{"id":43646,"date":"2010-02-19T14:31:21","date_gmt":"2010-02-19T14:31:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/19\/mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-angra-2\/"},"modified":"2010-02-19T14:31:21","modified_gmt":"2010-02-19T14:31:21","slug":"mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-angra-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-angra-2\/","title":{"rendered":"Mensagem de Quaresma do Bispo de Angra"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;A mim mesmo o fizestes&hellip;&rdquo; (Mt 25, 40)<\/strong><\/p>\n<p>&laquo;Sempre que fizestes isto a um destes meus irm&atilde;os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes&raquo;. Assim se exprime Jesus, na Par&aacute;bola do Ju&iacute;zo Final, em que Se identifica com os irm&atilde;os, que ajudamos ou deixamos de ajudar (cf. Mt 25, 34-40). Na espiritualidade crist&atilde;, o amor de Deus concretiza-se no amor para com o pr&oacute;ximo. S. Jo&atilde;o, na sua 1&ordf; Carta, n&atilde;o podia ser mais claro: &laquo;Se algu&eacute;m disser: &ldquo;Eu amo a Deus&rdquo;, mas tiver &oacute;dio a seu irm&atilde;o, esse &eacute; um mentiroso; pois aquele que n&atilde;o ama o seu irm&atilde;o, a quem v&ecirc;, n&atilde;o pode amar a Deus, a quem n&atilde;o v&ecirc;. Temos dele este mandamento: aquele que ama a Deus, ame tamb&eacute;m o seu irm&atilde;o&raquo; (1 Jo 4, 20-21).<\/p>\n<p>Por outro lado, n&atilde;o pode haver verdadeiro amor do pr&oacute;ximo, sem o amor de Deus, &laquo;derramado nos nossos cora&ccedil;&otilde;es pelo Esp&iacute;rito Santo, que nos foi dado&raquo; (Rm 5, 5). &Eacute; nesse sentido que o Papa Bento XVI, na sua recente Enc&iacute;clica, apresenta a caridade, como o &uacute;nico caminho que pode garantir o desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens. N&atilde;o a &laquo;caridadezinha&raquo;, mas a &laquo;Caridade na Verdade&raquo;, que tem a sua fonte em Deus. &laquo;Para a Igreja &ndash; instru&iacute;da pelo Evangelho &ndash; a caridade &eacute; tudo &ndash; explica o Santo Padre &#8211; porque, como ensina S. Jo&atilde;o (cf. 1 Jo 4, 8.16) e como recordei na minha 1&ordf; Enc&iacute;clica, &ldquo;Deus &eacute; Amor&rdquo; (Deus Caritas Est): da caridade de Deus tudo prov&eacute;m, por ela tudo toma forma, para ela tudo tende. A caridade &eacute; o dom maior que Deus concedeu aos seres humanos; &eacute; a sua promessa e a nossa esperan&ccedil;a&raquo; (Bento XVI, Caritas in Veritate, 2).<\/p>\n<p><strong>Ren&uacute;ncia Quaresmal em favor de Haiti<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, na Mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa, ao apelar &agrave; justi&ccedil;a, recomenda tamb&eacute;m a l&oacute;gica do dom e da gratuidade, que caracterizam o amor crist&atilde;o e abrem caminho &agrave; justi&ccedil;a. &Eacute; nesta perspectiva, que devemos procurar viver e promover a Ren&uacute;ncia Quaresmal, que, este ano, se destina &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de Haiti, para dar apoio &agrave; emerg&ecirc;ncia social e &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Atrav&eacute;s da Caritas dos A&ccedil;ores, que far&aacute; chegar este aux&iacute;lio, o mais cedo poss&iacute;vel, &agrave; Caritas de Haiti.