{"id":4354,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/para-uma-paroquia-mais-comunitaria\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"para-uma-paroquia-mais-comunitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/para-uma-paroquia-mais-comunitaria\/","title":{"rendered":"Para uma par\u00f3quia mais comunit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve <!--more--> O Vaticano II deu um forte contributo para a vida comunit\u00e1ria, no interior a Igreja. Embora tenhamos de registar muitos e fecundos esfor\u00e7os, ainda antes do Conc\u00edlio, no sentido de ajudarem a Igreja a rever-se nas suas estruturas e na pr\u00e1tica da sua ac\u00e7\u00e3o pastoral, foi o Vaticano II que, com a autoridade que lhe cabe, deu o maior impulso a uma nova maneira de olhar para as nossas comunidades crist\u00e3s, sejam elas par\u00f3quias ou outras. De facto, se estivermos atentos ao ensinamento conciliar, damo-nos conta dum conjunto de princ\u00edpios base que, uma vez postos em ac\u00e7\u00e3o, provocar\u00e3o uma imagem completamente diferente daquela que ainda hoje, quarenta anos depois, teima em persistir. A par\u00f3quia \u00e9-nos apresentada como \u00absinal\u00bb e \u00abinstrumento\u00bb da presen\u00e7a da Igreja, implantada no meio das casas dos homens; \u00e9 considerada como unidade pastoral de base, como c\u00e9lula da Diocese, como express\u00e3o vis\u00edvel mais imediata da Igreja num local. Ora, a Igreja, segundo a doutrina do Vaticano II \u00e9, para al\u00e9m de mist\u00e9rio, Povo de Deus e comunh\u00e3o. Com estas duas caracteriza\u00e7\u00f5es essenciais, n\u00e3o pode haver mais espa\u00e7o para uma Igreja a viver, com lideran\u00e7as individuais centra-lizadoras de toda a vida comunit\u00e1ria. A par\u00f3quia, hoje, tem de ser vista como comunidade de fi\u00e9is e n\u00e3o como o rebanho dum P\u00e1roco. Uma par\u00f3quia, renovada com este esp\u00edrito, dar\u00e1 um papel de relevo, muito acentuado, ao servi\u00e7o da Palavra da B\u00edblia, como base da renova\u00e7\u00e3o interior para todas as camadas et\u00e1rias. Privilegiar\u00e1, por isso, a catequese e a miss\u00e3o, dando prioridade a uma Pastoral de Inicia\u00e7\u00e3o e ao Catecumenado. Quanto \u00e0 vida lit\u00fargica: atribuir\u00e1 um papel de muito relevo aos fi\u00e9is leigos da comunidade e celebr\u00e1-la-\u00e1 sempre com um acentuado pendor catequ\u00e9tico. Privilegiar\u00e1 as celebra\u00e7\u00f5es sacramentais de \u00edndole comunit\u00e1ria. A Liturgia ser\u00e1 festiva. Dar\u00e1 prioridade ao Baptismo de adultos e ter\u00e1 muito a peito a ac\u00e7\u00e3o pastoral da juventude, criada \u00e0 volta do sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista do regime vigente: o P\u00e1roco actualiza-se e est\u00e1 pr\u00f3ximo do Povo; a par\u00f3quia abre-se \u00e0 lideran\u00e7a dum grupo, com tend\u00eancia a chegar \u00e0 corres-ponsabilidade dos mais variados membros da comunidade. A economia est\u00e1 confiada a um Conselho efectivamente interveniente, sob a presid\u00eancia do P\u00e1roco, mas diz respeito a todos. Emergem minist\u00e9rios diversificados no interior da comunidade. Quanto ao compromisso social: Cultiva-se a preocupa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, atende-se, comunitariamente \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e benefic\u00eancia em favor dos mais carenciados. A comunidade, como tal, integra bem as diversidades e atende aos pequenos grupos e aos bairros, como pequenas comunidades, integradas na comunidade m\u00e3e. A par\u00f3quia \u00e9, antes de mais, uma comunidade de fi\u00e9is; assim a define o C\u00f3digo; \u00e9 uma fam\u00edlia de Deus em fraternidade como refere a pr\u00f3pria Lumen Gentium (28); ou ainda, como escreveu Jo\u00e3o Paulo II : casa que se abre para todos e est\u00e1 ao servi\u00e7o de todos, fontan\u00e1rio da aldeia a que todos acorrem para matar a sede. (cf. Ch. L. 27). Tendo em conta todos estes princ\u00edpios doutrin\u00e1rios temos de reconhecer situa\u00e7\u00f5es muito diversificadas, preocupados, contudo, com