{"id":43357,"date":"2010-02-04T11:27:10","date_gmt":"2010-02-04T11:27:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/04\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-2010\/"},"modified":"2010-02-04T11:27:10","modified_gmt":"2010-02-04T11:27:10","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-quaresma-2010\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2010"},"content":{"rendered":"<p>A justi&ccedil;a de Deus est&aacute; manifestada mediante a f&eacute; em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21&ndash;22)<\/p>\n<p>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s,<\/p>\n<p>Todos os anos, por ocasi&atilde;o da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revis&atilde;o sincera da nossa vida &agrave; luz dos ensinamentos evang&eacute;licos. Este ano desejaria propor-vos algumas reflex&otilde;es sobre o tema vasto da justi&ccedil;a, partindo da afirma&ccedil;&atilde;o Paulina: A justi&ccedil;a de Deus est&aacute; manifestada mediante a f&eacute; em Jesus Cristo (cfr Rom 3,21&ndash;22).<\/p>\n<p><em>Justi&ccedil;a: &ldquo;dare cuique suum&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>Detenho-me em primeiro lugar sobre o significado da palavra &ldquo;justi&ccedil;a&rdquo; que na linguagem comum implica &ldquo;dar a cada um o que &eacute; seu &ndash; dare cuique suum&rdquo;, segundo a conhecida express&atilde;o de Ulpiano, jurista romano do s&eacute;culo III. Por&eacute;m, na realidade, tal defini&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica n&atilde;o precisa em que &eacute; que consiste aquele &ldquo;suo&rdquo; que se deve assegurar a cada um. Aquilo de que o homem mais precisa n&atilde;o lhe pode ser garantido por lei. Para gozar de uma exist&ecirc;ncia em plenitude, precisa de algo mais &iacute;ntimo que lhe pode ser concedido somente gratuitamente: poder&iacute;amos dizer que o homem vive daquele amor que s&oacute; Deus lhe pode comunicar, tendo-o criado &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a. S&atilde;o certamente &uacute;teis e necess&aacute;rios os bens materiais &ndash; no fim de contas o pr&oacute;prio Jesus se preocupou com a cura dos doentes, em matar a fome das multid&otilde;es que o seguiam e certamente condena a indiferen&ccedil;a que tamb&eacute;m hoje condena &agrave; morte centenas de milh&otilde;es de seres humanos por falta de alimentos, de &aacute;gua e de medicamentos -, mas a justi&ccedil;a distributiva n&atilde;o restitui ao ser humano todo o &ldquo;suo&rdquo; que lhe &eacute; devido. Mais do que o p&atilde;o ele de facto precisa de Deus. Nota Santo Agostinho: se &ldquo;a justi&ccedil;a &eacute; a virtude que distribui a cada um o que &eacute; seu&hellip; n&atilde;o &eacute; justi&ccedil;a do homem aquela que subtrai o homem ao verdadeiro Deus&rdquo; (De civitate Dei, XIX, 21).<\/p>\n<p><em>De onde vem a injusti&ccedil;a?<\/em><\/p>\n<p>O evangelista Marcos refere as seguintes palavras de Jesus, que se inserem no debate de ent&atilde;o acerca do que &eacute; puro e impuro: &ldquo;Nada h&aacute; fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso &eacute; que o torna impuro. Porque &eacute; do interior do cora&ccedil;&atilde;o dos homens, que saem os maus pensamentos&rdquo; (Mc 7,14-15.20-21). Para al&eacute;m da quest&atilde;o imediata relativa ao alimento, podemos entrever nas reac&ccedil;&otilde;es dos fariseus uma tenta&ccedil;&atilde;o permanente do homem: individuar a origem do mal numa causa exterior. Muitas das ideologias modernas, a bem ver, t&ecirc;m este pressuposto: visto que a injusti&ccedil;a vem &ldquo;de fora&rdquo;, para que reine a justi&ccedil;a &eacute; suficiente remover as causas externas que impedem a sua actua&ccedil;&atilde;o: Esta maneira de pensar &#8211; admoesta Jesus &ndash; &eacute; ing&eacute;nua e m&iacute;ope. A