{"id":433151,"date":"2026-07-03T15:30:04","date_gmt":"2026-07-03T14:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=433151"},"modified":"2026-07-03T15:30:57","modified_gmt":"2026-07-03T14:30:57","slug":"lusofonias-diogo-jota-e-andre-um-ano-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-diogo-jota-e-andre-um-ano-depois\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Diogo Jota e Andr\u00e9, um ano depois\u2026"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-433152 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Lusofonia-Diogo-Jota3-7-26.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi h\u00e1 um ano, neste 3 de julho. Estava eu em Paris numa reuni\u00e3o mundial dos Espiritanos quando os colegas me come\u00e7am a informar que o Diogo Jota, do Liverpool, morreu. Eu sorrio &#8211; perante o que considerava ser ignor\u00e2ncia deles \u2013 e explico-lhes que n\u00e3o: \u2018o Diogo casou na Igreja!\u2019. Mas, a insist\u00eancia de outros levou-me \u00e0 internet onde a dram\u00e1tica not\u00edcia estava j\u00e1 em todas as redes: o Diogo e o Andr\u00e9 foram v\u00edtimas de um brutal acidente rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Foi neste ambiente internacional \u2013 a minha Fam\u00edlia Mission\u00e1ria est\u00e1 em 62 pa\u00edses dos cinco Continentes \u2013 que percebi quanto o Diogo era conhecido e respeitado. Foi tamb\u00e9m nessas horas que partilhei o drama das esposas, dos pais, av\u00f3s, outros familiares, colegas de profiss\u00e3o e numerosos amigos.<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 demais relembrar que o pai e av\u00f3s paternos do Diogo e do Andr\u00e9 nasceram e cresceram na minha rua: a Rua de S. Ov\u00eddio. Os av\u00f3s e outros familiares ainda ali vivem. Por isso, o choque destas mortes foi ainda mais sentido, mais brutal, pondo toda a nossa aldeia de Jancido em estado de choque.<\/p>\n<p>Quando regressei a Portugal, marcamos uma Missa de M\u00eas, na Capela de Jancido. O Grupo Coral preparou uma celebra\u00e7\u00e3o muito vivida e eu pr\u00f3prio fiquei impressionado com o ambiente criado dentro e fora das quatro paredes desta grande Igreja, tal a multid\u00e3o que ali se congregou. Nos bancos da frente, pod\u00edamos ver os rostos doridos e molhados das vi\u00favas, pais, av\u00f3s e outras pessoas muito pr\u00f3ximas da fam\u00edlia. Foi um grande momento celebrativo que, espero, tamb\u00e9m tenha servido de consolo espiritual para esta fam\u00edlia t\u00e3o dramaticamente marcada pela partida precoce destes dois irm\u00e3os, \u00fanicos filhos da Isabel e do Quim Z\u00e9. Falamos no fim da Missa e fomos trocando, todas as semanas, mensagens nas redes.<\/p>\n<p>Os media e as redes sociais n\u00e3o pararam de mostrar ao mundo estes dois jovens. Na nossa aldeia de Jancido, publicaram-se fotos com o Diogo e o Andr\u00e9 a acompanhar o pai em treinos e jogos do Sousense, clube onde toda a fam\u00edlia \u2013 desde o tempo do av\u00f4 &#8211; jogou. As festas da aldeia \u2013 o S. Ov\u00eddio \u2013 foram em mem\u00f3ria e honra destes manos t\u00e3o violentamente desaparecidos.<\/p>\n<p>O tempo foi passando, multiplicaram-se homenagens em Portugal e na Inglaterra, salientando-se a riqueza humana destes manos que, desde muito cedo, apostaram todo o seu futuro no futebol.<\/p>\n<p>O mundo inteiro prestou-lhes homenagem no Mundial de Futebol, com a presen\u00e7a destes pais no Portugal \u2013 R. D. Congo, jogo de inaugura\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a portuguesa, em Houston, nos EUA. Alguns dias mais tarde, encontrei o Quim Z\u00e9 num funeral na nossa aldeia natal e l\u00e1 fomos falando das homenagens aos filhos que n\u00e3o pagam a dor das suas partidas t\u00e3o violentas como prematuras.<\/p>\n<p>Muito se disse e escreveu, publicaram-se reportagens sem conta, a sele\u00e7\u00e3o nacional de futebol usou uma pulseira em sua homenagem\u2026 mas o que mais me sensibilizou foi o livro coordenado pelo Jos\u00e9 Manuel Delgado sobre o Diogo (e o Andr\u00e9), recentemente dado \u00e0 estampa, com o estatuto de biografia oficial.<\/p>\n<p>Ofereceram-me e li-o num f\u00f4lego, aproveitando a longa viagem Lisboa \u2013 Luanda \u2013 Maputo. O tema foi assunto de conversas com os meus colegas mission\u00e1rios, origin\u00e1rios de muitos pa\u00edses, desde a Fran\u00e7a, \u00e0 Rep. Democr\u00e1tica do Congo, de Angola \u00e0 Irlanda, de Mo\u00e7ambique \u00e0 Tanz\u00e2nia, da Fran\u00e7a \u00e0 Z\u00e2mbia, da Nig\u00e9ria a Portugal\u2026 todos conheciam e admiravam o Diogo e todos ficaram chocados com a morte dele e do Andr\u00e9. \u00a0No Pref\u00e1cio, Pedro Proen\u00e7a (Presidente da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Futebol) explica tudo: \u2018a despedida foi dura para a fam\u00edlia, para os amigos, para os colegas, para os clubes e para os seus adeptos\u2026 para a sua terra natal e para os locais onde viviam\u2026para Portugal\u2019 (p.7).<\/p>\n<p>Diogo e Andr\u00e9 eram dois jovens de sucesso, cujas vidas foram ceifadas em segundos. Deles ficam a capacidade de lutar e p\u00f4r a render os talentos que Deus lhes deu. Est\u00e3o nos bra\u00e7os de Deus em quem acreditavam, no colo da M\u00e3e de F\u00e1tima onde sempre peregrinavam e rezavam.<\/p>\n<p>Que Deus os abrace e console os pais, vi\u00favas, filhos, av\u00f3s e restantes familiares e amigos que v\u00e3o, pela vida fora, transportar nos cora\u00e7\u00f5es este duplo sentimento: a dor da tr\u00e1gica partida mas \u2013 e sobretudo \u2013 a gratid\u00e3o pela humanidade destes jovens cujos talentos foram postos a render.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Matola &#8211; Maputo<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":401851,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-433151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/433151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=433151"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/433151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":433156,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/433151\/revisions\/433156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/401851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=433151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=433151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=433151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}