{"id":43173,"date":"2010-01-24T16:26:20","date_gmt":"2010-01-24T16:26:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/24\/conferencia-do-cardeal-patriarca-no-forum-pensar-a-escola-preparar-o-futuro\/"},"modified":"2010-01-24T16:26:20","modified_gmt":"2010-01-24T16:26:20","slug":"conferencia-do-cardeal-patriarca-no-forum-pensar-a-escola-preparar-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-do-cardeal-patriarca-no-forum-pensar-a-escola-preparar-o-futuro\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia do Cardeal-Patriarca no F\u00f3rum \u201cPensar a Escola, preparar o futuro\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Escola tem futuro? A din&acirc;mica da esperan&ccedil;a&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A organiza&ccedil;&atilde;o deste &ldquo;F&oacute;rum&rdquo; faz-me uma pergunta: &ldquo;A Escola tem futuro?&rdquo;. A resposta n&atilde;o &eacute; simples, sobretudo quando se espera que essa resposta se situe numa &ldquo;din&acirc;mica da esperan&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando aceitei esta interpela&ccedil;&atilde;o, uma avalanche de outras perguntas inquietaram o meu esp&iacute;rito: a comunidade humana tem futuro? A civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental tem futuro? A fam&iacute;lia tem futuro? A pessoa humana tem futuro? E aceitei que a resposta a estas quest&otilde;es era pr&eacute;via &agrave; resposta sobre a pergunta que me foi feita. O futuro da escola, enquanto instrumento e estrutura de educa&ccedil;&atilde;o, depende da cultura e da civiliza&ccedil;&atilde;o, no fundamentalmente dos objectivos da educa&ccedil;&atilde;o. Queremos educar para qu&ecirc;, para que compreens&atilde;o da vida e para que modelo de humanidade?<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta introdu&ccedil;&atilde;o pode parecer pessimista, o que n&atilde;o exclui a esperan&ccedil;a; exige, isso sim, maior objectividade no delinear dos seus fundamentos e a coer&ecirc;ncia da verdade que possa abrir clareiras &agrave; luz da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Muta&ccedil;&atilde;o cultural ou deriva civilizacional?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. Para intuir o futuro da escola, como institui&ccedil;&atilde;o educativa, &eacute; indispens&aacute;vel situ&aacute;-la no quadro da acelerada muta&ccedil;&atilde;o cultural que toca as raias de um colapso de civiliza&ccedil;&atilde;o. E a escola &eacute;, entre as estruturas da sociedade, aquela onde mais se entrecruzam todas as correntes e manifesta&ccedil;&otilde;es dessa muta&ccedil;&atilde;o cultural. Entrar na escola &eacute;, hoje, entrar numa nau agitada pelos ventos que, por sua vez, agitam o mar da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No centro do vendaval est&aacute; a compreens&atilde;o da liberdade e da intelig&ecirc;ncia racional, as duas p&eacute;rolas das capacidades humanas, que levou o autor b&iacute;blico que narra a origem do homem a dizer que ele foi criado &agrave; imagem de Deus. Por isso, desde a mais antiga tradi&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica, a educa&ccedil;&atilde;o era concebida como uma inicia&ccedil;&atilde;o ao exerc&iacute;cio da liberdade e ao desenvolvimento da intelig&ecirc;ncia racional enquanto busca da verdade, atrav&eacute;s do conhecimento e do discernimento da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O exerc&iacute;cio destas duas capacidades fundamentais do ser humano enquadra-se na dimens&atilde;o relacional do homem. Ningu&eacute;m descobre a vida e a verdade sozinho, mas em compromisso solid&aacute;rio com todos os outros. A realiza&ccedil;&atilde;o individual &eacute; insepar&aacute;vel do compromisso comunit&aacute;rio. Esta dimens&atilde;o comunit&aacute;ria inspira tamb&eacute;m o pensamento e a busca da verdade. Esta n&atilde;o &eacute; apenas a compreens&atilde;o individual da realidade; h&aacute; uma verdade comunit&aacute;ria, caldeada na tradi&ccedil;&atilde;o e que fundamenta aquilo a que chamamos civiliza&ccedil;&atilde;o. No caldear dessa dimens&atilde;o comunit&aacute;ria da verdade, entraram aqueles que a procuraram atrav&eacute;s da intelig&ecirc;ncia racional &ndash; chamaram-lhe