{"id":434530,"date":"2026-07-15T09:49:54","date_gmt":"2026-07-15T08:49:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=434530"},"modified":"2026-07-15T09:49:54","modified_gmt":"2026-07-15T08:49:54","slug":"os-pobres-surpreendem-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-pobres-surpreendem-sempre\/","title":{"rendered":"\u201cOs pobres surpreendem sempre\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Trag\u00e9dia na Venezuela provoca enorme onda de solidariedade<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Numa das zonas mais pobres e densamente povoadas de Caracas, que corresponde \u00e0 Diocese de Petare, a Igreja mobilizou-se para acompanhar os feridos transferidos de La Guaira. Um exemplo de solidariedade que o Bispo, D. Juan Carlos Bravo, faz quest\u00e3o de destacar. A trag\u00e9dia que se abateu sobre a Venezuela est\u00e1 a gerar uma enorme onda de solidariedade. A Funda\u00e7\u00e3o AIS Internacional aprovou j\u00e1 uma ajuda de emerg\u00eancia no valor de 100 mil euros e o secretariado nacional da AIS tem em curso, aqui em Portugal, a campanha \u201cSOS Venezuela\u201d\u2026<\/em><\/p>\n<p>Quando ocorreu o terramoto que atingiu a Venezuela, o Bispo Juan Carlos Bravo Salazar, de Petare, encontrava-se em M\u00e9rida. Com os voos suspensos, teve de regressar por terra \u00e0 sua diocese, numa viagem de 16 horas. Ao chegar, deparou-se com uma realidade inesperada. \u201cPetare \u00e9 uma das zonas mais pobres e densamente povoadas de Caracas. Chamam-lhe a maior favela da Am\u00e9rica Latina. Normalmente pensa-se que num terramoto s\u00e3o estes bairros pobres que primeiro colapsam. Mas Petare resistiu\u201d, explica o bispo \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS Internacional. A Diocese de Petare, a leste de Caracas, abrange 177 km<sup>2<\/sup> onde vivem cerca de dois milh\u00f5es de pessoas, distribu\u00eddas por 2.000 bairros populares. \u201cN\u00e3o tivemos mortos nem feridos em consequ\u00eancia directa do terramoto, gra\u00e7as ao facto de termos rocha por baixo de n\u00f3s, mas tivemos danos estruturais em igrejas, capelas, casas paroquiais e algumas habita\u00e7\u00f5es\u201d, diz o prelado. \u201cNoventa por cento da nossa diocese vive em situa\u00e7\u00e3o de pobreza\u201d, salienta D. Juan Carlos Bravo. \u201cMas, nesta situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, Petare \u2014 que \u00e9 uma zona vulner\u00e1vel \u2014 tornou-se um ponto-chave de assist\u00eancia aos feridos e sinistrados provenientes de La Guaira\u201d, explica.<\/p>\n<p><em>Diocese mobiliza 250 volunt\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p>Quatro dos principais hospitais do pa\u00eds encontram-se precisamente na sua diocese e acolheram a maioria dos feridos. Por isso, a resposta da Igreja local tem-se centrado especialmente na assist\u00eancia aos hospitais \u2014 onde a falta de material m\u00e9dico agrava uma situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 de si muito prec\u00e1ria \u2014 e aos sinistrados. Atrav\u00e9s da C\u00e1ritas diocesana, a Igreja em Petare organizou quatro centros de recolha em diferentes pontos da diocese e mobilizou mais de 250 volunt\u00e1rios. \u201cEstamos a prestar apoio com medicamentos, material cir\u00fargico, material de limpeza, alimentos e tamb\u00e9m roupa, porque muitas das pessoas que chegam n\u00e3o t\u00eam nada\u201d, afirma. O bispo sublinha que \u201ca resposta das pessoas tem sido magn\u00edfica, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. A sensibilidade para apoiar, colaborar, estar presente, organizar a roupa, classificar os medicamentos, transportar e levar ajuda tem sido admir\u00e1vel\u201d, relata. \u201cVemos a ac\u00e7\u00e3o e a