{"id":4361,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/dia-mundial-do-doente-2\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"dia-mundial-do-doente-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dia-mundial-do-doente-2\/","title":{"rendered":"Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Jo\u00e3o Paulo II <!--more--> QUE SER\u00c1 CELEBRADO EM LOURDES (FRAN\u00c7A) NO DIA 11 DE FEVEREIRO DE 2004    Ao venerado Irm\u00e3o Card. Javier Lozano BARRAG\u00c1N  Presidente do Pontif\u00edcio Conselho para a Pastoral no Campo da Sa\u00fade   1. O Dia Mundial do Doente, celebra\u00e7\u00e3o que todos os anos se realiza num Continente diferente, assume desta vez um significado particular. De facto, ela ter\u00e1 lugar em Lourdes, na Fran\u00e7a, localidade onde a Virgem apareceu em 11 de Fevereiro de 1858, e que a partir de ent\u00e3o se tornou meta de numerosas peregrina\u00e7\u00f5es. Nossa Senhora quis, naquela regi\u00e3o montanhosa, manifestar o seu amor materno especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos que sofrem e aos doentes. A partir de ent\u00e3o, ela continua a estar presente com solicitude constante.   Foi escolhido esse Santu\u00e1rio, porque em 2004 celebra-se o 150\u00ba anivers\u00e1rio da proclama\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Com efeito, no dia 8 de Dezembro de 1854, o meu Predecessor de venerada mem\u00f3ria, o Beato Pio IX, com a Bula dogm\u00e1tica Ineffabilis Deus afirmou ser &#8220;revela\u00e7\u00e3o de Deus a doutrina que defende que a Bem-Aventurada Virgem Maria foi preservada, por especial gra\u00e7a e privil\u00e9gio de Deus omnipotente, em previs\u00e3o dos m\u00e9ritos de Jesus Cristo, salvador do g\u00e9nero humano, preservada de qualquer mancha de pecado original desde o primeiro instante da sua concep\u00e7\u00e3o&#8221; (DS 2803). Em Lourdes, Maria, ao falar no dialecto local, disse:  &#8220;Que soy era Immaculada Councepciou&#8221;.   2. N\u00e3o desejava porventura a Virgem expressar com estas palavras tamb\u00e9m o v\u00ednculo que a une \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 vida? Se por causa do pecado original a morte entrou no mundo, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Deus preservou Maria de qualquer mancha de pecado, e veio at\u00e9 n\u00f3s a salva\u00e7\u00e3o e a vida (cf. Rm 5, 12-21).   O dogma da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o introduz-nos no centro do mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o (cf. Ef 1, 4-12; 3, 9-11). Deus quis oferecer \u00e0 criatura humana a vida em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10, 10), condicionando, contudo, esta sua iniciativa a uma resposta livre e amorosa. Ao recusar este dom com a desobedi\u00eancia que levou ao pecado, o homem interrompeu tragicamente o di\u00e1logo vital com o Criador. Ao &#8220;sim&#8221; de Deus, fonte da plenitude da vida, op\u00f4s-se o &#8220;n\u00e3o&#8221; do homem, motivado pela orgulhosa auto-sufici\u00eancia, portadora de morte (cf. Rm 5, 19).   Toda a humanidade ficou fortemente envolvida nesta nega\u00e7\u00e3o a Deus. S\u00f3 Maria de Nazar\u00e9, em previs\u00e3o dos merecimentos de Cristo, foi concebida imune da culpa original e totalmente aberta ao des\u00edgnio divino, de maneira que o Pai celeste p\u00f4de realizar nela o projecto que tinha feito para os homens.   A Imaculada Concei\u00e7\u00e3o anuncia o harmonioso enlace entre o &#8220;sim&#8221; de Deus e o &#8220;sim&#8221; que Maria pronunciar\u00e1 com abandono total, quando o anjo lhe trouxer o an\u00fancio celeste (cf. Lc 1, 38). Este seu &#8220;sim&#8221;, em nome da humanidade, abre de novo ao mundo as portas do Para\u00edso, gra\u00e7as \u00e0 encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus no seu seio por obra do Esp\u00edrito Santo (cf. Lc 1, 35). O projecto original da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 desta forma restaurado e fortalecido em Cristo, e nesse projecto tamb\u00e9m ela, a Virgem M\u00e3e, encontra o seu lugar.   