{"id":432152,"date":"2026-06-26T10:59:06","date_gmt":"2026-06-26T09:59:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=432152"},"modified":"2026-06-26T11:01:41","modified_gmt":"2026-06-26T10:01:41","slug":"precisamos-de-ajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/precisamos-de-ajuda\/","title":{"rendered":"\u201cPrecisamos de ajuda\u2026\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Ofensiva terrorista leva \u00e0 fuga de centenas em Isiro, no norte da RD Congo<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Mission\u00e1rios Combonianos presentes no norte da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, denunciam uma ofensiva terrorista na prov\u00edncia do Alto Uele desde o final do m\u00eas de Maio, com centenas de pessoas em fuga que est\u00e3o a ser acolhidas em miss\u00f5es cat\u00f3licas. Muitas povoa\u00e7\u00f5es ficaram praticamente sem ningu\u00e9m. \u201cOs guerrilheiros quando chegam \u00e0s aldeias desertas, queimam as casas e as lojas e se encontram algu\u00e9m que se recusou a fugir, matam-no\u201d, descreve o Padre Claudino Gomes \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/em><\/p>\n<p>Tr\u00eas Mission\u00e1rios Combonianos presentes na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo denunciam \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS uma ofensiva terrorista no norte deste pa\u00eds, na prov\u00edncia do Alto Uele. Segundo o Padre Claudino Gomes, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente grave, com a fuga de centenas de pessoas que fugiram essencialmente para a cidade de Isiro, a capital da prov\u00edncia, face ao avan\u00e7o dos grupos armados. A cidade, descreve o sacerdote portugu\u00eas, \u201cfoi despertada pela chegada em massa de deslocados\u201d. Segundo o mission\u00e1rio, \u201ca onda ruidosa\u201d de pessoas atravessou \u201cdezenas e dezenas de aldeias pela floresta\u201d, algumas a cerca de 125 quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, em busca de abrigo em Isiro. Todos foram apanhados de surpresa, acrescenta o Mission\u00e1rio Comboniano, pois julgava-se que a guerra estaria confinada \u00e0s regi\u00f5es leste e nordeste do pa\u00eds, \u00e0s prov\u00edncias do Kivu Norte e Kivu Sul, mas n\u00e3o chegaria ao norte. \u201cA estrat\u00e9gia da guerrilha p\u00f5e a nu a desorganiza\u00e7\u00e3o e as fraquezas das for\u00e7as do governo\u201d, afirma o Padre Claudino. A chegada de tantos deslocados deu origem a um \u201cadmir\u00e1vel impulso de acolhimento\u201d por parte das fam\u00edlias de Isiro, descreve o mission\u00e1rio. Houve fam\u00edlias que acolheram 10, 15, e at\u00e9 20 pessoas. Tamb\u00e9m as autoridades se mobilizaram abrindo estruturas de apoio, nomeadamente o complexo escolar de Ntumba, mas tudo se revelou insuficiente. Nesta crise humanit\u00e1ria provocada pelo avan\u00e7o terrorista, a Igreja acaba por desempenhar um papel essencial. \u201cOs deslocados tamb\u00e9m foram acolhidos em conventos e par\u00f3quias cat\u00f3licas e protestantes em Isiro\u201d, esclarece o mission\u00e1rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Dar arroz e feij\u00e3o e escutar os desabafos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa par\u00f3quia cat\u00f3lica de Santa Ana, onde trabalho, prestamos ajuda a dois n\u00edveis: no acolhimento e no apoio \u00e0s fam\u00edlias que abriram os seus cora\u00e7\u00f5es e portas \u00e0queles que, partindo \u00e0 pressa, chegaram quase sem nada. Actualmente acolhemos 140 pessoas na nossa casa e apoiamos 40 fam\u00edlias com arroz e feij\u00e3o\u201d, esclarece. O esfor\u00e7o da comunidade religiosa estende-se a todos, tamb\u00e9m aos que est\u00e3o alojados no centro escolar de Ntumba. A\u00ed, os mission\u00e1rios t\u00eam levado alimentos, sab\u00e3o e coisas \u00fateis, como cordas para secar a roupa, que de outra forma seria estendida no ch\u00e3o. \u201cPraticamente todos os cat\u00f3licos das 40 comunidades espalhadas pela floresta e savana est\u00e3o em Isiro. Assim, \u00e9 natural que lhes prestemos todo o tipo de apoio\u201d, descreve o sacerdote. Apoio que passa pelo atendimento aos deslocados, escutando-lhes os desabafos, dando os sacramentos, auxiliando no acolhimento e prestando assist\u00eancia m\u00e9dica. \u201cPara as crian\u00e7as, h\u00e1 futebol, catequese e ora\u00e7\u00e3o\u201d, diz ainda. \u201cA Par\u00f3quia de Santa Ana \u00e9 a m\u00e3e espiritual da maioria dos deslocados\u201d, sintetiza.