{"id":43503,"date":"2010-02-12T11:36:54","date_gmt":"2010-02-12T11:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/12\/mensagem-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-para-a-quaresma-de-2010\/"},"modified":"2010-02-12T11:36:54","modified_gmt":"2010-02-12T11:36:54","slug":"mensagem-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-para-a-quaresma-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-para-a-quaresma-de-2010\/","title":{"rendered":"Mensagem do Cardeal-Patriarca de Lisboa para a Quaresma de 2010"},"content":{"rendered":"<p><strong>Acolher o Papa &eacute; aceitar o desafio da Reden&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Irm&atilde;os e irm&atilde;s,<\/p>\n<p>Aproxima-se a Quaresma. &Eacute; um tempo lit&uacute;rgico que nos prop&otilde;e, no realismo do presente da nossa vida, a radicalidade da Reden&ccedil;&atilde;o. Celebremos a P&aacute;scoa, n&atilde;o apenas como uma rotina adquirida, mas como um assumir, com verdade e generosidade, aquela &ldquo;passagem&rdquo;, aquela mudan&ccedil;a na nossa vida, que nos permita sentir a alegria da vida nova que come&ccedil;a na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, aquela luz que aponta novos caminhos e d&aacute; &agrave; nossa vida um sentido novo. Em cada P&aacute;scoa devemos sentir que a morte de Cristo n&atilde;o foi em v&atilde;o, que ela continua a ser a fonte abundante donde jorra a &aacute;gua que fecunda e transforma, capaz de mudar o cora&ccedil;&atilde;o do homem e o tornar digno da vida eterna.<\/p>\n<p>Com esta Mensagem, pretendo, como Patriarca de Lisboa, dinamizar os crist&atilde;os da nossa Diocese, a aceitarem o realismo e a actualidade da reden&ccedil;&atilde;o, a abrirem os seus cora&ccedil;&otilde;es &agrave; misteriosa fecundidade da Cruz de Cristo, que levou o amor por n&oacute;s ao extremo de sacrificar a sua pr&oacute;pria vida. Com esta Mensagem, n&atilde;o pretendo substituir ou relativizar aquela que o Santo Padre Bento XVI, para a Quaresma deste ano, dirigiu a toda a Igreja; pretendo, apenas, situar, na realidade actual da nossa Igreja diocesana, a palavra que o Papa dirige a toda a Igreja. Assim perceberemos melhor que a P&aacute;scoa &eacute; uma festa de toda a Igreja, e que a &ldquo;passagem&rdquo; que ela nos sugere &eacute; desafio para toda a comunidade humana.<\/p>\n<p>N&atilde;o posso esquecer que nos preparamos para receber a visita pastoral de Sua Santidade Bento XVI &agrave; nossa diocese, no pr&oacute;ximo dia 11 de Maio. A Quaresma ser&aacute;, tamb&eacute;m, um tempo forte de prepara&ccedil;&atilde;o dessa visita. Para que ela seja, para os crist&atilde;os de Lisboa, um momento de gra&ccedil;a, ela tem de significar um reencontro de cada um de n&oacute;s com Nosso Senhor Jesus Cristo, com a Sua P&aacute;scoa libertadora.<\/p>\n<p>1. O Santo Padre centrou a sua Mensagem no fruto precioso da reden&ccedil;&atilde;o, que &eacute; a justi&ccedil;a. Cristo &eacute; o Justo, diante de Deus e diante dos homens, e mereceu, na sua morte, poder tornar-nos justos, segundo a linguagem de S&atilde;o Paulo, ser justificados. S&oacute; em Cristo o homem se torna completamente justo, ele que pagou um pre&ccedil;o pesado &agrave; injusti&ccedil;a, porque deixou o pecado endurecer o seu cora&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, manchar a sua intelig&ecirc;ncia e a sua liberdade. Esta vis&atilde;o sobre a verdadeira justi&ccedil;a significou uma revolu&ccedil;&atilde;o no pensamento acerca dos caminhos da justi&ccedil;a. N&atilde;o basta mudar as leis, corrigir desequil&iacute;brios sociais; &eacute; preciso mudar o cora&ccedil;&atilde;o do homem. Este n&atilde;o pode limitar-se a esperar que lhe seja feita justi&ccedil;a; tem de aceitar uma mudan&ccedil;a interior para que os novos caminhos da justi&ccedil;a sejam os novos caminhos da liberdade. E, para os crist&atilde;os, o