os gregos os amigos da sabedoria (filos-sofia); entraram os artistas que a exprimiram na beleza &ndash; aos poetas os gregos chamaram &ldquo;te&oacute;logos&rdquo;; entraram as religi&otilde;es que, na busca do contacto com a divindade, afirmaram a transcend&ecirc;ncia da racionalidade humana. Toda esta riqueza s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel numa comunidade que, ao longo do tempo, caldeou a sua verdade colectiva, tornando espont&acirc;nea a s&iacute;ntese entre o presente da intelig&ecirc;ncia e da liberdade e a Tradi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de uma sabedoria adquirida, de que a cultura &eacute; a principal express&atilde;o, e que inspira o sentido da liberdade, exercida em cada momento, por cada indiv&iacute;duo. A educa&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel na valoriza&ccedil;&atilde;o destes elementos fundamentais e estruturantes: a liberdade, a intelig&ecirc;ncia, a busca da verdade e a complementaridade entre a verdade individual e a verdade comunit&aacute;ria, a abertura do esp&iacute;rito &agrave; dimens&atilde;o transcendente do homem, que come&ccedil;a na beleza e encontra o seu ponto mais exigente na f&eacute; e na express&atilde;o religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. A muta&ccedil;&atilde;o cultural que est&aacute; a transformar a fisionomia espiritual das nossas sociedades, fen&oacute;meno natural no dinamismo da hist&oacute;ria, est&aacute; a alterar a compreens&atilde;o destas componentes fundamentais. A liberdade, tantas vezes dolorosamente defendida nas suas express&otilde;es fundamentais, reduz-se, tantas vezes, &agrave; dimens&atilde;o individual, em que cada um reivindica o direito de seguir o caminho que quer e de fazer as escolhas que prefere; est&aacute;-se a perder o sentido da liberdade como capacidade de dom, de generosidade e solidariedade, da responsabilidade para com os outros, numa comunidade. O amor, como dom generoso, &eacute; a mais nobre express&atilde;o da liberdade. Sem essa capacidade de dom, sem fazer dos outros o objectivo principal da nossa liberdade generosa, at&eacute; as potencialidades naturais de amor, como &eacute; o caso da afectividade e da sexualidade, correm o risco de se transformarem em express&otilde;es individualistas de ego&iacute;smo.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto repercute-se na actividade da intelig&ecirc;ncia como busca da verdade. Se a cada um basta a sua pr&oacute;pria verdade, desaparece a verdade da comunidade, a &uacute;nica que define objectivos colectivos e garante a inspira&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da actividade racional. Integram-se dificilmente a beleza e a religi&atilde;o numa express&atilde;o mais vasta da racionalidade humana. O pragmatismo na busca de solu&ccedil;&otilde;es e o utilitarismo do consumo, restringem facilmente o uso da liberdade e a busca da verdade, a um materialismo sem abertura &agrave; transcend&ecirc;ncia. E nesse horizonte reduzido, dificilmente haver&aacute; lugar para a beleza, para o amor generoso, para a busca de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Repercuss&otilde;es da muta&ccedil;&atilde;o cultural na educa&ccedil;&atilde;o e na escola<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>3. As manifesta&ccedil;&otilde;es mais problem&aacute;ticas da muta&ccedil;&atilde;o cultural, que anunciam uma profunda altera&ccedil;&atilde;o civilizacional, repercutem-se na educa&ccedil;&atilde;o, sobretudo porque s&atilde;o veiculadas atrav&eacute;s dos poderosos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, que modelam a cultura e a maneira de conceber a vida e sugerem modos pr&aacute;ticos de viver. Nenhuma das cl&aacute;ssicas estruturas de educa&ccedil;&atilde;o, a fam&iacute;lia, a escola, as pr&oacute;prias Igrejas, est&atilde;o isentas da sua influ&ecirc;ncia, que deveria ser sempre positiva, mas n&atilde;o o &eacute;. Todas elas procuram integr&aacute;-los no dinamismo educativo, mas n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil, at&eacute; porque a disputa comercial dos diversos meios procura angariar consumidores, mesmo entre as crian&ccedil;as e os jovens, sem se preocupar