{"id":437842,"date":"2026-08-10T23:31:14","date_gmt":"2026-08-10T22:31:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=437842"},"modified":"2026-08-10T23:31:50","modified_gmt":"2026-08-10T22:31:50","slug":"sou-uma-multidao-porque-carrego-comigo-muitas-pessoas-que-fazem-parte-de-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sou-uma-multidao-porque-carrego-comigo-muitas-pessoas-que-fazem-parte-de-mim\/","title":{"rendered":"\u201cSou uma multid\u00e3o, porque carrego comigo muitas pessoas que fazem parte de mim\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Testemunho do comboniano P.e Jeremias dos Santos Martins, mission\u00e1rio em Mo\u00e7ambique. <\/em><\/strong><!--more--><\/p>\n<p>O P. Jeremias dos Santos Martins vive a sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em Mo\u00e7ambique, num bairro da periferia da cidade da Beira, que d\u00e1 pelo nome de Chota. \u00c9 mission\u00e1rio comboniano do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (mccj), natural da Vila do Soito, no concelho do Sabugal, onde nasceu a 28 de Outubro de 1952. Depois de ter feito a sua forma\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em Portugal e na Espanha e Fran\u00e7a, foi ordenado sacerdote a 30 de Julho de 1978 e alternou os per\u00edodos de miss\u00e3o em Portugal e Mo\u00e7ambique (1984 a 1998), com um per\u00edodo na \u00c1frica do Sul (2005 a 2015) e outro em Roma (de 2015 a 2022 como membro do Conselho Geral e Vig\u00e1rio-Geral do Instituto Comboniano). Regressou a Mo\u00e7ambique em 2023, onde se encontra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ele recorda assim, os in\u00edcios desta j\u00e1 longa caminhada da sua vida mission\u00e1ria&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u201cComo mission\u00e1rio comboniano, a miss\u00e3o ad gentes faz parte do meu ser. Desde adolescente, quando fui interpelado sobre se queria ser mission\u00e1rio, senti este desejo de sair e partir ao encontro de outros povos para lhes levar a mensagem de Jesus. O caminho n\u00e3o foi f\u00e1cil, pois foi preciso dar espa\u00e7o a um processo de crescimento desse desejo, que se foi consolidando em mim. Atrav\u00e9s das v\u00e1rias perip\u00e9cias da vida, permaneceu firme e claro em mim que o Senhor me chamava para a miss\u00e3o. Aos 18 anos, quando entrei no noviciado em Espanha, tomei essa decis\u00e3o firme de permanecer naquele caminho que com a ajuda da minha fam\u00edlia, dos formadores, e tantos amigos se ia tornando mais evidente. O continente africano tinha-se tornado para mim um sonho como o tinha sido para Comboni. Por isso, antes da minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal em julho de 1978, eu tinha formulado o meu desejo de partir para esse continente. Como primeira op\u00e7\u00e3o eu pensei no Egipto, a porta da \u00e1frica, e no Congo (RDC) onde em 1964 tinham sido assassinados quatro mission\u00e1rios Combonianos, na revolta dos Simba, na qual foi assassinada tamb\u00e9m a Beata Anuarite, irm\u00e3 congolesa, em processo de canoniza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o parti imediatamente para a \u00c1frica. Fiquei seis anos em Portugal, no trabalho de forma\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o missionaria. S\u00f3 em 1984 se concretizou o sonho, mas n\u00e3o me tocou em sorte nenhum desses pa\u00edses que eu mencionei em cima; fui destinado a Mo\u00e7ambique.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Mo\u00e7ambique de ent\u00e3o n\u00e3o era o de hoje, apesar de haver problemas que permanecem&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u201cNaquele momento Mo\u00e7ambique estava mergulhado numa guerra civil que durou 16 anos, de 1976 a 1992. Mo\u00e7ambique tornou-se pouco a pouco a minha segunda p\u00e1tria. Aqui, no meio de uma guerra atroz, que dizimou mais de 1.000.000 de pessoas e entres estes muitos mission\u00e1rios, vivi os momentos mais felizes da minha vida, no meio de muito sofrimento. Pode parecer contradit\u00f3rio, mas \u00e9 mesmo assim. Nos tempos dif\u00edceis da vida de um povo, partilhar a sua sorte, fazer causa comum, rezar juntos e lutar pela paz, alimentando esse sonho, vivi essa alegria de fazer causa comum com o povo mo\u00e7ambicano. Essa miss\u00e3o continua hoje, embora em contextos diferentes.