{"id":436762,"date":"2026-07-31T11:49:29","date_gmt":"2026-07-31T10:49:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=436762"},"modified":"2026-07-31T13:22:05","modified_gmt":"2026-07-31T12:22:05","slug":"jesuitas-profundidade-espiritual-pastoral-e-intelectual-definem-programa-do-padre-antonio-valerio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jesuitas-profundidade-espiritual-pastoral-e-intelectual-definem-programa-do-padre-antonio-valerio\/","title":{"rendered":"Jesu\u00edtas: Profundidade espiritual, pastoral e intelectual definem programa do padre Ant\u00f3nio Val\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>No dia de Santo In\u00e1cio de Loiola, 31 de julho, publicamos integralmente a entrevista do novo provincial da Companhia de Jesus em Portugal \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, que aponta o \u00abimperativo mission\u00e1rio\u00bb e a necessidade de \u00abir ao encontro de outras realidades\u00bb como marcas do mandato que inicia<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_64515\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MfBu-8BYb2Q?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Ag\u00eancia Ecclesia <\/em>\u2013 <em>No dia da tomada de posse, disse que os jesu\u00edtas devem sair dos seus lugares afetivos, existenciais e geogr\u00e1ficos. Como concretizar esse seu prop\u00f3sito? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Padre Ant\u00f3nio Val\u00e9rio \u2013 Muito obrigado por esta oportunidade de podermos conversar no in\u00edcio desta miss\u00e3o, que abra\u00e7o com generosidade, como um dom que acolho de Deus e que ponho ao servi\u00e7o da Companhia e ao servi\u00e7o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As palavras que disse no in\u00edcio do meu mandato, na Missa de tomada de posse, \u00e9 este convite a sair de si mesmo. Nos ritmos que temos, n\u00f3s religiosos, uma ordem religiosa, a Igreja em si, n\u00e3o pode estar fora \u2013 e n\u00e3o est\u00e1 fora \u2013 do contexto de hoje, da velocidade da informa\u00e7\u00e3o, das coisas que acontecem. Quando se tem um cora\u00e7\u00e3o generoso e desejoso de responder \u00e0s necessidades, a nossa tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 dizer a tudo que sim e responder a tudo. Mas \u00e9 preciso sair dessas zonas, de uma forma que seja pensada interiormente, n\u00e3o tanto a partir das institui\u00e7\u00f5es, mas sobretudo sentindo o desejo mission\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu creio que a Igreja, com o Papa Francisco, mas j\u00e1 antes, tinha muito esta ideia:\u00a0 a Igreja \u00e9 enviada em miss\u00e3o para fora de si mesma, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um s\u00edtio onde as pessoas v\u00eam procurar algo, mas tem de ir ao encontro, onde as pessoas est\u00e3o. Por isso, sair dos lugares institucionais, dos lugares existenciais, das pr\u00f3prias ideias. Estamos numa mudan\u00e7a de paradigma muito grande e, por isso, \u00e9 important\u00edssimo que esta atitude seja a primeira: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 acolher aqueles que v\u00eam ter comigo, mas dar respostas, ir ao encontro e acolher aqueles que est\u00e3o l\u00e1 fora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Grav\u00e1mos esta conversa no ambiente dos jesu\u00edtas, em Lisboa, onde existe o CUPAV, o Col\u00e9gio S\u00e3o de Brito, a Casa Provincial&#8230; H\u00e1 uma dimens\u00e3o f\u00edsica e geogr\u00e1fica que \u00e9 necess\u00e1rio levar por diante: sair destes espa\u00e7os?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Claramente! A miss\u00e3o do provincial \u00e9 uma miss\u00e3o de estar aqui: tem o seu trabalho na C\u00faria Provincial, na parte mais formal do que \u00e9 administrar uma prov\u00edncia e os jesu\u00edtas que l\u00e1 est\u00e3o, as comunidades, as obras, as pessoas com quem colaboramos; mas passa mais de metade do ano a visitar as comunidades e as obras, no resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>A conjugar esse verbo acompanhar&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Acompanhar. Isso \u00e9 o que me tem motivado mais. E, interiormente, tenho trabalhado mais a quest\u00e3o do acompanhar, do animar, do entusiasmar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estar envolvido, neste caso em Lisboa, por um col\u00e9gio e por um centro universit\u00e1rio ajuda muito a dizer que estamos em \u00e1reas que sempre foram, mas atualmente ainda ganham uma relev\u00e2ncia maior, as fronteiras a que somos enviados: o trabalho com os jovens, o trabalho da interioridade que se faz num centro universit\u00e1rio, a forma\u00e7\u00e3o, e todas as gest\u00f5es educativas que t\u00eam a ver com formar pessoas para o futuro, um futuro incerto&#8230; N\u00f3s n\u00e3o sabemos o futuro que nos espera.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>\u00c9 esse o acontecer da mudan\u00e7a de paradigma que falava?