<\/p>\n<p>Sabemos que est&atilde;o em curso v&aacute;rias campanhas com o mesmo objectivo, em diversos dom&iacute;nios e com diferentes modalidades. N&atilde;o podia faltar a mobiliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m da comunidade eclesial. Desde os in&iacute;cios do Cristianismo, o Servi&ccedil;o da Caridade caracterizou sempre a miss&atilde;o da Igreja, juntamente com o An&uacute;ncio da Palavra e a Celebra&ccedil;&atilde;o dos Sacramentos. &laquo;A Igreja &eacute; a fam&iacute;lia de Deus no mundo. Nesta fam&iacute;lia, n&atilde;o deve haver ningu&eacute;m que sofra por falta do necess&aacute;rio. Ao mesmo tempo, por&eacute;m, a caritas-&aacute;gape estende-se para al&eacute;m das fronteiras da Igreja; a par&aacute;bola do bom Samaritano permanece como crit&eacute;rio de medida, impondo a universalidade do amor que se inclina para o necessitado, encontrado &ldquo;por acaso&rdquo;, seja ele quem for&raquo; (Bento XVI, Deus Caritas Est, 25).<\/p>\n<p>Em 2009, o resultado da Ren&uacute;ncia Quaresmal, na Diocese, foi o seguinte: Euros 16.577, 50 (dezasseis mil, quinhentos e setenta e sete Euros e cinquenta c&ecirc;ntimos). Espero que, apesar das dificuldades do momento presente, sejamos generosos, partilhando, n&atilde;o apenas o sup&eacute;rfluo, mas at&eacute; o fruto das nossas ren&uacute;ncias volunt&aacute;rias ao longo da Quaresma. Nos primeiros tempos da Igreja, o Papa Le&atilde;o Magno explicava desta maneira o sentido da penit&ecirc;ncia quaresmal: &laquo;Prescrevemos o jejum, para vos lembrar, n&atilde;o s&oacute; a necessidade da abstin&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m das obras de miseric&oacute;rdia. Assim, o que poupardes das vossas despesas ordin&aacute;rias transforma-se em alimento para os pobres&raquo;.<\/p>\n<p><strong>Semana Nacional da Caritas<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo da caminhada quaresmal, somos tamb&eacute;m convidados a viver a Semana Nacional da Caritas (1-7 de Mar&ccedil;o), com pedit&oacute;rios de rua e os ofert&oacute;rios das Missas do fim de Semana do Dia da Caritas (6-7 de Mar&ccedil;o), destinados a apoiar a ac&ccedil;&atilde;o da Caritas, a todos os n&iacute;veis.<\/p>\n<p>A Caritas &eacute; o servi&ccedil;o oficial da Igreja para a ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa. Na nossa Diocese, tem tamb&eacute;m o encargo de animar e coordenar toda a Pastoral Social, a n&iacute;vel paroquial e de zona, a n&iacute;vel de Ilha-Ouvidoria e de Diocese. Precisa, pois, de todo o nosso apoio, tamb&eacute;m material.<\/p>\n<p>No quadro do Ano Europeu do Combate &agrave; Pobreza e &agrave; Exclus&atilde;o Social, o tema desta Semana Nacional da Caritas &eacute; o seguinte: &laquo;Erradicar a Pobreza e Radicar a Justi&ccedil;a&raquo;. Para erradicar a pobreza, &eacute; preciso promover a justi&ccedil;a, sempre inspirada pela caridade. Urge remover as causas da pobreza, com reformas estruturais. Mas n&atilde;o &eacute; suficiente. &laquo;A injusti&ccedil;a, fruto do mal, n&atilde;o tem ra&iacute;zes exclusivamente externas; tem origem no cora&ccedil;&atilde;o do homem&raquo; &#8211; adverte o Santo Padre (Mensagem Quaresma 2010). Daqui a import&acirc;ncia da Doutrina Social da Igreja, para formar as consci&ecirc;ncias segundo crit&eacute;rios evang&eacute;licos, criar pensamento e promover atitudes e comportamentos mais justos e solid&aacute;rios. Esta &eacute; uma das grandes tarefas da Pastoral Social.