{"id":43472,"date":"2010-02-10T16:19:25","date_gmt":"2010-02-10T16:19:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/10\/conferencia-de-d-manuel-clemente-nas-jornadas-de-teologia-ucp-porto\/"},"modified":"2010-02-10T16:19:25","modified_gmt":"2010-02-10T16:19:25","slug":"conferencia-de-d-manuel-clemente-nas-jornadas-de-teologia-ucp-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-manuel-clemente-nas-jornadas-de-teologia-ucp-porto\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Manuel Clemente nas Jornadas de Teologia &#8211; UCP\/Porto"},"content":{"rendered":"<p><strong>O presb&iacute;tero secular: origem e perspectivas (ou viver e servir a partir do fim)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Permito-me come&ccedil;ar como tudo come&ccedil;ou, relendo as primeiras palavras escritas do Novo Testamento. Paulo e os seus companheiros de apostolado dirigem-se assim aos tessalonicenses: &ldquo;Paulo, Silvano e Tim&oacute;teo &agrave; igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que est&aacute; em Tessal&oacute;nica. A v&oacute;s, gra&ccedil;a e paz. [&hellip;] o nosso Evangelho n&atilde;o se apresentou a v&oacute;s apenas como uma simples palavra, mas tamb&eacute;m com poder e com muito &ecirc;xito pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo [&hellip;]. V&oacute;s fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra em plena tribula&ccedil;&atilde;o, com a alegria do Esp&iacute;rito Santo, tendo-vos, assim, tornado um modelo para todos os crentes na Maced&oacute;nia e na Acaia. [&hellip;] De facto, s&atilde;o eles pr&oacute;prios que contam o acolhimento que v&oacute;s nos fizestes e como vos convertestes dos &iacute;dolos a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos C&eacute;us o seu Filho, que Ele ressuscitou de entre os mortos, Jesus, que nos livra da ira que est&aacute; para vir&rdquo; (1 Ts 1, 1.5-5.9-10).<\/p>\n<p>Julgo sempre oportuna a refer&ecirc;ncia &agrave;s nossas origens crist&atilde;s e apost&oacute;licas, pois s&atilde;o elas que nos definem no mais essencial e duradouro. Como sabemos, a &ldquo;reforma&rdquo; da Igreja e do minist&eacute;rio significa retomar e aprofundar a forma inicial. N&atilde;o receemos mesmo alguma express&atilde;o mais forte, como aquela &ldquo;da ira que est&aacute; para vir&rdquo;. Com todos os contextos que quisermos, o ju&iacute;zo definitivo da hist&oacute;ria e das vidas &eacute; uma refer&ecirc;ncia fundamental da revela&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Fundamental e, geralmente, salv&iacute;fica, como lembrou Bento XVI na enc&iacute;cilica Spe Salvi, n&ordm; 47: &ldquo;O encontro com Ele [Cristo] &eacute; o acto decisivo do Ju&iacute;zo. Ante o seu olhar, funde-se toda a falsidade. &Eacute; o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente n&oacute;s mesmos&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas detalhemos um pouco: Paulo e os seus companheiros &#8211; porque o minist&eacute;rio tem sujeito colectivo &#8211; lembram que a evangeliza&ccedil;&atilde;o feita n&atilde;o foi um discurso meramente humano, nem no dizer nem no acontecer, antes obra do Esp&iacute;rito e no Esp&iacute;rito realizada. Mencionam tamb&eacute;m que tudo aconteceu &ldquo;em plena tribula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ali&aacute;s compat&iacute;vel com &ldquo;a alegria do Esp&iacute;rito Santo&rdquo;, e que os tessalonicenses se tinham transformado