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como caracterizarias o Mo\u00e7ambique de hoje, o pa\u00eds e as suas gentes?<\/em><\/p>\n<p>\u201cQuando regressei, em 2023, o pa\u00eds gozava de paz relativa e com grandes possibilidades de crescimento devido aos v\u00e1rios recursos materiais que foram descobertos nestes \u00faltimos anos. Mo\u00e7ambique apresenta-se hoje com imensos recursos naturais, al\u00e9m das potencialidades agr\u00edcolas que ocupam 80% da popula\u00e7\u00e3o, e fornece meios de subsist\u00eancia para a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Os recursos s\u00e3o g\u00e1s, petr\u00f3leo, carv\u00e3o, rubis, areias pesadas, madeiras preciosas, al\u00e9m de praias paradis\u00edacas, que atraem os turistas dos pa\u00edses vizinhos. Todavia, apesar de tantos recursos e capacidades deste pa\u00eds, \u00e0 beira do \u00cdndico, e da sua popula\u00e7\u00e3o, existem grandes lacunas na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, nas redes vi\u00e1rias e meios de comunica\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o grandes desafios com os quais se depara a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cresceu muito nestes \u00faltimos 24 anos, de 18 para 36.5 milh\u00f5es de habitantes em 2026, com uma idade mediana de 16,6 anos e 42,1% da popula\u00e7\u00e3o vivendo em \u00e1reas urbana. A maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 jovem pois mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o tem menos de 17 anos de idade. O povo de Mo\u00e7ambique \u00e9 um povo d\u00f3cil, acolhedor e aberto ao diferente. \u00c9 tamb\u00e9m um povo resiliente, que tem passado atrav\u00e9s de muito sofrimento, mas sempre com a capacidade de regenerar-se e de celebrar a vida com alegria.<\/p>\n<p>Do ponto de vista religioso, al\u00e9m da Igreja cat\u00f3lica, prosperam muitas igrejas independentes, igrejas evang\u00e9licas, e o mu\u00e7ulmanismo que subtilmente vai ganhando sempre mais terreno, fen\u00f3meno bem vis\u00edvel nas muitas mesquitas na cidade espalhadas pela cidade e nas pessoas que aderem \u00e0 religi\u00e3o mu\u00e7ulmana. H\u00e1 tamb\u00e9m um pequeno grupo hindu. Todas estas diferentes denomina\u00e7\u00f5es religiosas convivem pacificamente e colaboram para o bem comum do povo mo\u00e7ambicano.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Contextos diferentes&#8230;tamb\u00e9m estiveste noutros pa\u00edses? E o contexto de hoje&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u201cMais tarde, trabalhei tamb\u00e9m na \u00c1frica do Sul por 10 anos e voltei de novo a Mo\u00e7ambique em mar\u00e7o de 2023. Agora \u00e9 aqui, no centro do pa\u00eds, na cidade da Beira, onde me \u00e9 pedido de exercer o meu servi\u00e7o mission\u00e1rio; de 1984 a 1999, o meu trabalho realizou-se sobretudo no norte do pa\u00eds, na prov\u00edncia de Nampula.<\/p>\n<p>A Beira \u00e9 considerada, presentemente, a terceira cidade do pa\u00eds em popula\u00e7\u00e3o e encontra-se em franco desenvolvimento, estendendo-se sobretudo para o norte, pois estando situada abaixo do n\u00edvel do mar, est\u00e1 muito sujeita a ciclones e tempestades que a t\u00eam posto de joelhos ao longo dos anos. O \u00faltimo grande ciclone destruiu quase completamente a cidade em 2019, o ciclone IDAI, que arrasou a cidade e seus arredores cujos sinais s\u00e3o ainda hoje evidentes.<\/p>\n<p>Aqui me encontro como p\u00e1roco de uma par\u00f3quia jovem na periferia da cidade, Chota. Partilho esta responsabilidade com um outro mission\u00e1rio comboniano, natural do Qu\u00e9nia. S. Mateus evangelista \u00e9 o padroeiro desta Par\u00f3quia. A maioria dos fi\u00e9is desta s\u00e3o jovens e muita gente nova, que vem viver para o local onde a par\u00f3quia se encontra, junta-se \u00e0 comunidade, que continua a crescer em quantidade e em qualidade. Crian\u00e7as, jovens e adultos que se inspiram no estilo das primeiras comunidades crist\u00e3s vivem a sua f\u00e9 com alegria e entusiasmo, partilham o que t\u00eam uns com os outros e est\u00e3o atentos, de um modo particular, aos mais necessitados (10% do d\u00edzimo da par\u00f3quia \u00e9 partilhado todos os meses com os mais pobres da par\u00f3quia).