{"id":43566,"date":"2010-02-15T16:46:49","date_gmt":"2010-02-15T16:46:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/15\/mensagem-quaresmal-do-arcebispo-de-evora\/"},"modified":"2010-02-15T16:46:49","modified_gmt":"2010-02-15T16:46:49","slug":"mensagem-quaresmal-do-arcebispo-de-evora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-quaresmal-do-arcebispo-de-evora\/","title":{"rendered":"Mensagem Quaresmal do Arcebispo de \u00c9vora"},"content":{"rendered":"<p><strong>Deus ama quem d&aacute; com alegria<\/strong><\/p>\n<p>A dezassete de Fevereiro inicia-se, mais uma vez, a longa caminhada quaresmal de prepara&ccedil;&atilde;o para a solenidade da P&aacute;scoa &ndash; centro, fonte e auge da vida crist&atilde;. A import&acirc;ncia &uacute;nica dessa solenidade justifica que a prepara&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; dedicada pela Igreja tenha tamb&eacute;m um car&aacute;cter mais alongado e abrangente. Na multissecular tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, a prepara&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa est&aacute; intimamente associada &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima dos adultos para o Baptismo, celebrado na noite da Vig&iacute;lia Pascal, e constitui um tempo alongado de purifica&ccedil;&atilde;o espiritual, com recurso aos meios tradicionais da ascese crist&atilde;, que podemos resumir a tr&ecirc;s: ora&ccedil;&atilde;o, mortifica&ccedil;&atilde;o e partilha. Nenhum destes meios se justifica por si mesmo. Eles adquirem significado e valor espiritual na medida em que induzem e possibilitam um processo de convers&atilde;o interior, em ordem a aproximar cada fiel do modelo de todos &#8211; Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Alguns, mais imbu&iacute;dos da mentalidade hedonista, continuada e persistentemente apregoada de muitas formas na nossa sociedade, talvez n&atilde;o encontrem uma justifica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel para este apelo &agrave; convers&atilde;o que a Igreja todos os anos repete no in&iacute;cio da caminhada quaresmal. Mas aqueles e aquelas que acolheram no cora&ccedil;&atilde;o a mensagem evang&eacute;lica e a tomam como norma de vida, est&atilde;o cientes da necessidade da convers&atilde;o e reconhecem na partilha dos dons recebidos da m&atilde;o de Deus um meio eficaz para a alcan&ccedil;ar. Na verdade, a partilha dos bens &eacute; uma forma privilegiada de exprimir o amor ao pr&oacute;ximo, que &eacute; a ess&ecirc;ncia do cristianismo.<\/p>\n<p>A partilha dos bens com os outros &eacute;, antes de mais, uma imita&ccedil;&atilde;o dos gestos gratuitos de Deus para com a humanidade por Ele criada e enriquecida com m&uacute;ltiplos dons naturais e sobrenaturais. As ra&iacute;zes da partilha alimentam-se da religi&atilde;o b&iacute;blica que exige a todos o amor dos irm&atilde;os e determina formas concretas de o praticar. Como acontece, por exemplo, ao impor que se deixe uma parte das colheitas para os pobres (Dt 24,20), que se pague o d&iacute;zimo trienal em favor dos que n&atilde;o t&ecirc;m terras (Dt 14,28) e que aos apelos dos pobres se responda com generosidade (Dt 15,20) e com delicadeza (Sir 18,15).<\/p>\n<p>Mas S. Paulo, ao escrever aos crist&atilde;os de Corinto, vai mais longe. Segundo ele, a esmola n&atilde;o deve ser praticada como simples gesto de filantropia. Pois toda a esmola feita com sentido crist&atilde;o est&aacute; carregada de significado religioso e simbolismo eucar&iacute;stico. Ela &eacute; sinal e s&iacute;mbolo da comunh&atilde;o que deve existir entre os membros da assembleia eucar&iacute;stica. Pode mesmo significar a unidade que existe entre diferentes comunidades crist&atilde;s. E foi esse o significado que ele deu &agrave; colecta levada a cabo nas comunidades crist&atilde;s estabelecidas no ambiente pag&atilde;o, a favor da comunidade pobre de Jerusal&eacute;m. A tal colecta S. Paulo chegou mesmo a atribuir um car&aacute;cter sagrado designando-a por minist&eacute;rio e liturgia (2Cor 8,4; 9,12).