3. Encontra-se aqui o fecho da hist\u00f3ria:  com a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria teve in\u00edcio a grande obra da Reden\u00e7\u00e3o, que se realiza no sangue precioso de Cristo. Nele todas as pessoas s\u00e3o chamadas a realizar-se em plenitude at\u00e9 \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da santidade (cf. Col 1, 28).   Por conseguinte, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 o alvorecer do dia radioso de Cristo, o qual com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o restabelecer\u00e1 a harmonia plena entre Deus e a humanidade. Se Jesus \u00e9 a fonte da vida que vence a morte, Maria \u00e9 a M\u00e3e sol\u00edcita que vem ao encontro das expectativas dos seus filhos, obtendo-lhes a sa\u00fade da alma e do corpo. Eis a mensagem que o Santu\u00e1rio de Lourdes reprop\u00f5e constantemente a devotos e peregrinos. Tamb\u00e9m \u00e9 este o significado das curas corporais e espirituais que se registam na gruta de Massabielle.   Desde o dia da apari\u00e7\u00e3o a Bernadete Soubirous, Maria naquele lugar &#8220;curou&#8221; dores e doen\u00e7as, restituindo a muitos dos seus filhos tamb\u00e9m a sa\u00fade do corpo. Contudo, ela realizou prod\u00edgios muito mais surpreendentes na alma dos crentes, abrindo o seu cora\u00e7\u00e3o ao encontro com o seu filho Jesus, resposta verdadeira \u00e0s expectativas mais profundas do cora\u00e7\u00e3o humano. O Esp\u00edrito Santo, que a encobriu com a sua sombra no momento da Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo, transforma a alma de numerosos doentes que a ela recorrem. Mesmo quando n\u00e3o obt\u00eam o dom da sa\u00fade corporal, podem sempre receber outro muito mais importante:  a convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, fonte de paz e de alegria interior.  Este dom transforma a sua exist\u00eancia e faz deles ap\u00f3stolos da cruz de Cristo, estandarte de esperan\u00e7a, mesmo entre as provas mais duras e dif\u00edceis.   4. Na Carta apost\u00f3lica Salvifici doloris eu anotava que o sofrimento pertence \u00e0 vicissitude hist\u00f3rica do homem, o qual deve aprender a aceit\u00e1-la e a super\u00e1-la (cf. n. 2:  AAS 576 [1984], 202). Mas como pode ele aceitar isto, sen\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 cruz de Cristo?   Na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Redentor o sofrimento humano encontra o seu significado mais profundo e o seu valor salv\u00edfico. Todo o peso de tribula\u00e7\u00f5es e sofrimentos da humanidade est\u00e1 condensado no mist\u00e9rio de um Deus que, assumindo a nossa natureza humana, se anulou at\u00e9 se fazer &#8220;pecado em nosso favor&#8221; (2 Cor 5, 21). No G\u00f3lgota Ele carregou as culpas de todas as criaturas humanas e, na solid\u00e3o do abandono, gritou ao Pai:  &#8220;Por que Me abandonaste?&#8221; (Mt 27, 46).   Do paradoxo da Cruz surge a resposta \u00e0s nossas interroga\u00e7\u00f5es mais inquietantes. Cristo sofre por n\u00f3s:  Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre connosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salva\u00e7\u00e3o. Eis por que o crente pode dizer com S\u00e3o Paulo:  &#8220;Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por v\u00f3s e completo na minha carne o que falta \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es de Cristo, pelo seu Corpo, que \u00e9 a Igreja&#8221; (Cl 1, 24). O sofrimento, aceite com f\u00e9, torna-se a porta para entrar no mist\u00e9rio do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que j\u00e1 n\u00e3o priva da paz e da felicidade, porque \u00e9 iluminada pelo esplendor da ressurrei\u00e7\u00e3o.   5. Aos p\u00e9s da Cruz sofre em sil\u00eancio Maria, part\u00edcipe de maneira muito especial dos sofrimentos do Filho, constitu\u00edda m\u00e3e da humanidade, pronta a interceder para que todas as pessoas possam obter a salva\u00e7\u00e3o (cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. Salvifici doloris[11 de Fevereiro de 1984], 25:  AAS 76 [1984], 235-238).   