<\/p>\n<p><strong>\u201cTodo o gado foi perdido, as casas incendiadas\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Por todo o lado h\u00e1 sinais da viol\u00eancia terrorista. \u201cEm Elimba, a comunidade mais distante da par\u00f3quia, os terroristas acabaram de matar v\u00e1rias pessoas que se dedicavam \u00e0 prospe\u00e7\u00e3o artesanal de ouro\u201d, descreve o Padre Claudino Gomes. \u201cA grande aldeia de Ndubala tamb\u00e9m foi palco de viol\u00eancia e morte\u201d, acrescenta. Na missiva enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS, o mission\u00e1rio descreve um ambiente de medo e de enorme incerteza. \u201cTodos se perguntam quanto tempo vai durar esta viol\u00eancia\u201d, diz, explicando que come\u00e7a j\u00e1 a haver a amea\u00e7a de fome entre as popula\u00e7\u00f5es locais. \u201cA fr\u00e1gil economia das fam\u00edlias desmoronou-se. Os campos repletos de feij\u00e3o e amendoim, prontos para a colheita, para depois receberem a sementeira de arroz, foram abandonados. Todo o gado foi perdido, as casas incendiadas\u2026 tudo se esfumou\u201d, descreve. \u201cO espectro da fome j\u00e1 se sente, amea\u00e7ador. Precisamos urgentemente de ajuda, para que a fome e as doen\u00e7as n\u00e3o tornem ainda mais sombria a vida destes irm\u00e3os e irm\u00e3s\u201d, conclui. Relatos semelhantes foram recebidos pela Funda\u00e7\u00e3o AIS por outros mission\u00e1rios presentes na regi\u00e3o. O Padre Bienvenu Clemy, tamb\u00e9m Mission\u00e1rio Comboniano, p\u00e1roco em Nossa Senhora dos Aflitos, em Mungbere, descreve tamb\u00e9m um ambiente marcado pelo medo e incerteza. \u201cMungbere \u00e9 uma pequena cidade na prov\u00edncia de Alto Uele. Sempre foi uma cidade pac\u00edfica, mais conhecida por causa da sua esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. No entanto, h\u00e1 cerca de um m\u00eas que estamos a enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil devido \u00e0 inseguran\u00e7a, devido aos combates entre as for\u00e7as armadas e os rebeldes\u201d, explica o sacerdote.<\/p>\n<p><strong>\u201cO problema \u00e9 como alimentar estas pessoas\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAs pessoas fugiram e n\u00f3s, como comunidade, decidimos permanecer com os mais pobres, porque temos aqui algumas pessoas que n\u00e3o t\u00eam fam\u00edlia e fic\u00e1mos com elas. Mas o principal problema \u00e9 como alimentar estas pessoas, porque agora n\u00e3o podem ir ao mato tratar da agricultura. O principal problema \u00e9 como alimentar todas estas pessoas. Estamos a tentar gerir [a situa\u00e7\u00e3o], a dar o que temos, o nosso tempo, a nossa partilha, a nossa esperan\u00e7a e todos rezamos para que a situa\u00e7\u00e3o volte a estabilizar\u201d, diz o Mission\u00e1rio Comboniano numa mensagem v\u00eddeo enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS. Tamb\u00e9m o padre Marcelo Oliveira alerta para a situa\u00e7\u00e3o grave no norte do pa\u00eds. Apesar de estar em Kinshasa, a capital, este Mission\u00e1rio Comboniano, tamb\u00e9m portugu\u00eas, como o Padre Claudino, descreve um ambiente de medo e de profunda inseguran\u00e7a na prov\u00edncia de Alto Uele. \u201cNeste momento, entrou nesta regi\u00e3o um grupo de rebeldes, que ainda n\u00e3o conseguimos identificar, que continua a semear o terror nas popula\u00e7\u00f5es\u201d, diz, em mensagem \u00e1udio enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa. \u201cQuantidades imensas de pessoas abandonaram as suas pr\u00f3prias casas, abandonaram as aldeias para se poderem refugiar nas par\u00f3quias vizinhas. Actualmente, temos em Mungbere e em Isiro pessoas que deixaram tudo o que tinham para salvar as suas vidas\u201d, denuncia na referida mensagem.<\/p>\n<p><strong>\u201cDeus n\u00e3o abandona o seu povo\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas comunidades combonianas, duas s\u00e3o par\u00f3quias. Todas elas, esclarece Marcelo Oliveira, \u201cs\u00e3o locais de ref\u00fagio, onde todas estas pessoas continuam a afluir em grandes quantidades e onde nos encontramos diante de um problema humanit\u00e1rio, uma urg\u00eancia humanit\u00e1ria para a qual \u00e9 necess\u00e1ria uma interven\u00e7\u00e3o urgente\u201d, alerta. Apesar de o governo estar a \u201cfazer alguma coisa\u201d, a verdade, diz ainda o Padre Marcelo, \u00e9 que a actua\u00e7\u00e3o das autoridades \u201c\u00e9 sempre ineficaz\u201d. Por isso, diz tamb\u00e9m, \u201ctudo aquilo que podermos conseguir para ajudar estas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 sempre bem-vindo\u201d. O Padre Marcelo Oliveira deixa um apelo concreto \u201c\u00e0 solidariedade para com estes povos\u201d, lembrando as enormes dificuldades que os mission\u00e1rios enfrentam ao socorrer tantas pessoas em necessidade. Mission\u00e1rios que, mesmo nos momentos mais duros, mais dif\u00edceis ou mais arriscados, continuam presentes. \u201cDeus n\u00e3o abandona o seu povo, mas caminha com ele. Por isso, n\u00f3s, mission\u00e1rios, continuamos a acompanhar o povo mesmo na persegui\u00e7\u00e3o, mesmo no sofrimento, mesmo diante da falta de meios, mas ficamos com o povo. Somos sinais vivos da presen\u00e7a de Deus\u201d, diz a concluir.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ofensiva terrorista leva \u00e0 fuga de centenas em Isiro, no norte da RD Congo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-432152","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=432152"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":432159,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432152\/revisions\/432159"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=432152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=432152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=432152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}