{"id":43451,"date":"2010-02-09T13:43:10","date_gmt":"2010-02-09T13:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/09\/a-igreja-na-cidade-2\/"},"modified":"2010-02-09T13:43:10","modified_gmt":"2010-02-09T13:43:10","slug":"a-igreja-na-cidade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-na-cidade-2\/","title":{"rendered":"A igreja na cidade"},"content":{"rendered":"<p>1. A Igreja &eacute; antes de mais comunidade de pessoas, comunidade de comunh&atilde;o como expressou o conc&iacute;lio Vaticano II. O conte&uacute;do desta comum-uni&atilde;o &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o no Esp&iacute;rito de Cristo, que gera o corpo social e m&iacute;stico que &eacute; a comunidade crist&atilde;. O Esp&iacute;rito n&atilde;o precisa de outro templo sen&atilde;o a pessoa humana e a comunidade. O corpo social &eacute; que tem necessidade de um lugar de encontro, de acolhimento, de celebra&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, de trabalho &#8211; necessita de um edif&iacute;cio na cidade. A comunidade est&aacute; antes do edif&iacute;cio. O erro da pol&eacute;mica igreja do Restelo n&atilde;o est&aacute;, primeiramente, no estilo pr&oacute;prio do arquitecto, mas no facto da comunidade n&atilde;o ter sido o sujeito do processo, quem escolheu a tipologia lit&uacute;rgica, a express&atilde;o do edif&iacute;cio e o arquitecto. Tanto a funcionalidade como a forma simb&oacute;lica do edif&iacute;cio-igreja derivam da comunh&atilde;o crist&atilde; que &eacute; fundamentalmente abertura ao Outro, abertura da comunidade &agrave; transcend&ecirc;ncia de Deus, mist&eacute;rio da exist&ecirc;ncia, e &agrave; presen&ccedil;a de Deus na pr&oacute;pria vida das pessoa e da cidade. Esta abertura op&otilde;e-se ao gueto ou &agrave; seita, que s&atilde;o fechamento, separa&ccedil;&atilde;o. A Igreja n&atilde;o tem sentido sem rela&ccedil;&atilde;o com a cidade. Uma rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica que n&atilde;o se caracteriza pelo poder mas pelo servi&ccedil;o (Lc 20,25-26), que n&atilde;o exclui mas acolhe na comunh&atilde;o, que n&atilde;o se imp&otilde;e mas se prop&otilde;e. Estas caracter&iacute;sticas espirituais da igreja-comunidade &eacute; que devem caracterizar a igreja-edif&iacute;cio, como seu prolongamento e sua imagem na cidade.<\/p>\n<p>2. Por outro lado, a cidade contempor&acirc;nea est&aacute; em processo acelerado de transforma&ccedil;&atilde;o urbana e cultural. No passado a Catedral ocupava o centro, desde a&iacute; definia e organizava o territ&oacute;rio geogr&aacute;fico e o territ&oacute;rio dos valores e do sentido. Hoje, o centro hist&oacute;rico tende a ser um lugar do passado, esvaziado de habitantes, itiner&aacute;rio pitoresco de turistas, absorvendo neste conceito as suas igrejas. O estatuto da igreja na cidade v&ecirc;-se alterado na sociedade plural, onde culturas, valores e formas de vida diversas partilham o espa&ccedil;o comum. Nele, a igreja-institui&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o representa o todo cultural, mas ocupa o espa&ccedil;o p&uacute;blico, a par de outras institui&ccedil;&otilde;es de significados desiguais. A igreja-edif&iacute;cio n&atilde;o tem porque ocupar o lugar do poder, o centro, ou a extrema dominante das avenidas. O edif&iacute;cio constr&oacute;i-se a partir da comunidade, como sua casa, <em>domus ecclesia<\/em>, &agrave; escala das suas necessidades espirituais e capacidade de servi&ccedil;o. A igreja sobrevive como sinal e lugar de uma comunidade de identidade espiritual forte. S&oacute; quando esta enfraquece ou se ensoberbece &eacute; que volta nostalgia da monumentalidade.<\/p>\n<p>Outro aspecto &eacute; a crise da cidade como lugar humano. A cidade descentralizou-se, multiplicando os seus centros, diluindo as suas periferias no suburbano. A complexidade crescente da cidade contempor&acirc;nea organiza-se por valores ligados quase exclusivamente &agrave;s leis do mercado, valores pragm&aacute;ticos e n&atilde;o espirituais. O predom&iacute;nio do econ&oacute;mico e do material gera o desejo do espiritual, a satura&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o e da imagem gera o desejo da escuta e do sil&ecirc;ncio, a fragmenta&ccedil;&atilde;o da vida gera a busca de sentido. O urbanismo e a arquitectura s&atilde;o valores espirituais que promovem a cidade como lugar humano. Um desafio semelhante p&otilde;e-se &agrave; presen&ccedil;a da igreja nos novos <em>f&oacute;runs<\/em> disseminados da cidade, nas periferias e n&atilde;o-lugares. Saber&aacute; a igreja recriar a&iacute; tempos de paragem e reflex&atilde;o? Refor&ccedil;ar centralidades, lugares de encontro e celebra&ccedil;&atilde;o? Recuperar espa&ccedil;os de identidade e de perten&ccedil;a, na precariedade e vulnerabilidade da cidade em muta&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>3. Finalmente, que linguagem arquitect&oacute;nica para o edif&iacute;cio-igreja na cidade? Percorremos aspectos sociais, culturais e espirituais que condicionam o desenho da igreja-edif&iacute;cio na sua rela&ccedil;&atilde;o com a cidade. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia a arquitectura d&aacute;-lhes um valor formal definitivo, a igreja reconhece-se finalmente pela sua forma. Mas ser&aacute; que esta forma sobrevive reconhec&iacute;vel &agrave;s rupturas pr&oacute;prias da arquitectura como disciplina, nomeadamente ao questionamento do modernismo? N&atilde;o redefiniu, a igreja-institui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m, no &uacute;ltimo Conc&iacute;lio, a compreens&atilde;o de si e da sua rela&ccedil;&atilde;o com o mundo? O resultado, ainda que prometedor, &eacute;, actualmente, uma grande experimenta&ccedil;&atilde;o de formas e tipologias.<\/p>\n<p>Os arquitectos cultivados l&ecirc;em na hist&oacute;ria das formas, seleccionadas pelo tempo, a reflex&atilde;o de cada &eacute;poca sobre a igreja e a cidade. H&aacute; no entanto que traduzi-la para hoje. S&oacute; uma reflex&atilde;o aprofundada na comunidade crist&atilde;, em conjunto com o mundo da arquitectura como disciplina, pode consolidar as boas pr&aacute;ticas.<\/p>\n<p>A igreja-edif&iacute;cio &eacute; uma met&aacute;fora na cidade secular, pronunciada na linguagem do seu tempo. A sua estrutura po&eacute;tica e paradoxal deve surpreender crentes e descrentes, conduzi-los ao sil&ecirc;ncio do mundo, despertar uma aten&ccedil;&atilde;o inhabitual. Tem portanto necessidade do talento art&iacute;stico do arquitecto.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Pe. Jo&atilde;o Norton, sj, arquitecto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. A Igreja &eacute; antes de mais comunidade de pessoas, comunidade de comunh&atilde;o como expressou o conc&iacute;lio Vaticano II. O conte&uacute;do desta comum-uni&atilde;o &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o no Esp&iacute;rito de Cristo, que gera o corpo social e m&iacute;stico que &eacute; a comunidade crist&atilde;. 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