caminho desta mudan&ccedil;a interior, est&aacute; claramente indicado: participar na P&aacute;scoa de Cristo, acreditando n&rsquo;Ele e na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A justi&ccedil;a de Deus manifestou-se mediante a f&eacute; em Jesus Cristo&rdquo; (cf. Rom. 3,21-22), porque &ldquo;o justo viver&aacute; da f&eacute;&rdquo;, porque nele a justi&ccedil;a de Deus revela-se na f&eacute; (cf. Rom. 1,17). Essa convers&atilde;o interior do homem a que S&atilde;o Paulo chama justi&ccedil;a, s&oacute; pode ser fruto do amor. O amor &eacute; a for&ccedil;a que realiza a justi&ccedil;a. O Santo Padre termina assim a sua Mensagem: No Tr&iacute;duo Pascal &ldquo;celebraremos a justi&ccedil;a divina, que &eacute; plenitude de caridade, de dom, de salva&ccedil;&atilde;o. Que este tempo penitencial seja para cada crist&atilde;o tempo de aut&ecirc;ntica convers&atilde;o e de conhecimento intenso do mist&eacute;rio de Cristo, que veio para realizar a justi&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>A justi&ccedil;a, obra do Esp&iacute;rito de Deus em n&oacute;s, &agrave; qual nos abrimos pela f&eacute;, coincide com a santidade. Esta &eacute; a plenitude da justi&ccedil;a, porque nos torna semelhantes a Deus e participantes da sua vida de amor. Desejamos muito que a proposta da santidade seja o grande desafio que nos lan&ccedil;a a visita do Santo Padre.<\/p>\n<p><strong>Santidade e Miss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>2. Escolhemos para lema da visita do Papa a Lisboa &ldquo;Santidade e Miss&atilde;o&rdquo;. A santidade &eacute; exig&ecirc;ncia da nossa identifica&ccedil;&atilde;o com Cristo e dinamismo mobilizador para a miss&atilde;o. A santidade come&ccedil;a na f&eacute; profunda e sincera, exprime-se na caridade, torna-nos fam&iacute;lia de Deus. S&oacute; ela cria em n&oacute;s o desejo e a for&ccedil;a para a miss&atilde;o, para anunciar o Senhor, para viver de tal forma que sejamos a inaugura&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus no meio do mundo. S&oacute; o ardor e a inquieta&ccedil;&atilde;o do amor nos mobiliza para a miss&atilde;o. S&oacute; a caridade cria em n&oacute;s a urg&ecirc;ncia do Reino de Deus, ajudando a instaurar a justi&ccedil;a na cidade dos homens. Sem essa motiva&ccedil;&atilde;o da caridade a miss&atilde;o s&oacute; &eacute; programa, porventura estrat&eacute;gia, mas n&atilde;o &eacute; aquele fogo devorador que o pr&oacute;prio Senhor sentiu. &ldquo;Eu vim lan&ccedil;ar o fogo &agrave; terra e s&oacute; desejo que ela se incendeie&rdquo; (Lc. 12,49).<\/p>\n<p>Foi esse ardor da caridade, que leva a perceber a vida como um dom, que fez partir mission&aacute;rios para longes terras para anunciarem essa descoberta inaudita da f&eacute; que nos salva; &eacute; esse fogo da caridade que ajudar&aacute; os crist&atilde;os a serem, no meio do mundo t&atilde;o repassado de injusti&ccedil;as e t&atilde;o carente de amor, testemunhas da verdadeira justi&ccedil;a, express&atilde;o de um amor radicado na verdade; &eacute; essa for&ccedil;a da f&eacute; que d&aacute; coragem aos esposos para serem fi&eacute;is, no seu amor, ao amor com que Cristo nos amou; &eacute; esse desejo de testemunhar a f&eacute; que leva hoje, tantos homens e mulheres, jovens e adultos, a n&atilde;o cederem ao esp&iacute;rito do mundo e a serem, na Igreja, obreiros da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>3. A presen&ccedil;a dos crist&atilde;os na sociedade, a agirem e a reagirem &agrave; realidade com as exig&ecirc;ncias da justi&ccedil;a &eacute; elemento decisivo para a transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade na linha do Reino de Deus. S&oacute; &ldquo;homens justos&rdquo; podem ajudar a transformar a sociedade na linha da justi&ccedil;a. H&aacute; uma fecundidade da presen&ccedil;a dos justos na sociedade. &Eacute; que o ideal do &ldquo;justo&rdquo; &eacute; a santidade, sabe que a sua luta ser&aacute; est&eacute;ril se n&atilde;o assentar na verdade, tem a humildade de reconhecer que n&atilde;o se torna justo s&oacute; a partir de si, mas precisa da ajuda do &ldquo;Outro&rdquo;, &ldquo;o Justo&rdquo;, para vencer a injusti&ccedil;a no seu cora&ccedil;&atilde;o. Ele sabe que a grande causa das injusti&ccedil;as da sociedade est&atilde;o no cora&ccedil;&atilde;o dos homens. E esse, s&oacute; Cristo o pode redimir. A luta pela justi&ccedil;a &eacute; a aceita&ccedil;&atilde;o humilde da Reden&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>4. Para a celebra&ccedil;&atilde;o presidida pelo Santo Padre, no dia 11 de Maio, no Terreiro do Pa&ccedil;o, convoco todos os crist&atilde;os da diocese que se deixaram tocar por este desejo de mudar o cora&ccedil;&atilde;o, para serem &ldquo;justos&rdquo; e obreiros da justi&ccedil;a. Os esposos, pais e m&atilde;es das nossas crian&ccedil;as e dos nossos jovens, para que lhes comuniquem o verdadeiro horizonte da justi&ccedil;a, ensinando-lhes a liberdade; os catequistas, para que, com o seu testemunho sincero, ajudem os outros a descobrir a vida como obra de justi&ccedil;a e de amor; todos os que, na realidade quotidiana da nossa sociedade, no trabalho, na empresa, na pol&iacute;tica, sentem o contraste de uma ideia de justi&ccedil;a &agrave; medida do homem e das suas for&ccedil;as, com o ideal da justi&ccedil;a que &eacute; obra do Esp&iacute;rito, que se recebe para se comunicar, e come&ccedil;a pela transforma&ccedil;&atilde;o interior, fazendo-os perceber que s&oacute; os &ldquo;justos&rdquo; constroem a justi&ccedil;a. E s&oacute; s&atilde;o verdadeiramente justos os que foram justificados. Convoco, de um modo particular, os jovens da nossa diocese. Venham, para aprender com o Santo Padre, a luta pela justi&ccedil;a, que &eacute; luta pela verdade e, s&oacute; poss&iacute;vel com f&eacute;, confian&ccedil;a sem limites na for&ccedil;a de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Espero que todos preparem na Quaresma o seu cora&ccedil;&atilde;o para a surpresa de Deus na P&aacute;scoa deste ano; s&oacute; isso os tornar&aacute; acolhedores &agrave; palavra do Papa. A celebra&ccedil;&atilde;o do Terreiro do Pa&ccedil;o tem de ser a P&aacute;scoa continuada.<\/p>\n<p>5. A justi&ccedil;a &eacute; obra de amor. A vida &eacute; um dom: tudo o que somos e temos pode transformar-se em dom. A verdadeira partilha &eacute; obra de justi&ccedil;a. Convido todos os cat&oacute;licos da diocese a partilharem generosamente o que s&atilde;o e o que t&ecirc;m. A nossa Ren&uacute;ncia Quaresmal permitir&aacute; ao &ldquo;Fundo Diocesano de Ajuda Inter-Eclesial&rdquo; responder aos imensos pedidos de ajuda material vindos de Igrejas irm&atilde;s. H&aacute; j&aacute; muitos pedidos a que ainda n&atilde;o pudemos responder. Para al&eacute;m do ofert&oacute;rio espec&iacute;fico que j&aacute; foi feito para os irm&atilde;os do Haiti, o Patriarcado continuar&aacute; atento &agrave; necess&aacute;ria ajuda &agrave; Igreja local, no exigente per&iacute;odo de reconstru&ccedil;&atilde;o e da cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es para o exerc&iacute;cio da sua miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Caminhemos para a P&aacute;scoa, escutando a Palavra de Deus; fortale&ccedil;amos a nossa f&eacute; no encontro renovado com Cristo Pascal e isso tornar-nos-&aacute; mais preparados para sermos obreiros da justi&ccedil;a, na edifica&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acolher o Papa &eacute; aceitar o desafio da Reden&ccedil;&atilde;o Irm&atilde;os e irm&atilde;s, Aproxima-se a Quaresma. &Eacute; um tempo lit&uacute;rgico que nos prop&otilde;e, no realismo do presente da nossa vida, a radicalidade da Reden&ccedil;&atilde;o. 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