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Sim&#8230; O Papa Le\u00e3o, seja na escolha do seu nome, seja agora na primeira enc\u00edclica que ele publicou, ele segue&#8230; Tal como o Papa Le\u00e3o XIII foi important\u00edssimo numa era de grande revolu\u00e7\u00e3o e de uma mudan\u00e7a de paradigma, na revolu\u00e7\u00e3o industrial, n\u00f3s estamos a meio de uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica na qual ainda n\u00e3o nos conseguimos situar. Aquela enc\u00edclica do Papa Le\u00e3o p\u00f5e-nos no centro de uma mudan\u00e7a e quer dar-nos algumas coordenadas para nos orientarmos. Por isso, estamos numa mudan\u00e7a de paradigma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Se olharmos para a Prov\u00edncia da Companhia de Jesus em Portugal, vemos col\u00e9gios, par\u00f3quias, obras sociais, centros universit\u00e1rios, centros culturais&#8230; S\u00e3o tudo projetos a dinamizar e a fomentar de uma forma quase paralela, ou tem prioridades?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 \u00c9 claro que esses projetos t\u00eam de continuar, e continuar\u00e3o todos, e acho que todos eles s\u00e3o prioridades. Se falarmos do acompanhamento dos jovens, da interioridade, da espiritualidade que \u00e9 pr\u00f3pria da Companhia, do trabalho com os mais pobres&#8230; Todos continuam a ser prioridades apost\u00f3licas da prov\u00edncia. Mas a partir de um dinamismo que deveria ser impresso a partir da profundidade espiritual, da profundidade pastoral, de sabermos quais s\u00e3o os prop\u00f3sitos da maneira como n\u00f3s fazemos as coisas, e a profundidade intelectual, que n\u00e3o \u00e9 fazer coisas, mas \u00e9 pensar, refletir e tamb\u00e9m transmitir pensamento sobre aquilo que estamos a fazer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Gostava de referir tamb\u00e9m as Prefer\u00eancias Apost\u00f3licas da congrega\u00e7\u00e3o, 2019-2029: dar prioridade aos Exerc\u00edcios Espirituais, estar junto dos pobres, junto dos jovens e cuidar da casa comum. \u00c9 por a\u00ed o seu programa?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AE \u2013 O plano apost\u00f3lico foi feito e est\u00e1 em continuidade. A linha de fundo s\u00e3o estas prefer\u00eancias apost\u00f3licas que foram decididas pela Companhia para este per\u00edodo de dez anos, que agora, ao final dos dez anos, ser\u00e3o revistas. Continuam a ser a prioridade dentro da miss\u00e3o da prov\u00edncia, no discernimento que vai sendo feito a n\u00edvel da a\u00e7\u00e3o pastoral nas v\u00e1rias obras e comunidades, foi pedido e continua a ser pedido que estas prefer\u00eancias estejam sempre como crit\u00e9rio de discernimento sobre o modo de agir, sobre as op\u00e7\u00f5es que se fazem no terreno e no dia a dia, na colabora\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Creio que todas elas s\u00e3o importantes e est\u00e3o efetivas! Aquela que \u00e9 sempre mais dif\u00edcil de concretizar, \u00e9 o cuidado da casa comum, que n\u00e3o \u00e9 um problema s\u00f3 nosso: como \u00e9 que encaixamos esta prioridade dentro do que \u00e9 uma mudan\u00e7a de mentalidade? Creio que tamb\u00e9m tem a ver com a mudan\u00e7a de paradigma: \u00e9 uma nova ecologia que est\u00e1 \u00e0 nossa volta, onde a tecnologia est\u00e1 \u00e0 nossa frente e, por isso, temos de lhe responder. O Papa Le\u00e3o falava na sua enc\u00edclica de uma ecologia da comunica\u00e7\u00e3o e da verdade. Cuidar da casa comum n\u00e3o \u00e9 apenas a quest\u00e3o ecol\u00f3gica num sentido mais estrito, mas s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses, com a cria\u00e7\u00e3o. Agora, at\u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia, que \u00e9 muito determinante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 No contexto <\/em><em>destas prefer\u00eancias apost\u00f3licas, h\u00e1 algumas que s\u00e3o mais notadas, h\u00e1 uma perce\u00e7\u00e3o p\u00fablica maior sobre elas, como o acompanhamento dos jovens, como a proposta dos Exerc\u00edcios Espirituais. A op\u00e7\u00e3o pelos pobres, pelo menos a perce\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nem tanto&#8230;. Concorda com essa perce\u00e7\u00e3o e por que raz\u00e3o acontece, na sua opini\u00e3o? <\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_436592\" aria-describedby=\"caption-attachment-436592\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-436592 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2412.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-436592\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 \u00c9 de facto uma perce\u00e7\u00e3o que temos, que os jesu\u00edtas sempre se marcaram mais pelo acompanhamento espiritual, pelos jovens, pelos dos Exerc\u00edcios Espirituais e pelas nossas casas de retiro. Depois os col\u00e9gios, a nossa presen\u00e7a no ensino universit\u00e1rio, na Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais, em Braga, e o projeto da Brot\u00e9ria, em Lisboa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 aqui uma presen\u00e7a cultural, no ensino e na espiritualidade, muito forte. Mas h\u00e1 um mundo muito grande de trabalho social, que se realiza em v\u00e1rias comunidades, em ONGs que est\u00e3o ligadas \u00e0 Companhia, n\u00e3o dependem diretamente da Companhia, mas que a Companhia assiste. \u00a0Depois, tamb\u00e9m o trabalho que fazemos nas nossas par\u00f3quias, com imensos centros sociais, com imensa ajuda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais carenciada, que eu creio que n\u00e3o aparece. Tem de haver um esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o para que isso possa aparecer, mas \u00e9 um trabalho muito no terreno e muito focado no atendimento \u00e0s necessidades que est\u00e3o a surgir. \u00c9 algo que tem sido uma prioridade muito grande e \u00e9 uma coisa que nos motiva: ouvir a realidade tamb\u00e9m a partir da voz dos mais fr\u00e1geis, dos mais pequenos, dos mais vulner\u00e1veis, em tantas pobrezas que existem, e a pobreza que est\u00e1 \u00e9 muito evidente. \u00c9 tamb\u00e9m um dos desafios que n\u00f3s temos: dar n\u00e3o apenas um maior destaque, mas tamb\u00e9m um maior pensamento sobre esta quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Elitismo ou qualifica\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 <\/em><em>A Companhia de Jesus, os jesu\u00edtas em Portugal e os que se v\u00e3o juntando ao seu redor, na pastoral que fazem, podem ir constituindo uma bolha em torno de uma classe social mais elevada?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Isso seria o que de todo n\u00e3o queria que acontecesse! Sendo os jesu\u00edtas enviados \u00e0s fronteiras, \u00e9 todo o oposto do conceito de formarmos uma bolha, que n\u00e3o se deve confundir com o que \u00e9 natural numa comunidade que tem uma espiritualidade, tem um carisma pr\u00f3prio, que haja pessoas que se identificam mais e seguem esse carisma, tal como seguem outros carismas de outros movimentos ou de outras espiritualidades. Mas isso n\u00e3o nos fecha nessa bolha!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A caracter\u00edstica da miss\u00e3o, que \u00e9 gen\u00e9tica na Companhia de Jesus, \u00e9 precisamente o sair, tal como eu referia no in\u00edcio do provincialado, sair da nossa bolha, que seria mais confort\u00e1vel, e dizer: n\u00e3o, n\u00e3o ficamos aqui! A colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, o ouvir o mundo, o ir ao encontro de outras realidades e dialogar com elas provoca-nos, desinstala-nos: \u00e9 a presen\u00e7a que a Igreja \u00e9 chamada a ter hoje.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Os jesu\u00edtas, quase todos, t\u00eam uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica para al\u00e9m da teol\u00f3gica ou filos\u00f3fica&#8230; Isso pode levar a uma determinada elite cultural? Tamb\u00e9m por isso, pode haver alguma considera\u00e7\u00e3o mais elitista acerca da presen\u00e7a dos jesu\u00edtas?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Eu creio que se pode entender isso&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Isso \u00e9 um desafio para os jesu\u00edtas? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 \u00c9 um desafio, mas \u00e9 ao mesmo tempo uma responsabilidade! O ter jesu\u00edtas, neste caso sacerdotes ou irm\u00e3os, bem preparados em determinadas \u00e1reas, \u00e9 essencial para que a Igreja possa dialogar com realidades sociais, culturais, intelectuais, que precisa de ter pessoas \u00e0 altura. Hoje os processos que existem a n\u00edvel do pensamento, da forma como a sociedade se organiza, os modelos empresariais e econ\u00f3micos que existem, s\u00e3o muito complexos e acho que \u00e9 preciso tamb\u00e9m seriedade nos nossos processos e pensamento produzido para poder falar de igual para igual. N\u00e3o numa l\u00f3gica de elitista, de estudamos muito para ficarmos a saber mais do que os outros, mas \u00e9 porque, para responder a determinadas fronteiras, precisamos estar qualificados e habilitados para o fazer. A miss\u00e3o est\u00e1 sempre por tr\u00e1s da qualifica\u00e7\u00e3o que se possa ter.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Vemos noutras congrega\u00e7\u00f5es, nas dioceses, uma preocupa\u00e7\u00e3o por ordenar os sacerdotes o mais rapidamente poss\u00edvel, porque h\u00e1 necessidade&#8230; Essa n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o imediata na Companhia de Jesus, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o pela forma\u00e7\u00e3o o mais completa poss\u00edvel, por experi\u00eancias em diferentes latitudes e s\u00f3 depois esse passo?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Isso \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, e com um custo pessoal&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Mas est\u00e1 a dar frutos&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Sim, que est\u00e1 a dar frutos&#8230; Se temos um jesu\u00edta que est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o e percebemos, quer pela sua forma\u00e7\u00e3o interior, quer pelos dons que ele vai mostrando ao longo da sua forma\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 muito bom nesta \u00e1rea, vai ser pedido &#8211; de forma discernida e ele tamb\u00e9m tem de sentir esse apelo interior e estar motivado para esta miss\u00e3o &#8211; que trabalhe nesta \u00e1rea mais voltada para a reflex\u00e3o social, filos\u00f3fica, para a Teologia, para a Economia&#8230; S\u00e3o tantas \u00e1reas de di\u00e1logo poss\u00edveis!