injusti&ccedil;a, fruto do mal, n&atilde;o tem ra&iacute;zes exclusivamente externas; tem origem no cora&ccedil;&atilde;o do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa coniv&ecirc;ncia com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista: &ldquo;Eis que eu nasci na culpa, e a minha m&atilde;e concebeu-se no pecado&rdquo; (Sl 51,7). Sim, o homem torna-se fr&aacute;gil por um impulso profundo, que o mortifica na capacidade de entrar em comunh&atilde;o com o outro. Aberto por natureza ao fluxo livre da partilha, adverte dentro de si uma for&ccedil;a de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: &eacute; o ego&iacute;smo, consequ&ecirc;ncia do pecado original. Ad&atilde;o e Eva, seduzidos pela mentira de Satan&aacute;s, colhendo o fruto misterioso contra a vontade divina, substitu&iacute;ram &agrave; l&oacute;gica de confiar no Amor aquela da suspeita e da competi&ccedil;&atilde;o; &agrave; l&oacute;gica do receber, da espera confiante do Outro, aquela ansiosa do agarrar, do fazer sozinho (cfr Gn 3,1-6) experimentando como resultado uma sensa&ccedil;&atilde;o de inquieta&ccedil;&atilde;o e de incerteza. Como pode o homem libertar-se deste impulso ego&iacute;sta e abrir-se ao amor?<\/p>\n<p><em>Justi&ccedil;a e Sedaqah<\/em><\/p>\n<p>No cora&ccedil;&atilde;o da sabedoria de Israel encontramos um la&ccedil;o profundo entre f&eacute; em Deus que &ldquo;levanta do p&oacute; o indigente (Sl 113,7) e justi&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo. A pr&oacute;pria palavra com a qual em hebraico se indica a virtude da justi&ccedil;a, sedaqah, exprime-o bem. De facto sedaqah significa, de um lado a aceita&ccedil;&atilde;o plena da vontade do Deus de Israel; do outro, equidade em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;ximo (cfr Ex 29,12-17), de maneira especial ao pobre, ao estrangeiro, ao &oacute;rf&atilde;o e &agrave; vi&uacute;va (cfr Dt 10,18-19). Mas os dois significados est&atilde;o ligados, porque o dar ao pobre, para o israelita nada mais &eacute; sen&atilde;o a retribui&ccedil;&atilde;o que se deve a Deus, que teve piedade da mis&eacute;ria do seu povo. N&atilde;o &eacute; por acaso que o dom das t&aacute;buas da Lei a Mois&eacute;s, no monte Sinai, se verifica depois da passagem do Mar Vermelho. Isto &eacute;, a escuta da Lei, pressup&otilde;e a f&eacute; no Deus que foi o primeiro a ouvir o lamento do seu povo e desceu para o libertar do poder do Egipto (cfr Ex s,8). Deus est&aacute; atento ao grito do pobre e em resposta pede para ser ouvido: pede justi&ccedil;a para o pobre (cfr Ecli 4,4-5.8-9), o estrangeiro (cfr Ex 22,20), o escravo (cfr Dt 15,12-18). Para entrar na justi&ccedil;a &eacute; portanto necess&aacute;rio sair daquela ilus&atilde;o de auto-sufici&ecirc;ncia, daquele estado profundo de fecho, que &eacute; a pr&oacute;pria origem da injusti&ccedil;a. Por outras palavras, &eacute; necess&aacute;rio um &ldquo;&ecirc;xodo&rdquo; mais profundo do que aquele que Deus efectuou com Mois&eacute;s, uma liberta&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, que a palavra da Lei, sozinha, &eacute; impotente para a realizar. Existe portanto para o homem esperan&ccedil;a de justi&ccedil;a?<\/p>\n<p><em>Cristo, justi&ccedil;a de Deus<\/em><\/p>\n<p>O an&uacute;ncio crist&atilde;o responde positivamente &agrave; sede de justi&ccedil;a do homem, como afirma o ap&oacute;stolo Paulo na Carta aos Romanos: &ldquo; Mas agora, &eacute; sem a lei que est&aacute; manifestada a justi&ccedil;a de Deus&hellip; mediante a f&eacute; em Jesus Cristo, para todos os crentes. De facto n&atilde;o h&aacute; distin&ccedil;&atilde;o, porque todos pecaram e est&atilde;o privados da gl&oacute;ria de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua gra&ccedil;a, por meio da reden&ccedil;&atilde;o que se realiza em Jesus Cristo, que Deus