{"id":436993,"date":"2026-08-03T09:05:39","date_gmt":"2026-08-03T08:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=436993"},"modified":"2026-08-03T08:59:50","modified_gmt":"2026-08-03T07:59:50","slug":"peregrinar-a-fatima-para-quando-causa-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/peregrinar-a-fatima-para-quando-causa-nacional\/","title":{"rendered":"Peregrinar a F\u00e1tima &#8211; Para quando, causa nacional?"},"content":{"rendered":"<p><em>Lu\u00eds Silva, Diocese de Aveiro<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266200 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/LuisSilva-Aveiro.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Este texto \u00e9 um lamento\u2026 E quer tornar-se um grito de proje\u00e7\u00e3o nacional. (N\u00e3o pe\u00e7o pouco!)<\/p>\n<p>Por todos os que, enquanto peregrinos de F\u00e1tima, j\u00e1 ficaram na berma das estradas, e para que todos, no futuro, possam chegar ao \u2018altar do mundo\u2019 sem temer, a cada passo, pela vida.<\/p>\n<p>Come\u00e7o em 1997\u2026<\/p>\n<p>Participei, entre os dias 19 e 24 de agosto desse ano, na XII Jornada Mundial da Juventude, em Paris. Foi a primeira vez que o programa da Jornada previu os dias nas dioceses. Passei-os em Nantes.<\/p>\n<p>Fui acolhido numa fam\u00edlia de tr\u00eas filhos, duas raparigas, mais velhas, e o \u2018Beno\u00eet\u2019, mais novo.<\/p>\n<p>Cheg\u00e1mos, ao final da tarde, e, ao jantar, mal nos sent\u00e1mos \u00e0 mesa, pedem-nos (\u00e9ramos dois jovens da Diocese de Aveiro, acolhidos por aquela fam\u00edlia): \u2018falem-nos de F\u00e1tima!\u2019.<\/p>\n<p>Imaginem-se os olhos atentos, voltados para n\u00f3s, olhos de quem \u00e9 \u2018s\u00f3 ouvidos\u2019.<\/p>\n<p>Virei-me para o meu colega, em sil\u00eancio interrogativo, como que inquirindo: \u2018o que vamos dizer?\u2019.<\/p>\n<p>Percebi, nesse momento, eu, um jovem de 24 anos, que o mundo olhava para Portugal pela lupa de F\u00e1tima. \u2018Portugal\u2019 era \u2018F\u00e1tima\u2019!<\/p>\n<p>E se a minha viv\u00eancia o evidencia com um \u2018saber de experi\u00eancia feito\u2019, bastaria olhar para os cerca de 6 milh\u00f5es e meio de peregrinos, provindos de 84 nacionalidades diferentes, que visitaram F\u00e1tima, em 2025, para se perceber a dimens\u00e3o do impacto de F\u00e1tima no mundo.<\/p>\n<p>Mas, curiosamente, Portugal parece desconhecer que tem F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Portugal parece continuar a pensar F\u00e1tima como a pensavam os primeiros que dela ouviram falar: \u2018coisa de mi\u00fados\u2019, uma \u2018constru\u00e7\u00e3o que cair\u00e1, por si\u2019, \u2019coisa de uns poucos\u2019!<\/p>\n<p>Estranhamente (ou talvez n\u00e3o!), para os portugueses que dirigem os destinos da na\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas municipais, assim como para os focos medi\u00e1ticos, o assunto parece reduzido a \u2018interesse paroquial\u2019 (no preconceituoso sentido que a palavra \u2018paroquial\u2019 adquiriu, no uso habitual).<\/p>\n<p>Regressemos, com estes dados da minha hist\u00f3ria e da estat\u00edstica, ao foco da minha reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Percorri, com o meu filho mais velho, de 19 anos, entre os dias 22 e 25 de julho de 2026, os 163 quil\u00f3metros que separam a Igreja de S\u00e3o Tiago de Bedu\u00eddo e o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Acompanhei, como \u2018carro de apoio\u2019, o demorado peregrinar do meu filho, mas sofri, na alma, as dores de todos os que somam \u00e0s bolhas nos p\u00e9s e \u00e0s dores musculares, o sobressalto da velocidade dos carros (e cami\u00f5es, principalmente!) que parecem acelerar quando se aproximam de quem faz daquele caminhar uma met\u00e1fora viva