{"id":43319,"date":"2010-02-02T12:24:33","date_gmt":"2010-02-02T12:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/02\/rua-da-republica\/"},"modified":"2010-02-02T12:24:33","modified_gmt":"2010-02-02T12:24:33","slug":"rua-da-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/rua-da-republica\/","title":{"rendered":"Rua da Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Muitos evocaram as li\u00e7\u00f5es desoladoras da primeira Rep\u00fablica, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 muitos traumas clericais lembrados apenas de bens e privil\u00e9gios perdidos  <!--more--> <\/p>\n<p>A Rep&uacute;blica desceu &agrave; rua. Ou todas as cr&oacute;nicas do reino v&atilde;o dar &agrave; Rua da Rep&uacute;blica. J&aacute; compreendemos que n&atilde;o falta quem dela se apodere para dizer tudo o que j&aacute; pensava. J&aacute; n&atilde;o me lembro bem dos que mal se lembravam daquele 5 de Outubro de 1910 &#8211; como muitos, hoje, do 25 de Abril t&ecirc;m uma imagem t&eacute;nue. Lembro-me dum velhote que dizia n&atilde;o se tratar de nenhum regime mas apenas de uma forma de estarem contra a monarquia, a Igreja e a tradi&ccedil;&atilde;o. Havia manifestos, pasquins, com&iacute;cios. Factos houve, como as comemora&ccedil;&otilde;es da morte de Cam&otilde;es e o ultimato ingl&ecirc;s, que foram aquecendo os &acirc;nimos para a estocada final na monarquia. Que, tamb&eacute;m se acrescenta, andava de p&eacute;ssima sa&uacute;de e deixou saudades a muito poucos. S&atilde;o as turbul&ecirc;ncias da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>A Rep&uacute;blica, um facto, muitas leituras. Mas um acontecimento que marcou a nossa hist&oacute;ria do s&eacute;culo XX e n&atilde;o nos &eacute; indiferente cem anos depois. D&aacute;-se agora uma esp&eacute;cie de correria para cada corrente de leitura chegar primeiro &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o ortodoxa que defender&aacute; como &uacute;nica e definitiva. Muitas vezes trabalhando a hist&oacute;ria &agrave; sua maneira e encaixando-a na ideologia j&aacute; instalada. Assim, n&atilde;o haver&aacute; interpreta&ccedil;&atilde;o dos factos, mas o seu tratamento voltado para uma direc&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-definida. Distorcida e estreita.<\/p>\n<p>Do todo, algumas notas ir&atilde;o marcar as comemora&ccedil;&otilde;es com alguns slogans que j&aacute; est&atilde;o, em trova, no vento: a l&iacute;dima rep&uacute;blica contra a obscura monarquia; a revolta contra o conformismo do irremedi&aacute;vel; o laicismo iluminado contra a Igreja retr&oacute;grada, a liberdade contra todas as opress&otilde;es. E muitos ficar&atilde;o por aqui, esquecendo atrocidades e roubos que em nome da liberdade se fizeram, os erros pol&iacute;ticos, de palmat&oacute;ria que levaram o pa&iacute;s a cair benignamente nos bra&ccedil;os do 28 de Maio.<\/p>\n<p>Mas a hist&oacute;ria n&atilde;o se faz sem sobressaltos. E importa por isso descobrir as mudan&ccedil;as radicais que, a bem ou a mal, se introduziram no nosso pa&iacute;s. Dir&iacute;amos hoje simplesmente: uma estrondosa mudan&ccedil;a cultural. Nos p&oacute;s 25 de Abril muitos evocaram as li&ccedil;&otilde;es desoladoras da primeira Rep&uacute;blica, nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja. Mas tamb&eacute;m h&aacute; muitos traumas clericais lembrados apenas de bens e privil&eacute;gios perdidos. Urge por isso uma grande humildade e liberdade para ler correctamente a hist&oacute;ria. E com ela sempre aprender.<\/p>\n<p>E actualizar uma li&ccedil;&atilde;o para todos n&oacute;s, cidad&atilde;os, profissionais da pol&iacute;tica, governantes e governados deste dec&eacute;nio: o momento que vivemos, nem mon&aacute;rquico nem republicano, &eacute; de alguma ansiedade face a muitos riscos que nos amea&ccedil;am perante a Europa, o mundo e n&oacute;s pr&oacute;prios. O espect&aacute;culo do or&ccedil;amento de Estado, e da previs&iacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o da economia d&atilde;o-nos a imagem dos caminhos tortuosos que temos a percorrer. T&atilde;o complexos como os tempos que se seguiram &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica e ao 25 de Abril, com tantos escolhos na &aacute;rea social, pedag&oacute;gica, familiar, institucional, religiosa, em clima de inseguran&ccedil;a, desemprego, com n&uacute;meros &iacute;nfimos de crescimento econ&oacute;mico, e a certeza triste duma crise que &#8211; ter&aacute; fim &#8211; mas deixar&aacute; pelo caminho muitas v&iacute;timas entre as quais os pr&oacute;prios construtores do futuro que s&atilde;o os jovens.<\/p>\n<p>&Eacute; bom celebrar a hist&oacute;ria. Desde que se procure compreend&ecirc;-la e aprender as li&ccedil;&otilde;es que nos deixa. Seria muito bom celebrar a Rep&uacute;blica de forma a mobilizar-nos com mais uma dura li&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Rego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos evocaram as li\u00e7\u00f5es desoladoras da primeira Rep\u00fablica, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja. 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