{"id":43289,"date":"2010-02-01T11:07:53","date_gmt":"2010-02-01T11:07:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/02\/01\/conclusoes-do-seminario-pobre-apesar-do-trabalho\/"},"modified":"2010-02-01T11:07:53","modified_gmt":"2010-02-01T11:07:53","slug":"conclusoes-do-seminario-pobre-apesar-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-seminario-pobre-apesar-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do Semin\u00e1rio \u00abPobre apesar do Trabalho\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Na sociedade tenta-se passar a imagem de que os trabalhadores s&atilde;o os principais respons&aacute;veis do n&atilde;o progresso das empresas, quando na verdade s&atilde;o aqueles que criam riqueza; mas, com aquele argumento, os detentores do poder econ&oacute;mico encontram uma forte justifica&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o reconhecer os direitos dos mesmos trabalhadores, &#8211; esta uma das conclus&otilde;es apontadas no Semin&aacute;rio Europeu promovido pela LOC\/MTC em Guimar&atilde;es, entre os dias 28 e 31 de Janeiro de 2010, teve representantes de Movimentos cong&eacute;neres de Espanha (HOAC), Fran&ccedil;a (ACO), Alemanha (KAB) e Rep&uacute;blica Checa (KAP), da Pastoral Oper&aacute;ria e da Base Fut.<\/p>\n<p>O presidente da C&acirc;mara de Guimar&atilde;es, presente na sess&atilde;o de abertura, exp&ocirc;s aos presentes um retrato econ&oacute;mico e social muito elucidativo desta regi&atilde;o. Palavras de algu&eacute;m consciente da realidade mas tamb&eacute;m comprometido na procura de solu&ccedil;&otilde;es. Este Semin&aacute;rio contou com algum apoio log&iacute;stico desta C&acirc;mara.<\/p>\n<p>Realizado sob a tem&aacute;tica: &ldquo;Pobre apesar do Trabalho&rdquo;, os participantes conclu&iacute;ram que ter um emprego j&aacute; n&atilde;o &eacute; garantia de aus&ecirc;ncia de pobreza, dados os sal&aacute;rios irris&oacute;rios e prec&aacute;ros de muitos trabalhadores em contraste com os ordenados e pr&eacute;mios chorudos e vergonhosos de directores gerais e administradores de grandes empresas.<\/p>\n<p>A fronteira entre a precariedade laboral e a exclus&atilde;o social tornou-se muito t&eacute;nue, parecendo, em muitos casos a mesma coisa, quando n&atilde;o &eacute; ainda mais exclus&atilde;o do que precariedade. Existem pa&iacute;ses europeus onde os trabalhadores t&ecirc;m sal&aacute;rios t&atilde;o baixos que necessitam ainda de um subs&iacute;dio suplementar do Estado para poderem sobreviver.<\/p>\n<p>O tema &ldquo;trabalho&rdquo; tem determinado, em grande medida, o actual debate pol&iacute;tico e social na Europa. Os participantes neste Semin&aacute;rio reafirmam que &ldquo;o trabalho n&atilde;o pode ser visto como um privil&eacute;gio mas como um direito&rdquo; e concretizam:<\/p>\n<p><strong>VER:<\/strong><\/p>\n<p>A riqueza produzida n&atilde;o tem revertido a favor dos mais pobres. &Eacute; de salientar o progressivo aumento dos postos de trabalho mal remunerados, obrigando os trabalhadores a redimensionar os seus gastos, onde se destacam os cortes radicais na alimenta&ccedil;&atilde;o e na sa&uacute;de, nomeadamente das crian&ccedil;as, pondo em causa a sua sobreviv&ecirc;ncia. Com a falta de rendimentos compat&iacute;veis com uma vida familiar condigna, esta situa&ccedil;&atilde;o leva &agrave; sua desestrutura&ccedil;&atilde;o, atingindo consequ&ecirc;ncias de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o, como o endividamento e a perda de habita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em vez de vivermos numa Europa Social, como definiu a Estrat&eacute;gia de Lisboa, vivemos numa Europa cada vez mais prec&aacute;ria, onde tudo se volta contra os direitos dos trabalhadores: sal&aacute;rios baixos, idade da reforma prolongada, aumento assustador do desemprego, legisla&ccedil;&atilde;o laboral prejudicial e o prolongamento dos tempos de trabalho n&atilde;o remunerados. Acresce ainda, a perda do poder reivindicativo das organiza&ccedil;&otilde;es