{"id":43438,"date":"2010-02-09T11:53:43","date_gmt":"2010-02-09T11:53:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/09\/o-nascimento-de-uma-nova-arte-religiosa\/"},"modified":"2010-02-09T11:53:43","modified_gmt":"2010-02-09T11:53:43","slug":"o-nascimento-de-uma-nova-arte-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-nascimento-de-uma-nova-arte-religiosa\/","title":{"rendered":"O nascimento de uma nova arte religiosa"},"content":{"rendered":"<p>O in&iacute;cio da d&eacute;cada de 50 do s&eacute;culo XX trouxe os primeiros sinais de mudan&ccedil;a no panorama da arte religiosa em Portugal, identific&aacute;veis num novo entendimento do papel social da Igreja, requerendo novos tipos de espa&ccedil;os face a novas concep&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas.<\/p>\n<p>A nova proposta de arte religiosa deve muito &agrave; ac&ccedil;&atilde;o de um conjunto de pessoas que desde cedo se organizaram para melhor atingirem os seus objectivos, marcando claramente uma &eacute;poca de ruptura, o Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o da Arte Religiosa (M.R.A.R.), ao longo de d&eacute;cada e meia.<\/p>\n<p>&ldquo;No Outono de 1952, um pequeno grupo de arquitectos rec&eacute;m-diplomados e alguns estudantes da Escola de Belas Artes de Lisboa, faziam as primeiras reuni&otilde;es, dominados por uma vontade de trabalho em comum para a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel da Arte Sacra em Portugal&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; assim, na primeira pessoa, que temos not&iacute;cia do in&iacute;cio da actividade deste movimento, n&atilde;o oficial, ao servi&ccedil;o da Igreja: Movimento de jovens estudantes, interessados em fazer aceitar a arte moderna numa institui&ccedil;&atilde;o mais propensa a aceitar formas convencionais e conservadoras. Numa atitude muito de acordo com o que viria a ser a vida e obra da Igreja em estado de Conc&iacute;lio, prop&otilde;em uma arte religiosa de cariz eclesial e pastoral. Participaram neste movimento alguns dos mais destacados arquitectos e artistas pl&aacute;sticos em Portugal, como Nuno Teot&oacute;nio Pereira, Jo&atilde;o de Almeida, Diogo Pimentel, Nuno Portas, Lu&iacute;s Cunha, Erich Corsepius, Madalena Cabral, Formosinho Sanchez, Manuel Costa Cabral, Eduardo Nery, Jorge Vieira, entre outros.<\/p>\n<p>O fulcro das pr&aacute;ticas do M.R.A.R. era, principalmente, os novos problemas que foram surgindo na sociedade e na Igreja da &eacute;poca, no que toca &agrave; arte, muito especialmente &agrave; arquitectura, reflectindo e procurando solu&ccedil;&otilde;es, crit&eacute;rios, formando gente, ganhando espa&ccedil;o de influ&ecirc;ncia e raio de ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nascido com a inten&ccedil;&atilde;o de reagir a um estado de coisas em que as igrejas eram servidas por um desenho historicista caricatural (vide as igrejas, em Lisboa, do Santo Condest&aacute;vel, S&atilde;o Jo&atilde;o de Brito e S&atilde;o Jo&atilde;o de Deus) o grupo de jovens arquitectos cat&oacute;licos come&ccedil;a a sua ac&ccedil;&atilde;o apoiado numa &ldquo;Exposi&ccedil;&atilde;o de Arquitectura Religiosa Contempor&acirc;nea&rdquo;, com o &ldquo;objectivo de mostrar alguma coisa do que no nosso pa&iacute;s se tem feito nos &uacute;ltimos anos para p&ocirc;r ao servi&ccedil;o do culto lit&uacute;rgico uma arte digna dessa nobre fun&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em Portugal se debatia publicamente o problema da arquitectura moderna e as suas repercuss&otilde;es enquanto arte para a Liturgia. Era o primeiro passo da caminhada que levaria o M.R.A.R. a tornar-se numa escola de reflex&atilde;o de excel&ecirc;ncia. A acompanhar esta exposi&ccedil;&atilde;o encontra-se um texto, um manifesto, que condensa o pensamento e a ac&ccedil;&atilde;o deste Movimento na sua fase inicial: &ldquo;Imp&otilde;e-se uma ac&ccedil;&atilde;o de esclarecimento e revis&atilde;o de conceitos, para que a arquitectura possa mostrar ao mundo de hoje a verdadeira face da Igreja de Cristo. Depende do p&uacute;blico crist&atilde;o que essa face continue a ser odiosamente desfigurada, ou se revele, enfim, em toda a sua pureza&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste movimento foram encontrando um espa&ccedil;o pr&oacute;prio muitos artistas e intelectuais portugueses, distanciados do regime pol&iacute;tico, e crentes num catolicismo que desejavam renovado, segundo as doutrinas e atitudes do II Conc&iacute;lio do Vaticano. Este inconformismo dos jovens artistas e as suas cr&iacute;ticas da arquitectura oficial foram dos factores que mais contribu&iacute;ram para a renova&ccedil;&atilde;o da arquitectura religiosa portuguesa, ao qual devemos somar o contacto com os movimentos culturais e lit&uacute;rgicos da Europa, sobretudo da Su&iacute;&ccedil;a e da Alemanha.<\/p>\n<p>O leque de interesses do Movimento acabaria por alargar-se ao campo da m&uacute;sica sacra, ourivesaria e paramentaria, por exemplo.<\/p>\n<p>O M.R.A.R. acabaria por entrar num impasse de que n&atilde;o foi capaz de sair: as actividades de 1967-68 permitiram concluir que &ldquo;o problema fundamental se enra&iacute;za na preocupa&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria da comunidade, muito mais do que na apresenta&ccedil;&atilde;o arquitect&oacute;nica da igreja&rdquo;.<\/p>\n<p>Os espa&ccedil;os lit&uacute;rgicos vivem numa crise de identidade, o que provocou uma perda de interesse sobre o problema da constru&ccedil;&atilde;o das igrejas. O movimento cat&oacute;lico era, ent&atilde;o, mais social, apagando o impacto da onda de choque que tinha levado a reflex&atilde;o da Igreja at&eacute; ao II Conc&iacute;lio do Vaticano, em mat&eacute;ria de Liturgia e Eclesiologia. E o 25 de Abril ficava logo ao virar da esquina.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Oct&aacute;vio Carmo &#8211; AE<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in&iacute;cio da d&eacute;cada de 50 do s&eacute;culo XX trouxe os primeiros sinais de mudan&ccedil;a no panorama da arte religiosa em Portugal, identific&aacute;veis num novo entendimento do papel social da Igreja, requerendo novos tipos de espa&ccedil;os face a novas concep&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas. 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