{"id":43553,"date":"2010-02-15T12:35:35","date_gmt":"2010-02-15T12:35:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/15\/mensagem-do-bispo-de-beja-para-a-quaresma-2010\/"},"modified":"2010-02-15T12:35:35","modified_gmt":"2010-02-15T12:35:35","slug":"mensagem-do-bispo-de-beja-para-a-quaresma-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-bispo-de-beja-para-a-quaresma-2010\/","title":{"rendered":"Mensagem do Bispo de Beja para a Quaresma 2010"},"content":{"rendered":"<p><strong>Justi&ccedil;a de Deus e justi&ccedil;a dos homens<\/strong><\/p>\n<p>1. Quaresma e revis&atilde;o da vida<\/p>\n<p>Todos os anos a Igreja convida os seus membros a fazer a revis&atilde;o da vida a partir de Jesus Cristo, tendo em conta o seu testemunho e os seus ensinamentos evang&eacute;licos. Isto constitui uma tarefa di&aacute;ria, mas, com maior intensidade, nos quarenta dias que antecedem a festa principal da Igreja, a P&aacute;scoa, tempo esse denominado de Quaresma. Tornou-se habitual o Papa e os bispos escreverem uma mensagem, exortando os fi&eacute;is ao seguimento coerente de Jesus, lembrando-nos do que Ele disse aos seus ap&oacute;stolos: quem quiser ser meu disc&iacute;pulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Estas palavras, v&aacute;rias vezes repetidas, t&ecirc;m uma for&ccedil;a especial ditas no contexto da confiss&atilde;o de Pedro na Cesareia e da transfigura&ccedil;&atilde;o no Monte Tabor. A partir da&iacute; Jesus p&otilde;e-se a caminho de Jerusal&eacute;m, onde seria preso e condenado &agrave; morte de cruz, num processo sum&aacute;rio e demag&oacute;gico.<\/p>\n<p>A recorda&ccedil;&atilde;o e celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica destes passos de Jesus levanta v&aacute;rias quest&otilde;es, para as quais nem sempre encontramos respostas satisfat&oacute;rias. O sofrimento e a morte violenta de um inocente faz despontar em n&oacute;s uma s&eacute;rie de porqu&ecirc;s, a muitos dos quais s&oacute; a resposta do amor sem limites da parte de Jesus s&atilde;o a &uacute;nica sa&iacute;da com futuro para a humanidade, enquanto o &oacute;dio, a inveja e o pecado da parte dos que pediram e provocaram a sua condena&ccedil;&atilde;o e morte aumentam os enigmas e a injusti&ccedil;a.<\/p>\n<p>Mas a Quaresma n&atilde;o se reduz a uma medita&ccedil;&atilde;o sobre uma figura importante do passado, pois, a partir do que aconteceu com Jesus Cristo, descobrimos o nosso presente e a nossa participa&ccedil;&atilde;o nessa hist&oacute;ria. Afinal, tudo isso &eacute; espelho da humanidade no seu relacionamento com o Criador e com as criaturas. Em breves palavras podemos dizer que o nosso pecado, o nosso ego&iacute;smo, o nosso apego aos bens materiais, a nossa ambi&ccedil;&atilde;o de poder e de prazer, e tamb&eacute;m a nossa condi&ccedil;&atilde;o de fragilidade, continuam a ser a causa, directa ou indirectamente, de muito sofrimento. Mas na atitude de Jesus tamb&eacute;m percebemos que n&atilde;o estamos votados ao fracasso, porque o seu amor &eacute; mais forte que a morte. Por isso Ele p&ocirc;de exclamar e gritar: Pai, n&atilde;o se fa&ccedil;a a minha vontade, mas a tua&hellip;, perdoa-lhes porque n&atilde;o sabem o que fazem&hellip;, nas tuas m&atilde;os entrego o meu esp&iacute;rito&hellip;<\/p>\n<p>Perante muitos males, para os quais ainda n&atilde;o encontramos solu&ccedil;&otilde;es ou explica&ccedil;&otilde;es satisfat&oacute;rias, recordemos o sismo recente no Haiti, que vitimou centenas de milhares de pessoas ou deixou muitas em grandes sofrimentos e pen&uacute;rias. Como reagimos, que atitudes assumimos? A do desespero ou a da esperan&ccedil;a, a da f&eacute; ou da nega&ccedil;&atilde;o de qualquer sentido, a da paralisia asfixiante ou a da ajuda solid&aacute;ria?