com os efeitos na descoberta da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A escola &eacute;, hoje, como institui&ccedil;&atilde;o formativa, aquela onde se entrecruzam, qual caleidosc&oacute;pio da sociedade, todas estas manifesta&ccedil;&otilde;es da muta&ccedil;&atilde;o cultural. Entre os diversos intervenientes na escola h&aacute; toda a variedade das op&ccedil;&otilde;es pessoais sobre a vida e a sociedade, o que sujeita o educando &agrave; influ&ecirc;ncia de orienta&ccedil;&otilde;es d&iacute;spares, deixando-lhe a ele, porventura com a ajuda da fam&iacute;lia, progressivamente fragilizada nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a tarefa de construir uma perspectiva unificadora da sua descoberta da liberdade e da vida, individual e social. Isto pode levar &agrave; relativiza&ccedil;&atilde;o radical do dinamismo educativo. Um projecto de vida tra&ccedil;a-se, fazendo escolhas que sejam op&ccedil;&otilde;es da liberdade. Neste quadro &eacute; muito dif&iacute;cil a um adolescente e a um jovem fazer escolhas, que o obriguem a optar por orienta&ccedil;&otilde;es diversas vindas dos v&aacute;rios educadores e fortemente influenciada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. <strong>A Escola tem futuro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Claro que tem, no sentido em que ela continuar&aacute; inevitavelmente a existir no futuro, porque ocupa um lugar insubstitu&iacute;vel no campo da instru&ccedil;&atilde;o. O problema &eacute; saber se a escola do futuro est&aacute; a garantir um futuro positivo para os nossos jovens e para a sociedade que queremos ser. &Eacute; nesta perspectiva que devemos procurar os sinais da esperan&ccedil;a. Vou tentar enunciar alguns desses sinais, que &agrave; medida que forem fazendo caminho na pesada estrutura escolar, podem ser portadores de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4.1. Um quadro educativo sup&otilde;e, para ser vi&aacute;vel, aquilo a que chamei a &ldquo;verdade comunit&aacute;ria&rdquo;. Educar &eacute; preparar o exerc&iacute;cio da liberdade pessoal num quadro de corresponsabilidade comunit&aacute;ria. Isso sup&otilde;e uma vis&atilde;o da vida e dos valores da sociedade que queremos ser, que n&atilde;o &eacute; deslig&aacute;vel da sua tradi&ccedil;&atilde;o, de que faz parte a sua hist&oacute;ria. Essa &ldquo;verdade colectiva&rdquo; veicula a orienta&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da vida do indiv&iacute;duo em sociedade, e desta como um todo, dinamicamente empenhada na constru&ccedil;&atilde;o de um futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como &eacute; que se define e garante esta &ldquo;verdade colectiva&rdquo;, em que a responsabilidade social n&atilde;o pode menosprezar, nem oprimir, a realiza&ccedil;&atilde;o pessoal da individualidade de cada um e da sua dignidade? Durante s&eacute;culos, nas nossas sociedades europeias, essa &ldquo;verdade colectiva&rdquo; foi definida pela heran&ccedil;a cl&aacute;ssica greco-romana, e pela forte influ&ecirc;ncia do judeo-cristianismo. A Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, o surgir de ideologias racionais, como o iluminismo filos&oacute;fico e, mais tarde, o marxismo, tentaram mudar a orienta&ccedil;&atilde;o desta &ldquo;verdade colectiva&rdquo;, como quadro inspirador da educa&ccedil;&atilde;o. Os Estados de pendor totalit&aacute;rio procuraram impor, como &ldquo;verdade colectiva&rdquo;, a inspira&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica ideologia, fase de que a Europa est&aacute;, apenas, a tentar libertar-se, mas sem propostas cred&iacute;veis para a educa&ccedil;&atilde;o do futuro. Os mecanismos da democracia formal n&atilde;o levam longe, na compreens&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, sem a consci&ecirc;ncia de valores perenes, que n&atilde;o podem desligar-se da grande tradi&ccedil;&atilde;o cultural da Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao alterar-se a compreens&atilde;o dessa &ldquo;verdade colectiva&rdquo;, inspiradora da educa&ccedil;&atilde;o, podemos detectar duas tend&ecirc;ncias: a daqueles Estados que quiseram arredar totalmente da defini&ccedil;&atilde;o dessa &ldquo;verdade