{"id":43075,"date":"2010-01-20T09:07:38","date_gmt":"2010-01-20T09:07:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/20\/intervencoes-parlamentares-de-antonio-lino-neto\/"},"modified":"2010-01-20T09:07:38","modified_gmt":"2010-01-20T09:07:38","slug":"intervencoes-parlamentares-de-antonio-lino-neto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencoes-parlamentares-de-antonio-lino-neto\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00f5es parlamentares de Ant\u00f3nio Lino Neto"},"content":{"rendered":"<p>2010 &eacute; o ano em que a sociedade portuguesa celebra o centen&aacute;rio da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em Portugal. A este prop&oacute;sito, o Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa (CEHR) da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa delineou um programa de trabalho, iniciado em 2009 e que culminar&aacute;, em Abril de 2011, com um Congresso Internacional sobre os 100 Anos de Separa&ccedil;&atilde;o. O programa historiogr&aacute;fico do CEHR inclui ainda a realiza&ccedil;&atilde;o do Semin&aacute;rio continuado sobre &laquo;Religi&atilde;o, Cristianismo e Republicanismo&raquo;,<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m neste &acirc;mbito se inscreve a publica&ccedil;&atilde;o do livro Ant&oacute;nio Lino Neto: Interven&ccedil;&otilde;es Parlamentares (1918-1926), organizado pelo CEHR e cuja apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica ser&aacute; feita no dia 20 de Janeiro, &agrave;s 18.30h na Assembleia da Rep&uacute;blica. A sua edi&ccedil;&atilde;o, na Colec&ccedil;&atilde;o Parlamento, &eacute; da responsabilidade da Assembleia da Rep&uacute;blica e da Texto Editores. Resultante do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o &laquo;Os cat&oacute;licos portugueses na pol&iacute;tica do s&eacute;culo XX&raquo;, o livro &eacute; coordenado por Ant&oacute;nio Matos Ferreira e por Jo&atilde;o Miguel Almeida, respons&aacute;vel pelo texto biogr&aacute;fico de Ant&oacute;nio Lino Neto nele inserido.<\/p>\n<p><em>&laquo;&Eacute; muito oportuno, no actual contexto, recordar os vultos fundadores da Rep&uacute;blica. E &eacute; oportun&iacute;ssimo juntar aos habituais outros menos lembrados, que deram uma contribui&ccedil;&atilde;o essencial para que o regime n&atilde;o se esgotasse na sua primeira vig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Efectivamente, quanto se passou em Portugal do 5 de Outubro &agrave; Grande Guerra e depois desta, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o foi un&iacute;voco como foi demasiado excludente. N&atilde;o foi exactamente a mesma a &#8220;Rep&uacute;blica&#8221; de Afonso Costa e a de Manuel de Arriaga, ou a de Machado Santos e a de Ant&oacute;nio Jos&eacute; de Almeida, Brito Camacho e tantos outros. No campo cat&oacute;lico, havia adeptos do regime republicano em abstracto, como o pr&oacute;prio P.e Sena Freitas, e antigos mon&aacute;rquicos que aceitavam bem o novo regime, como Ab&uacute;ndio da Silva, julgando-o at&eacute; prefer&iacute;vel ao anterior, no tocante &agrave; Igreja; e tamb&eacute;m havia mon&aacute;rquicos que o continuavam a ser, negando a possibilidade de resolver o problema religioso sem voltar ao regime anterior. Fosse como fosse, foi necess&aacute;ria a colabora&ccedil;&atilde;o de algumas personalidades para que o regime ganhasse a nova dimens&atilde;o que o fez perdurar at&eacute; aos nossos dias, isto &eacute;, para que se transformasse em &#8220;res publica&#8221;. E aqui entra, de pleno direito, a figura de Ant&oacute;nio Lino Neto (1873-1961).