{"id":43085,"date":"2010-01-19T23:24:14","date_gmt":"2010-01-19T23:24:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/19\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-celebracao-eucaristica-pelas-vitimas-do-sismo-do-haiti\/"},"modified":"2010-01-19T23:24:14","modified_gmt":"2010-01-19T23:24:14","slug":"homilia-de-d-carlos-azevedo-na-celebracao-eucaristica-pelas-vitimas-do-sismo-do-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-celebracao-eucaristica-pelas-vitimas-do-sismo-do-haiti\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Carlos Azevedo na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica pelas v\u00edtimas do sismo do Haiti"},"content":{"rendered":"<p>Reunirmo-nos para manifestar a nossa comunh&atilde;o com um povo atingido por uma dram&aacute;tica cat&aacute;strofe &eacute; atrevimento de uma comunidade orante. Como diz o poeta Daniel Faria: &ldquo;pelos golpes desferidos sei \/ o tamanho profundo das espadas&rdquo;. Bastariam as not&iacute;cias e as imagens do pobre Haiti para nos encher de sil&ecirc;ncio, nos esvaziar de palavras, no ch&atilde;o de tanta dor, tanta destrui&ccedil;&atilde;o, tanta aus&ecirc;ncia!<\/p>\n<p>A Palavra de Deus deste dia parece distante dos sentimentos que aqui nos congregam. Mas reparemos como estas duas leituras sublinham a liberdade de Deus e a liberdade de cada ser humano diante dos problemas.<\/p>\n<p>A narrativa da un&ccedil;&atilde;o de David por Samuel corresponde a uma constru&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria para fazer crer que Deus escolhe para orientar o seu povo quem ele quer. Pretende-se demonstrar como as perspectivas de Deus n&atilde;o s&atilde;o as mesmas das criaturas. Este epis&oacute;dio revela a emancipa&ccedil;&atilde;o do pensamento b&iacute;blico em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de sacraliza&ccedil;&atilde;o. No antigo Israel e nas religi&otilde;es primitivas houve sempre a tenta&ccedil;&atilde;o de alguns se arrogarem o t&iacute;tulo de instrumentos de Deus. Para isso se sacralizava o interessado. Ora, os profetas n&atilde;o querem fazer Deus depender de tais fatalidades e apontam para a liberdade do ser humano. Ensinam ent&atilde;o que a elei&ccedil;&atilde;o de Deus se revela na ac&ccedil;&atilde;o livre do ser humano, ainda que viole os tabus e os crit&eacute;rios fixados. &Eacute; na pr&oacute;pria vida de cada pessoa que acontece a descoberta dos sinais de Deus, se gera compromisso e se cria fidelidade. Deus manifesta-se em parceiros e escolhe quem apresenta um terreno dispon&iacute;vel para a reciprocidade livre e activa. Em cada hora da hist&oacute;ria Deus chama-nos a ser livres mensageiros e testemunhas activas do seu amor, particularmente em momentos que gritam por fraternidade. Ser impulsionado por Deus n&atilde;o prende Deus &agrave;s nossas decis&otilde;es, mas desata-nos para a fantasia da caridade.<\/p>\n<p>O evangelho cita uma ac&ccedil;&atilde;o atrevida deste David, o eleito da primeira leitura: &ldquo;entrou na casa de Deus e comeu dos p&atilde;es da proposi&ccedil;&atilde;o, que s&oacute; os sacerdotes podiam comer&rdquo;. A fome justificou romper as regras do sagrado. A narra&ccedil;&atilde;o de S. Marcos p&otilde;e-nos diante da liberdade dos disc&iacute;pulos de Jesus, apanhados em flagrante delito de violar o s&aacute;bado, o dia sagrado. A pol&eacute;mica existia no interior do juda&iacute;smo: o legalismo dos fariseus seria um modo de fazer a vontade do Pai? Cristo, ao declarar que &eacute; Senhor do s&aacute;bado, afirma ter o direito, fundado na sua miss&atilde;o, de p&ocirc;r em d&uacute;vida as precis&otilde;es legalistas, ainda que dessacralizando, como ficou patente no caso dos p&atilde;es da proposi&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Quando o ser humano se abre para Deus, &agrave; maneira de Jesus, permite que se realiza nele a iniciativa divina e assim conhece a verdadeira medida do s&aacute;bado: serve-se dele, sem nunca se escravizar. Ultrapassar mero sentimento ou mecanismos de asfixiante rotina e organizar uma resposta eficaz e s&oacute;lida &eacute; inten&ccedil;&atilde;o da Caritas Portuguesa ao recolher fundos para socorrer as maiores necessidades ap&oacute;s esta primeira fase agitada por tamanha perturba&ccedil;&atilde;o, vestida de exausto luto.<\/p>\n<p>Jesus veio ensinar-nos que o nosso Deus n&atilde;o &eacute; o que manda terramotos ou cheias para castigar os humanos. O processo de dessacraliza&ccedil;&atilde;o da natureza, operado pelo cristianismo, n&atilde;o nos retira responsabilidade e amor pela cria&ccedil;&atilde;o e pela natureza. &Agrave; medida que cresce o conhecimento cient&iacute;fico dos fen&oacute;menos naturais somos chamados a assumir atitudes coerentes e consequentes no urbanismo e nos crit&eacute;rios de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Estamos unidos em ora&ccedil;&atilde;o a todos os que provam com a sua partilha de bens que n&atilde;o est&atilde;o centrados nas m&aacute;goas lusitanas, mas atentos a quem atravessa afli&ccedil;&atilde;o sem margens. Ao estar presentes nesta celebra&ccedil;&atilde;o somos convidados por Deus, somos escolhidos para ser sinais da sua miseric&oacute;rdia e compaix&atilde;o na hora atribulada do povo do Haiti. E ser parceiros de Deus impele-nos &agrave; liberdade da partilha, dos gestos solid&aacute;rios, &agrave; caridade na verdade.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Carlos Moreira Azevedo, Presidente da Comiss&atilde;o Episcopal de Pastoral Social<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reunirmo-nos para manifestar a nossa comunh&atilde;o com um povo atingido por uma dram&aacute;tica cat&aacute;strofe &eacute; atrevimento de uma comunidade orante. Como diz o poeta Daniel Faria: &ldquo;pelos golpes desferidos sei \/ o tamanho profundo das espadas&rdquo;. 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