{"id":43398,"date":"2010-02-05T17:01:20","date_gmt":"2010-02-05T17:01:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/05\/a-igualdade-como-historia-crista\/"},"modified":"2010-02-05T17:01:20","modified_gmt":"2010-02-05T17:01:20","slug":"a-igualdade-como-historia-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igualdade-como-historia-crista\/","title":{"rendered":"A igualdade como Hist\u00f3ria crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>No ciclo de confer\u00eancias \u00abEis o Homem\u00bb, Ant\u00f3nio Matos Ferreira defende abertura ao que n\u00e3o se compreende nem aceita <!--more--> <\/p>\n<p>O historiador Ant&oacute;nio Matos Ferreira considera que a concretiza&ccedil;&atilde;o da igualdade exige a ren&uacute;ncia aos bens e atitudes que d&atilde;o seguran&ccedil;a e estatuto, a disponibilidade para que todos tenham lugar &agrave; mesa, a partilha do que faz falta e o reconhecimento da imprescindibilidade do outro.<\/p>\n<p>Para o docente universit&aacute;rio, a igualdade constr&oacute;i-se atrav&eacute;s do &ldquo;esfor&ccedil;o &ndash; que &eacute; uma disciplina e uma espiritualidade &ndash; de nos abrirmos &agrave;quilo que n&atilde;o compreendemos e que n&atilde;o aceitamos&rdquo;. &ldquo;N&atilde;o para nos tornarmos os mesmos e sem possibilidade de diferencia&ccedil;&atilde;o &ndash; explica &ndash; mas para nos tornarmos iguais, isto &eacute;, parceiros de caminhada&rdquo;, incluindo neste processo aqueles que &ldquo;n&atilde;o t&ecirc;m nada para dar em troca&rdquo;.<\/p>\n<p>Na palestra que proferiu no ciclo de confer&ecirc;ncias &ldquo;Eis o Homem&rdquo;, organizado pela diocese do Porto, Ant&oacute;nio Matos Ferreira come&ccedil;ou por recordar o percurso da igualdade na hist&oacute;ria da humanidade.<\/p>\n<p>Dirigindo-se aos presentes como &ldquo;amigos e irm&atilde;os&rdquo;, &ldquo;condi&ccedil;&otilde;es que nos tornam iguais&rdquo;, o director-adjunto do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica assinalou que a quest&atilde;o da igualdade coloca-se desde os &ldquo;prim&oacute;rdios civilizacionais&rdquo;, passando pela Lei que Deus entregou a Mois&eacute;s<\/p>\n<p>Quando formulada no &acirc;mbito da trilogia da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, a igualdade afirma-se contra os direitos que decorriam da rela&ccedil;&atilde;o de parentesco. Aos privil&eacute;gios assegurados pela hereditariedade contrap&ocirc;s-se rela&ccedil;&atilde;o com a lei. Perante o ordenamento legislativo, todos os cidad&atilde;os s&atilde;o iguais.<\/p>\n<p>A vertente jur&iacute;dica n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica que determina o debate sobre a igualdade. A quest&atilde;o inscreve-se nas rela&ccedil;&otilde;es e conflitos que se estabelecem na sociedade, sendo por isso um problema &ldquo;de ordem cultural&rdquo;.<\/p>\n<p>As m&uacute;ltiplas aproxima&ccedil;&otilde;es por parte das ci&ecirc;ncias humanas s&atilde;o insuficientes para definir as ra&iacute;zes da igualdade e apontar as direc&ccedil;&otilde;es que ela deve tomar para garantir a dignidade pessoal.<\/p>\n<p>&ldquo;A igualdade &ndash; defende Ant&oacute;nio Matos Ferreira &ndash; &eacute; o resultado de uma rela&ccedil;&atilde;o que nos torna &uacute;nicos e insubstitu&iacute;veis&rdquo;. Estas caracter&iacute;sticas est&atilde;o presentes no ser humano devido ao reconhecimento &ldquo;de uma alteridade n&atilde;o redut&iacute;vel a cada um de n&oacute;s&rdquo;, que &ldquo;nos transcende enquanto realidade criadora da possibilidade da nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>O trabalho, a loucura, a paz e a ora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o alguns dos elementos fundamentais para a afirma&ccedil;&atilde;o da igualdade que a Igreja aplicou na sua hist&oacute;ria, influenciando desta forma a apropria&ccedil;&atilde;o que as sociedades ocidentais fizeram do conceito.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia do trabalho adquiriu maior relevo atrav&eacute;s da espiritualidade da vida mon&aacute;stica beneditina, consubstanciada na express&atilde;o &laquo;ora et labora&raquo;. A ac&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Jo&atilde;o de Deus, por seu lado, permitiu a enuncia&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem que passou pela integra&ccedil;&atilde;o dos exclu&iacute;dos, lembrando a import&acirc;ncia que Jesus deu &agrave; inclus&atilde;o daqueles que eram sociol&oacute;gica e religiosamente rejeitados.<\/p>\n<p>No que diz respeito &agrave; luta contra a guerra, o historiador sublinhou o papel dos Papas do s&eacute;culo XX, assinalando que a aspira&ccedil;&atilde;o &agrave; paz cont&eacute;m dois elementos fundamentais para a instaura&ccedil;&atilde;o da igualdade: a aceita&ccedil;&atilde;o e a capacidade de lidar com quem &eacute; considerado inimigo. A ora&ccedil;&atilde;o, por fim, permite que entre as diferentes tradi&ccedil;&otilde;es religiosas sobressaia um elemento comum: a rela&ccedil;&atilde;o com a transcend&ecirc;ncia, atrav&eacute;s da qual se permite que a realidade n&atilde;o se reduza aos interesses pessoais.<\/p>\n<p>&Eacute; o facto de a alteridade &ldquo;nos chamar pelo nosso nome&rdquo; &ndash; como sucedeu no Baptismo de Jesus &ndash; que nos torna iguais. Ant&oacute;nio Matos Ferreira citou a par&aacute;bola b&iacute;blica do &ldquo;filho pr&oacute;digo&rdquo; para lembrar que a &ldquo;natureza amorosa&rdquo; de Deus revela o seu desejo de que todos tenham lugar na sua casa.<\/p>\n<p>Ainda que a igualdade seja frequentemente reivindicada como uma conquista das sociedades modernas, a perspectiva crist&atilde; sublinha que ela &ldquo;n&atilde;o &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o voluntarista determinada por um princ&iacute;pio que se imp&otilde;e aos outros&rdquo;.<\/p>\n<p>Ant&oacute;nio Matos Ferreira est&aacute; convencido de que a ess&ecirc;ncia da igualdade consiste em estar dispon&iacute;vel para dar a vida, compromisso que, para o crist&atilde;o, se alimenta da eucaristia, sacramento que evoca e actualiza a maior de todas as doa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ciclo de confer\u00eancias \u00abEis o Homem\u00bb, Ant\u00f3nio Matos Ferreira defende abertura ao que n\u00e3o se compreende 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