colectiva&rdquo; qualquer influ&ecirc;ncia do cristianismo e da sua for&ccedil;a inspiradora do mist&eacute;rio do homem. Trata-se de um quadro variado que vai dos Estados que adoptaram como verdade fundamentar a ideologia marxista-leninista e o ate&iacute;smo como corol&aacute;rio inspirador de toda a educa&ccedil;&atilde;o, at&eacute; ao primado absoluto da &ldquo;laicidade&rdquo; francesa, dado que influenciou toda a concep&ccedil;&atilde;o dos Estados da Europa Ocidental, sobretudo dos pa&iacute;ses latinos. Um segundo grupo, identificamo-lo naqueles Estados, igualmente totalit&aacute;rios, que n&atilde;o ousaram recusar sistematicamente a influ&ecirc;ncia do cristianismo nessa defini&ccedil;&atilde;o, mas que tentaram &ldquo;domesticar&rdquo; a vis&atilde;o da Igreja, adaptando-a ao seu pr&oacute;prio projecto, o que a pr&oacute;pria Igreja nem sempre impediu.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo isto me leva &agrave; convic&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o pode competir aos Estados, como poder exclusivo, a defini&ccedil;&atilde;o desse quadro educativo. Os nossos Estados modernos, democr&aacute;ticos, laicos, marcados pelos inevit&aacute;veis confrontos ideol&oacute;gicos, garantidos pela conviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica, n&atilde;o s&atilde;o capazes de o fazer e de o garantir de modo fi&aacute;vel para o conjunto das fam&iacute;lias. Foi surgindo na compreens&atilde;o da escola um estatuto que pode ser um sinal de esperan&ccedil;a: a &ldquo;autonomia da escola&rdquo;, que se exprime num &ldquo;projecto educativo pr&oacute;prio&rdquo;, estabelecido em di&aacute;logo por todos os intervenientes na escola enquanto estrutura educativa: docentes, fam&iacute;lia, a comunidade humana mais alargada em que a escola se insere, e de que a Igreja n&atilde;o pode ficar ausente. Esse &ldquo;projecto educativo&rdquo;, que teria de ser confirmado pela tutela, a &uacute;nica que o pode inserir no quadro mais vasto da comunidade nacional, e que n&atilde;o deve servir-se desse poder de aprova&ccedil;&atilde;o para impor qualquer doutrina ideol&oacute;gica. Uma vez reconhecido, deve ser tornado p&uacute;blico na comunidade humana que a escola serve, e ser aceite como crit&eacute;rio de escolha da escola, por parte dos pais. Nenhum interveniente na escola, sobretudo os docentes, pode fazer prevalecer a sua vis&atilde;o individual sobre esse projecto educativo comunit&aacute;rio. As &ldquo;associa&ccedil;&otilde;es de pais&rdquo; podem ter, na defini&ccedil;&atilde;o deste &ldquo;projecto educativo&rdquo;, um papel relevante.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na escola cat&oacute;lica este projecto educativo &eacute; necess&aacute;rio e mais f&aacute;cil de realizar, porque, dada a natureza da institui&ccedil;&atilde;o, estrutura da Igreja ao servi&ccedil;o da educa&ccedil;&atilde;o, sem deixar de ser global, &eacute; necessariamente marcado pela vis&atilde;o crist&atilde; do homem e da sociedade. Infelizmente, no nosso quadro legal, os pais ainda n&atilde;o podem optar livremente, em igualdade de circunst&acirc;ncias, por esse &ldquo;projecto educativo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4.2. A harmonia entre educa&ccedil;&atilde;o e instru&ccedil;&atilde;o &eacute; outra condicionante para que a escola tenha um futuro positivo como estrutura educacional. A instru&ccedil;&atilde;o ocupa, em percentagem muito elevada, a actividade da escola contempor&acirc;nea. Com o evoluir da sociedade, as necessidades de instru&ccedil;&atilde;o alargaram-se e tornaram-se mais complexas. Para al&eacute;m de terem direito a ser educados, as crian&ccedil;as e os jovens precisam de aprender coisas, para lhes alargar o horizonte dos conhecimentos para a compreens&atilde;o do mundo contempor&acirc;neo e os preparar para a escolha e o exerc&iacute;cio de uma profiss&atilde;o. O problema que se p&otilde;e &agrave; escola &eacute; saber se educa&ccedil;&atilde;o e instru&ccedil;&atilde;o s&atilde;o caminhos paralelos, ou se se cruzam num mesmo projecto de crescimento humano. Claro que &eacute; esta segunda hip&oacute;tese que &eacute; v&aacute;lida para dignificar a escola como estrutura