\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A miss\u00e3o em Mo\u00e7ambique vive um momento particular: que aspecto sublinharias no contexto concreto em que a vives? <\/em><\/p>\n<p>\u201cA vida da comunidade paroquial decorre normalmente como a de tantas par\u00f3quias do mundo e de \u00c1frica. Todavia, h\u00e1 aspectos que s\u00e3o particulares nesta pequena parcela da Igreja que vive na Chota: h\u00e1 um desejo grande de crescer na f\u00e9, de viver em comunh\u00e3o uns com os outros, desejo de comunicar e de se encontrar para celebrar a f\u00e9. H\u00e1 muitas crian\u00e7as e jovens na par\u00f3quia que frequentam a catequese. Temos mais de 900 pessoas inscritas na catequese, onde 80% s\u00e3o crian\u00e7as e jovens. Estes tamb\u00e9m se inserem nos v\u00e1rios grupos existentes na comunidade: os ac\u00f3litos, a inf\u00e2ncia mission\u00e1ria, os leitores, os catequistas, a comunica\u00e7\u00e3o, o coro paroquial, os v\u00e1rios movimentos laicais, Franciscanos, Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, Legi\u00e3o de Maria, Leigos Combonianos. Queremos que todos fa\u00e7am parte de algum destes grupos, que se sintam sujeitos de evangeliza\u00e7\u00e3o, participantes activos no crescimento da comunidade. Atrav\u00e9s dos diferentes minist\u00e9rios laicais institu\u00eddos na par\u00f3quia (miseric\u00f3rdia, esperan\u00e7a, justi\u00e7a e paz e integridade da cria\u00e7\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o, \u2026) a comunidade procura estar presente na vida das pessoas em momentos de alegria e de esperan\u00e7a, de tristeza e sofrimento, de modo que estas se sintam apoiadas nestes momentos da sua vida.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que a comunidade responde \u00e0s necessidades das crian\u00e7as e dos jovens? <\/em><\/p>\n<p>\u201cTendo em conta o grande n\u00famero de crian\u00e7as na zona da par\u00f3quia, crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os, e o baixo n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o em Mo\u00e7ambique, a par\u00f3quia est\u00e1 a construir um espa\u00e7o para jardim infantil e escola prim\u00e1ria. Aqui as crian\u00e7as e tamb\u00e9m os jovens poder\u00e3o encontrar n\u00e3o s\u00f3 um espa\u00e7o educativo, mas tamb\u00e9m um lugar onde poder\u00e3o estudar nos tempos extraescolares, uma esp\u00e9cie de ATL. Este espa\u00e7o ser\u00e1 tamb\u00e9m de grande utilidade para a par\u00f3quia, para o desenvolvimento das diferentes actividades paroquiais, reuni\u00f5es, catequese, celebra\u00e7\u00f5es v\u00e1rias. A par\u00f3quia n\u00e3o tem igreja, mas apenas um sal\u00e3o polivalente que responde \u00e0s v\u00e1rias necessidades da vida da par\u00f3quia.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que consideras ser a for\u00e7a propulsionadora da miss\u00e3o no contexto em que a vives?<\/em><\/p>\n<p>\u201cUm aspecto importante da miss\u00e3o e da vida da comunidade crist\u00e3 \u00e9 a liturgia. Todos conhecemos como \u00e9 vivida a liturgia em \u00c1frica. As celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, a Eucaristia ou outras celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o vividas com grande participa\u00e7\u00e3o de todos. Ningu\u00e9m se sente espectador, mas participante activo, cantando, dan\u00e7ando, tocando v\u00e1rios instrumentos. Desde os mais novos aos mais velhos, todos participam na grande festa da fam\u00edlia, sobretudo na eucaristia dominical. A comunidade n\u00e3o se cansa de celebrar, de agradecer e louvar a Deus. Mas em tudo isto tamb\u00e9m a comunidade deve crescer na f\u00e9, no compromisso social, na comunh\u00e3o, na procura do bem comum, no sentido de perten\u00e7a. H\u00e1 sempre espa\u00e7o para melhorar.