<\/p>\n<p>Com esse gesto de caridade, S. Paulo pretendia eliminar as diferen&ccedil;as e fortalecer os la&ccedil;os de comunh&atilde;o entre as igrejas da di&aacute;spora e a igreja m&atilde;e de Jerusal&eacute;m. &Eacute; certo que a comunh&atilde;o &eacute; um fruto amadurecido pela gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito. No entanto, n&atilde;o h&aacute; fruto sem sementeira. E esta tem que ser feita por cada um de n&oacute;s. Tal como acontece na agricultura, &eacute; preciso semear abundantemente (2Cor 9,6) para que a colheita tamb&eacute;m venha a ser abundante. Ora foi esse o belo exemplo dos crist&atilde;os da Maced&oacute;nia. O Ap&oacute;stolo Paulo elogia-os, porque no meio das muitas tribula&ccedil;&otilde;es com que foram provados, a sua superabundante alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de generosidade (2Cor 8,2). E foram eles que, com toda a espontaneidade e muita insist&ecirc;ncia, pediram a gra&ccedil;a de participar no servi&ccedil;o em favor dos santos.<\/p>\n<p>A exemplo de S. Paulo, este ano tamb&eacute;m eu pe&ccedil;o aos crist&atilde;os de todas as comunidades diocesanas, mesmo aos mais pobres, que espontaneamente e segundo as suas possibilidades, cada um ponha de parte o que tiver conseguido poupar (1Cor 16,2) e o entregue na celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica como gesto de comunh&atilde;o com as tr&ecirc;s par&oacute;quias novas e pobres que est&atilde;o a construir a sua igreja paroquial, sem as habituais comparticipa&ccedil;&otilde;es das entidades oficiais. Trata-se das par&oacute;quias de Foros do Arr&atilde;o, Foros de Vale de Figueira e Silveiras.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da Ren&uacute;ncia Quaresmal, procederemos do mesmo modo que nos anos anteriores. E pe&ccedil;o &agrave; Caritas Diocesana que organize a distribui&ccedil;&atilde;o desta mensagem e dos respectivos envelopes por todas as par&oacute;quias. Quanto &agrave; recolha do produto da Ren&uacute;ncia, este ano seguiremos um m&eacute;todo diferente dos outros anos. Cada p&aacute;roco, durante o m&ecirc;s de Abril, entregar&aacute; o produto da Ren&uacute;ncia Quaresmal das suas par&oacute;quias ao Vig&aacute;rio da Vara. Este, por sua vez, far&aacute; a entrega da soma recolhida na Vigararia &agrave; C&uacute;ria Diocesana, que dividir&aacute; o total em tr&ecirc;s partes iguais para distribuir pelas par&oacute;quias contempladas.<\/p>\n<p>Pela minha parte, seguindo o exemplo de S. Paulo, que foi pessoalmente a Jerusal&eacute;m, acompanhado de alguns dos seus colaboradores, para entregar o produto da colecta, tamb&eacute;m eu, no dia 30 de Maio, irei pessoalmente, acompanhado por alguns representantes das tr&ecirc;s Zonas Pastorais da Arquidiocese, entregar a cada uma das tr&ecirc;s par&oacute;quias o resultado da Ren&uacute;ncia Quaresmal deste ano.<\/p>\n<p>Estou certo que as tr&ecirc;s par&oacute;quias contempladas com a nossa generosidade sentir&atilde;o grande alegria por poderem dar algum avan&ccedil;o &agrave;s obras da igreja paroquial que h&aacute; tanto tempo desejam ver conclu&iacute;das. Certamente, a nossa alegria ao dar ser&aacute; ainda maior do que a delas ao receber. Sejamos generosos e alegres na d&aacute;diva, para que o amor de Deus cres&ccedil;a em n&oacute;s, pois Deus ama quem d&aacute; com alegria.<\/p>\n<p>&Eacute;vora, 25 de Janeiro de 2010 e Festa da Convers&atilde;o de S. Paulo<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+Jos&eacute;, Arcebispo de &Eacute;vora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus ama quem d&aacute; com alegria A dezassete de Fevereiro inicia-se, mais uma vez, a longa caminhada quaresmal de prepara&ccedil;&atilde;o para a solenidade da P&aacute;scoa &ndash; centro, fonte e auge da vida crist&atilde;. 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