<\/p>\n<p>A edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica das interven&ccedil;&otilde;es parlamentares de Ant&oacute;nio Lino Neto, agora apresentada pelas Edi&ccedil;&otilde;es da Assembleia da Rep&uacute;blica, &eacute; trabalho feito pela equipa do projecto &#8220;Os cat&oacute;licos portugueses na pol&iacute;tica do s&eacute;culo XX &#8211; a reflex&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o de duas gera&ccedil;&otilde;es: Ant&oacute;nio Lino Neto e Francisco Lino Neto&#8221;, coordenado pelo Prof. Ant&oacute;nio Matos Ferreira, director adjunto do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. A biografia de Ant&oacute;nio Lino Neto, centrada na sua actividade pol&iacute;tica e parlamentar, &eacute; da autoria do Mestre Jo&atilde;o Miguel Almeida, que vem dedicando uma criteriosa aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre o Catolicismo e o Estado no s&eacute;culo XX portugu&ecirc;s, avultando o seu trabalho A oposi&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica ao Estado Novo. 1958-1974, recentemente publicado.<\/p>\n<p>Ficamos a dispor duma informa&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para compreendermos a movimenta&ccedil;&atilde;o interna e externa do Catolicismo portugu&ecirc;s na I Rep&uacute;blica. Pela biografia e pelos discursos de Ant&oacute;nio Lino Neto, que dirigiu o Centro Cat&oacute;lico Portugu&ecirc;s entre 1919 e 1934, perceberemos como a milit&acirc;ncia crente mais hierarquicamente autorizada, mesmo no &acirc;mbito parlamentar, protagonizou muito mais do que um simples desejo de recupera&ccedil;&atilde;o ou &#8220;reconquista&#8221; de antigas posi&ccedil;&otilde;es, hipoteticamente perdidas com a &#8220;Lei de Separa&ccedil;&atilde;o&#8221; de 1911. Na verdade, de Ab&uacute;ndio da Silva nos alvores do novo regime a Ant&oacute;nio Lino Neto no parlamento republicano, deparamos muito mais com a constru&ccedil;&atilde;o do futuro do que com saudades do passado. N&atilde;o se tratava de &#8220;reconquistar&#8221;, mas de inaugurar.<\/p>\n<p>Em Ant&oacute;nio Lino Neto tudo &eacute; significativo. O seu percurso, de Ma&ccedil;&atilde;o a Coimbra, de Portalegre a Lisboa, dir-se-ia vir do Portugal profundo &agrave; profundidade nova que Portugal ganharia: do primeiro, o interesse pelo munic&iacute;pio e a agricultura; da segunda, o (re)encontro do mais comum, como cidadania, e do mais englobante, como interesse nacional.<\/p>\n<p>Isto mesmo lhe deu outra largueza nos relacionamentos e mais essencialidade nas ideias. Essencialidade &#8211; paredes meias com a sua religiosidade decantada &#8211; capaz de relativizar quest&otilde;es de regime ou epis&oacute;dios governativos. N&atilde;o era ing&eacute;nuo e conhecia muito bem as cenas e personagens daquela agitada altura. Era antes um estudioso s&eacute;rio dos assuntos, capaz de superar a rama, a moda, o grupo. Era j&aacute; &#8220;personalista&#8221;, sabendo que as quest&otilde;es, mesmo t&atilde;o graves como a da &#8220;liberdade&#8221; da Igreja e das suas institui&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o se conseguiriam resolver sem aproximar intelig&ecirc;ncias e desfazer equ&iacute;vocos, ser&ocirc;dios equ&iacute;vocos&#8230;<\/p>\n<p>Por ser fundamentalmente um homem religioso &#8211; e mesmo &#8220;ultramontano&#8221;, no sentido aut&ecirc;ntico desta palavra, de atender ao que vinha de Roma, do magist&eacute;rio pontif&iacute;cio &#8211; guardava a insist&ecirc;ncia de Le&atilde;o XIII em n&atilde;o se confundir a causa cat&oacute;lica com um regime ou um partido. Na altura era dif&iacute;cil, em Portugal. Mas isso mesmo desfez preconceitos e ganhou-lhe a admira&ccedil;&atilde;o de crentes e n&atilde;o crentes, j&aacute; em &#8220;res publica&#8221; comum.&raquo;<br \/><\/em><strong>(Manuel Clemente, do Pref&aacute;cio do livro).<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2010 &eacute; o ano em que a sociedade portuguesa celebra o centen&aacute;rio da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica em Portugal. 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