{"id":43671,"date":"2010-02-21T12:35:10","date_gmt":"2010-02-21T12:35:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/21\/futuro-da-arquitectura-religiosa-esta-em-aberto\/"},"modified":"2010-02-21T12:35:10","modified_gmt":"2010-02-21T12:35:10","slug":"futuro-da-arquitectura-religiosa-esta-em-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/futuro-da-arquitectura-religiosa-esta-em-aberto\/","title":{"rendered":"Futuro da arquitectura religiosa est\u00e1 em aberto"},"content":{"rendered":"<p>Ningu&eacute;m sabe como ser&atilde;o as igrejas do futuro. Esta poderia ser a grande conclus&atilde;o do col&oacute;quio sobre arquitectura religiosa que se realizou este S&aacute;bado, em Lisboa, com a presen&ccedil;a de especialistas portugueses e alem&atilde;es, para debater o panorama e contexto hist&oacute;rico do &uacute;ltimo s&eacute;culo, &agrave; volta de temas como &ldquo;A liturgia como programa de Igrejas&rdquo; e &ldquo;Arte na Igreja e Igreja na Cidade&rdquo;.<\/p>\n<p>O col&oacute;quio, que decorreu no audit&oacute;rio do Goethe-Institut em Lisboa, partiu da experi&ecirc;ncia germ&acirc;nica, confrontada e traduzida para a realidade nacional. Ao longo do dia, v&aacute;rias propostas e perspectivas apresentadas deixaram a certeza de que, nesta &aacute;rea, tudo est&aacute; em aberto.<\/p>\n<p>Na abertura dos trabalhos marcou presen&ccedil;a D. Carlos Azevedo, Bispo auxiliar de Lisboa e uma das maiores autoridades da Igreja Cat&oacute;lica em Portugal nesta mat&eacute;ria, para quem existe a &ldquo;necessidade de uma nova reconcilia&ccedil;&atilde;o entre a est&eacute;tica moderna e a imagem crist&atilde;&rdquo;. Um passo que &eacute; uma imposi&ccedil;&atilde;o para o &ldquo;cristianismo do futuro&rdquo;.<\/p>\n<p>Segundo este respons&aacute;vel, &eacute; essencial passar o debate &ldquo;das impress&otilde;es para as express&otilde;es&rdquo;, &ldquo;procurar a incultura&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, que n&atilde;o fica s&oacute; ao n&iacute;vel da linguagem&rdquo;<\/p>\n<p>D: Carlos Azevedo considera que o desencontro entre cristianismo e arquitectura se deve &agrave; &ldquo;falta de inicia&ccedil;&atilde;o &agrave;s express&otilde;es da arte contempor&acirc;nea&rdquo;, &agrave; sua linguagem<\/p>\n<p>&ldquo;Novas express&otilde;es criam resist&ecirc;ncia&rdquo;, alertou, pedindo &ldquo;disponibilidade interior&rdquo; para as compreender. &ldquo;O que conta n&atilde;o &eacute; a imediatez ou a intensidade da emo&ccedil;&atilde;o&rdquo;, acrescentou.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Belo Rodeia, presidente da Ordem dos Arquitectos, assegurou que este &eacute; um &ldquo;tema interessante h&aacute; muito tempo&rdquo; e que no nosso pa&iacute;s, a rela&ccedil;&atilde;o com a arquitectura religiosa foi fundamental para a afirma&ccedil;&atilde;o da modernidade, uma &ldquo;nova abordagem ao mundo e &agrave; arquitectura, em particular, na sua pr&aacute;tica e no seu quotidiano&rdquo;.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Alves da Cunha, arquitecto e comiss&aacute;rio da exposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;Made in Germany: Arquitectura + Religi&atilde;o&rdquo;, patente ao p&uacute;blico em Lisboa, afirmou que a concretiza&ccedil;&atilde;o das directivas do Conc&iacute;lio Vaticano II &ldquo;veio a revelar-se nada evidente&rdquo;, admitindo &ldquo;desconforto e pouco reconhecimento em v&aacute;rias obras de arte e arquitectura religiosa&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; um tempo de debate&rdquo;, destacou, antes de lembrar a import&acirc;ncia da Alemanha nessa reflex&atilde;o, da qual Portugal se tem mantido &ldquo;um pouco longe&rdquo;.