{"id":4303,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mais-questoes-do-que-respostas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mais-questoes-do-que-respostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mais-questoes-do-que-respostas\/","title":{"rendered":"Mais quest\u00f5es do que respostas"},"content":{"rendered":"<p>Regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei da Imigra\u00e7\u00e3o ficou aqu\u00e9m das expectativas <!--more--> As altera\u00e7\u00f5es que constam do novo regime jur\u00eddico para a imigra\u00e7\u00e3o, decididas no \u00faltimo Conselho de Ministros, pode n\u00e3o vir a provocar grandes altera\u00e7\u00f5es na vida dos milhares de imigrantes em situa\u00e7\u00e3o ilegal no nosso pa\u00eds. \u201cInfelizmente as mudan\u00e7as n\u00e3o ser\u00e3o tantas como n\u00f3s gostar\u00edamos\u201d, come\u00e7a por confessar Ros\u00e1rio Farmhouse, directora do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados (JRS) de Portugal. A defini\u00e7\u00e3o de uma data limite \u2013 Mar\u00e7o de 2003 \u2013 poder\u00e1 implicar o fim do caminho para muitos imigrantes, como explica a directora do JRS-Portugal. \u201cH\u00e1 muita gente que n\u00e3o fez descontos porque a Seguran\u00e7a Social come\u00e7ou a n\u00e3o aceitar inscri\u00e7\u00f5es dos que se encontravam em situa\u00e7\u00e3o irregular, h\u00e1 casos em que os patr\u00f5es fizeram descontos fict\u00edcios e os imigrantes n\u00e3o o podem provar, penso que h\u00e1 algumas limita\u00e7\u00f5es e premissas que ser\u00e3o dif\u00edceis de colocar em pr\u00e1tica\u201d, refere. Outra novidade tem a ver com a prefer\u00eancia dada aos imigrantes que demonstrem o conhecimento da l\u00edngua portuguesa. Na pr\u00e1tica, isto significa que boa parte dos 6500 imigrantes que dever\u00e3o entrar em Portugal, ao abrigo do relat\u00f3rio de oportunidades de emprego anunciado segunda-feira, poder\u00e1 ser oriunda dos Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa. Esta inten\u00e7\u00e3o \u00e9 registada no pre\u00e2mbulo da nova lei que regula a entrada de estrangeiros no pa\u00eds. Para Ros\u00e1rio Farmhouse, \u201ctodas as discrimina\u00e7\u00f5es, ainda que positivas, criam injusti\u00e7as\u201d.  Al\u00e9m da Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Oficial Portuguesa, est\u00e3o referenciados os \u201cimigrantes de outros pa\u00edses que j\u00e1 tenham tido contacto com a l\u00edngua e a cultura portuguesas\u201d, o que pode significar um espa\u00e7o de abertura para os imigrantes eslavos. \u201cPelo que li no pre\u00e2mbulo, ser\u00e1 normal dar prioridade \u00e0queles que conhecem a nossa realidade, dado que ter\u00e3o maior facilidade de integra\u00e7\u00e3o, mas limitar a entrada no pa\u00eds a pessoas da CPLP \u00e9 injusto \u2013 at\u00e9 porque h\u00e1 muitos brasileiros e africanos que n\u00e3o nos percebem com facilidade\u201d, aponta a directora do JRS-Portugal.  RESPOSTAS LIMITADAS A pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o do Governo agora tornada p\u00fablica assenta, fundamentalmente, num regime de quotas (6500 vagas em 2004), definidas de dois em dois anos. A lei deixa em aberto uma altera\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio que define as quotas, podendo este ser suspenso &#8220;sempre que as condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho, que estiveram na base da sua elabora\u00e7\u00e3o, se alterem significativamente&#8221;. Esta op\u00e7\u00e3o clara em fazer do mercado de trabalho o motor da imigra\u00e7\u00e3o incomoda particularmente o Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados. \u201cTemos sempre a hip\u00f3tese de pedir autoriza\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia por raz\u00f5es humanit\u00e1rias ou de sa\u00fade, mas este \u00e9 sempre um processo muito lento e limitado a casos muito espor\u00e1dicos\u201d, assinala Ros\u00e1rio Farmhouse. A redac\u00e7\u00e3o do decreto regulamentar estabelece, de facto, que os imigrantes tenham de apresentar uma promessa de contrato de trabalho nos consulados portugueses, assinada pelo empregado e pelo empregador, o comprovativo da oferta de emprego no Instituto do Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional (IEFP) e da apresenta\u00e7\u00e3o na Inspec\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (IGT). Outra das exig\u00eancias para o processo de legaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a obrigatoriedade de o imigrante apresentar o registo criminal no pa\u00eds de origem e em Portugal. A experi\u00eancia do JRS, atrav\u00e9s do programa dos m\u00e9dicos, ensina que tal registo \u201ctem de ser solicitado pelo pr\u00f3prio e se as pessoas est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de irregularidade n\u00e3o podem l\u00e1 ir\u201d, constata Ros\u00e1rio Farmhouse. A necessidade de uma maior capacidade de resposta por parte dos consulados e embaixadas nos pa\u00edses de origem volta a ser lembrada por esta respons\u00e1vel. \u201cTemo muito que a actual incapacidade seja um factor limitativo para muitos imigrantes\u201d, alerta. O futuro, ali\u00e1s, n\u00e3o se afigura muito melhor em fun\u00e7\u00e3o dos novos decretos regulamentares. \u201cQuanto mais se complicam os processos, mais tend\u00eancia h\u00e1 para recorrer a mecanismos que est\u00e3o fora do sistema. Estar legal devia obedecer mecanismos rigorosos, mas f\u00e1ceis, que as pessoas pudessem cumprir: o aumento das dificuldades s\u00f3 propicia condi\u00e7\u00f5es para o aparecimento de novas redes ilegais\u201d, vai avisando esta respons\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei da Imigra\u00e7\u00e3o ficou aqu\u00e9m das expectativas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[122,291],"class_list":["post-4303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-brasil","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}