{"id":4306,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/ano-santo-vicentino\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"ano-santo-vicentino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ano-santo-vicentino\/","title":{"rendered":"\u00abAno Santo Vicentino\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia proferida na Solenidade de S\u00e3o Vicente, nos 1700 anos do seu mart\u00edrio <!--more--> \t1. Na prega\u00e7\u00e3o de Jesus o an\u00fancio do Reino dos C\u00e9us \u00e9 comparado a um semeador, sendo a Palavra de Deus a semente que germina. No princ\u00edpio da sua vida p\u00fablica Ele pr\u00f3prio Se considera o semeador. Sentado \u00e0 beira do lago, com as multid\u00f5es \u00e0 volta d\u2019Ele, Jesus diz-lhes: \u201cEis que o semeador saiu a semear\u201d (Mt. 13,3). Uma sementeira. Quanta esperan\u00e7a contida na for\u00e7a germinadora da semente; quanta ousadia, para semear a tempo e a contra-tempo, em todas as circunst\u00e2ncias; quanta esperan\u00e7a para aguardar o resultado da sementeira, admitindo que nem toda a semente germina e sabendo que a colheita s\u00f3 o Pai a far\u00e1, no fim dos tempos. A persist\u00eancia do semeador significa bem a determina\u00e7\u00e3o da Igreja em evangelizar sempre e em todas as circunst\u00e2ncias. \tMas bem depressa a linguagem de Jesus se radicaliza; de semeador Ele passa a semente, a \u00fanica donde pode germinar um homem novo e um mundo novo. \u201cEm verdade, em verdade vos digo, se o gr\u00e3o de trigo cair na terra e n\u00e3o morrer, fica s\u00f3 ele, mas se morrer, d\u00e1 muito fruto\u201d (Jo. 12,25). Na sua P\u00e1scoa, Jesus \u00e9 esse gr\u00e3o de trigo, que aceita morrer, para germinar uma vida nova para todos os que se unirem a Ele. Est\u00e1 aqui afirmada uma verdade perene da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja: o semeador tem de ser semente, que aceita morrer para germinar a vida. \tFoi a partir desta certeza de f\u00e9 de que Jesus Cristo, morto e ressuscitado, \u00e9 a verdadeira semente donde brota a Igreja, que as primeiras gera\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os, perante a experi\u00eancia do mart\u00edrio, perceberam que tamb\u00e9m o sangue dos m\u00e1rtires, derramado como o de Cristo, era semente donde brotava a Igreja: \u201cSangue de M\u00e1rtires, semente de crist\u00e3os\u201d. Foi por isso que a Igreja de Roma, a que tinha a primazia entre todas as Igrejas, sempre se apresentou como aquela que era o fruto fecundo de tantos m\u00e1rtires, sobretudo dos Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo. Foi por isso que os crist\u00e3os come\u00e7aram a celebrar a Eucaristia sobre o t\u00famulo dos m\u00e1rtires, testemunho da convic\u00e7\u00e3o de que o sangue de Cristo e o sangue dos m\u00e1rtires fazem parte do mesmo sacrif\u00edcio redentor. \tH\u00e1 mil e setecentos anos, na persegui\u00e7\u00e3o de Diocleciano, que atingiu de modo particular as Igrejas implementadas na periferia do Imp\u00e9rio, Vicente, di\u00e1cono de Val\u00eancia, foi semente lan\u00e7ada \u00e0 terra, aceitando perder a vida para a ganhar, tornando-se, no seu sangue, semente fecunda donde havia de germinar a Igreja nestas terras mais ocidentais do Imp\u00e9rio Romano. Naquele dia, o semeador saiu a lan\u00e7ar a semente. Ela fecundou, e h\u00e1-de continuar a fecundar, a palavra dos evangelizadores que fazem crescer e fortalecer a Igreja do Senhor.  \t2. A nossa rela\u00e7\u00e3o com S\u00e3o Vicente \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da seara com a semente. Foram dezassete s\u00e9culos de aventura do Evangelho. N\u00e3o admira que ele se tornasse patrono fiel e santo querido de todas estas cristandades perseguidas. De facto, depois da paz dada \u00e0 Igreja por Constantino, n\u00e3o foi muito longa a tranquilidade da Igreja. A queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente trouxe \u00e0 Europa tempos de intranquilidade, na invas\u00e3o dos povos do Norte que a Igreja evangeliza. Mas bem depressa a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica conhece novos tempos dif\u00edceis