educativa. Nenhum saber &eacute; neutro na sua incid&ecirc;ncia educativa e todos os saberes devem ser harmonicamente integrados num projecto educativo para a descoberta da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta integra&ccedil;&atilde;o harm&oacute;nica de instru&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o exige que a escola seja uma comunidade educativa, onde os agentes dos diversos saberes convirjam numa perspectiva unificadora para a educa&ccedil;&atilde;o. Isto exige interdisciplinaridade e muito trabalho em equipa. Sup&otilde;e que se valorizem saberes e pr&aacute;ticas, com maior capacidade aglutinadora, como o desporto, a inicia&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e a pr&aacute;tica das artes, a ilumina&ccedil;&atilde;o de cada saber pelos outros, &agrave; descoberta da unidade do saber. Nesta &oacute;ptica, o ensino da religi&atilde;o pode ter um papel importante a desempenhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4.3. A converg&ecirc;ncia cooperante entre a escola e a fam&iacute;lia na tarefa educativa &eacute; um elemento decisivo para a pr&oacute;pria escola na miss&atilde;o educativa. A fam&iacute;lia &eacute; o quadro natural da educa&ccedil;&atilde;o. Mas hoje, mais do que nunca, a fam&iacute;lia n&atilde;o pode realizar, sozinha, essa miss&atilde;o. A escola, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; um substituto da fam&iacute;lia; deve ser uma estrutura de coopera&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia na tarefa educativa. A fragiliza&ccedil;&atilde;o progressiva da comunidade familiar devida a causas diversas que n&atilde;o podemos analisar neste momento, tem dificultado essa vis&atilde;o da escola como elemento de coopera&ccedil;&atilde;o. Devido &agrave; complexidade dos problemas sociais a escola &eacute;, muitas vezes, substituta da fam&iacute;lia. Num pa&iacute;s em que a quase totalidade das escolas s&atilde;o estatais, isso pode significar o transpor para o Estado a tarefa educativa, perspectiva que, ao longo da hist&oacute;ria, esteve na origem de graves problemas de civiliza&ccedil;&atilde;o. Tenhamos claro que tudo o que provocar ou contribuir para o enfraquecimento da fam&iacute;lia se repercutir&aacute; na escola e na sua miss&atilde;o educativa. S&atilde;o de louvar escolas, que na sua din&acirc;mica interna, procuram meios de di&aacute;logo e de apoio &agrave;s fam&iacute;lias dos seus alunos. Ou desenvolvemos tudo o que facilite esta coopera&ccedil;&atilde;o, ou a esperan&ccedil;a num futuro positivo da escola fica mais amea&ccedil;ada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4.4. Escola laica num Estado laico? A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa define o Estado como laico. Este estatuto &eacute; fruto de uma longa evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento e da realidade da sociedade e significou, na origem, a autonomia do poder do Estado em rela&ccedil;&atilde;o a outros poderes, entre os quais o poder da Igreja, que foi real e que hoje a Igreja j&aacute; n&atilde;o reivindica nem quer reivindicar. A lei de separa&ccedil;&atilde;o foi a primeira express&atilde;o, extraordinariamente agressiva, dessa autonomia laica do Estado. Mas h&aacute; um sentido positivo dessa laicidade: o Estado n&atilde;o &eacute; confessional, isto &eacute;, n&atilde;o se identifica com nenhuma religi&atilde;o, mas respeita o fen&oacute;meno religioso, o que exprimiu, recentemente, na Lei da Liberdade Religiosa. E nesse respeito inclui-se a possibilidade de coopera&ccedil;&atilde;o entre o Estado e as confiss&otilde;es religiosas, para a promo&ccedil;&atilde;o do bem-comum da sociedade. Esse princ&iacute;pio da coopera&ccedil;&atilde;o inspira toda a Concordata celebrada entre o Estado Portugu&ecirc;s e a Igreja Cat&oacute;lica, reconhecendo, na pr&aacute;tica, a predomin&acirc;ncia da Igreja Cat&oacute;lica na Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas se o Estado &eacute; laico, a sociedade n&atilde;o o &eacute;. E temos assistido, nos &uacute;ltimos tempos, a correntes de pensamento numa dupla direc&ccedil;&atilde;o: estender a laicidade do Estado a toda a sociedade e a todas as institui&ccedil;&otilde;es do