<\/p>\n<p>Para este especialista, o futuro passa por novas abordagens, novas perspectivas, novos espa&ccedil;os, para que &ldquo;pouco a pouco se possa virar a p&aacute;gina&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Um lugar para a comunidade que celebra<\/strong><\/p>\n<p>O te&oacute;logo alem&atilde;o Walter Zahner, especialista no trabalho de Rudolph Schwarz, apresentou um itiner&aacute;rio por algumas das igrejas alem&atilde;s mais relevantes do s&eacute;culo XX, lembrando as suas ra&iacute;zes hist&oacute;ricas, com exemplos representativos do per&iacute;odo antes da II Guerra Mundial e do p&oacute;s-guerra. Da sua reflex&atilde;o surgiu o destaque para a reuni&atilde;o da comunidade em torno do altar, das rela&ccedil;&otilde;es entre o simbolismo exterior e o Centro interior e das v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es arquitect&oacute;nicas para a disposi&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o da celebra&ccedil;&atilde;o, que variam entre a monoaxialidade e o anel que rodeia o altar.<\/p>\n<p>Segundo Zahner, as palavras-chave da actualidade na arquitectura religiosa s&atilde;o &ldquo;espa&ccedil;o, luz e liturgia&rdquo;, com o objectivo de &ldquo;dar uma casa &agrave; comunidade&rdquo;.<\/p>\n<p>Para o interior das igrejas, este especialista deixou como perspectiva a aprofundar no futuro a ideia da disposi&ccedil;&atilde;o em dois p&oacute;los: a mesa da palavra e a mesa do p&atilde;o, com um centro livre (em elipse), para uma comunidade que se re&uacute;ne em torno do amb&atilde;o e do altar.<\/p>\n<p>O arquitecto Paul Boehm falou do seu projecto para a igreja de S&atilde;o Teodoro, em Col&oacute;nia, frisando que ap&oacute;s os anos 60 do s&eacute;culo passado, a constru&ccedil;&atilde;o sacra foi na direc&ccedil;&atilde;o de ser, cada vez mais, um espa&ccedil;o multiuso, similares a complexos desportivos ou centros de congresso. Neste caso, observou, o arquitecto alem&atilde;o quis &ldquo;criar um espa&ccedil;o que realmente, em primeiro lugar, sirva para celebrar a eucaristia, meditar e orar&rdquo;, um &ldquo;espa&ccedil;o apto a criar atmosfera de medita&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Solu&ccedil;&otilde;es diversas procuraram dar ao espa&ccedil;o &ldquo;um car&aacute;cter especial de transcend&ecirc;ncia e de abertura&rdquo;, como, por exemplo, o distanciamento entre o tecto e as paredes para as entradas de luz. O centro paroquial, por seu lado, pretende fomentar a &ldquo;vida comunit&aacute;ria&rdquo;. Da interven&ccedil;&atilde;o ressaltaram ainda alguns desafios curiosos que Paul Boehm teve de enfrentar, como o de criar cadeiras multifuncionais e f&aacute;ceis de arrumar.<\/p>\n<p><strong>Arquitectos e comunidades<\/strong><\/p>\n<p>O arquitecto Jos&eacute; Fernando Gon&ccedil;alves (co-autor da igreja do Convento dos Dominicanos, Benfica, entre outros), foi desafiado a falar do encontro entre a dimens&atilde;o pl&aacute;stica e a dimens&atilde;o lit&uacute;rgica na obra arquitect&oacute;nica, afirmando que &ldquo;os arquitectos procuram sempre uma boa desculpa para construir significado&rdquo;, algo que est&aacute; &ldquo;absolutamente legitimado&rdquo; no espa&ccedil;o religioso.<\/p>\n<p>Abordou tamb&eacute;m a sua experi&ecirc;ncia de &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o complicada&rdquo; entre o arquitecto e a comunidade, explicando que para muitos a constru&ccedil;&atilde;o da igreja surge como &ldquo;confirma&ccedil;&atilde;o de alguns valores&rdquo; que est&atilde;o consagrados na experi&ecirc;ncia, uma &ldquo;iconografia enraizada na comunidade&rdquo;: telhado de duas &aacute;guas, porta no meio e uma torre. Neste contexto, apontou, pode viver-se num &ldquo;di&aacute;logo de surdos&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Cabe ao arquitecto construir desafios, mas tem de saber muito bem que caminhos quer tra&ccedil;ar&rdquo;, alertando para o perigo do relativismo, que pode dar legitimidade ao &ldquo;puro disparate&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Uma igreja n&atilde;o &eacute; um centro comercial&rdquo;, apontou Jos&eacute; Fernando Gon&ccedil;alves.