em imitadores dos ap&oacute;stolos e de Cristo, sendo essa a finalidade atingida. Concretamente, tinham-se convertido dos &iacute;dolos a Deus, passando a servi-Lo e aguardando Jesus, ressuscitado de entre os mortos&hellip;<\/p>\n<p>Tudo se configura deste modo, no que ao minist&eacute;rio respeita: anunciar e testemunhar pelo Esp&iacute;rito um &ldquo;Evangelho&rdquo; que transmite a vit&oacute;ria de Cristo sobre a morte e, mesmo em tribula&ccedil;&atilde;o, causa alegria, levando ao servi&ccedil;o do Deus vivo e verdadeiro e &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o de toda a esp&eacute;cie de &iacute;dolos, em permanente espera da vinda de Cristo, saldando num encontro final o que, sem isso, seria um fracasso existencial.<\/p>\n<p>Para o nosso tema, retenhamos ainda que a transmiss&atilde;o da f&eacute; se fizera existencialmente tamb&eacute;m, pelo testemunho vivo de Paulo e dos seus companheiros, que tinham sido os primeiros a converter-se ao Deus vivo e verdadeiro e a concentrar toda a sua exist&ecirc;ncia na espera e no an&uacute;ncio da vinda final de Cristo.<\/p>\n<p>Poderemos ent&atilde;o adiantar que, &agrave; luz deste testemunho inicial, o minist&eacute;rio apost&oacute;lico de ontem e de hoje se resume e &ldquo;justifica&rdquo; assim: uma vida inteiramente repassada da qualidade nov&iacute;ssima que a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo trouxe ao mundo, levando os outros a igual condi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se pode viver o minist&eacute;rio em &ldquo;lume brando&rdquo; nem em perspectiva habitual, do tipo &ldquo;um homem como os outros&rdquo;. Paulo e os seus companheiros tinham sido &ldquo;homens para os outros&rdquo;, sendo para os tessalonicenses a exemplifica&ccedil;&atilde;o doutra coisa, precisamente das &ldquo;&uacute;ltimas coisas&rdquo; que Deus oferecera em Cristo. Para elas viviam, em espera irradiante e activa, assim mesmo convencendo os tessalonicenses.<\/p>\n<p>Assim mesmo e muito pedagogicamente ali&aacute;s. Paulo usa at&eacute; imagens que acabar&atilde;o por qualificar a atitude maternal da Igreja e o cariz paternal do minist&eacute;rio: &ldquo;Quando nos poder&iacute;amos impor como ap&oacute;stolos de Cristo, fomos, antes, afectuosos no meio de v&oacute;s, como uma m&atilde;e que acalenta os seus filhos quando os alimenta. [&hellip;] Sabeis que, tal como um pai trata cada um dos seus filhos, tamb&eacute;m a cada um de v&oacute;s exort&aacute;mos, encoraj&aacute;mos e advertimos a caminhar de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu reino e &agrave; sua gl&oacute;ria&rdquo; (1 Ts 2, 7.11-12).<\/p>\n<p>Creio podermos encontrar aqui o essencial do minist&eacute;rio apost&oacute;lico &ndash; dir&iacute;amos hoje do minist&eacute;rio ordenado &ndash; em qualquer tempo que seja, desde que se queira crist&atilde;o: testemunho incarnado e pedag&oacute;gico duma vida radicalmente convertida &agrave;s &ldquo;&uacute;ltimas coisas&rdquo; que a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo inaugurou, nada interpondo &agrave; sua realiza&ccedil;&atilde;o definitiva. Para utilizar palavras lit&uacute;rgicas, &ldquo;aguardando em jubilosa esperan&ccedil;a a &uacute;ltima vinda de Cristo salvador&rdquo;. Onde faltarem estas notas, poder&atilde;o existir muitas coisas &uacute;teis e razo&aacute;veis, &ldquo;humanamente&rdquo; &uacute;teis e razo&aacute;veis, mas n&atilde;o se