{"id":43061,"date":"2010-01-19T11:47:13","date_gmt":"2010-01-19T11:47:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/19\/contra-o-trafico-de-mercadorias-low-cost\/"},"modified":"2010-01-19T11:47:13","modified_gmt":"2010-01-19T11:47:13","slug":"contra-o-trafico-de-mercadorias-low-cost","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/contra-o-trafico-de-mercadorias-low-cost\/","title":{"rendered":"Contra o tr\u00e1fico de mercadorias low cost"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; realidades sociais e ambientais gritantes que interpelam a Vida Religiosa na sua natureza e miss&atilde;o. Interpela&ccedil;&atilde;o forte e urgente que obriga a uma mudan&ccedil;a de paradigma, a um renovado planeamento do escasso pessoal &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o e a uma re-utiliza&ccedil;&atilde;o das estruturas, algumas anacr&oacute;nicas nos seus fins. Est&aacute; em jogo a nossa &ldquo;fidelidade criativa&rdquo; ao carisma original da voca&ccedil;&atilde;o do &ldquo;consagrado&rdquo; &#8211; religioso e religiosa, monge e secular, ap&oacute;stolo e mission&aacute;rio &#8211; no mundo e na Igreja de Jesus Cristo: povo de Deus enviado em todas as culturas e fronteiras do viver humano. De facto, a fecundidade da Vida religiosa est&aacute; hoje na sua fidelidade &ldquo;iluminada&rdquo; pela Palavra de Deus e na atitude &ldquo;incarnada&rdquo; na luta pela dignidade humana. Sobretudo, naqueles lugares de &ldquo;patologia, sofrimento e morte&rdquo; do mundo p&oacute;s-moderno e globalizado em que vivemos o nosso &ldquo;envio&rdquo; inspirado pelas nossas &ldquo;regras de vida&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta primeira d&eacute;cada do Novo Mil&eacute;nio assiste-se em Portugal, na Europa e no Mundo em geral, a uma intensifica&ccedil;&atilde;o da mobilidade humana atrav&eacute;s dos movimentos migrat&oacute;rios internacionais. Mudam-se paradigmas e reconceptualiza-se a migra&ccedil;&atilde;o, surgem novas rotas de movimentos de massa, fecham-se ciclos migrat&oacute;rios coloniais e abrem-se ciclos econ&oacute;micos, aumenta a xenofobia e racismo violento, endurecem-se legisla&ccedil;&otilde;es para restri&ccedil;&atilde;o das admiss&otilde;es, produzem-se hist&oacute;rias de vulnerabilidade pessoal e familiar que atinge todas os n&iacute;veis sociais e migra-se e foge-se n&atilde;o mais apenas por motivos laborais, pol&iacute;ticos, familiares, mas tamb&eacute;m, e em muitos casos de forma for&ccedil;ada, por raz&otilde;es ambientais e esclavagistas.<\/p>\n<p>Neste mundo complexo que exclui sempre mais os n&atilde;o competitivos, a criminalidade organizada instalou-se de forma violenta e &ldquo;aliciante&rdquo; nas migra&ccedil;&otilde;es, sobretudo, aproveitando do clima social assim&eacute;trico em algumas na&ccedil;&otilde;es, da diminui&ccedil;&atilde;o gradual dos canais legais para emigrar, dos crescentes problemas sociais (desemprego, velhas e novas pobreza, falta de perspectivas econ&oacute;micas) e dificuldade em realizar o pr&oacute;prio projecto de vida, que semeiam vulnerabilidades e irregularidades que alimentam as novas formas de escravatura e &ldquo;com&eacute;rcio de pessoas&rdquo;, sobretudo, mulheres para a prostitui&ccedil;&atilde;o e turismo sexual, trabalhadores para constru&ccedil;&atilde;o civil e trabalho agr&iacute;cola, e menores para servi&ccedil;o dom&eacute;stico, para adop&ccedil;&atilde;o internacional e pedofilia, entre outros.<\/p>\n<p>A Igreja em Portugal tem estado, com uma aten&ccedil;&atilde;o particular, desperta para as migra&ccedil;&otilde;es e os tr&aacute;ficos dentro e para fora do pa&iacute;s. H&aacute; quem diga que os agentes religiosos s&atilde;o os que mais sabem sobre o assunto, e mais fazem! Se assim &eacute; orgulho-me de pertencer a ela e continuarei a dar &agrave; vida nela por amor do Evangelho!