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Era t\u00e3o bom que tiv\u00e9ssemos um jesu\u00edta ordenado ao fim de 12 anos, que \u00e9 o percurso normal, e que pudesse regressar \u00e0 prov\u00edncia porque h\u00e1 muito aqui que fazer&#8230; Mas dizemos: n\u00e3o, ficas mais 3, 4, 5 anos a estudar porque, a longo prazo, ser\u00e1 o melhor para a nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>E vemos jesu\u00edtas que s\u00e3o qu\u00edmicos, economistas, juristas, artistas&#8230; H\u00e1 esse respeito pelos dons de cada jesu\u00edta. Porqu\u00ea? \u00c9 uma forma de valorizar n\u00e3o s\u00f3 a pessoa como a pastoral que ele desenvolve?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Sim&#8230; Para poder estar presente nos v\u00e1rios \u00e2mbitos: um jesu\u00edta que \u00e9 artista, tem um di\u00e1logo com artistas, que n\u00e3o seria poss\u00edvel chegar a um jesu\u00edta que est\u00e1 mais ligado a assuntos pastorais porque n\u00e3o tem a mesma mundivis\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 \u00c9 uma estrat\u00e9gia pastoral&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Sim&#8230; E o mesmo no Direito: temos especialistas em Direito Internacional que s\u00e3o vozes com autoridade para falar sobre estas quest\u00f5es, sobre a Economia, sobre a Pedagogia. Creio que \u00e9 muito importante termos pessoas preparadas para isso e que ao mesmo tempo sejam conselheiros internos nossos para dizer: temos este assunto, ajuda-nos a pensar sobre isto. At\u00e9 para a pr\u00f3pria prov\u00edncia, \u00e9 um proveito muito grande.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Desde a Idanha-a-Nova<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_436591\" aria-describedby=\"caption-attachment-436591\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-436591 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2390.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-436591\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Padre Ant\u00f3nio Valeiro, falemos um pouco da pessoa que \u00e9 agora provincial, no in\u00edcio do seu mandato. Vamos at\u00e9 Idanha-a-Nova, a esses primeiros anos de frequ\u00eancia do Semin\u00e1rio da Diocese de Portalegre-Castelo Branco e depois a op\u00e7\u00e3o pelos jesu\u00edtas. Porqu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Venho do interior do pa\u00eds&#8230; O conhecimento, desde muito pequeno, de uma realidade eclesial que os grandes centros urbanos n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o por dentro, a desertifica\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m contacto, desde muito pequeno, com a f\u00e9 popular, com a devo\u00e7\u00e3o, com a vida paroquial. \u00c9 algo que faz parte das minhas ra\u00edzes e, por isso, um amor muito grande \u00e0 Igreja e \u00e0 pr\u00e1tica da devo\u00e7\u00e3o e da espiritualidade do povo de Deus, que \u00e9 algo que \u00e9 important\u00edssimo, nestas comunidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00e9 base de onde sa\u00ed! Senti o chamamento ao sacerd\u00f3cio relativamente cedo. Entrei no semin\u00e1rio m\u00e9dio em Portalegre para fazer os estudos do secund\u00e1rio, e depois, j\u00e1 no ano proped\u00eautico em que iria iniciar a Teologia, fiz um tempo de discernimento e entrei para a Companhia de Jesus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Sentiu era uma quest\u00e3o vocacional, que deveria responder? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 \u00c9 o modo como Deus tamb\u00e9m nos vai trabalhando interiormente&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu quis ser padre pelo grande exemplo que tive do meu p\u00e1roco, que foi o p\u00e1roco que me batizou e ainda l\u00e1 est\u00e1. A gente come\u00e7a a ver estas refer\u00eancias de pastor, de pessoa que cuida, que est\u00e1 presente, e diz: eu gostaria de ser assim. Senti o chamamento ao sacerd\u00f3cio desde pequeno. Depois, chegou uma altura, j\u00e1 no semin\u00e1rio, em que pensei: estar dedicado a uma comunidade, estar localizado numa diocese, parecia que n\u00e3o era suficiente, sem desprimor nenhum da import\u00e2ncia que tem a voca\u00e7\u00e3o diocesana. Sobretudo esta ideia: eu estou agora aqui e n\u00e3o fa\u00e7o ideia nenhuma do que vou estar a fazer daqui a dez anos. Isso motivou-me muito no seguimento de Jesus, o estar dispon\u00edvel. Entretanto fui conhecendo a Companhia, atrav\u00e9s do centro universit\u00e1rio, em Coimbra, e identifiquei-me com a espiritualidade e fiz o meu processo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Foi ordenado sacerdote depois no Carmelo de F\u00e1tima, em 2009. Foram circunst\u00e2ncias que levaram \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o nesse ambiente, porque l\u00e1 estava uma irm\u00e3 sua, como superiora do Carmelo de S\u00e3o Jos\u00e9, ou h\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 espiritualidade?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Houve uma conjuga\u00e7\u00e3o feliz de v\u00e1rias coisas: eu fui o \u00fanico a ser ordenado nesse ano (a pr\u00f3pria dimens\u00e3o da capela daria para um ordenando, se fossem dois j\u00e1 seria imposs\u00edvel); o fato da minha irm\u00e3 n\u00e3o poder sair e poder estar l\u00e1; e tamb\u00e9m ter sido o ano sacerdotal. E foi um desejo das carmelitas: a grande miss\u00e3o delas \u00e9 rezar pelos sacerdotes. O provincial da altura, o padre Nuno Gon\u00e7alves, achou bem que fosse l\u00e1 a ordena\u00e7\u00e3o&#8230; proporcionou-se.