tratar&aacute; ainda de Igreja nem de minist&eacute;rio propriamente ditos. Igreja e minist&eacute;rio s&atilde;o essencialmente escatol&oacute;gicos: vivem do fim e para o fim que as coisas t&ecirc;m em Cristo, resistindo a tudo o que n&atilde;o for dessa ordem, mesmo que compreens&iacute;vel e &ldquo;razo&aacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p>E tem sido sempre este o problema e at&eacute; a &ldquo;tribula&ccedil;&atilde;o&rdquo; do sacerd&oacute;cio ministerial &#8211; e de toda a vida crist&atilde; ali&aacute;s -, talvez inevit&aacute;veis como tens&atilde;o interior que a convers&atilde;o alimenta, &aacute;rdua e inevitavelmente alimenta.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria do minist&eacute;rio est&aacute; cheia de exemplos disto mesmo. Retenho apenas tr&ecirc;s, correspondentes a &eacute;pocas charneiras do Igreja ocidental.<\/p>\n<p>No Ocidente medieval, o monaquismo deu fei&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria ao sacerd&oacute;cio ministerial. Nascido como radicaliza&ccedil;&atilde;o baptismal, sobretudo depois da &eacute;poca dos m&aacute;rtires, o monaquismo refor&ccedil;ou a nota escatol&oacute;gica da exist&ecirc;ncia crist&atilde; e particularmente do &ldquo;pastor de almas&rdquo;. Mesmo que &ldquo;secular&rdquo; e por isso necessariamente envolvido nas circunst&acirc;ncias sociais de cada altura, o sacerdote latino podia sentir vivamente a tens&atilde;o entre o que era obrigado a fazer e aquilo que espiritualmente o movia.<\/p>\n<p>&Eacute; paradigm&aacute;tico o caso de S&atilde;o Greg&oacute;rio Magno, bispo de Roma na viragem do s&eacute;culo VI para o VII, monge feito bispo e autoridade geral duma Roma pejada de sobreviventes e fugitivos: &ldquo;Todo aquele que &eacute; colocado como sentinela do povo, deve, portanto, pela sua vida, situar-se bem alto, para ser &uacute;til com a sua previd&ecirc;ncia. [&hellip;] Quando vivia no mosteiro, eu conseguia [&hellip;] manter quase continuamente o meu esp&iacute;rito em atitude de ora&ccedil;&atilde;o. Mas depois que tomei sobre meus ombros a responsabilidade pastoral, o esp&iacute;rito n&atilde;o consegue recolher-se t&atilde;o assiduamente como queria, porque se encontra solicitado por muitas preocupa&ccedil;&otilde;es&rdquo; (S&atilde;o Greg&oacute;rio Magno, + 604, Homilias sobre o profeta Ezequiel).<\/p>\n<p>Entretanto, deu-se a sucessiva &ldquo;convers&atilde;o&rdquo; dos b&aacute;rbaros, apesar da persist&ecirc;ncia duma religiosidade popular muito pag&atilde;. O &ldquo;sucesso&rdquo; dessa segunda evangeliza&ccedil;&atilde;o da Europa pagou largo tributo a tal religiosidade at&aacute;vica, que ainda hoje sobressai. A &ldquo;reforma gregoriana&rdquo; (de Greg&oacute;rio VII, + 1085) dos s&eacute;culos XI e XII reagiu quanto p&ocirc;de a essa excessiva redu&ccedil;&atilde;o secular da escatologia crist&atilde;, com novo influxo da espiritualidade mon&aacute;stica na vida pastoral. Bom exemplo disso encontramos j&aacute; em Portugal na figura de S&atilde;o Teot&oacute;nio (+ 1162), co-fundador de Santa Cruz de Coimbra, que &ldquo;instru&iacute;a na f&eacute; as gentes rudes e incorporava-as na Igreja pelo baptismo; chamava os pecadores &agrave; penit&ecirc;ncia [&hellip;] e reconciliava-os com a Igreja; como bom mediador entre Deus e os homens, a todos ensinava os preceitos divinos e pregava a verdade, apresentava ao Senhor as preces dos fi&eacute;is e intercedia diante de Deus pelos pecados do povo, oferecia no altar o sacrif&iacute;cio de expia&ccedil;&atilde;o, recitava as ora&ccedil;&otilde;es e aben&ccedil;oava os dons de Deus&rdquo; (Vida de S&atilde;o Teot&oacute;nio, + 1162).