da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Os sobressaltos com que percorri a nacional 1, com desniveladas bermas de uma estrada que parece servir provas n\u00e3o autorizadas de competi\u00e7\u00e3o automobil\u00edstica e em que se nos anuncia a cada passo que pode colocar-se em fole o colete com que nos iludimos de prote\u00e7\u00e3o ou ser-nos arrancado, da nossa cabe\u00e7a, o ligeiro chap\u00e9u que nos abriga do t\u00f3rrido sol\u2026 estes sobressaltos continuam pungentes e v\u00edvidos, no meu cora\u00e7\u00e3o de pai. E, no meu sentir, o de tantos que, ano ap\u00f3s ano, fazem o mesmo percurso. Como peregrinos de um existir que se faz de conta n\u00e3o saber\u2026<\/p>\n<p>Assumi, ao longo deste caminho, que esta seria uma nova causa que abra\u00e7aria: exigir, junto de quem governa, colocar os percursos de F\u00e1tima como mat\u00e9ria de disponibiliza\u00e7\u00e3o de meios para que n\u00e3o se tenha de acrescentar, \u00e0s dores pr\u00f3prias do caminhar, os medos de se ser levado, arrastado pelo vento de quem tem uma \u2018arma de quatro rodas\u2019.<\/p>\n<p>Inquieta-me que, num tempo em que todas as causas s\u00e3o abra\u00e7adas como de \u2018vida ou de morte\u2019, se abandone \u00e0 morte aqueles que s\u00f3 querem \u00e9 caminhar \u2018pela\u2019 vida.<\/p>\n<p>Confesso que n\u00e3o compreendo\u2026<\/p>\n<p>Bem certo que, \u00e0 medida que nos aproximamos do Santu\u00e1rio, as sinal\u00e9ticas v\u00e3o auxiliando a orienta\u00e7\u00e3o, mas podia pedir-se mais\u2026 Muito mais!<\/p>\n<p>F\u00e1tima tem uma localiza\u00e7\u00e3o exata. N\u00e3o seria necess\u00e1rio fazer refor\u00e7o de passeio de ambos os lados da estrada. N\u00e3o se vai de Viseu para F\u00e1tima dirigindo-se para norte. \u00c9 f\u00e1cil identificar o lado do passeio que necessitaria de ser ampliado para permitir que os peregrinos caminhassem seguros. Ou outras solu\u00e7\u00f5es poderiam ser adotadas, como, a t\u00edtulo exemplificativo, melhorar estradas paralelas j\u00e1 existentes, cujo p\u00f3 soma boca seca \u00e0 secura do sol\u2026 Deixo o repto de que esta seja mat\u00e9ria para projetos de empreendedorismo de escolas e autarquias, por exemplo.<\/p>\n<p>Observei que, paradoxalmente, em muitos casos, o lado do passeio mais refor\u00e7ado \u00e9 o que leva de volta a casa\u2026 O peregrinar faz-se, contudo, no sentido contr\u00e1rio\u2026<\/p>\n<p>Ironias \u00e0 parte, toma-me o desejo de que este seja o in\u00edcio de uma causa de muitos, para que todos possam ser peregrinos at\u00e9 ao seu destino, antes que o \u2018destino\u2019 os impe\u00e7a de terminar o seu peregrinar, por, de vez, se findar a sua condi\u00e7\u00e3o de peregrinos na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 maior resili\u00eancia do que a de quem sai do seu conforto para p\u00f4r p\u00e9s ao caminho? Bastaria, ent\u00e3o, somar-se-lhe um qualquer programa de recupera\u00e7\u00e3o, para quando tiver, finalmente, chegado ao seu destino!&#8230;<\/p>\n<p>Ah, como \u00e9 simb\u00f3lica a condi\u00e7\u00e3o do peregrino! E qu\u00e3o simb\u00f3lica \u00e9, tamb\u00e9m, do fazer-se pol\u00edtico o abandono a que se tem votado o peregrinar aut\u00eantico de Portugal!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Silva, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":266200,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-436993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=436993"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":436994,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436993\/revisions\/436994"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=436993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=436993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=436993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}