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os jesu\u00edtas, dizemos que somos contemplativos na a\u00e7\u00e3o. Faz parte do jesu\u00edta ter o contato com o claustro e, desde a ordena\u00e7\u00e3o, tem sido muito importante saber que h\u00e1 pessoas na Igreja dedicadas \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e que esta ora\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente apost\u00f3lica, \u00e9 mission\u00e1ria. Tem sido uma inspira\u00e7\u00e3o para mim, n\u00e3o apenas a minha irm\u00e3, mas a Vida Contemplativa \u00e9 mesmo uma garantia muito forte da vitalidade da vida religiosa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A melhor tradi\u00e7\u00e3o orante na melhor tecnologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Foi respons\u00e1vel pela Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o do Papa, onde atualizou n\u00e3o s\u00f3 linguagens, mas ferramentas que pudessem levar essa experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o a outros espa\u00e7os e com outras metodologias. Foi para perseguir novos p\u00fablicos ou por imperativo mission\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Foi por imperativo mission\u00e1rio! Com o Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o, que agora se chama Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o do Papa, foi confiado \u00e0 Companhia, por Le\u00e3o XIII, a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e a ora\u00e7\u00e3o pelas inten\u00e7\u00f5es do Papa. Os tempos foram evoluindo e era um movimento que j\u00e1 tinha ca\u00eddo em muitos pa\u00edses e precisava de uma profunda renova\u00e7\u00e3o. E foi o padre geral da Companhia, ent\u00e3o era o padre Adolfo Nicol\u00e1s, que pediu ao que era o diretor internacional do Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o para recriar este movimento: n\u00e3o estamos a responder da melhor forma aos desafios do mundo de hoje, isto \u00e9 uma miss\u00e3o que o Papa confia \u00e0 Companhia, esta miss\u00e3o tem de ser feita e atualizada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tive a gra\u00e7a de poder participar, desde o in\u00edcio, junto com o diretor internacional, com quem colaborei muito de perto, para come\u00e7armos a pensar neste processo de recria\u00e7\u00e3o, que depois o Papa Francisco foi consolidando at\u00e9 chegar \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o do Papa como obra pontif\u00edcia. Isso implicou pensar o Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o e a Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas vertentes: na sua vertente de proposta espiritual, mas tamb\u00e9m nas formas de comunica\u00e7\u00e3o para chegar a novos p\u00fablicos. E a\u00ed entrou a renova\u00e7\u00e3o da imagem, a renova\u00e7\u00e3o da tecnologia, das plataformas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 \u00c9 a\u00ed que nasce o Passo-a-Rezar, o Click to Pray, v\u00e1rias formas de chegar junto do p\u00fablico. E que desafio foi esse de juntar a melhor tecnologia \u00e0 melhor tradi\u00e7\u00e3o orante da Igreja?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Temos de ver sempre qual \u00e9 a riqueza da tradi\u00e7\u00e3o, porque a tradi\u00e7\u00e3o tem uma riqueza enorme. E se desligarmos dessa tradi\u00e7\u00e3o, da fonte, propomos uma coisa que n\u00e3o \u00e9 verdadeira, no seu sentido mais profundo. E, por isso, temos de propor numa linguagem que seja entend\u00edvel e acess\u00edvel, sobretudo aos jovens, neste caso das novas tecnologias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi um desafio muito bonito de harmonizar isto: perceber o que \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o e como \u00e9 que ela se traduz em novas linguagens. E foi uma experi\u00eancia de muita consola\u00e7\u00e3o, um processo que durou 10 anos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta profundas transforma\u00e7\u00f5es levam o seu tempo. Foi muito bonito o trabalho em rede, em conjunto com pessoas de todo o mundo e fazermos equipas nos v\u00e1rios continentes, cada um com o seu contributo. Foi uma experi\u00eancia eclesial, cultural, de uma dimens\u00e3o mundial muito, muito consoladora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Uma experi\u00eancia que passou tamb\u00e9m pela Web Summit, em Lisboa. Acredito que tenha sido \u00fanica: levar conte\u00fados religiosos a ambientes tecnol\u00f3gicos&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Estar na Web Summit foi uma oportunidade. E termos sido escolhidos at\u00e9 para apresentar, para fazermos um \u2018pitch\u2019, para falar sobre a aplica\u00e7\u00e3o. E era surpreendente ver o bom acolhimento das pessoas que ali estavam, muitas delas n\u00e3o crentes ou que at\u00e9 nem conheciam a Igreja ou tinham tido contato com a Igreja quando eram muito pequeninos. Diziam: parab\u00e9ns porque a Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 presente num f\u00f3rum destes. Foi muito confirmador! E \u00e9 uma forma de aproxima\u00e7\u00e3o e de surpreender: como \u00e9 que pessoas ligadas \u00e0 tecnologia estavam t\u00e3o desligadas da possibilidade de pensar que a Igreja pudesse estar presente ali. Isso foi uma experi\u00eancia muito interessante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Pedia-lhe que analisasse uma poss\u00edvel tens\u00e3o entre o que \u00e9 o uso muito individualista de uma aplica\u00e7\u00e3o, o Passo-a-Rezar ou o Clirck do Pray, e uma exig\u00eancia comunit\u00e1ria da viv\u00eancia da f\u00e9. H\u00e1 uma tens\u00e3o permanente?