Estado ao servi&ccedil;o da comunidade, entre as quais sobressai a escola; e o fazer derivar a justa laicidade para um laicismo, qual nova religi&atilde;o, que combate qualquer presen&ccedil;a ou influ&ecirc;ncia da religi&atilde;o na sociedade. &Eacute; uma nova forma de hegemonia totalit&aacute;ria que se disfar&ccedil;a com as vestes da democracia. A escola, como institui&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o da educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser laica, neste sentido, como n&atilde;o pode ser um espa&ccedil;o sagrado, na acep&ccedil;&atilde;o religiosa do termo. A escola, qualquer escola digna desse nome, n&atilde;o pode deixar de dar lugar, no projecto educativo, &agrave; dimens&atilde;o religiosa, profundamente presente na tradi&ccedil;&atilde;o cultural portuguesa. A guerra aos s&iacute;mbolos religiosos &eacute;, hoje, na Europa, um sinal preocupante. Se a escola por ser do Estado, tem de ser laica nesse sentido de uma laicidade negativa, isso quer dizer que ela, embora sendo do Estado, tem de ter autonomia real de &ldquo;projecto educativo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Os verdadeiros fundamentos da esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5. Mas o verdadeiro fundamento da esperan&ccedil;a no futuro da escola reside nos milhares de portuguesas e portugueses que consagram a sua vida &agrave; escola e &agrave; aventura da educa&ccedil;&atilde;o. Num momento em que parecem ter sido superados os conflitos laborais que opuseram o Estado e os docentes, representados pelos sindicatos, voltemo-nos todos para canalizar todas as energias para a tarefa educativa, que &eacute; profiss&atilde;o, mas que &eacute;, sobretudo, miss&atilde;o e paix&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na sua origem, na cultura cl&aacute;ssica e mesmo b&iacute;blica, a escola define-se como rela&ccedil;&otilde;es de um mestre com os seus disc&iacute;pulos. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma aventura de di&aacute;logo humano, feita em comunidade, &agrave; descoberta da vida. &Eacute; preciso revalorizar na fun&ccedil;&atilde;o docente, mais pensada para a capacidade de ensinar e instruir, a dimens&atilde;o do mestre que inspira e conduz, com a dimens&atilde;o nova de o fazer, n&atilde;o isoladamente, mas em equipa educativa, que procura consensos e comunh&atilde;o. E a maior parte dos profissionais das nossas escolas t&ecirc;m ainda o carisma e a paix&atilde;o de serem, n&atilde;o apenas docentes, mas mestres de vida. Sa&uacute;do-os a todos como verdadeiros sinais da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre eles muitos s&atilde;o cat&oacute;licos ou formados na tradi&ccedil;&atilde;o cultural crist&atilde;. N&atilde;o tenham medo de comunicar, no processo educativo, a perspectiva crist&atilde; da liberdade, da busca da verdade, da generosidade no servi&ccedil;o do bem-comum, porque os valores crist&atilde;os s&atilde;o basilares numa cultura verdadeiramente humanista, e segui-los, pondo-os em pr&aacute;tica, n&atilde;o significa, necessariamente, sacralizar a escola, mas servir a pessoa humana, num horizonte de beleza e de transcend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Lisboa, 24 de Janeiro de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Escola tem futuro? A din&acirc;mica da esperan&ccedil;a&rdquo; &nbsp; Introdu&ccedil;&atilde;o &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A organiza&ccedil;&atilde;o deste &ldquo;F&oacute;rum&rdquo; faz-me uma pergunta: &ldquo;A Escola tem futuro?&rdquo;. A resposta n&atilde;o &eacute; simples, sobretudo quando se espera que essa resposta se situe numa &ldquo;din&acirc;mica da esperan&ccedil;a&rdquo;. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando aceitei esta interpela&ccedil;&atilde;o, uma avalanche de outras perguntas inquietaram o meu esp&iacute;rito: a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[146,187,203,314],"class_list":["post-43173","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concordata","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43173"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43173\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}