{"id":43549,"date":"2010-02-15T11:52:02","date_gmt":"2010-02-15T11:52:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/15\/implantacao-da-republica-igreja-tornou-se-mais-livre-com-a-lei-de-separacao\/"},"modified":"2010-02-15T11:52:02","modified_gmt":"2010-02-15T11:52:02","slug":"implantacao-da-republica-igreja-tornou-se-mais-livre-com-a-lei-de-separacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/implantacao-da-republica-igreja-tornou-se-mais-livre-com-a-lei-de-separacao\/","title":{"rendered":"Implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica: Igreja tornou-se mais livre com a Lei de Separa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Instituto Superior de Estudos Teol\u00f3gicos de Coimbra dedicou Jornadas de Teologia \u00e0s rela\u00e7\u00f5es Igreja-Estado no s\u00e9c. XX <!--more--> <\/p>\n<p>O Pe. Ant&oacute;nio Jesus Ramos, professor do Instituto Superior de Estudos Teol&oacute;gicos de Coimbra, considera que actualmente &ldquo;vive-se mais o esp&iacute;rito da separa&ccedil;&atilde;o entre a Igreja e o Estado como ela deve ser entendida do que durante a divis&atilde;o hostil que ocorreu ao tempo da Implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica&rdquo;.<\/p>\n<p>A afirma&ccedil;&atilde;o foi proferida no contexto das Jornadas de Teologia realizadas nos dias 12 e 13 de Fevereiro. O encontro reflectiu sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre os organismos eclesiais e o poder estatal durante o s&eacute;c. XX.<\/p>\n<p>A iniciativa, que se inseriu na comemora&ccedil;&atilde;o dos 100 anos do novo regime pol&iacute;tico, teve como objectivo &ldquo;levar a conhecer as dificuldades e as esperan&ccedil;as que advieram da legisla&ccedil;&atilde;o republicana em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja. N&atilde;o houve apenas pontos negativos&rdquo;, sublinhou o sacerdote.<\/p>\n<p>As mudan&ccedil;as bruscas ocorridas na vida dos sacerdotes na sequ&ecirc;ncia do 5 de Outubro de 1910 foram descritas &agrave; ECCLESIA pelo Pe. Jo&atilde;o Seabra, um dos conferencistas do encontro.<\/p>\n<p>&ldquo;Muitos foram presos e deportados para fora das suas par&oacute;quias. Com a entrada em vigor da Lei da Separa&ccedil;&atilde;o [em 1911] foram espoliados das suas casas paroquiais e muitas igrejas foram fechadas&rdquo;, afirmou o sacerdote.<\/p>\n<p>N&atilde;o obstante o novo ordenamento jur&iacute;dico, &ldquo;em muitos lugares onde o anti-clericalismo era mais exacerbado, o povo p&ocirc;s-se do lado do p&aacute;roco, apoiou-o, confortou-o e encontrou-lhe outro s&iacute;tio para morar. Houve muitos exemplos de grande fidelidade da popula&ccedil;&atilde;o aos seus padres&rdquo;, referiu o autor do livro &ldquo;O Estado e a Igreja em Portugal no in&iacute;cio do s&eacute;c. XX&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Mas tamb&eacute;m houve manifesta&ccedil;&otilde;es de anticlericalismo popular que atentaram contra a seguran&ccedil;a das pessoas &ndash; acrescentou. Os padres foram objectos de viol&ecirc;ncias e desacatos. Entre 1910 e 1917 foi o per&iacute;odo mais dif&iacute;cil da hist&oacute;ria da Igreja.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o tenho a pretens&atilde;o de ter escrito uma obra importante. Acho que &agrave;s pessoas conv&eacute;m-lhes saber o que se passou&rdquo;, garantiu o Pe. Jo&atilde;o Seabra.<\/p>\n<p>&ldquo;No Centen&aacute;rio vamos ouvir muita propaganda, muita reflex&atilde;o ideol&oacute;gica, muita exalta&ccedil;&atilde;o m&iacute;tica de figuras simb&oacute;licas e muita reorganiza&ccedil;&atilde;o dos mitos colectivos. Eu n&atilde;o pretendo intervir nesse debate. Quero apenas contar factos. H&aacute; coisas que aconteceram entre 1910 e 1917 que configuram uma aut&ecirc;ntica persegui&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja feita pelos homens da Rep&uacute;blica, e esses factos t&ecirc;m de ser conhecidos por todos os cat&oacute;licos&rdquo;, indicou o Assistente da Fraternidade Comunh&atilde;o e Liberta&ccedil;&atilde;o na diocese de Lisboa.<\/p>\n<p>Na an&aacute;lise do Pe. Ant&oacute;nio Jesus Ramos, os acontecimentos subsequentes &agrave; mudan&ccedil;a de regime revelaram que &ldquo;Deus escreve direito por linhas tortas&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o da Igreja no s&eacute;culo XIX, com toda a interven&ccedil;&atilde;o do Estado na organiza&ccedil;&atilde;o eclesi&aacute;stica &ndash; nomeadamente na nomea&ccedil;&atilde;o dos bispos e dos padres, na legisla&ccedil;&atilde;o acerca dos Semin&aacute;rios e na interven&ccedil;&atilde;o nos estudos &ndash; n&atilde;o era menos lesiva para a Igreja do que seria depois da Lei de Separa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, observou o docente.<\/p>\n<p>&ldquo;Do meu ponto de vista &ndash; prosseguiu &ndash; esta legisla&ccedil;&atilde;o foi um verdadeiro benef&iacute;cio para a Igreja, que assim quebrou os la&ccedil;os que a deixavam manietada pelo poder civil. A Rep&uacute;blica, pensando que a molestava, estava de facto a criar as condi&ccedil;&otilde;es para ela ser mais pura e livre.&rdquo;<\/p>\n<p>Passados cem anos, que perspectivas se abrem para a conviv&ecirc;ncia entre o Estado e a Igreja?&nbsp; &ldquo;N&atilde;o podemos precipitar-nos em condena&ccedil;&otilde;es est&eacute;reis quando surge esta ou aquela lei &ndash; assinalou o Pe. Ant&oacute;nio Jesus Ramos. Temos de ser ponderados, sabendo que vivemos em tempo de plena separa&ccedil;&atilde;o, embora haja uma Concordata.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;A Igreja entendeu que h&aacute; liga&ccedil;&otilde;es com o poder civil e estatal que n&atilde;o deve manter e reconheceu que o Estado pode ter os seus caminhos pr&oacute;prios, desde que deixe aos organismos eclesiais a possibilidade de seguirem as suas pr&oacute;prias leis e de concretizarem os seus objectivos&rdquo;, concluiu o professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instituto Superior de Estudos Teol\u00f3gicos de Coimbra dedicou Jornadas de Teologia \u00e0s rela\u00e7\u00f5es Igreja-Estado no s\u00e9c. 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