para a cristandade, com a invas\u00e3o dos mu\u00e7ulmanos. E \u00e9 nesse contexto \u2013 e aqui a Hist\u00f3ria confunde-se com a tradi\u00e7\u00e3o \u2013 que as rel\u00edquias do Santo M\u00e1rtir acompanham as vicissitudes das comunidades crist\u00e3s perseguidas, que ora as escondem, ora as levam consigo, na sua peregrina\u00e7\u00e3o martirial. Semente de crist\u00e3os no seu mart\u00edrio, ele torna-se semente de resist\u00eancia e de fidelidade no sofrimento dos seus irm\u00e3os. \tSanto de grande devo\u00e7\u00e3o das comunidades mo\u00e7arabes, o seu \u00faltimo esconderijo no promont\u00f3rio de Sagres, no Cabo que hoje tem o seu nome, \u00e9 nomeado como santu\u00e1rio de peregrina\u00e7\u00f5es, por crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. A\u00ed as vai procurar o nosso primeiro Rei, depois da conquista de Lisboa, certamente para apaziguar as comunidades crist\u00e3s mo\u00e7arabes, que continuavam presentes na nova Lisboa dos cruzados. Lisboa recebeu essas rel\u00edquias, fazendo de S\u00e3o Vicente o Santo da Cidade, que gravou, para sempre, no seu escudo, os s\u00edmbolos que evocam essa viagem das rel\u00edquias de Sagres a Lisboa. Desde ent\u00e3o sempre a Igreja de Lisboa se considerou fruto amadurecido dessa semente que foi o sangue do Santo M\u00e1rtir; e sempre a Cidade, a come\u00e7ar pelas suas autoridades, lhe confiaram os destinos da Cidade. Queremos colocar o Congresso da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3xima Miss\u00e3o na Cidade, sob a protec\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Vicente. O seu sangue continua semente fecunda, que h\u00e1-de enriquecer a nossa palavra e o nosso testemunho. Queremos que a \u201cMiss\u00e3o na Cidade\u201d seja uma manifesta\u00e7\u00e3o do nosso amor \u00e0 cidade e a afirma\u00e7\u00e3o da perenidade salv\u00edfica do sangue dos m\u00e1rtires. Em nenhum outro ponto como no culto a S\u00e3o Vicente, a Igreja e a Cidade cruzam os seus destinos e partilham os seus anseios e projectos.  \t3. Queremos celebrar os mil e setecentos anos do mart\u00edrio de S\u00e3o Vicente, no contexto do ano de prepara\u00e7\u00e3o para o Congresso e para a Miss\u00e3o na Cidade. \u00c9 um ano de aprofundamento da nossa f\u00e9 e da nossa radicalidade crist\u00e3, para podermos ser testemunhas aut\u00eanticas do evangelho. Proclamo um Ano Vicentino, que se inicia hoje e termina de hoje a um ano, que ser\u00e1 um verdadeiro \u201cAno Santo Vicentino\u201d. O Santo Padre aceitou o meu pedido de conceder, durante este ano, \u00e0 Catedral e \u00e0s Igrejas Paroquiais de S\u00e3o Vicente de Fora, de Vila Franca de Xira e de Alcabideche, que t\u00eam S\u00e3o Vicente como Patrono, as gra\u00e7as jubilares, nas condi\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o proclamadas a seguir.  \tSer\u00e1 um ano de convite \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 renova\u00e7\u00e3o espiritual, acentuando a gra\u00e7a simb\u00f3lica da centralidade da Catedral, Igreja M\u00e3e da nossa Diocese. Tornemo-nos peregrinos da Catedral, em esp\u00edrito jubilar, e a\u00ed receberemos a fecundidade redentora do sangue de Cristo, bem presente no sangue do M\u00e1rtir S\u00e3o Vicente. Ali\u00e1s, durante este ano a Catedral oferecer\u00e1 aos seus visitantes, al\u00e9m das gra\u00e7as espirituais, uma exposi\u00e7\u00e3o permanente sobre S\u00e3o Vicente e outras actividades culturais, que constar\u00e3o de programa a anunciar brevemente. \tUnidos a Cristo e com a protec\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Vicente, tornemo-nos, cada vez mais, semente lan\u00e7ada \u00e0 terra, de quem aceita sacrificar a vida para a ganhar, tornando-a sementeira fecunda do Reino de Deus.   S\u00e9 Patriarcal, 22 de Janeiro de 2004, \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia proferida na Solenidade de S\u00e3o Vicente, nos 1700 anos do seu mart\u00edrio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,203,268,275],"class_list":["post-4306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4306\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}