presen\u00e7a de Deus em todo o nosso trabalho\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>O amor derruba o medo<\/strong><\/p>\n<p>O Bispo Bravo recorda que uma mulher de La Guaira chegou desorientada a Petare, sem conhecer a zona, com familiares feridos nos hospitais e sem saber como arranjar medicamentos, exames m\u00e9dicos ou roupa. Os volunt\u00e1rios acompanharam-na, arranjaram-lhe aquilo de que precisava e ficaram com ela. No final, a mulher sentiu-se mal e desmaiou. \u201cPens\u00e1mos que tinha morrido\u201d, recorda o prelado. M\u00e9dicos, jovens e param\u00e9dicos correram para a socorrer. \u201cDepois, entre l\u00e1grimas, risos e al\u00edvio, compreendemos o que tinha acontecido. N\u00e3o era apenas cansa\u00e7o nem medo acumulado. Foi ela pr\u00f3pria que nos disse que era tamb\u00e9m a emo\u00e7\u00e3o de se sentir acolhida e ajudada gratuitamente, num lugar desconhecido, por pessoas que n\u00e3o esperavam nada em troca\u201d, conta o bispo. \u201cO medo destr\u00f3i o ser humano, mas o amor destr\u00f3i esses medos\u201d, explica. Petare mobilizou-se em prol das v\u00edtimas. \u201cOs pobres surpreendem sempre, afirma o Bispo. \u201cOs pobres s\u00e3o a maior riqueza que a Igreja venezuelana possui, sublinha, descrevendo uma experi\u00eancia que ilustra bem estas palavras. \u201cChegaram dois homens que consertam sapatos na rua. Eles recolhem sapatos estragados, consertam-nos e vendem-nos. Vivem disso. Chegaram com 50 pares que tinham consertado para vender, mas decidiram do\u00e1-los \u00e0s v\u00edtimas. Quem n\u00e3o tem nada, d\u00e1 tudo\u201d, diz. Para o bispo, este gesto revela uma verdade profunda: no nada, Deus tamb\u00e9m actua. A\u00ed, onde quase n\u00e3o h\u00e1 recursos, surge uma imensa riqueza humana e espiritual.<\/p>\n<p><strong>Campanha AIS Portugal em marcha<\/strong><\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o AIS Internacional aprovou, entretanto, uma ajuda de emerg\u00eancia no valor de 100 mil euros para apoiar a resposta da Igreja perante a cat\u00e1strofe. Tamb\u00e9m Portugal lan\u00e7ou de imediato uma campanha, intitulada \u201cSOS Venezuela\u201d, para mobilizar benfeitores e amigos da institui\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds. A campanha procura dar resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia que as dioceses mais atingidas pelos terramotos agora enfrentam. Entre essas situa\u00e7\u00f5es, a directora do secretariado nacional da funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia destaca o apoio \u00e0s fam\u00edlias que perderam as suas casas, o fornecimento de alimentos, medicamentos e bens essenciais, mas tamb\u00e9m a repara\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o de igrejas e edif\u00edcios pastorais danificados. Muitas destas fam\u00edlias, atingidas pelos terramotos, lembra Catarina Martins de Bettencourt, \u201ct\u00eam ra\u00edzes, familiares e hist\u00f3rias de vida entre os dois pa\u00edses, Venezuela e Portugal, o que torna esta trag\u00e9dia ainda mais pr\u00f3xima do nosso cora\u00e7\u00e3o\u201d. Numa mensagem enviada para casa de milhares de benfeitores e amigos portugueses da Funda\u00e7\u00e3o AIS, Catarina Bettencourt pede a todos que rezem pelo povo Venezuelano, por todas as v\u00edtimas desta trag\u00e9dia, pelos que perderam a vida, pelos seus familiares em luto, e pelos sacerdotes, religiosas e volunt\u00e1rios que est\u00e3o na linha da frente desta emerg\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido e Maria Lozano<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ad_venezuela_090726_b.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-434531 size-large\" 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