<\/p>\n<p>Sobre a interac&ccedil;&atilde;o do arquitecto com a comunidade foi chamado a intervir Luiz Cunha, a respeito da experi&ecirc;ncia que viveu com a igreja de Santa Joana, em Aveiro. &ldquo;Havia um entusiasmo t&atilde;o grande na comunidade que eu tinha de ser mais um trav&atilde;o do que um acelerador&rdquo;, confessou.<\/p>\n<p>Neste contexto, falou de um epis&oacute;dio em que a maqueta da igreja foi transformada num bolo, que permitiu &agrave; comunidade olhar para o projecto de uma maneira diferente.<\/p>\n<p><strong>Propostas de organiza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; o arquitecto Diogo Lino Pimentel, respons&aacute;vel pelo Departamento das Novas Igrejas do Patriarcado de Lisboa, afirmou que &ldquo;a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma igreja, come&ccedil;ando pela sua presen&ccedil;a na cidade, &eacute; um programa funcional que &eacute; posto e que tem de ser respondido&rdquo;. A este, sobrep&otilde;e-se &ldquo;um programa lit&uacute;rgico&rdquo;.<\/p>\n<p>Numa igreja, explicou, tem de ser poss&iacute;vel ver, ouvir, tem de haver espa&ccedil;o para todos e funcionar cheia ou vazia.<\/p>\n<p>Estas duplas funcionalidades e paradoxos do plano funcional e lit&uacute;rgico s&atilde;o um desafio para a arquitectura, que tem reconstituir um &ldquo;quadro significante&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Ultimamente, pelo menos entre n&oacute;s, tem-se esquecido completamente o valor da arquitectura, ligando muito ao valor da decora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, lamentou.<\/p>\n<p>Para o Pe. Jo&atilde;o Norton, arquitecto, tamb&eacute;m comiss&aacute;rio da exposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;Arquitectura e Religi&atilde;o&rdquo;, o conjunto de iniciativas que se t&ecirc;m desenvolvido em torno desta tem&aacute;tica pretendem ser uma &ldquo;provoca&ccedil;&atilde;o positiva&rdquo; para reabrir o debate, questionando a qualidade do que se tem constru&iacute;do e a tipologia do espa&ccedil;o lit&uacute;rgico.<\/p>\n<p>&ldquo;Ao reequacionar a tradi&ccedil;&atilde;o, abram-se muitas possibilidades, n&atilde;o h&aacute; uma solu&ccedil;&atilde;o feita&rdquo;, assegura.<\/p>\n<p>O director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Tolentino Mendon&ccedil;a, falou &agrave; ECCLESIA, da import&acirc;ncia da arte enquanto &ldquo;reflex&atilde;o sobre a condi&ccedil;&atilde;o humana em chave de transcend&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>O padre e poeta participou numa mesa-redonda sobre o tema &ldquo;Arte na Igreja e Igreja na Cidade&rdquo;. A necessidade de &ldquo;virar a p&aacute;gina&rdquo; e de construir um &ldquo;novo pacto com o mundo da arte&rdquo; s&atilde;o ideias defendidas por Tolentino Mendon&ccedil;a, para quem as iniciativas em volta da arquitectura religiosa s&atilde;o &ldquo;um sinal dos tempos&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A Igreja em Portugal precisa de um projecto cultural, consistente, pensado&rdquo;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu&eacute;m sabe como ser&atilde;o as igrejas do futuro. Esta poderia ser a grande conclus&atilde;o do col&oacute;quio sobre arquitectura religiosa que se realizou este S&aacute;bado, em Lisboa, com a presen&ccedil;a de especialistas portugueses e alem&atilde;es, para debater o panorama e contexto hist&oacute;rico do &uacute;ltimo s&eacute;culo, &agrave; volta de temas como &ldquo;A liturgia como programa de Igrejas&rdquo; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[170,190,223,246,276],"class_list":["post-43671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-aveiro","tag-dominicanos","tag-igreja-na-cidade","tag-liturgia","tag-pastoral-da-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43671\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}