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 H\u00e1 sempre um ponto de partida: s\u00f3 pode haver uma rela\u00e7\u00e3o com Deus se houver condi\u00e7\u00f5es para a pessoa se encontrar com Ele e, por isso, as condi\u00e7\u00f5es para uma pedagogia da interioridade. E estas aplica\u00e7\u00f5es ajudam a isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 claramente o risco da pessoa ficar fechada ali: gosto, relaciono-me com Deus assim, por isso n\u00e3o preciso da comunidade. Mas as propostas que s\u00e3o feitas, na pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o, naquilo que se escreve, naquilo que se ouve, s\u00e3o propostas que colocam sempre a quest\u00e3o: sai de ti, tens uma comunidade, tens a Igreja. H\u00e1 sempre essa preocupa\u00e7\u00e3o da pessoa n\u00e3o ficar fechada em si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Marca Jesu\u00edta na sinodalidade da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Falemos da Igreja, em Portugal e no mundo. E come\u00e7amos pela mem\u00f3ria do Papa Francisco: o facto de ser jesu\u00edta trouxe uma viv\u00eancia eclesial tamb\u00e9m jesu\u00edta, no sentido da sinodalidade, da participa\u00e7\u00e3o, do discernimento? H\u00e1 um carisma jesu\u00edta que foi partilhado com toda a Igreja?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Sim, isso foi muito claro no pontificado do Papa Francisco e ele pr\u00f3prio n\u00e3o tinha pudor de o afirmar, de se referir \u00e0s suas ra\u00edzes inacianas e \u00e0 sua espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-436695 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Padre-Antonio-Valerio_IMG_2376.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O processo de sinodalidade \u00e9 muito pr\u00f3prio e alimentado pelo discernimento que vem dos Exerc\u00edcios Espirituais, da proposta de Santo In\u00e1cio, que tem uma metodologia pr\u00f3pria para o fazer. Daquilo que foi fazendo, seja a n\u00edvel da Igreja universal, mas que come\u00e7ou nos grupos locais, depois nas par\u00f3quias, nas dioceses, at\u00e9 chegar \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do s\u00ednodo, s\u00e3o processos que est\u00e3o a ser implementados e que partem de um m\u00e9todo muito espec\u00edfico, que tem na base a espiritualidade inaciana e os Exerc\u00edcios Espirituais, que n\u00e3o s\u00e3o uma coisa exclusiva dos jesu\u00edtas, mas \u00e9 um servi\u00e7o a toda a Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Papa Francisco marcou muito o modo da Igreja se pensar como estrutura, a partir da colabora\u00e7\u00e3o, do di\u00e1logo, da escuta do outro e da realidade, da escuta do Esp\u00edrito, para tomar a decis\u00e3o de acordo com aquilo que o Esp\u00edrito quer para a Igreja e n\u00e3o as nossas ideias ou as nossas proje\u00e7\u00f5es ou as nossas estrat\u00e9gias. Deixar o lugar ao Esp\u00edrito, em vez de ser a estrat\u00e9gia humana, isso \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 \u00c9 uma estrat\u00e9gia que \u00e9 necess\u00e1rio levar por diante neste tempo, diante da tal mudan\u00e7a de paradigma que falava h\u00e1 pouco?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 \u00c9 reunir pessoas diferentes \u00e0 mesma mesa, ouvi-las&#8230; Se houver uma experi\u00eancia de f\u00e9, tem de haver espa\u00e7o para a interioridade, seja mais pensamento ou verdadeira ora\u00e7\u00e3o, para que depois, a partir da escuta, se veja&#8230; Quando h\u00e1 uma partilha sincera do que cada um sente diante da sua consci\u00eancia ou diante de Deus \u2013 e os processos de discernimento em que tenho participado t\u00eam conduzido a isso \u2013 h\u00e1 uma experi\u00eancia de consola\u00e7\u00e3o no final: depois de termos partido de perspetivas t\u00e3o diferentes, estamos todos a chegar \u00e0 mesma conclus\u00e3o. Isto \u00e9 sinal de que o Esp\u00edrito est\u00e1 a indicar que este \u00e9 o caminho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O desafio da unidade na Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Pedia-lhe uma an\u00e1lise ao que vai observando na Igreja Cat\u00f3lica, a polariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de discursos, mas tamb\u00e9m em tomadas de posi\u00e7\u00e3o, seja na Igreja alem\u00e3 com propostas diferentes para a experi\u00eancia crente, seja na Fraternidade de S\u00e3o Pio X com a afirma\u00e7\u00e3o de ruturas claras. Que caminho \u00e9 este?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AE \u2013 \u00c9 um caminho muito dif\u00edcil! E s\u00e3o desafios muito grandes que tem \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acho que aqui o Papa Le\u00e3o tem sido impressionante nas suas interven\u00e7\u00f5es a apelar \u00e0 unidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 claro que cada um destes contextos est\u00e1 envolvido na sua pr\u00f3pria mentalidade e mundivis\u00e3o e quer responder a necessidades culturais. Se calhar, no caso da Alemanha estas quest\u00f5es s\u00e3o culturalmente quase impostas, e por isso a Igreja tem de reagir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Mas h\u00e1 linhas que n\u00e3o podem ultrapassar?