sindicais que representam os sectores mais desfavorecidos do trabalho (t&ecirc;xteis, metal&uacute;rgicos, constru&ccedil;&atilde;o civil, com&eacute;rcio, entre outros&hellip;)<\/p>\n<p><strong>JULGAR:<\/strong><\/p>\n<p>Como Movimentos de Trabalhadores Crist&atilde;os, reafirmamos que o homem e a mulher trabalhadores s&atilde;o seres criados por Deus, com primazia sobre tudo o que existe no mundo. Maltrat&aacute;-los, subjug&aacute;-los &agrave; lei do mais forte e impedi-los de viver uma vida digna e justa &eacute; atentar contra a Obra da Cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o dar possibilidade ao trabalhador de poder escolher o seu trabalho; obrig&aacute;-lo a deslocar-se dentro e fora do pa&iacute;s; a ter mais que um trabalho para completar o sal&aacute;rio que n&atilde;o chega para viver; a ficar ausente da sua fam&iacute;lia por largas temporadas; a aceitar tudo o que lhe &eacute; imposto com medo de perder o trabalho, tornou-se numa pervers&atilde;o permanente do ser humano.<\/p>\n<p>Qualquer modelo de trabalho deve permitir o desenvolvimento humano em todas as dimens&otilde;es e, de uma forma particular, a cultural e espiritual. Ao contratar um trabalhador deve ser tido em conta que este, como ser humano, n&atilde;o tem unicamente um tempo produtivo, mas tamb&eacute;m tem um tempo para a fam&iacute;lia, para a ocupa&ccedil;&atilde;o dos tempos livres, para a vida social, cultural, espiritual e pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>O Semin&aacute;rio concluiu que, a sociedade em que vivemos carece de humanismo e justi&ccedil;a, porque n&atilde;o consegue eliminar a pobreza que &eacute; fonte de exclus&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>AGIR:<\/strong><\/p>\n<p>Para atingir o objectivo de acabar com a pobreza daqueles que trabalham ou est&atilde;o desempregados, torna-se necess&aacute;rio introduzir um novo conceito de trabalho e investir na &ldquo;Inova&ccedil;&atilde;o Social&rdquo; que permita uma melhor distribui&ccedil;&atilde;o e contribua para que mais pessoas tenham acesso a este direito. S&oacute; com a aposta em novas pol&iacute;ticas e investimentos em sectores como: social, ambiental e tecnol&oacute;gico &eacute; poss&iacute;vel criar mais postos de trabalho e assim contribuir para fazer diminuir o grande n&uacute;mero de desempregados. <strong><\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o os sal&aacute;rios baixos que resolvem o problema do desemprego e da pobreza. S&oacute; com uma pol&iacute;tica de justas remunera&ccedil;&otilde;es se impedir&aacute; de o trabalhador continuar a viver na pobreza.<\/p>\n<p>Os empres&aacute;rios e trabalhadores, atrav&eacute;s das suas organiza&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m s&atilde;o chamados a dar o seu contributo nesta nova din&acirc;mica de cria&ccedil;&atilde;o de emprego. Acreditamos que todos t&ecirc;m uma palavra a dizer. Mais do que criticar &eacute; necess&aacute;rio apontar caminhos e empenharmo-nos na sua concretiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Este semin&aacute;rio foi promovido e organizado pela LOC\/MTC, em colabora&ccedil;&atilde;o com o KAB da Alemanha e contou com o apoio financeiro do EZA &#8211; Centro Europeu para os Assuntos dos Trabalhadores e pela EU &#8211; Uni&atilde;o Europeia.<\/p>\n<p>Guimar&atilde;es 31 de Janeiro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\">&nbsp;Equipa Nacional da LOC\/MTC<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sociedade tenta-se passar a imagem de que os trabalhadores s&atilde;o os principais respons&aacute;veis do n&atilde;o progresso das empresas, quando na verdade s&atilde;o aqueles que criam riqueza; mas, com aquele argumento, os detentores do poder econ&oacute;mico encontram uma forte justifica&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o reconhecer os direitos dos mesmos trabalhadores, &#8211; esta uma das conclus&otilde;es apontadas no 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