Em Lourdes n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender esta singular participa\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora no papel salv\u00edfico de Cristo. O prod\u00edgio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o recorda aos crentes uma verdade fundamental:  s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel obter a salva\u00e7\u00e3o participando docilmente no projecto do Pai, que quis redimir o mundo atrav\u00e9s da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o do seu Filho unig\u00e9nito. Com o Baptismo o crente \u00e9 inserido neste des\u00edgnio salv\u00edfico e \u00e9 libertado do pecado original. A doen\u00e7a e a morte, mesmo permanecendo na exist\u00eancia terrena, contudo perdem o seu sentido negativo. \u00c0 luz da f\u00e9, a morte do corpo, vencida pela de Cristo (cf. Rm 6, 4), torna-se a passagem obrigat\u00f3ria para a plenitude da vida imortal.   6. O nosso tempo deu grandes passos no conhecimento cient\u00edfico da vida, dom fundamental de Deus do qual n\u00f3s somos os administradores. A vida deve ser aceite, respeitada e defendida desde o seu come\u00e7o at\u00e9 ao seu ocaso natural. Com ela deve ser tutelada a fam\u00edlia, ber\u00e7o de qualquer vida nascente.   J\u00e1 se fala correntemente de &#8220;engenharia gen\u00e9tica&#8221; fazendo alus\u00e3o \u00e0s extraordin\u00e1rias possibilidades que a ci\u00eancia hoje oferece para intervir sobre as fontes da vida. Qualquer progresso aut\u00eantico neste campo deve ser encorajado, sempre que ele respeite os direitos e a dignidade da pessoa desde a sua concep\u00e7\u00e3o. De facto, ningu\u00e9m se pode arrogar a faculdade de destruir ou manipular indiscriminadamente a vida do ser humano. \u00c9 tarefa espec\u00edfica dos agentes no campo da Pastoral da Sa\u00fade sensibilizar todos os que trabalham neste delicado sector, para que se sintam comprometidos a estar sempre ao servi\u00e7o da vida.   Por ocasi\u00e3o do Dia Mundial do Doente desejo agradecer a todos os agentes da Pastoral da Sa\u00fade, sobretudo aos Bispos que se ocupam deste sector nas diversas Confer\u00eancias episcopais, aos Capel\u00e3es, aos P\u00e1rocos e aos sacerdotes comprometidos neste \u00e2mbito, \u00e0s Ordens e \u00e0s Congrega\u00e7\u00f5es religiosas, aos volunt\u00e1rios e a quantos n\u00e3o se cansam de oferecer um testemunho coerente da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor face aos sofrimentos, \u00e0 dor e \u00e0 morte.   Gostaria de fazer o meu reconhecimento extensivo aos agentes no campo da sa\u00fade, ao pessoal m\u00e9dico e param\u00e9dico, aos pesquisadores, sobretudo aos que se dedicam \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o de novos f\u00e1rmacos, e a quantos cuidam da produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios acess\u00edveis tamb\u00e9m a quem tem menos recursos.   Confio-vos a todos \u00e0 Sant\u00edssima Virgem, venerada no Santu\u00e1rio de Lourdes na sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Que ela ajude todos os crist\u00e3os a testemunhar que a \u00fanica resposta aut\u00eantica \u00e0 dor, ao sofrimento e \u00e0 morte \u00e9 Cristo, nosso Senhor, morto e ressuscitado por n\u00f3s.   Com estes sentimentos, envio de bom grado a Vossa Emin\u00eancia, venerado Irm\u00e3o, e a quantos participam na celebra\u00e7\u00e3o da Jornada do Doente, uma especial B\u00ean\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica.   Vaticano, 1 de Dezembro de 2003.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Jo\u00e3o Paulo II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[166,187,206,231,237,277,302],"class_list":["post-4361","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-dia-mundial-do-doente","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-imaculada-conceicao","tag-joao-paulo-ii","tag-pastoral-da-saude","tag-santuario-de-lourdes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4361\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}