente, como tem vindo a ser noticiado, levou os governantes da Europa comunit\u00e1ria a reunirem-se para tomar conta do fen\u00f3meno de milhares de pessoas vindas de Marrocos e de outros pa\u00edses de \u00c1frica que chegam por mar a Ceuta.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno \u00e9 um alerta para toda a comunidade internacional e para os respons\u00e1veis dos povos, que n\u00e3o podem ficar indiferentes \u00e0 fome, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 falta de dignidade e respeito pela pessoa humana em muitos lugares do mundo. Trata-se de gente jovem que foge dos seus pa\u00edses em busca de um futuro melhor, mas que apresenta ao mundo um cen\u00e1rio chocante em pleno s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Este m\u00eas, vivemos a Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, com o tema \u201cda Fragilidade \u00e0 Esperan\u00e7a\u201d, que nos convidou a renovar o nosso olhar sobre aqueles que deixam a sua terra em busca de seguran\u00e7a, melhores condi\u00e7\u00f5es, dignidade e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Se por um lado n\u00e3o podemos ignorar o sofrimento de quem parte, por outro lado n\u00e3o podemos permanecer alheios aos desafios que este fen\u00f3meno coloca a fim de dar a quem precisa o m\u00ednimo para viver com dignidade.<\/p>\n<p>Quando homens, mulheres e crian\u00e7as atravessam fronteiras movidos pelo desejo de uma vida melhor, muitas vezes marcados pela pobreza, pela inseguran\u00e7a e pelo desespero, a nossa consci\u00eancia \u00e9 chamada a responder. A indiferen\u00e7a nunca pode ser a atitude de quem reconhece em cada ser humano uma dignidade que n\u00e3o depende da sua origem, nacionalidade ou condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O acolhimento destas pessoas deve ser sempre pautado pelos princ\u00edpios do humanismo, mesmo que a resposta seja o regresso \u00e0s suas origens. As multid\u00f5es em busca de um n\u00edvel de vida melhor e os deslocados sem uma perspetiva de futuro s\u00e3o um fen\u00f3meno complexo e um grande flagelo mundial, que exige respostas s\u00e9rias, equilibradas e respons\u00e1veis no acolhimento e na integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que t\u00eam de ser encontradas solu\u00e7\u00f5es imediatas para a pol\u00edtica migrat\u00f3ria, mas com capacidade de resposta a longo prazo, que deem condi\u00e7\u00f5es de sustentabilidade a todos. \u00c9 esperado dos governantes que adotem medidas que regulem a situa\u00e7\u00e3o, mas que sejam profundamente humanistas e n\u00e3o apenas administrativas e pol\u00edticas e que respeitem a dignidade da pessoa humana. N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil fazer este caminho, mas torna-se urgente.<\/p>\n<p>\u00c0 luz dos valores defendidos pelo Papa Le\u00e3o XIV, que j\u00e1 manifestou a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o em Ceuta, somos chamados a colocar a pessoa humana no centro das nossas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Juntemo-nos ao seu pedido e rezemos pela paz, \u201cpara que cessem as guerras no mundo e se encontrem solu\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas para os conflitos\u201d.<\/p>\n<p>Que a empatia, o respeito e a solidariedade sejam as premissas principais na defesa e na promo\u00e7\u00e3o da dignidade dos migrantes, imigrantes e emigrantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que h\u00e1 quem se aproveite do sofrimento do outro para seu benef\u00edcio. Combater o tr\u00e1fico de seres humanos, promover vias seguras e legais de migra\u00e7\u00e3o, apoiar os pa\u00edses de origem e garantir condi\u00e7\u00f5es dignas de integra\u00e7\u00e3o para aqueles que permanecem t\u00eam de ser objetivos concretos, que devem ser dialogados e conhecidos por todos.<\/p>\n<p>A Igreja, especialmente neste tempo da Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, recorda que ningu\u00e9m deve ser reduzido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de estrangeiro ou de problema. Devemos, pelo contr\u00e1rio, saber acolher, integrar e apoiar. \u201cTudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irm\u00e3os, a Mim o fizestes\u201d (cf. Mt 25, 40).<\/p>\n<p>Que nas nossas par\u00f3quias, fam\u00edlias, locais de trabalho e grupos sociais saibamos dar a m\u00e3o, principalmente aos que v\u00eam de fora, com gestos concretos de partilha e de solidariedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Luciano, Bispo de Viseu<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":435294,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-437936","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=437936"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437936\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":437937,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437936\/revisions\/437937"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/435294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=437936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=437936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=437936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}