uma mudan\u00e7a em ritmo crescente, que ajude a atingir o ideal de par\u00f3quia que nos \u00e9 proposta pela pr\u00f3pria Igreja. Deste modo, podemos afirmar que muitas das nossas comunidades eclesiais, (par\u00f3quias e outras), s\u00e3o ainda comunidades marcadamente verticais, assentes em lideran\u00e7as muito individualizadas, e, consequentemente, demasiado clericalizadas. A miss\u00e3o dum P\u00e1roco, a quem cabe sempre, a presid\u00eancia da comunidade paroquial, para n\u00e3o deixar que ela se torne ac\u00e9fala, \u00e9 a miss\u00e3o do Pastor que indica caminhos, mas n\u00e3o substitui os membros do rebanho; que chama e guia, mas n\u00e3o imp\u00f5e; que coordena e congrega, mas n\u00e3o impede a criativi-dade; que sabe descobrir os dons dos membros das comunidades e lhes atribui responsabilidades, em ordem \u00e0 comunh\u00e3o de todos, como um corpo. \u00c9 tamb\u00e9m a miss\u00e3o do Educador da F\u00e9, que garante a forma\u00e7\u00e3o dos membros das comunidades, formando formadores, por si ou por outros, dando apoio de modo especial aos respons\u00e1veis pelos diversos servi\u00e7os. \u00c9 o Representante de Cristo na presid\u00eancia da comunidade, a quem cabe a miss\u00e3o de garantir a presen\u00e7a de Cristo ressuscitado, no meio do seu Povo, que \u00e9 chamado a conduzir \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3, pela ora\u00e7\u00e3o e pela vida sacramental, como Servidor do Povo a si confiado. Deste modo, \u00e9 \u00f3bvio que a maioria das nossas comunidades crist\u00e3s, em suas estruturas, ainda se encontram longe dos dinamismos comunit\u00e1rios, e dos trabalhos de conjunto (em equipa) que tendem a tornar-se norma, mesmo na sociedade civil. Temos bem clara a doutrina sobre esta mat\u00e9ria. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil passar da doutrina \u00e0 sua pr\u00e1tica. H\u00e1 muitas barreiras a vencer: requerem-se novas atitudes, quer no clero, quer nos fi\u00e9is leigos. Aqueles precisam de progredir, e muito em esp\u00edrito comunit\u00e1rio; estes t\u00eam ainda de descobrir variados aspectos da sua miss\u00e3o na Igreja e no mundo e de se colocarem cada vez mais, ao servi\u00e7o das comunidades, com consci\u00eancia da responsabilidade que lhes cabe, pelo facto de serem membros da Igreja, numa determinada comunidade de f\u00e9 e amor. A entrega, de comunidades, a leigos, ainda que sob a responsabilidade \u00faltima de algum P\u00e1roco, \u00e9 muito positiva e abre a experi\u00eancias de pr\u00e1tica comunit\u00e1ria futura, que se prev\u00eaem bastante eficazes. Quando fa\u00e7o esta afirma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me refiro apenas \u00e0 anima\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es dominicais, na aus\u00eancia de Presb\u00edtero. Estou a pensar em algumas experi\u00eancias levadas a cabo, no interior algarvio, por leigos que assumem a orienta\u00e7\u00e3o da vida das comunidades. Esta op\u00e7\u00e3o surgiu, por circunst\u00e2ncias que Deus colocou no nosso caminho, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o mais de dez anos, quando a car\u00eancia de clero ainda n\u00e3o era t\u00e3o acentuada como hoje. Mas independentemente do n\u00famero de sacerdotes, reputo de muito importante que caminhemos na direc\u00e7\u00e3o duma cada vez maior responsabilidade laical, simultaneamente, com um grande empenho na promo\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. Precisamos de ter uma Igreja que seja mais comunh\u00e3o, na qual tenham papel activo, tanto os sacerdotes como os leigos, cada um segundo a miss\u00e3o que lhe cabe, no interior da Igreja e no mundo, onde importa lan\u00e7ar o fermento do Evangelho.  Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,185,191,206,237,246],"class_list":["post-4354","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-diocese-do-algarve","tag-economia","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4354"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4354\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}