{"id":435054,"date":"2026-07-19T09:31:37","date_gmt":"2026-07-19T08:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=435054"},"modified":"2026-07-18T21:24:07","modified_gmt":"2026-07-18T20:24:07","slug":"portugal-envelhecimento-todos-somos-poucos-para-olhar-este-problema-de-frente-jose-carlos-batalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-envelhecimento-todos-somos-poucos-para-olhar-este-problema-de-frente-jose-carlos-batalha\/","title":{"rendered":"Portugal\/Envelhecimento: \u00abTodos somos poucos para olhar este problema de frente\u00bb &#8211; Jos\u00e9 Carlos Batalha"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00c9 hoje nosso convidado presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Terceira Idade (FITI) \u2014 que faz parte da CNIS \u2014 e respons\u00e1vel pelo Centro Social Paroquial da Azambuja. \u00c9 tamb\u00e9m presidente da Assembleia Geral do Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha, conhecido como Lar dos Afetos, o &#8220;ber\u00e7o&#8221; da ideia do projeto GuardAfetos<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_435057\" aria-describedby=\"caption-attachment-435057\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-435057 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Jose-Carlos-Batalha-presidente-da-Federacao-das-Instituicoes-da-Terceira-Idade-15-de-julho-2026-foto-Ricardo-Fortunato-Renascenca-3-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-435057\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Fortunato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Antecipando j\u00e1 o Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos, que se assinala na pr\u00f3xima semana, conversamos a prop\u00f3sito do projeto GuardAfetos, que a Federa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a promover na regi\u00e3o da Guarda, com foco nas pessoas mais velhas do concelho. Como e quando \u00e9 que nasceu este projeto para &#8220;despertar esta aldeia&#8221;, e qual \u00e9 o seu principal objetivo pr\u00e1tico?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um gosto estar aqui na R\u00e1dio Renascen\u00e7a e poder falar deste projeto, e n\u00e3o s\u00f3, e falar tamb\u00e9m deste imperativo, que \u00e9 olharmos para a nossa sociedade e percebermos como ela est\u00e1 cheia de rugas, uma sociedade cada vez mais envelhecida.<\/p>\n<p>Este projeto nasceu exatamente em Santa Ana da Azinha, no Centro de Dia e Lar de Santa Ana da Azinha, tamb\u00e9m conhecido e muito bem pelo Lar dos Afetos. De muitas conversas que tive a ocasi\u00e3o de ter, depois de ter sido convidado para visitar este equipamento social, nesta aldeia do Concelho da Guarda, percebi que num equipamento, numa institui\u00e7\u00e3o de solidariedade social e neste equipamento em concreto, de facto se respira ternura, respira-se afeto. H\u00e1 gestos concretos de afeto e eu creio que percebemos tamb\u00e9m que, apesar de vivermos um tempo espesso, de grande densidade, \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de mem\u00f3rias. Deixei-me conquistar por este espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Fui falando muito com a presidente da institui\u00e7\u00e3o, Ros\u00e1ria Santos, que tamb\u00e9m ela me transmitiu este seu empenho, esta sua luta di\u00e1ria no sentido de transformar uma institui\u00e7\u00e3o num lugar cada vez mais humano, num lugar onde os idosos s\u00e3o tratados como pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s sabemos, ali\u00e1s, que isso \u00e9 cada vez mais raro, que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, h\u00e1 poucos lares, h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es de ilegalidade. Falamos deste projeto em concreto porque achamos importante tamb\u00e9m falar de bons exemplos. \u00c9 um projeto que envolve v\u00e1rias entidades, que procura criar uma rede s\u00f3lida. Qu\u00e3o importante \u00e9 esta colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores, at\u00e9 tamb\u00e9m t\u00e9cnica, mas de v\u00e1rios setores no terreno? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 extraordinariamente importante. Conhecendo esta realidade e sobretudo estas aldeias desertificadas no nosso interior e numa zona que tamb\u00e9m me \u00e9 particularmente querida porque j\u00e1 l\u00e1 vivi, tenho fam\u00edlia e, portanto, h\u00e1 aqui um apelo a este torr\u00e3o natal, apercebi-me da dificuldade que \u00e9 chegar junto das pessoas. O facto de procurarmos ir ao encontro das necessidades concretas das pessoas, ali\u00e1s, \u00e9 a verdadeira raz\u00e3o de ser das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade Social. Elas nasceram exatamente para isto. Foi exatamente com este terreno de base, com esta estrutura de base, que, falando com a presidente da institui\u00e7\u00e3o, equacionamos como \u00e9 que poder\u00edamos melhorar o servi\u00e7o que prestamos \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E isso passou por envolver a comunidade?