{"id":43200,"date":"2010-01-31T11:42:49","date_gmt":"2010-01-31T11:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/31\/republica-comemorar-a-pensar-no-futuro\/"},"modified":"2010-01-31T11:42:49","modified_gmt":"2010-01-31T11:42:49","slug":"republica-comemorar-a-pensar-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/republica-comemorar-a-pensar-no-futuro\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica: comemorar a pensar no futuro"},"content":{"rendered":"<p>O regime republicano completa um s&eacute;culo em Portugal. Atravessou per&iacute;odos dif&iacute;ceis e no entanto sobreviveu. Nem Salazar o eliminou. Justifica-se, por isso, celebrar cem anos de Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p>Mas, celebrar como? Certamente n&atilde;o evocando o passado com esp&iacute;rito saudosista ou propagand&iacute;stico. Estudar a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica e os anos que se lhe seguiram &eacute; importante. Mas numa perspectiva cr&iacute;tica e plural e, sobretudo, aprendendo as li&ccedil;&otilde;es do passado para prepararmos um futuro melhor.<\/p>\n<p><strong>Conflito religioso<\/strong><\/p>\n<p>O que, ali&aacute;s, j&aacute; aconteceu no caso do conflito entre os dirigentes republicanos e a Igreja Cat&oacute;lica. A Lei de Separa&ccedil;&atilde;o do Estado e das Igrejas, de 1911, at&eacute; parecia corresponder a um princ&iacute;pio hoje plenamente acolhido pelos cat&oacute;licos: Estado e Igreja movem-se em diferentes esferas aut&oacute;nomas, devendo colaborar para bem da sociedade mas n&atilde;o interferir na esfera alheia. &ldquo;A Deus o que &eacute; de Deus, a C&eacute;sar o que &eacute; de C&eacute;sar&#8230;&rdquo;.<\/p>\n<p>Aconteceu, por&eacute;m, que aquela lei de 1911 n&atilde;o era propriamente de separa&ccedil;&atilde;o, antes pretendia subordinar a Igreja ao poder do Estado. Curioso foi que padres, bispos e leigos reagiram com determina&ccedil;&atilde;o contra tal sujei&ccedil;&atilde;o. Reac&ccedil;&atilde;o porventura inesperada da parte de uma Igreja portuguesa que tinha vivido com fraca autonomia e dependente do Estado na monarquia constitucional, quando o catolicismo era a religi&atilde;o oficial do pa&iacute;s. Como mostra o P. Doutor Jo&atilde;o Seabra, a verdadeira separa&ccedil;&atilde;o Igreja\/Estado ficou a dever-se a essa recusa dos cat&oacute;licos a subordinarem-se ao poder pol&iacute;tico em assuntos religiosos.<\/p>\n<p>O afrontamento com os cat&oacute;licos foi altamente negativo para a I Rep&uacute;blica. Da&iacute; o cuidado dos l&iacute;deres democr&aacute;ticos, como o Dr. M&aacute;rio Soares, em n&atilde;o reacender conflitos com a Igreja ap&oacute;s o 25 de Abril. Uma Igreja j&aacute; p&oacute;s-conciliar, aberta aos valores da democracia, com a qual o di&aacute;logo se tornou f&aacute;cil.<\/p>\n<p>Sinal de que o relacionamento da Igreja com a Rep&uacute;blica &eacute; hoje bem diferente do que era h&aacute; um s&eacute;culo encontramo-lo, por exemplo, na activa e construtiva participa&ccedil;&atilde;o do Senhor D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, na Comiss&atilde;o Consultiva das Comemora&ccedil;&otilde;es do Centen&aacute;rio da Rep&uacute;blica. Ou na organiza&ccedil;&atilde;o pela Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa de v&aacute;rias iniciativas apoiadas pela Comiss&atilde;o do Centen&aacute;rio.<\/p>\n<p>Mas se as rela&ccedil;&otilde;es entre o Estado e as religi&otilde;es j&aacute; n&atilde;o representam um problema espinhoso em Portugal, o mesmo j&aacute; n&atilde;o acontece com o Islamismo, seja v&aacute;rios pa&iacute;ses europeus, seja em pa&iacute;ses isl&acirc;micos onde n&atilde;o existe verdadeira liberdade religiosa. Por isso a quest&atilde;o da laicidade do Estado &eacute; muito actual e ser&aacute; um dos temas a abordar neste Centen&aacute;rio &ndash; partindo do passado para perspectivar o futuro.<\/p>\n<p><strong>Quest&otilde;es de cidadania<\/strong><\/p>\n<p>A mesma l&oacute;gica se aplica &agrave;s quest&otilde;es de cidadania. Pelo menos nas inten&ccedil;&otilde;es, o regime republicano visava estimular a cidadania dos portugueses. Ora as democracias actuais debatem-se com um problema de representatividade: os cidad&atilde;os sentem-se pouco representados pelos pol&iacute;ticos e afastam-se da actividade c&iacute;vica e pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Conv&eacute;m lembrar que a corrente dita de republicanismo c&iacute;vico, nos Estados Unidos, se interessa prioritariamente pela participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os na esfera pol&iacute;tica. A&iacute; est&aacute; mais um tema que as comemora&ccedil;&otilde;es do Centen&aacute;rio de Rep&uacute;blica v&atilde;o permitir aprofundar.<\/p>\n<p>E h&aacute; valores caracter&iacute;sticos dos republicanos fundadores do regime que importa n&atilde;o apenas lembrar como actualizar no que t&ecirc;m de v&aacute;lido para os tempos actuais. Um exemplo: na sua esmagadora maioria, os pol&iacute;ticos da I Rep&uacute;blica sa&iacute;ram dos seus cargos mais pobres do que tinham entrado. Poderemos dizer o mesmo dos pol&iacute;ticos de hoje?<\/p>\n<p>Claro que as comemora&ccedil;&otilde;es que oficialmente come&ccedil;am no dia 31 de Janeiro no Porto n&atilde;o ter&atilde;o apenas a dimens&atilde;o do debate de ideias. Haver&aacute; in&uacute;meras manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, desportivas (os Jogos do Centen&aacute;rio), recreativas, populares, etc. O mais importante, por&eacute;m, &eacute; que a grande maioria das cerca de 600 iniciativas agora previstas no programa das comemora&ccedil;&otilde;es partiu da sociedade civil. &Eacute; um sinal de esperan&ccedil;a numa democracia mais participada e melhor, afinal o grande objectivo destas comemora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista, Vogal n&atilde;o executivo da Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es do Centen&aacute;rio da Rep&uacute;blica<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O regime republicano completa um s&eacute;culo em Portugal. Atravessou per&iacute;odos dif&iacute;ceis e no entanto sobreviveu. Nem Salazar o eliminou. Justifica-se, por isso, celebrar cem anos de Rep&uacute;blica. Mas, celebrar como? 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