{"id":43608,"date":"2010-02-18T11:21:02","date_gmt":"2010-02-18T11:21:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/18\/mensagem-quaresmal-do-bispo-do-algarve-4\/"},"modified":"2010-02-18T11:21:02","modified_gmt":"2010-02-18T11:21:02","slug":"mensagem-quaresmal-do-bispo-do-algarve-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-quaresmal-do-bispo-do-algarve-4\/","title":{"rendered":"Mensagem quaresmal do Bispo do Algarve"},"content":{"rendered":"<p>Meus caros diocesanos,<\/p>\n<p>o tempo lit&uacute;rgico que estamos a iniciar, proporciona-nos, anualmente, a oportunidade para uma revis&atilde;o de vida mais profunda em ordem &agrave; convers&atilde;o pessoal e &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio central da nossa f&eacute;: a morte e a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p>A convers&atilde;o pessoal ser&aacute; tanto mais aut&ecirc;ntica, quanto mais se inspirar na escuta mais prolongada da Palavra de Deus e na resposta aos seus apelos; no encontro pessoal e mais &iacute;ntimo com Cristo, pela ora&ccedil;&atilde;o; na partilha solid&aacute;ria e fraterna com os mais necessitados.<\/p>\n<p>Continuamos mergulhados numa crise que tarda em passar, se bem que o seu fim tenha sido anunciado por diversas vezes. As suas consequ&ecirc;ncias continuam a fazer-se sentir com o aumento do desemprego, inclusivamente entre n&oacute;s, e o consequente reflexo no seio de in&uacute;meras fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>O fundo diocesano criado com a ren&uacute;ncia quaresmal de 2009, tem sido aplicado integralmente pela Diocese, sobretudo no apoio &agrave;s fam&iacute;lias atingidas pelo desemprego, com o objectivo de minorar os efeitos desta crise.<\/p>\n<p>Este ano, como j&aacute; foi divulgado, sens&iacute;veis &agrave; trag&eacute;dia do povo do Haiti, a ren&uacute;ncia quaresmal diocesana destinar-se-&aacute; a auxiliar as v&iacute;timas do terramoto e na reconstru&ccedil;&atilde;o das estruturas sob a responsabilidade da Igreja local. Estamos certos de que esta decis&atilde;o, apoiada pelo Conselho Presbiteral, corresponde ao desejo e ao sentir do povo algarvio que, de muitos modos e atrav&eacute;s de diversas institui&ccedil;&otilde;es, vem j&aacute; demonstrando a sua generosidade.<\/p>\n<p>A cerca de tr&ecirc;s meses da visita do Papa Bento XVI a Portugal e porque queremos, como Igreja diocesana, usufruir da sua presen&ccedil;a e da mensagem que nos vai dirigir, para crescermos mais na comunh&atilde;o com o sucessor de Pedro e com toda a Igreja, proponho e exorto-vos, desde j&aacute;, a que acolhais e mediteis na sua oportuna mensagem para esta Quaresma, da qual saliento alguns aspectos:<\/p>\n<p>1. O Papa apresenta uma reflex&atilde;o sobre o &ldquo;vasto tema da justi&ccedil;a&rdquo; para afirmar que a necessidade mais profunda do ser humano n&atilde;o lhe pode ser dada pela &ldquo;justi&ccedil;a distributiva&rdquo;. Os bens materiais s&atilde;o, naturalmente, &uacute;teis e necess&aacute;rios e devemos lutar contra a &ldquo;indiferen&ccedil;a&rdquo; que continua a condenar &ldquo;centenas de milh&otilde;es de seres humanos &agrave; morte por falta de alimentos, de &aacute;gua e de medicamentos&rdquo;. Todavia &ldquo;aquilo de que o homem precisa n&atilde;o lhe pode ser garantido por lei&rdquo;. Para viver em plenitude, &ldquo;precisa de algo mais &iacute;ntimo que s&oacute; lhe pode ser concedido gratuitamente: poder&iacute;amos dizer que o homem vive daquele amor que s&oacute; Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a&rdquo;. Mais do que p&atilde;o, o ser humano precisa sobretudo de Deus.<\/p>\n<p>2. Tamb&eacute;m n&atilde;o podemos cair na ilus&atilde;o, provocada por um modo ing&eacute;nuo e m&iacute;ope de pensar, que bastaria remover as causas externas que impedem a actua&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, para acabar com o mal no mundo. &ldquo;A injusti&ccedil;a, fruto do mal, n&atilde;o tem ra&iacute;zes exclusivamente externas; tem origem no cora&ccedil;&atilde;o do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa coniv&ecirc;ncia com o mal&rdquo;, que fragiliza a sua natural &ldquo;capacidade de entrar em comunh&atilde;o com o outro&rdquo; e nele desperta &ldquo;uma for&ccedil;a de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: &eacute; o ego&iacute;smo, consequ&ecirc;ncia do pecado original&rdquo;.<\/p>\n<p>3. A Quaresma &eacute; o tempo prop&iacute;cio para libertar o cora&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho significa precisamente isto: sair da ilus&atilde;o da auto-sufici&ecirc;ncia para descobrir e aceitar a pr&oacute;pria indig&ecirc;ncia &ndash; indig&ecirc;ncia dos outros e de Deus, exig&ecirc;ncia do seu perd&atilde;o e da sua amizade&rdquo;. N&atilde;o sendo a f&eacute; &ldquo;um facto natural, c&oacute;modo, &oacute;bvio&rdquo; exige-se humildade para aceitar a necessidade &ldquo;que um Outro me liberte do &laquo;meu&raquo;, para me dar gratuitamente o &laquo;seu&raquo;&rdquo;, do qual s&atilde;o express&atilde;o e realidade particularmente os &ldquo;sacramentos da Penit&ecirc;ncia e da Eucaristia. Gra&ccedil;as &agrave; ac&ccedil;&atilde;o de Cristo, <em>podemos entrar na justi&ccedil;a &laquo;maior&raquo;, que &eacute; a do amor <\/em>(cf Rom 13,8-10), a justi&ccedil;a de quem se sente sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.&rdquo; &Eacute; fortalecido por esta experiencia que &ldquo;o crist&atilde;o &eacute; levado a contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de sociedades justas, onde todos recebem o necess&aacute;rio para viver segundo a pr&oacute;pria dignidade de homem e onde a justi&ccedil;a &eacute; vivificada pelo amor&rdquo;.<\/p>\n<p>Meus caros diocesanos, n&atilde;o deixeis de procurar neste tempo da Quaresma os meios que, talvez, h&aacute; muito ansiais para uma convers&atilde;o sincera a Cristo e ao Evangelho, apoiados no amor gratuito e misericordioso de Deus. S&oacute; assim &eacute; que podereis participar verdadeiramente na P&aacute;scoa de Cristo ressuscitado, garantia e fundamento da plenitude da alegria e da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ <\/em><em>Manuel Quintas, Bispo do Algarve<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meus caros diocesanos, o tempo lit&uacute;rgico que estamos a iniciar, proporciona-nos, anualmente, a oportunidade para uma revis&atilde;o de vida mais profunda em ordem &agrave; convers&atilde;o pessoal e &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio central da nossa f&eacute;: a morte e a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo. 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