<\/p>\n<p>Uma vida pastoral inteiramente &ldquo;sacerdotal&rdquo; e orientada para Deus, levando-Lhe o povo pela prega&ccedil;&atilde;o, os sacramentos e a intercess&atilde;o. A Baixa Idade M&eacute;dia, por&eacute;m, esteve longe de manter tal intensidade espiritual e pastoral, chegando aos s&eacute;culos XIV-XV muito carecida de nova reforma. Pedida desde os conc&iacute;lios do s&eacute;culo XIV, tal reforma, em v&aacute;rias modalidades, cat&oacute;licas ou n&atilde;o, veio a concretizar-se no s&eacute;culo XVI. No campo cat&oacute;lico e tridentino, acentuou de novo a figura do pastor &ndash; sacerdote, exemplar e verdadeiramente &ldquo;forma gregis&rdquo; pelo destaque e espiritualiza&ccedil;&atilde;o do seu modo de ser, estar e servir o povo crist&atilde;o.<\/p>\n<p>Entre as figuras sacerdotais que mais sobressa&iacute;ram nesse sentido, S&atilde;o Carlos Borromeu, arcebispo de Mil&atilde;o (+ 1584), tem lugar cimeiro. S&atilde;o dele estas recomenda&ccedil;&otilde;es aos padres da sua diocese: &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio que te lembres das almas que diriges, mas desde que te n&atilde;o esque&ccedil;as de ti. Compreendei, irm&atilde;os, que nada &eacute; t&atilde;o necess&aacute;rio para todos os cl&eacute;rigos como a ora&ccedil;&atilde;o mental, que precede, acompanha e segue todas as nossas ac&ccedil;&otilde;es. [&hellip;] Se administras sacramentos, irm&atilde;o, medita no que fazes; se celebras missa, pensa no que ofereces; se cantas no coro, considera a quem falas e no que dizes; se diriges almas, medita em que sangue foram purificadas [&hellip;]. Assim teremos for&ccedil;a para fazer nascer Cristo em n&oacute;s e nos outros&rdquo; (S&atilde;o Carlos Borromeu, Serm&atilde;o no &uacute;ltimo s&iacute;nodo).<\/p>\n<p>A grande escola de espiritualidade sacerdotal francesa, dos s&eacute;culos XVII e XVIII, prosseguiu nesta linha, que poderemos considerar tamb&eacute;m &ldquo;mon&aacute;stico-pastoral&rdquo;. N&atilde;o est&aacute; obviamente ausente da figura tutelar do presente &ldquo;ano sacerdotal&rdquo;, S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney, o Santo Cura d&rsquo;Ars (+ 1859), nem da biografia dum papa t&atilde;o recente como Jo&atilde;o Paulo II (+ 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vaticano II retoma esta tradi&ccedil;&atilde;o, acentuando o car&aacute;cter pascal e escatol&oacute;gico do minist&eacute;rio, em fun&ccedil;&atilde;o das mesmas notas de toda a Igreja. &Eacute; assim, por exemplo, que o decreto Presbyterorum Ordinis, n&ordm; 2, unifica o sacerd&oacute;cio ministerial, mesmo na variedade das suas poss&iacute;veis incumb&ecirc;ncias: &ldquo;Portanto, quer os presb&iacute;teros se entreguem &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e adora&ccedil;&atilde;o, quer preguem a palavra, ofere&ccedil;am o sacrif&iacute;cio Eucar&iacute;stico, administrem os demais sacramentos, ou se dediquem ainda a outros minist&eacute;rios para o bem dos homens, contribuem simultaneamente para maior gl&oacute;ria de Deus e para o progresso dos homens na vida divina. Tudo isto, dimanando da P&aacute;scoa de Cristo, se consumar&aacute; na vinda gloriosa do mesmo Senhor, quando Ele entregar o Reino nas m&atilde;os do Pai&rdquo;.