{"id":43628,"date":"2010-02-18T17:16:15","date_gmt":"2010-02-18T17:16:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/18\/homilia-do-bispo-de-viana-na-quarta-feira-de-cinzas\/"},"modified":"2010-02-18T17:16:15","modified_gmt":"2010-02-18T17:16:15","slug":"homilia-do-bispo-de-viana-na-quarta-feira-de-cinzas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-viana-na-quarta-feira-de-cinzas\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Viana na Quarta-Feira de Cinzas"},"content":{"rendered":"<p>Com a celebra&ccedil;&atilde;o da cerim&oacute;nia lit&uacute;rgica das Cinzas, damos in&iacute;cio ao tempo da Quaresma, que precede o tempo Pascal. S&atilde;o quarenta dias dedicados &agrave; reflex&atilde;o espiritual, &agrave; pr&aacute;tica mais intensa da ora&ccedil;&atilde;o, da escuta da palavra de Deus, tempo oportuno para a convers&atilde;o interior e apelo &agrave; pr&aacute;tica de boas obras.<\/p>\n<p>Por tratar-se de acontecimento relevante para a vida da Igreja e de cada crist&atilde;o, como j&aacute; vai sendo h&aacute;bito, o Pastor universal, o Papa Bento XVI, enviou-nos uma mensagem. Ela est&aacute; presente nesta outra mensagem que hoje vos dirijo. Para ultrapassar o natural desgaste do tempo, sentimos necessidade de reservar alguns momentos da nossa vida para rever como brotam e se desenvolvem em n&oacute;s os ensinamentos evang&eacute;licos; examinar as nossas limita&ccedil;&otilde;es e cansa&ccedil;os. Como s&atilde;o muitos os obst&aacute;culos que temos de ultrapassar, recomenda-se que, em cada ano, a aten&ccedil;&atilde;o se centre particularmente num dentre eles, que nos pare&ccedil;a o mais urgente no sentido de valorizar e dignificar a nossa vida, neste momento concreto que estamos a viver.<\/p>\n<p>Este ano, o Papa prop&ocirc;s-nos o vasto tema da justi&ccedil;a, ao apontar que &laquo;a justi&ccedil;a de Deus realiza-se atrav&eacute;s da f&eacute; em Jesus Cristo&raquo; (cfr. Rom 3, 21-22). &Eacute; bom ter presente que a palavra &ldquo;justi&ccedil;a&rdquo; assume um significado muito pr&oacute;prio na Sagrada Escritura. Homem justo &eacute; aquele que conhece e cumpre os preceitos do Senhor, que o leva a amar a Deus e ao pr&oacute;ximo. Temos uma refer&ecirc;ncia b&iacute;blica concreta sobre este sentido de justi&ccedil;a, ao ser apresentado Jos&eacute;, o esposo da Virgem Maria, com estas palavras: &laquo;Jos&eacute;, homem justo&raquo; (Mt 1, 19). &Eacute; parte integrante desta justi&ccedil;a o conceito c&iacute;vico e jur&iacute;dico de &ldquo;dar a cada um o que &eacute; seu&rdquo;, numa refer&ecirc;ncia aos bens materiais.<\/p>\n<p>Sabemos, contudo, at&eacute; por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria, que a pessoa humana tem direitos que v&atilde;o muito al&eacute;m dos bens materiais. E estes dificilmente podem ser garantidos meramente pela for&ccedil;a da lei, &agrave; maneira de uma justi&ccedil;a distributiva. N&atilde;o pode ser-nos indiferente o facto de existirem, ainda hoje, pessoas que carecem de alimento, de &aacute;gua, de medicamentos, de amor fraterno&hellip;<\/p>\n<p>Este tempo quaresmal &eacute; momento oportuno para reflectir de onde vem a injusti&ccedil;a. Ser&aacute; eventualmente poss&iacute;vel que haja algumas injusti&ccedil;as cuja raiz provenha ou esteja fora da pessoa humana; mas a fonte mais comum das injusti&ccedil;as nasce no cora&ccedil;&atilde;o humano: no ego&iacute;smo que impede o amor. Como pode o homem libertar-se &laquo;deste impulso ego&iacute;sta e abrir-se ao amor do outro&raquo;? Responde Bento XVI: por um lado, atrav&eacute;s da aceita&ccedil;&atilde;o plena da vontade de Deus; e por outro, pela viv&ecirc;ncia da equidade em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo. N&atilde;o nos deixemos iludir. Deus est&aacute; sempre acordado e atento ao grito do pobre, do estrangeiro, da v&iacute;tima de qualquer escravid&atilde;o. Importa n&atilde;o nos fecharmos dentro de n&oacute;s, em qualquer atitude de auto-sufi ci&ecirc;ncia, que &eacute; origem da injusti&ccedil;a. A abertura aos outros &eacute; j&aacute; caminho de liberta&ccedil;&atilde;o e antecipa&ccedil;&atilde;o no tempo da P&aacute;scoa definitiva.