<\/p>\n<p>Por outro lado, neste momento de crise, &eacute; preciso garantir presen&ccedil;a no terreno, com sensibilidade social e iniciativas apropriadas, apoiando os servi&ccedil;os e movimentos existentes. Onde n&atilde;o h&aacute; grupos de apoio social, &eacute; o momento oportuno para criar N&uacute;cleos Caritas, a n&iacute;vel paroquial e\/ou inter-paroquial, para tomarem conhecimento, acompanharem e encaminharem os casos de emerg&ecirc;ncia e exclus&atilde;o sociais.<\/p>\n<p><strong>Dia Diocesano do Doente<\/strong><\/p>\n<p>Finalmente, gostava de lembrar que em Portugal, o V Domingo da Quaresma &ndash; este ano, a 21 de Mar&ccedil;o &ndash; &eacute; o Dia Diocesano do Doente. Pretende-se dar uma aten&ccedil;&atilde;o especial aos doentes e seus familiares, envolvendo, cada vez mais, seja os pastores como os profissionais de sa&uacute;de, as estruturas hospitalares e o voluntariado, as par&oacute;quias, os servi&ccedil;os e os movimentos eclesiais.<\/p>\n<p>Muito se tem feito, neste sector. &Eacute; poss&iacute;vel e necess&aacute;rio fazer mais e melhor, sobretudo, a n&iacute;vel paroquial. Neste Ano Sacerdotal, o Papa recomenda &ldquo;uma esp&eacute;cie de alian&ccedil;a&rdquo; entre padres e doentes: &laquo;Estimados presb&iacute;teros, convido-vos a n&atilde;o vos poupardes no gesto de lhes oferecer cuidado e conforto. O tempo transcorrido, ao lado de quem se encontra na prova, revela-se fecundo de gra&ccedil;a para todas as demais dimens&otilde;es da pastoral&raquo; (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial do Doente 2010).<\/p>\n<p>A Quaresma &eacute; caminhada de convers&atilde;o a Cristo e ao Seu Evangelho. Como explica o Papa, &laquo;converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilus&atilde;o da auto-sufici&ecirc;ncia para descobrir e aceitar a pr&oacute;pria indig&ecirc;ncia &ndash; indig&ecirc;ncia dos outros e de Deus, exig&ecirc;ncia do Seu perd&atilde;o e da Sua amizade. Compreende-se, ent&atilde;o, como a f&eacute; n&atilde;o &eacute; um facto natural, c&oacute;modo, &oacute;bvio: &eacute; necess&aacute;rio humildade, para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do &ldquo;meu&rdquo;, para me dar gratuitamente o &ldquo;seu&rdquo;. Isto acontece, particularmente, nos Sacramentos da Penit&ecirc;ncia e da Eucaristia.<\/p>\n<p>&laquo;Gra&ccedil;as &agrave; ac&ccedil;&atilde;o de Cristo, n&oacute;s podemos entrar na justi&ccedil;a &ldquo;maior&rdquo;, que &eacute; a do amor (cf. Rm 13, 8-10, a justi&ccedil;a de quem se sente sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar. Precisamente fortalecido por esta experi&ecirc;ncia, o crist&atilde;o &eacute; levado a contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de sociedades mais justas, onde todos recebem o necess&aacute;rio para viver segundo a pr&oacute;pria dignidade de homem e onde a justi&ccedil;a &eacute; vivificada pelo amor&raquo; (Bento XVI, Mensagem Quaresma 2010).<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Ant&oacute;nio, Bispo de Angra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A mim mesmo o fizestes&hellip;&rdquo; (Mt 25, 40) &laquo;Sempre que fizestes isto a um destes meus irm&atilde;os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes&raquo;. Assim se exprime Jesus, na Par&aacute;bola do Ju&iacute;zo Final, em que Se identifica com os irm&atilde;os, que ajudamos ou deixamos de ajudar (cf. Mt 25, 34-40). 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