<\/p>\n<p>Depois, penso que a miss\u00e3o \u00e9 levada para a frente com a ora\u00e7\u00e3o pessoal, no encontro personalizado com Jesus, primeiro mission\u00e1rio do Pai, e tamb\u00e9m com a ora\u00e7\u00e3o das pessoas com quem trabalho no dia a dia, e ainda as pessoas que desde a retaguarda acompanham e vivem a miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada. Sinto muito presente a minha fam\u00edlia, os amigos e a par\u00f3quia que me viu nascer e me enviou em miss\u00e3o. O povo do Soito (Sabugal) minha terra natal e o meu p\u00e1roco t\u00eam cultivado ao longo dos anos um forte sentido de miss\u00e3o. As pessoas da minha par\u00f3quia, que me acarinharam ao longo dos anos, manifestam constantemente a sua amizade, solidariedade e caridade mission\u00e1rias. Elas t\u00eam sido para mim e para os outros mission\u00e1rios da minha terra um grande suporte mission\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para ti pessoalmente, de onde vem a for\u00e7a para ser mission\u00e1rio no meio das inevit\u00e1veis dificuldades?<\/em><\/p>\n<p>\u201cPara mim, a raz\u00e3o e o motor de tudo \u00e9 a miss\u00e3o de Deus, a <em>missio Dei<\/em>, conforme a entende o Vaticano II: \u201cA Igreja peregrina \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria, visto que tem a sua origem, segundo o des\u00edgnio de Deus Pai, na \u00abmiss\u00e3o\u00bb do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (AG 2ss).<\/p>\n<p>A miss\u00e3o, enraizada no Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, ao estilo de Comboni, foi sempre o centro da minha vida, o foco principal de tudo o que eu sou e fiz at\u00e9 hoje. A partir do tempo de noviciado at\u00e9 ao dia de hoje, sempre foi claro para mim que Deus me queria mission\u00e1rio. \u00c9 evidente que n\u00e3o faltaram questionamentos, fracassos e desilus\u00f5es, medos e infidelidades e tamb\u00e9m algumas d\u00favidas minhas e dos que me acompanhavam. Mas havia uma certeza de fundo que n\u00e3o desaparecia. Voltava sempre em mim a Palavra de Deus, \u201cbasta-te a minha gra\u00e7a\u201d. Ou ainda a palavra dirigida ao profeta Jeremias: antes que fosses formado no seio de tua m\u00e3e, eu te consagrei, para fazer de ti profeta das na\u00e7\u00f5es (cf. Jer. 1,5). Na simples recorda\u00e7\u00e3o da minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal eu coloquei a frase com a qual me identifico como mission\u00e1rio: \u201co Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, pois me ungiu para proclamar a boa nova aos pobres\u201d (Luc. 4,18). S\u00e3o as palavras de Isa\u00edas que Jesus, em Nazar\u00e9, aplica a si pr\u00f3prio: \u201cesta Palavra que acabais de ouvir realiza-se Hoje!\u201d.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que sentimento prevalece em ti ao olhar para tr\u00e1s, ao fazer mem\u00f3ria do caminho andado?<\/em><\/p>\n<p>\u201cPrevalece o sentimento de recordar para agradecer! Ao olhar para tr\u00e1s, aos mais de 50 anos de vida consagrada \u00e0 miss\u00e3o, dou-me conta de como \u00e9 consolador fazer mem\u00f3ria dos anos passados, das pessoas, dos povos que encontrei, dos eventos que marcaram o caminho mission\u00e1rio da minha vida e cresce em mim um sentido profundo de gratid\u00e3o e o desejo de saborear ainda mais em profundidade a bondade e a miseric\u00f3rdia de Deus. Diria como Mons. \u00d3scar Romero: sou uma multid\u00e3o, porque carrego comigo muitas pessoas, pelas quais estou grato e que fazem parte de mim.\u201d<\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-437842 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/padre-jeremias-2.jpg'><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"267\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/padre-jeremias-2-400x267.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/padre-jeremias-2-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/padre-jeremias-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/padre-jeremias-2-768x512.jpg 768w, 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