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 H\u00e1 linhas que n\u00e3o podem ultrapassar. Tal como na Fraternidade de S\u00e3o Pio X, houve uma linha tamb\u00e9m que n\u00e3o podia ultrapassar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 consci\u00eancia que n\u00e3o se podem ultrapassar estas linhas e h\u00e1 uma garantia da unidade, que \u00e9 a figura do Papa, que \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que \u00e9 mais perigoso para a Igreja \u00e9 a divis\u00e3o interior e a divis\u00e3o do discurso que polariza, que \u00e9 o \u2018n\u00f3s\u2019 e o \u2018eles\u2019, dentro da Igreja. Isso \u00e9 uma das coisas mais perigosas na Igreja, que acaba por criar desconfian\u00e7as, criar ruturas. Isso n\u00e3o \u00e9 bom exemplo do Evangelho, n\u00e3o \u00e9 isso que Jesus fez&#8230; Quando Jesus inclu\u00eda as pessoas, tamb\u00e9m as centrava: o importante \u00e9 isto, \u00e9 o Reino, na forma como Ele ia explicando o que era, envolvia as pessoas, sendo que tamb\u00e9m Ele tinha as suas polariza\u00e7\u00f5es, da parte dos fariseus ou da parte dos pag\u00e3os. Ele tamb\u00e9m viveu num mundo de polariza\u00e7\u00f5es e centrou-se sempre na unidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O esfor\u00e7o que \u00e9 pedido a estes grupos, a estes movimentos, \u00e9 pensar n\u00e3o a partir do \u2018n\u00f3s\u2019 e \u2018eles\u2019, mas a pensar na comunh\u00e3o, a partir da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Pelo menos, a respeito da fraternidade S\u00e3o Pio X, tal j\u00e1 n\u00e3o aconteceu?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Isso, infelizmente, \u00e9 o resultado de um processo de autocentramento. \u00c9 pena que isso tenha acontecido, apesar de j\u00e1 ter havido passos por parte da Igreja para que n\u00e3o viesse a acontecer. Mas decidiram seguir o seu caminho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 <\/em><em>E desafia tamb\u00e9m o papel do pr\u00f3prio Papa Le\u00e3o XIV que afirma, nas suas interven\u00e7\u00f5es, o pedido da unidade de forma muito clara?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Por isso \u00e9 muito importante ouvir a voz do Papa como refer\u00eancia e depois, nos contextos culturais e eclesiais locais, poder traduzi-la em a\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE \u2013 Polariza\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m acontece no discurso pol\u00edtico, na sociedade, muito em torno de bolhas, nomeadamente no ambiente digital, e com aproveitamento de linguagens religiosas e de perten\u00e7as religiosas para justificar essa polariza\u00e7\u00e3o. Que rea\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria ter diante desses casos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Eu creio que \u00e9 preciso ser muito firme na posi\u00e7\u00e3o que se tem diante disto: o Evangelho n\u00e3o pode ser instrumentalizado para interesses pol\u00edticos, que poder\u00e3o ter tamb\u00e9m interesses econ\u00f3micos. A Igreja tem de reagir sempre ao demarcar-se dessas posi\u00e7\u00f5es e dizer: o Evangelho n\u00e3o est\u00e1 a ser situado no seu contexto certo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A instrumentaliza\u00e7\u00e3o da mensagem do Evangelho ou da f\u00e9 crist\u00e3 para estes fins tem de ser muito observada e combatida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Novos centros do catolicismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Os jesu\u00edtas inauguraram o di\u00e1logo com a \u00c1sia, pela presen\u00e7a mission\u00e1ria na \u00c1sia, indo para l\u00e1, agora estamos a assistir \u00e0 chegada de muitos mission\u00e1rios da \u00c1sia, para o contexto europeu. H\u00e1 aqui uma mudan\u00e7a de centro do catolicismo e de partilha de culturas? Que atitude \u00e9 necess\u00e1rio promover diante destes movimentos?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AE \u2013 Parto de uma experi\u00eancia, que eu tive a gra\u00e7a de participar, no que chamamos de Congrega\u00e7\u00e3o de Procuradores, que acontece de tantos em tantos anos, em que se junta um representante de cada prov\u00edncia dos jesu\u00edtas no mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E ali, na sala, percebeu-se a mudan\u00e7a de geografia, pela quantidade de pessoas que v\u00eam do Oriente e a diminui\u00e7\u00e3o das pessoas que v\u00eam do Ocidente, nomeadamente da Europa. E pensar que isto \u00e9 uma tend\u00eancia demogr\u00e1fica que se vai acentuar nos pr\u00f3ximos anos. Por isso, o centro da Igreja est\u00e1 claramente a passar do hemisf\u00e9rio norte para o hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outro aspeto que \u00e9 muito curioso \u00e9 que as voca\u00e7\u00f5es e as igrejas que nascem nestes pa\u00edses n\u00e3o s\u00e3o pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Os pa\u00edses onde h\u00e1 mais voca\u00e7\u00f5es s\u00e3o os pa\u00edses onde a Igreja \u00e9 perseguida e, por isso, estas voca\u00e7\u00f5es nascem em meios mais pobres, perseguidos, onde