<\/p>\n<p>Estes e outros problemas p&otilde;em a nossa f&eacute; &agrave; prova. Felizmente, muitos procuram socorrer aqueles que sofrem, n&atilde;o os deixando sozinhos, entregues a si mesmos, sem a companhia de quem chore com eles, clame por solu&ccedil;&otilde;es e as procure. A humanidade parece despertar do sono, da ilus&atilde;o de um progresso sem limites e sem v&iacute;timas. Aumenta o n&uacute;mero daqueles que se aproximam das v&iacute;timas, para sentir o seu sofrimento e procurar lenitivos. O lado bom, solid&aacute;rio, compassivo do ser humano parece ganhar for&ccedil;a, deixando de apontar para os outros como os culpados de todos os males e procurando eliminar do pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o muitas das causas do afastamento, da disc&oacute;rdia e das injusti&ccedil;as. Numa palavra, a mudan&ccedil;a da mentalidade ego&iacute;sta, do rumo egoc&ecirc;ntrico, do individualismo e relativismo subjectivista come&ccedil;a a dar lugar ao encontro com os outros, sobretudo com os mais carenciados de p&atilde;o, de amor e de paz. &Eacute; o processo de convers&atilde;o, para a qual a Quaresma constitui uma forte interpela&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o tempo favor&aacute;vel para descobrir o sentido da vida e p&ocirc;r-se a caminho.<\/p>\n<p>2. Pr&aacute;ticas tradicionais da Quaresma<\/p>\n<p>Tradicionalmente e desde os tempos evang&eacute;licos, a Igreja recomenda durante a Quaresma a intensifica&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s pr&aacute;ticas significativas da seriedade do processo de convers&atilde;o: a ora&ccedil;&atilde;o, o jejum e a esmola. Esta trilogia, assumida livremente por amor a Cristo e aos irm&atilde;os mais carenciados, mant&eacute;m o seu valor em ordem &agrave; nossa configura&ccedil;&atilde;o a Cristo e ao nosso empenho solid&aacute;rio com todos os que sofrem. Sentindo na nossa pele o sofrimento de Cristo e dos injusti&ccedil;ados deste mundo, crescemos na nossa identidade humana e crist&atilde;. Podemos dizer, pois, que estas pr&aacute;ticas quaresmais nos ajudam a preparar-nos tamb&eacute;m para a nossa P&aacute;scoa, a nossa passagem duma vida ef&eacute;mera, centrada em n&oacute;s mesmos, para a plenitude da vida na caridade.<\/p>\n<p>Na mensagem para este ano, o Papa acentua a pr&aacute;tica da justi&ccedil;a no seu sentido pleno, n&atilde;o apenas como distribui&ccedil;&atilde;o mais fraterna e igual dos bens, dando a cada um o que lhe pertence, mas tamb&eacute;m como acolhimento e partilha do amor de Deus. S&oacute; o amor, a caridade derramada por Deus no nosso cora&ccedil;&atilde;o, nos torna e faz verdadeiramente justos e constr&oacute;i a justi&ccedil;a nas nossas rela&ccedil;&otilde;es. Sem a caridade, recebida e partilhada, a convers&atilde;o n&atilde;o &eacute; real e t&atilde;o pouco construtora da justi&ccedil;a, que d&aacute; aos outros o amor a que t&ecirc;m direito.