apresentou como v&iacute;tima de propicia&ccedil;&atilde;o pelo Seu pr&oacute;prio sangue, mediante a f&eacute;&rdquo; (3,21-25)<\/p>\n<p>Qual &eacute; portanto a justi&ccedil;a de Cristo? &Eacute; antes de mais a justi&ccedil;a que vem da gra&ccedil;a, onde n&atilde;o &eacute; o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O facto de que a &ldquo;expia&ccedil;&atilde;o&rdquo; se verifique no &ldquo;sangue&rdquo; de Jesus significa que n&atilde;o s&atilde;o os sacrif&iacute;cios do homem a libert&aacute;-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre at&eacute; ao extremo, at&eacute; fazer passar em si &ldquo; a maldi&ccedil;&atilde;o&rdquo; que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a &ldquo;b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o&rdquo; que toca a Deus (cfr Gal 3,13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objec&ccedil;&atilde;o: que justi&ccedil;a existe l&aacute;, onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que toca ao justo? Desta maneira, cada um n&atilde;o recebe o contr&aacute;rio do que &eacute; &ldquo;seu&rdquo;? Na realidade, aqui manifesta-se a justi&ccedil;a divina, profundamente diferente da justi&ccedil;a humana. Deus pagou por n&oacute;s no seu Filho o pre&ccedil;o do resgate, um pre&ccedil;o verdadeiramente exorbitante. Perante a justi&ccedil;a da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele p&otilde;e em evid&ecirc;ncia que o homem n&atilde;o &eacute; um ser aut&aacute;rquico, mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilus&atilde;o da auto-sufici&ecirc;ncia para descobrir e aceitar a pr&oacute;pria indig&ecirc;ncia &ndash; indig&ecirc;ncia dos outros e de Deus, exig&ecirc;ncia do seu perd&atilde;o e da sua amizade.<\/p>\n<p>Compreende-se ent&atilde;o como a f&eacute; n&atilde;o &eacute; um facto natural, c&oacute;modo, &oacute;bvio: &eacute; necess&aacute;rio humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do &ldquo;meu&rdquo;, para me dar gratuitamente o &ldquo;seu&rdquo;. Isto acontece particularmente nos sacramentos da Penit&ecirc;ncia e da Eucaristia. Gra&ccedil;as &agrave; ac&ccedil;&atilde;o de Cristo, n&oacute;s podemos entrar na justi&ccedil;a &ldquo; maior&rdquo;, que &eacute; a do amor (cfr Rom 13,8-10), a justi&ccedil;a de quem se sente em todo o caso sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar.<\/p>\n<p>Precisamente fortalecido por esta experi&ecirc;ncia, o crist&atilde;o &eacute; levado a contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de sociedades justas, onde todos recebem o necess&aacute;rio para viver segundo a pr&oacute;pria dignidade de homem e onde a justi&ccedil;a &eacute; vivificada pelo amor.<\/p>\n<p>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, a Quaresma culmina no Tr&iacute;duo Pascal, no qual tamb&eacute;m este ano celebraremos a justi&ccedil;a divina, que &eacute; plenitude de caridade, de dom, de salva&ccedil;&atilde;o. Que este tempo penitencial seja para cada crist&atilde;o tempo de aut&ecirc;ntica convers&atilde;o e de conhecimento intenso do mist&eacute;rio de Cristo, que veio para realizar a justi&ccedil;a. Com estes sentimentos, a todos concedo de cora&ccedil;&atilde;o, a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.<\/p>\n<p>Vaticano, 30 de Outubro de 2009<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>BENEDICTUS PP. XVI<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A justi&ccedil;a de Deus est&aacute; manifestada mediante a f&eacute; em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21&ndash;22) Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s, Todos os anos, por ocasi&atilde;o da Quaresma, a Igreja convida-nos a uma revis&atilde;o sincera da nossa vida &agrave; luz dos ensinamentos evang&eacute;licos. 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