{"id":4362,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/uma-reflexao-sobre-o-shoah\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"uma-reflexao-sobre-o-shoah","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-reflexao-sobre-o-shoah\/","title":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o sobre o Shoah"},"content":{"rendered":"<p>No dia em que se comemora o 60\u00ba anivers\u00e1rio da liberta\u00e7\u00e3o de Auschwitz e se celebra o \u201cDia da Mem\u00f3ria\u201d, as imagens do exterm\u00ednio de milh\u00f5es de judeus n\u00e3o pode ser arquivadas como mais um epis\u00f3dio dram\u00e1tico na hist\u00f3ria da humanidade.  Al\u00e9m dos esfor\u00e7os do Papa no combate ao anti-semitismo, reconhecidos recentemente numa visita de representantes judaicos ao Vaticano, faz sentido lembrar o documento da Comiss\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es religiosas com o Juda\u00edsmo, datado de 1998, que tem como t\u00edtulo \u201cN\u00f3s recordamos: uma reflex\u00e3o sobre o Shoah\u201d.  I. A TRAG\u00c9DIA DO SHOAH E O DEVER DA MEM\u00d3RIA O s\u00e9culo actual foi testemunha de uma indiz\u00edvel trag\u00e9dia, que jamais poder\u00e1 ser esquecida: a tentativa do regime nazi de exterminar o povo judaico, com o consequente mortic\u00ednio de milh\u00f5es de judeus. Homens e mulheres, adultos e jovens, crian\u00e7as e rec\u00e9m-nascidos, s\u00f3 porque eram de origem judaica, foram perseguidos e deportados. Alguns foram trucidados imediatamente, outros foram humilhados, maltratados, torturados, privados completamente da sua dignidade humana e, por fim, mortos. Pouqu\u00edssimos de quantos foram internados nos campos de concentra\u00e7\u00e3o sobreviveram, e ficaram aterrorizados durante a vida inteira. Este foi o Shoah: um dos principais dramas da hist\u00f3ria deste s\u00e9culo, um facto que ainda hoje nos diz respeito.    Diante deste horr\u00edvel genoc\u00eddio, em que os respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es e as pr\u00f3prias comunidades judaicas julgaram dif\u00edcil acreditar no momento em que esse era perpetrado sem miseric\u00f3rdia. ningu\u00e9m pode ficar indiferente, menos de todos a Igreja, em virtude dos seus v\u00ednculos estreit\u00edssimos de parentesco espiritual com o povo judaico e da recorda\u00e7\u00e3o que ela nutre das injusti\u00e7as do passado. A rela\u00e7\u00e3o da Igreja com o povo judaico \u00e9 diferente daquela que entretece com qualquer outra religi\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de retornar ao passado. O futuro comum de judeus e crist\u00e3os exige que nos recordemos, porque \u00abn\u00e3o h\u00e1 futuro sem mem\u00f3ria\u00bb. A pr\u00f3pria hist\u00f3ria \u00e9 memoria futuri.     Ao dirigir esta reflex\u00e3o aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s da Igreja cat\u00f3lica espalhados pelo mundo, pedimos a todos os crist\u00e3os que se unam a n\u00f3s na reflex\u00e3o sobre a cat\u00e1strofe que atingiu o povo judaico, e sobre o imperativo moral de fazer com que o ego\u00edsmo e o \u00f3dio nunca venham a crescer a ponto de semear sofrimentos e morte. De modo particular, pedimos aos nossos amigos judeus, \u00abcujo destino terr\u00edvel se tornou s\u00edmbolo da aberra\u00e7\u00e3o a que pode chegar o homem, quando se volta contra Deus\u00bb, que predisponham o seu cora\u00e7\u00e3o a escutar-nos.  II. O QUE DEVEMOS RECORDAR Ao dar o seu singular testemunho do Santo de Israel e da Tora, o povo judaico sofreu enormemente em diversos tempos e em muitos lugares. Mas o Shoah foi, sem d\u00favida, o pior sofrimento de todos. A inumanidade com que os judeus foram perseguidos e massacrados neste s\u00e9culo supera a capacidade de express\u00e3o das palavras. E tudo isto lhes foi feito s\u00f3 porque eram judeus.   A pr\u00f3pria enormidade do crime suscita muitos interrogativos. Historiadores, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, pol\u00edticos, psic\u00f3logos e te\u00f3logos procuram conhecer mais acerca da realidade e das causas do Shoah. Muitos estudos especializados ainda devem ser feitos. Mas um semelhante evento n\u00e3o pode ser plenamente medido s\u00f3 atrav\u00e9s dos crit\u00e9rios ordin\u00e1rios da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Ele evoca uma \u00abmem\u00f3ria moral e religiosa\u00bb e, em particular entre os crist\u00e3os, uma reflex\u00e3o muito s\u00e9ria sobre as causas que o provocaram.  O facto de o Shoah ter tido lugar na Europa, isto \u00e9, em pa\u00edses de longa civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3, apresenta a quest\u00e3o do relacionamento entre a persegui\u00e7\u00e3o nazi e as atitudes dos crist\u00e3os, ao longo dos s\u00e9culos, em rela\u00e7\u00e3o aos judeus.   <B>O documento<\/B> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/chrstuni\/documents\/rc_pc_chrstuni_doc_16031998_shoah_po.html\">\u2022 N\u00d3S RECORDAMOS:UMA REFLEX\u00c3O SOBRE O SHOAH<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia em que se comemora o 60\u00ba anivers\u00e1rio da liberta\u00e7\u00e3o de Auschwitz e se celebra o \u201cDia da Mem\u00f3ria\u201d, as imagens do exterm\u00ednio de milh\u00f5es de judeus n\u00e3o pode ser arquivadas como mais um epis\u00f3dio dram\u00e1tico na hist\u00f3ria da humanidade. 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