<\/p>\n<p>A Vida Religiosa t&ecirc;m-se empenhado de forma crescente e &ldquo;concertada&rdquo; para que os direitos ligados &agrave; vida, ao trabalho, &agrave; sa&uacute;de, &agrave; casa, a escola, a legaliza&ccedil;&atilde;o, a liberdade religiosa e de associa&ccedil;&atilde;o, fossem &ldquo;sinal&rdquo; e &ldquo;boa pr&aacute;tica&rdquo; de acolhimento real, solidariedade efectiva, itiner&aacute;rio de f&eacute; e integra&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Na verdade, esta Igreja que somos na hist&oacute;ria &ndash; pessoas, estruturas e redes &#8211; encerra em si magn&iacute;ficas potencialidades naturais &#8211; invejadas por muitas organiza&ccedil;&otilde;es sociais e n&atilde;o governamentais &#8211; que ainda n&atilde;o s&atilde;o rentabilizadas e usadas como a &ldquo;profecia do Evangelho&rdquo; est&aacute; a exigir para maior incid&ecirc;ncia na vida. A par&oacute;quia &eacute; lugar teol&oacute;gico e social onde podem ser abra&ccedil;adas todas as vulnerabilidades para, atrav&eacute;s da sensibiliza&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o, reflex&atilde;o, lan&ccedil;ar no territ&oacute;rio ac&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o de tantos dramas e trag&eacute;dias. O movimento associativo, sindical, social e pol&iacute;tico sempre solicita &agrave;s estruturas da Igreja presen&ccedil;a e participa&ccedil;&atilde;o em eventos de den&uacute;ncia e constru&ccedil;&atilde;o de respostas legais, sociais e jur&iacute;dicas para a integra&ccedil;&atilde;o de todos sem preconceitos, nem omiss&otilde;es fatais. O sacerdote &ndash; p&aacute;roco, professor, educador, director de centro social ou cultural, jornalista, investigador, entre outros &ndash; contacta diariamente com audit&oacute;rios imensos aos quais, de forma respons&aacute;vel e continuada, dirige a palavra encorajadora, lan&ccedil;a desafios de convers&atilde;o de vida, aprofunda a leitura da realidade, se disponibiliza para col&oacute;quios pessoais de orienta&ccedil;&atilde;o espiritual e familiar, recorda os princ&iacute;pios &eacute;ticos e morais, e mobiliza para as grandes causas da comunidade concreta e da inteira humanidade. Os religiosos e religiosas, com os seus carismas, compet&ecirc;ncia adquiridas para os &acirc;mbitos da educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, cultura, comunica&ccedil;&atilde;o, trabalho, justi&ccedil;a, arte, migra&ccedil;&atilde;o, entre outros, suas estruturas e, sobretudo, com o testemunho de vida s&atilde;o sinal de liberta&ccedil;&atilde;o junto de v&aacute;rias categorias de pessoas e fam&iacute;lias marcadas pelos efeitos negativos da desigualdade de g&eacute;nero, da discrimina&ccedil;&atilde;o social e habitacional, das barreiras culturais aos bens essenciais, da solid&atilde;o e viol&ecirc;ncia, da incapacidade de orientar a vida de forma aut&oacute;noma, s&oacute; para citar algumas viola&ccedil;&atilde;o de direitos.<\/p>\n<p>Intervindo nas causas que empobrecem a vida, denunciando as situa&ccedil;&otilde;es que oprimem as pessoas, construindo respostas em parceria que libertem da indignidade, acompanhando fielmente as pessoas para assumir as pr&oacute;prias responsabilidades e &uacute;nico destino, criando novas ou reorientando estruturas para abrigar e reabilitar as vitimas das pobrezas novas e dos novos tr&aacute;ficos de pessoas, os agentes religiosos s&atilde;o media&ccedil;&atilde;o privilegiada e estrat&eacute;gica que ajuda a recuperar a dimens&atilde;o de liberta&ccedil;&atilde;o que, desde, a eternidade, marca a f&eacute; no Deus de Israel e de Jesus Cristo. O cristianismo mant&ecirc;m-se uma religi&atilde;o de liberta&ccedil;&atilde;o porque incarna&ccedil;&atilde;o de Deus na hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>E n&atilde;o me quero referir apenas ao vergonhoso flagelo dos tr&aacute;ficos praticados em todas as sociedades que hoje, de forma invis&iacute;vel, mas silenciosamente violenta e consentida por certos poderes econ&oacute;micos, se dedicam ao recrutamento, &agrave; compra, &agrave; troca e &agrave; venda de pessoas &ndash; homens, mulheres, crian&ccedil;as, &oacute;rg&atilde;os humanos &ndash; como se de mercadorias &ldquo;low cost&rdquo; se tratasse&hellip;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Rui Pedro, religioso<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; realidades sociais e ambientais gritantes que interpelam a Vida Religiosa na sua natureza e miss&atilde;o. 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