{"id":43708,"date":"2010-02-23T11:37:21","date_gmt":"2010-02-23T11:37:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/23\/esperanca-apesar-do-mal\/"},"modified":"2010-02-23T11:37:21","modified_gmt":"2010-02-23T11:37:21","slug":"esperanca-apesar-do-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/esperanca-apesar-do-mal\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a apesar do Mal"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver a C\u00e1ritas como uma refer\u00eancia de compromisso, de esperan\u00e7a, de f\u00e9 e de amor pelo pr\u00f3ximo. Um sinal concreto de que \u00e9 sempre poss\u00edvel acreditar  <!--more--> <\/p>\n<p>&#8220;Ilus&atilde;o das ilus&otilde;es&rdquo;, disse Qoh&eacute;let, &ldquo;ilus&atilde;o das ilus&otilde;es: tudo &eacute; ilus&atilde;o. Uma gera&ccedil;&atilde;o passa, outra vem; e a terra permanece sempre&rdquo;. O que vale, afinal, o ser humano?<\/p>\n<p>Ap&oacute;s termos sido confrontados, h&aacute; pouco mais de um m&ecirc;s, com as imagens tremendas da devasta&ccedil;&atilde;o no Haiti, chegam da Madeira outras igualmente devastadoras, que deixaram atr&aacute;s de si um inimagin&aacute;vel rasto de morte e destrui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Imposs&iacute;vel n&atilde;o ficar perturbado perante a desfigura&ccedil;&atilde;o quase completa de uma cidade, a perda de tantas vidas, o sofrimento de quem nada fez para o &ldquo;merecer&rdquo; nem o poderia prever.<\/p>\n<p>&Eacute; essa ali&aacute;s a quest&atilde;o mais dolorosa para quem vive esta situa&ccedil;&atilde;o de longe e n&atilde;o tem de estar mergulhado na lama ou a tentar arrancar do seu caminho as pedras que impedem uma vida normal, constru&iacute;da tantas vezes &agrave; custa de muito trabalho e suor: Porque? Porque sofre o inocente? Porque morrem uma jovem m&atilde;e, uma crian&ccedil;a, um idoso que dormia descansado?<\/p>\n<p>A viol&ecirc;ncia do que vemos &eacute; assim intensificada por estas perguntas que nos acompanham perante tais imagens. Custa acreditar que o sofrimento tenha um qualquer objectivo purificador, que a vida tenha um sentido para l&aacute; deste &ldquo;sem-sentido&rdquo; em que a natureza nos reduz a uma terr&iacute;vel insignific&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Em boa verdade, &eacute; nestas situa&ccedil;&otilde;es que nos confrontamos com uma verdade incontorn&aacute;vel sobre a nossa humanidade: n&atilde;o temos respostas. Pensamos que sim, gostamos de acreditar que o questionamento constante ter&aacute; um resultado &oacute;bvio, feliz, mas &agrave;s vezes nem mesmo o fim do caminho parece lan&ccedil;ar alguma luz sobre o percurso que se acabou de fazer. Resta-nos questionar. E acreditar mesmo quando, aparantemente, n&atilde;o h&aacute; esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Job, s&iacute;mbolo b&iacute;blico do sofrimento do inocente, dizia a certa altura: &ldquo;Recordai-Vos que a minha vida n&atilde;o passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais ver&atilde;o a felicidade&rdquo;. Mergulhado num sofrimento terr&iacute;vel, tinha respostas definitivas. Enganava-se.<\/p>\n<p>Sem respostas, pelo menos as que desejar&iacute;amos ou as suficientemente &oacute;bvias para que as possamos perceber, parece imposs&iacute;vel que haja lugar para a esperan&ccedil;a. Felizmente, h&aacute; alguns dos melhores entre n&oacute;s que n&atilde;o param perante estas calamidades e lan&ccedil;am imediatamente m&atilde;os &agrave; obra para que o terr&iacute;vel presente destrua apenas o passado (se assim tiver sido) e n&atilde;o hipoteque por completo o futuro.<\/p>\n<p>No nosso pa&iacute;s, quando chegam estes momentos, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o ver a C&aacute;ritas como uma refer&ecirc;ncia de compromisso, de esperan&ccedil;a, de f&eacute; e de amor pelo pr&oacute;ximo. Um sinal concreto de que &eacute; sempre poss&iacute;vel acreditar. Em todas as lutas.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Oct&aacute;vio Carmo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver a C\u00e1ritas como uma refer\u00eancia de compromisso, de esperan\u00e7a, de f\u00e9 e de amor pelo pr\u00f3ximo. Um sinal concreto de que \u00e9 sempre poss\u00edvel acreditar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[125,335],"class_list":["post-43708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-caritas","tag-haiti"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43708\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}