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 exatamente aqui que nasce o envolvimento da comunidade. Desde logo, o desafio feito \u00e0 autarquia. E \u00e9 aqui que nasce o primeiro \u201csim\u201d, porque isto \u00e9 um projeto de \u201csim\u201d, \u00e9 um projeto em que as pessoas acreditam. Desde logo, o senhor presidente da C\u00e2mara, que me foi apresentado, com quem comecei a falar desta ideia, da ideia de ir ao encontro das pessoas, mas com um duplo olhar. N\u00e3o com o olhar s\u00f3 da presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que j\u00e1 existia, n\u00e3o \u00e9? O apoio domicili\u00e1rio e outras val\u00eancias.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse duplo olhar tem em conta a sa\u00fade, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Tem em conta a sa\u00fade e tem em conta, sobretudo, uma linha de atua\u00e7\u00e3o que me parece que \u00e9 extraordinariamente importante, a preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, esta entrevista, permitam-me que diga, \u00e9 extraordinariamente oportuna porque, h\u00e1 pouco vinha a falar com dois protagonistas desta ideia e da equipa cl\u00ednica, que \u00e9 o Dr. Jos\u00e9 Valbom e a enfermeira Carla, que est\u00e3o no terreno &#8211; a tal inova\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma equipa cl\u00ednica acompanhar, com a articula\u00e7\u00e3o no terreno, as ajudantes da a\u00e7\u00e3o direta, que j\u00e1 v\u00e3o \u00e0s casas das pessoas, fazer a higiene, levar a refei\u00e7\u00e3o, nesses cuidados j\u00e1 do paradigma do servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio, como ele est\u00e1 pensado. Numa das visitas, constatam uma situa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima ao n\u00edvel da glic\u00e9mia de uma utente e o m\u00e9dico fez logo toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, \u00e9 levar profissionais de sa\u00fade a fazerem tamb\u00e9m estas visitas. <\/em><\/p>\n<p>Exatamente. E isto tem ainda um alcance um pouco maior: evitamos que esta utente, neste caso concreto, descompensasse, pudesse ir parar \u00e0 urg\u00eancia do hospital. Para al\u00e9m disso, quando voltasse do hospital, vinha provavelmente mais rica, porque trazia mais uma ou duas bact\u00e9rias para casa. Manter a pessoa no seu espa\u00e7o de afeto, porque a casa destas pessoas \u00e9 o seu espa\u00e7o de afeto, \u00e9 um dos objetivos fundamentais.<\/p>\n<p>Obviamente, a C\u00e2mara, voltando um pouco atr\u00e1s, depois de fazer este par\u00eanteses, a C\u00e2mara Municipal acolheu muito bem a ideia, obviamente, e depois a Junta de Freguesia local tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o Centro de Sa\u00fade?<\/em><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade entrou j\u00e1 numa segunda linha, quando n\u00f3s coloc\u00e1mos a quest\u00e3o \u00e0 senhora secret\u00e1ria de Estado, numa entrevista que tivemos com ela, a professora Ana Povo, e lhe explic\u00e1mos esta ideia, esta ideia de juntar o olhar da sa\u00fade com o olhar social, neste caso, naquele terreno concreto.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos a fazer, com o Instituto Superior de Ci\u00eancias Sociais e Pol\u00edticas, com alguns dos professores, alguns dos investigadores, liderados, por exemplo, pela professora Carla Ribeirinho, o diagn\u00f3stico sociodemogr\u00e1fico do Concelho da Guarda, para percebermos que tipo de pessoas em concreto temos.<\/p>\n<p>A Guarda \u00e9 um territ\u00f3rio extraordinariamente envelhecido, territ\u00f3rio onde vivem mais idosos em solid\u00e3o. Isto resulta de um estudo feito pelos censos do Comando Distrital da GNR, com quem tamb\u00e9m estamos em articula\u00e7\u00e3o. Eles detetaram isto. Se a nossa sociedade j\u00e1 \u00e9 uma sociedade absolutamente envelhecida, se somos o terceiro pa\u00eds mais envelhecido, se um em cada quatro idosos vive sozinho, se a popula\u00e7\u00e3o idosa cresce a um ritmo de 5% superior ao da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa, se na \u00faltima d\u00e9cada o n\u00famero de idosos que vivem sozinhos aumentou 33% estamos a falar de n\u00fameros esmagadores. Todos somos poucos para olhar este problema de frente, por isso foi necess\u00e1rio encontrarmos esta sinergia.