<\/p>\n<p>A estas tr&ecirc;s pr&aacute;ticas tradicionais acrescento a atitude de escuta e o sil&ecirc;ncio, que fazem parte da ora&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;ntica, mas esta &eacute; por muitos entendida apenas como vocal, de peti&ccedil;&atilde;o, e menos de admira&ccedil;&atilde;o e contempla&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio de Deus e da vida. Vivemos num tempo de barulho, de palavreado, de demagogia, de processos infind&aacute;veis, em que os sofismas das palavras procuram escamotear e ocultar os factos, criando realidades virtuais contra as v&iacute;timas reais. Precisamos de escutar os outros, sobretudo as v&iacute;timas, os que sofrem, as crian&ccedil;as e m&atilde;es maltratadas, os pais de fam&iacute;lia desempregados, as v&iacute;timas do tr&aacute;fico laboral, sexual e de &oacute;rg&atilde;os. A ora&ccedil;&atilde;o da Igreja ajuda-nos a cultivar estas atitudes de escuta, sensibilidade e compaix&atilde;o com aqueles que continuam no presente a Paix&atilde;o de Jesus, mas a quem falta a capacidade de oferta e doa&ccedil;&atilde;o manifestadas por Cristo. Precisam de Cireneus que os ajudam a levar a cruz. Nesta companhia solid&aacute;ria contribuimos para realizar a justi&ccedil;a na sua plenitude.<\/p>\n<p>3. Destino da ren&uacute;ncia quaresmal<\/p>\n<p>Desde h&aacute; alguns anos que as comunidades crist&atilde;s orientam a partilha do tempo da Quaresma, fruto das suas ren&uacute;ncias ao longo dos quarenta dias, para alguma necessidade mais grave e premente, e assim crescermos na capacidade de amar ao modo de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Na diocese de Beja, na Quaresma de 2009, o destino das nossas ren&uacute;ncias e partilha foi, por delibera&ccedil;&atilde;o do Conselho Presbiteral, para apoiar crist&atilde;os de pa&iacute;ses de maioria isl&acirc;mica, sobretudo em terras evangelizadas por S. Paulo, muitas vezes perseguidos e espoliados dos seus bens. O resultado entregue at&eacute; agora nos servi&ccedil;os diocesanos atingiu a quantia de 19.498,92 &euro;. Mas h&aacute; par&oacute;quias que ainda n&atilde;o regularizaram os seus compromissos.<\/p>\n<p>A ren&uacute;ncia quaresmal deste ano de 2010 destina-se a ajudar no alargamento das val&ecirc;ncias sociais da nossa Caritas Diocesana, sobretudo do refeit&oacute;rio social, do acolhimento dos sem abrigo e da reinser&ccedil;&atilde;o social e laboral de pessoas recuperadas da toxicodepend&ecirc;ncia e do &aacute;lcool. Para isso vamos come&ccedil;ar j&aacute; este ano as obras de restauro e adapta&ccedil;&atilde;o do antigo Pa&ccedil;o Episcopal, ao qual vamos dar o nome de Casa Social D. Jos&eacute; do Patroc&iacute;nio Dias, que, a partir de 1922, foi adquirindo, a pouco e pouco, os edif&iacute;cios cont&iacute;guos &agrave; sua resid&ecirc;ncia, instalando a&iacute; os servi&ccedil;os diocesanos.<\/p>\n<p>Estava definida esta finalidade da ren&uacute;ncia quaresmal, quando se deu o sismo de Haiti, com graves consequ&ecirc;ncias humanit&aacute;rias. Por isso decidimos aplicar metade da ren&uacute;ncia quaresmal para ajudar as v&iacute;timas deste sismo atrav&eacute;s da Caritas Internacional, como o temos feito at&eacute; aqui. A outra metade ser&aacute; para a finalidade acima definida. Apelamos &agrave; generosidade dos nossos diocesanos, conscientes de que chegaremos &agrave; P&aacute;scoa mais ricos na capacidade de amar, tentando lutar contra as injusti&ccedil;as deste mundo.<\/p>\n<p>Para todos uma Quaresma com h&aacute;bitos de vida mais austeros, solid&aacute;rios, atentos &agrave; Palavra de Deus, ao testemunho de vida de Jesus Cristo e aos que sofrem na pele as injusti&ccedil;as e as crises do presente.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Justi&ccedil;a de Deus e justi&ccedil;a dos homens 1. 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