<\/p>\n<p>E &eacute; tamb&eacute;m a esta luz &ndash; &uacute;ltima luz! &ndash; que o decreto, no n&ordm; 16, apresenta o celibato sacerdotal, t&atilde;o pr&oacute;prio da Igreja latina: &ldquo;Tornam-se, finalmente, [os presb&iacute;teros] um sinal vivo daquele mundo futuro, j&aacute; presente pela f&eacute; e pela caridade, no qual os filhos da ressurrei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se casam nem se d&atilde;o em casamento&rdquo;. Ou que, no n&ordm; 17, apresenta o desprendimento, como muito especialmente pr&oacute;prio e requerido aos presb&iacute;teros: &ldquo;Apesar de viverem no mundo, devem, contudo, lembrar-se de que, segundo a palavra de Cristo, nosso Mestre e Senhor, n&atilde;o s&atilde;o deste mundo. Usando, pois, do mundo, como se dele n&atilde;o fizessem uso, chegar&atilde;o &agrave;quela liberdade pela qual, livres de todo o cuidado desordenado, se tornam d&oacute;ceis para ouvir quotidianamente a voz divina&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o admira, portanto, que o aut&ecirc;ntico sum&aacute;rio da vida presbiteral, apresentado no n&ordm; 13 do decreto conciliar, ecoe claramente o que j&aacute; ouvimos de essencial nos s&eacute;culos transactos: &ldquo;Os presb&iacute;teros alcan&ccedil;am a santidade, de maneira aut&ecirc;ntica, pelo exerc&iacute;cio do seu minist&eacute;rio, desempenhado sincera e infatigavelmente no Esp&iacute;rito de Cristo. Sendo ministros da palavra de Deus, l&ecirc;em-na e escutam-na diariamente, para a ensinarem aos outros. [&hellip;] Como ministros das coisas sagradas, &eacute; sobretudo no sacrif&iacute;cio da Missa que os presb&iacute;teros fazem de um modo especial as vezes de Cristo, que se deu como v&iacute;tima para a santifica&ccedil;&atilde;o dos homens. [&hellip;] Igualmente na administra&ccedil;&atilde;o dos sacramentos unem-se com a inten&ccedil;&atilde;o e a caridade de Cristo [&hellip;]. Guiando e apascentando o povo de Deus, s&atilde;o impelidos, pela caridade do Bom pastor, a dar a vida pelas suas ovelhas&rdquo;.<\/p>\n<p>Como se defin&iacute;ssemos o minist&eacute;rio numa santifica&ccedil;&atilde;o pessoal que santifica os outros, tomando a santidade como participa&ccedil;&atilde;o inteira e final na P&aacute;scoa de Cristo. Estou mesmo em crer que a encontrada autonomia das realidades temporais e a valoriza&ccedil;&atilde;o de tudo quanto &eacute; abertura espiritual da humanidade, incluindo a diversidade das religi&otilde;es, abriu campo &agrave; redefini&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica da Igreja e do minist&eacute;rio ordenado em fun&ccedil;&atilde;o dela. Na verdade, apura-se melhor que a contribui&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do Cristianismo, para al&eacute;m da inspira&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica da vida terrena, &eacute; oferecer ao mundo o seu verdadeiro fim, iniciado na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo e assinalado por uma vida propriamente crist&atilde;, na sua radical e &uacute;ltima novidade.<\/p>\n<p>Faculdade de Teologia (Porto), 9 de Fevereiro de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presb&iacute;tero secular: origem e perspectivas (ou viver e servir a partir do fim) &nbsp; Permito-me come&ccedil;ar como tudo come&ccedil;ou, relendo as primeiras palavras escritas do Novo Testamento. 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