<\/p>\n<p>Obviamente que a senhora Secret\u00e1ria de Estado disse que sim, que queria monitorizar e de alguma forma acompanhar esta ideia, articulou com a senhora presidente da ULS da Guarda, com quem come\u00e7\u00e1mos a falar, e ela pr\u00f3pria nomeou uma equipa para ir para o terreno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar de um projeto espec\u00edfico para o Interior, uma regi\u00e3o que tem condicionantes pr\u00f3prias, de envelhecimento, mas h\u00e1 muita gente nas cidades que tamb\u00e9m sente essa solid\u00e3o e essa esp\u00e9cie de abandono. \u00c9 poss\u00edvel replicar este projeto em contextos mais urbanos e do litoral?<\/em><\/p>\n<p>Claro que sim, claro que sim, obviamente que a solid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica espec\u00edfica do nosso interior. Em Lisboa vivem pessoas sozinhas, este v\u00edrus da solid\u00e3o \u00e9 transversal ao pa\u00eds inteiro, \u00e9 obviamente, mas provavelmente ao n\u00edvel do nosso Interior, das nossas aldeias, das nossas pequenas vilas, h\u00e1 um isolamento mais f\u00edsico, mas existe tamb\u00e9m, e felizmente que existe, uma rede de solidariedade de vizinhan\u00e7a, de vizinhan\u00e7a, que te faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que \u00e0s vezes na cidade j\u00e1 n\u00e3o existe\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este trabalho vai ser avaliado, ainda est\u00e1 a decorrer, mas h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es, h\u00e1 pretens\u00e3o de o alargar a outras regi\u00f5es do pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 pretens\u00f5es em alargar, por exemplo, na FITI, na Federa\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Terceira Idade, o nosso presidente do Conselho Fiscal tem uma institui\u00e7\u00e3o em Valpa\u00e7os, Vila Real, e o munic\u00edpio j\u00e1 manifestou vontade de conhecer mais em profundidade e de acolher esta ideia.<\/p>\n<p>Eu creio que temos de ir fazendo este caminho devagar, obviamente, queremos avaliar, queremos, por isso tamb\u00e9m, envolver o Governo, envolver o governo local que est\u00e1 envolvido desde a primeira hora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As autarquias, n\u00e3o \u00e9 assim?<\/em><\/p>\n<p>As autarquias s\u00e3o fundamentais, porque eles tamb\u00e9m t\u00eam, como n\u00f3s, Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade Social, um olhar de proximidade.<\/p>\n<p>O presidente da CNIS, padre Lino Maia, diz muitas vezes que n\u00f3s sentimos o cheiro das pessoas. E n\u00f3s olhamos as pessoas nos olhos, isto faz toda a diferen\u00e7a. Estamos a falar de pol\u00edticas p\u00fablicas e se n\u00e3o tiverem esta matriz, este objetivo, duvido que tenham sucesso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Segundo dados da PORDATA, at\u00e9 2070 um milh\u00e3o de idosos em Portugal estar\u00e1 sem ningu\u00e9m para cuidar deles. Ou porque n\u00e3o t\u00eam filhos, ou porque n\u00e3o t\u00eam irm\u00e3os. Isto tem de ser uma prioridade pol\u00edtica? Como \u00e9 que se faz no terreno: \u00e9 preciso repensar as institui\u00e7\u00f5es sociais? \u00c9 preciso criar mais institui\u00e7\u00f5es? Ou trabalhar mais em rede?<\/em><\/p>\n<p>Bom, eu creio que \u00e9 preciso tudo isso que disse. Eu diria, desde logo, falar de av\u00f3s, falar de netos. Falando de netos, falamos da intergeracionalidade. \u00c9 preciso que a sociedade pense que os nossos mais velhos, os nossos av\u00f3s, s\u00e3o arquivos que ainda t\u00eam vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 preciso cuidar disso, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 preciso cuidar disso. Dessa heran\u00e7a, dessa liga\u00e7\u00e3o. E \u00e9 preciso n\u00e3o esconder os idosos. Por isso tamb\u00e9m esta institui\u00e7\u00e3o, como felizmente muitas outras, como felizmente muitas outras, mas o Lar dos Afetos promove a vinda de jovens para interagirem, para ouvirem relatos, para conviverem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para se habituarem a essa rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Para ouvirem. Porque os jovens hoje tamb\u00e9m t\u00eam de aprender o ser neto \u00e9 ter a capacidade de ouvir, ter a capacidade de entender as hist\u00f3rias. Eu pr\u00f3prio, neste ambiente da Guarda, recordo com muita saudade, obviamente, a minha av\u00f3, que era de l\u00e1. As minhas f\u00e9rias. Enfim, h\u00e1 toda uma viagem ao passado que \u00e9 fundamental. E, portanto, se n\u00f3s conseguirmos ouvir os ecos, os ecos dos barrocos &#8211; aqueles montes gran\u00edticos, pedras enormes. O Lar fica na Quinta dos Barrocos.