a Igreja \u00e9 uma minoria, o que pode trazer tamb\u00e9m de muita vitalidade e uma vis\u00e3o muito diferente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta Igreja institucional ocidental tem o seu tempo, a sua import\u00e2ncia, as grandes institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja. Mas h\u00e1 todo este lado que agora est\u00e1 a surgir, que pode ser uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, que criar\u00e1 certamente a sua necessidade de di\u00e1logo, porque s\u00e3o paradigmas diferentes, mas h\u00e1 disponibilidade para acolher e para integrar uma nova forma de ver a miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Um dos temas e dos cap\u00edtulos da hist\u00f3ria de cada um, seja como provincial, seja com outra responsabilidade, \u00e9 resolver problemas que acontecem &#8211; e acredito que o padre Ant\u00f3nio Val\u00e9rio tamb\u00e9m j\u00e1 passou por eles, nomeadamente em comunidades onde esteve. A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal tem neste momento muito presente essa necessidade de toler\u00e2ncia zero diante dos casos de abuso, seja abuso sexual, sejam outras formas de abuso de menores. De que forma \u00e9 que integra este tema no seu mandato e que atitude deve ter a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal para que toler\u00e2ncia zero seja cada vez mais posta em pr\u00e1tica?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Isso vem na continuidade &#8211; com o padre Miguel Almeida, mas j\u00e1 antes &#8211; com o que a Prov\u00edncia Portuguesa foi instituindo, com o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o e Cuidado. A pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero \u00e9 uma linha onde n\u00e3o se toca&#8230; Isto implica o acompanhamento das pessoas, o acolhimento das v\u00edtimas, e tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o, e o acompanhamento de quem est\u00e1 a lidar com os mais jovens ou com pessoas vulner\u00e1veis. E, no contexto de outras formas de abuso, de consci\u00eancia, de poder, a pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o dos quadros de lideran\u00e7a, \u00e9 um fator a ter muito em conta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>E \u00e9 um tema a levar por diante de uma forma coletiva, com outras congrega\u00e7\u00f5es, com toda a Igreja em Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Sim, tem de ser feito com toda a Igreja em Portugal. \u00c9 um caminho que est\u00e1 a ser feito e que tem de ganhar mais consist\u00eancia. Todos t\u00eam o seu contributo, todos t\u00eam a sua experi\u00eancia, todos t\u00eam essa necessidade. \u00c9 muito importante que, a partir da experi\u00eancia de cada um, se construa um caminho comum. E, sobretudo para fora, que passe efetivamente esta ideia que em primeiro lugar est\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, o seu cuidado, o seu acompanhamento. A Igreja tem de mostrar o rosto da miseric\u00f3rdia e do acolhimento, ao mesmo tempo que reconhece tanto mal causado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O programa para um mandato<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>Tem um programa escrito? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 N\u00e3o, ainda n\u00e3o! Espero faz\u00ea-lo, dentro de pouco tempo&#8230; A pr\u00f3pria realidade tamb\u00e9m nos vai pedindo respostas&#8230; Ser\u00e1 dentro destas linhas! Tenho propostas, mais para a nossa vida interior enquanto Prov\u00edncia Portuguesa, na colabora\u00e7\u00e3o que temos com os leigos que fazem parte tamb\u00e9m do nosso corpo apost\u00f3lico, e depois no di\u00e1logo com as outras institui\u00e7\u00f5es da Igreja e com o mundo. Mas h\u00e1 muito trabalho a fazer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>AE <\/em>\u2013 <em>O que \u00e9 que gostaria de haver cumprido no final do mandato? <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">AV \u2013 Gostaria que a Companhia fosse um exemplo de comunh\u00e3o, fizesse parte de uma comunh\u00e3o eclesial e que estivesse ao servi\u00e7o da Igreja nestes campos de fronteira, ao qual a Companhia \u00e9 enviada. E que cumpra bem a sua miss\u00e3o, ali.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia de Santo In\u00e1cio de Loiola, 31 de julho, publicamos integralmente a entrevista do novo provincial da Companhia de Jesus em Portugal \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, que aponta o \u00abimperativo mission\u00e1rio\u00bb e a necessidade de \u00abir ao encontro de outras realidades\u00bb como marcas do mandato que inicia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":436591,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,980],"tags":[236,326],"class_list":["post-436762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-video","tag-jesuitas","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=436762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436762\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/436591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=436762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=436762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=436762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}