<\/p>\n<p>Podemos ter esperan&ccedil;a de justi&ccedil;a? O an&uacute;ncio crist&atilde;o responde positivamente &agrave; sede de justi&ccedil;a do homem, na express&atilde;o do ap&oacute;stolo Paulo: &laquo;Est&aacute; manifestada a justi&ccedil;a de Deus&hellip; mediante a f&eacute; em Jesus Cristo, para todos os homens&raquo; (cfr. Rom 3, 21-25). N&atilde;o s&atilde;o os sacrif&iacute;cios do ser humano a libert&aacute;-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre at&eacute; ao extremo, para lhe transmitir a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que pertence a Deus conced&ecirc;-la.<\/p>\n<p>Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, significa precisamente &laquo;sair da ilus&atilde;o da auto-sufi ci&ecirc;ncia para descobrir e aceitar a pr&oacute;pria indig&ecirc;ncia; precisamos de Deus e dos outros, do seu perd&atilde;o e da sua amizade. Esta descoberta da f&eacute; n&atilde;o &eacute; um facto natural, nem c&oacute;modo&raquo;, refere o Papa. Exige ren&uacute;ncia volunt&aacute;ria e convers&atilde;o. Fortalecido por esta experi&ecirc;ncia, o crist&atilde;o &eacute; levado a contribuir sempre, tanto quanto lhe &eacute; poss&iacute;vel, para formar sociedades justas, onde cada um dos seus membros recebe o que lhe &eacute; devido para viver com a dignidade de ser humano, em que a justi&ccedil;a &eacute; vivificada e complementada pelo amor.<\/p>\n<p>Esta atitude &eacute; verdadeiramente pascal e libertadora. &Eacute; uma verdadeira e cont&iacute;nua participa&ccedil;&atilde;o nos frutos da ressurrei&ccedil;&atilde;o pascal de Cristo. Por isso, um tempo quaresmal bem vivido &ndash; no esfor&ccedil;o animado pela ora&ccedil;&atilde;o para atingir estes objectivos de purifica&ccedil;&atilde;o espiritual &ndash; &eacute; o melhor caminho para nos prepararmos para a viv&ecirc;ncia e celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa que se aproxima, e do tempo pascal que se inicia com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, e d&aacute; in&iacute;cio ao Tr&iacute;duo Pascal.<\/p>\n<p>Reflectindo sobre as diferentes situa&ccedil;&otilde;es em que se encontra a popula&ccedil;&atilde;o desta Igreja local de Viana do Castelo, neste ano, exorto-vos a prestar particular aten&ccedil;&atilde;o aos idosos, cada vez em maior n&uacute;mero nas nossas comunidades crist&atilde;s, por vezes em situa&ccedil;&otilde;es muito prec&aacute;rias de isolamento, sa&uacute;de, car&ecirc;ncias econ&oacute;micas e sociais, que tornam imposs&iacute;vel usufruir do m&iacute;nimo de qualidade de vida humana.<\/p>\n<p>&nbsp;A convers&atilde;o a Deus, que se exprime por sinais vis&iacute;veis, como a cerim&oacute;nia da imposi&ccedil;&atilde;o das Cinzas, a pr&aacute;tica da modera&ccedil;&atilde;o na tomada de alimentos, complementada pela partilha fraterna em favor dos mais necessitados, &eacute; poss&iacute;vel e desej&aacute;vel. E a Quaresma &eacute; o tempo oportuno.<\/p>\n<p>A ren&uacute;ncia quaresmal que sois convidados a praticar durante este tempo ter&aacute; em conta tamb&eacute;m as v&iacute;timas do sismo do Haiti e as car&ecirc;ncias dos nossos sacerdotes idosos.<\/p>\n<p>Viana do Castelo, 17 de Fevereiro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jos&eacute; Augusto Pedreira, Bispo de Viana do Castelo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a celebra&ccedil;&atilde;o da cerim&oacute;nia lit&uacute;rgica das Cinzas, damos in&iacute;cio ao tempo da Quaresma, que precede o tempo Pascal. S&atilde;o quarenta dias dedicados &agrave; reflex&atilde;o espiritual, &agrave; pr&aacute;tica mais intensa da ora&ccedil;&atilde;o, da escuta da palavra de Deus, tempo oportuno para a convers&atilde;o interior e apelo &agrave; pr&aacute;tica de boas obras. 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