<\/p>\n<p>S\u00e3o estes ecos das pedras, da natureza que os mais jovens, os netos, t\u00eam de aprender a ouvir, aprender a guardar, antes que estes livros se fechem e, quando se fecharem, fecham-se e \u00e9 irremediavelmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa era uma das quest\u00f5es que, ali\u00e1s, gost\u00e1vamos de fazer, projetando o pr\u00f3ximo Dia Mundial dos Av\u00f3s e Idosos. Le\u00e3o XIV, na sua mensagem, escolheu como tema \u201cEu nunca te esquecerei\u201d e desafia os jovens a retomar esta tradi\u00e7\u00e3o de visitar os av\u00f3s, os idosos que est\u00e3o sozinhos. A experi\u00eancia de que nos falou, de envolver os jovens, aqueles que t\u00eam disponibilidade para estarem no lar e para participarem nestas iniciativas, mostra que tamb\u00e9m h\u00e1 novas gera\u00e7\u00f5es sensibilizadas para esta oportunidade?<\/em><\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus que h\u00e1 novas gera\u00e7\u00f5es sensibilizadas, mas n\u00f3s tamb\u00e9m temos de fazer a nossa parte. Temos de criar condi\u00e7\u00f5es para que eles venham. Este projeto GuardAfetos, nasceu exatamente ali, naquela institui\u00e7\u00e3o, o Lar dos Afetos, na cidade da Guarda.<\/p>\n<p>N\u00f3s queremos tamb\u00e9m, para al\u00e9m dos jovens do Secund\u00e1rio, apostar nos jovens universit\u00e1rios. Isto respondendo \u00e0 sua pergunta concreta. Porque n\u00f3s queremos atrair para o mundo da solidariedade social as compet\u00eancias que estes jovens universit\u00e1rios t\u00eam, independentemente de serem da \u00e1rea das humanidades, das sociologias, das psicologias, do servi\u00e7o social, porque \u00e9 preciso que venham arquitetos, m\u00e9dicos, enfermeiros, gestores, economistas, todos eles t\u00eam a sua compet\u00eancia, as suas capacidades, e temos de os atrair para este mundo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E quando fala em atrair, \u00e9 para trabalhar mesmo ou para serem volunt\u00e1rios?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 para fazer nascer neles o bichinho, este bichinho da solidariedade. \u00c9 para os atrair, para serem volunt\u00e1rios ou para trabalharem nas institui\u00e7\u00f5es, porque enfim, tudo tem um come\u00e7o, n\u00e3o \u00e9? E a gente \u00e0s vezes come\u00e7a por ser volunt\u00e1rio e depois gosta e depois fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na sua opini\u00e3o, qual deve ser tamb\u00e9m o papel do Estado tendo em conta que muitas das respostas a este n\u00edvel s\u00e3o de facto asseguradas pelo setor social e pelas Miseric\u00f3rdias? O Estado tem feito a sua parte no apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, o Estado tem de ser um parceiro. Tem de ser um parceiro. E como parceiro tem de estar ao nosso n\u00edvel. Tem de perceber que n\u00f3s estamos no terreno e, estando no terreno, conhecemos mais em profundidade as realidades e as din\u00e2micas. E chegamos onde o bra\u00e7o do Estado n\u00e3o chega. Porque n\u00f3s temos esta rede capilar de Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade Social, desde a aldeia mais long\u00ednqua de Tr\u00e1s-os-Montes at\u00e9 \u00e0 ilha mais pr\u00f3xima da Am\u00e9rica dos A\u00e7ores.<\/p>\n<p>\u00c9 esta rede, esta malha de servi\u00e7o p\u00fablico que prestamos e, n\u00e3o tenham d\u00favidas, que se n\u00e3o exist\u00edssemos n\u00f3s, perceber\u00edamos qu\u00e3o mais acentuadas eram as desigualdades sociais.<\/p>\n<p>O que precisamos do Estado \u00e9 que reconhe\u00e7a o nosso papel, que n\u00e3o obstaculize a nossa a\u00e7\u00e3o, que colabore, porque n\u00f3s estamos aqui porque nascemos da din\u00e2mica das comunidades. Nascemos para solucionar problem\u00e1ticas que emergem na comunidade, seja ao n\u00edvel da inf\u00e2ncia dos idosos, dos deficientes, dos sem-abrigo, das pessoas com doen\u00e7a.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social t\u00eam esta riqueza, v\u00eam dar resposta e criam este dinamismo para fazerem aquilo que o Estado n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer sozinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 hoje nosso convidado presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Terceira Idade (FITI) \u2014 que faz parte da CNIS \u2014 e respons\u00e1vel pelo Centro Social Paroquial da Azambuja. \u00c9 tamb\u00e9m presidente da Assembleia Geral do Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha, conhecido como Lar dos Afetos, o &#8220;ber\u00e7o&#8221; da ideia do 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