{"id":43029,"date":"2010-01-18T12:20:13","date_gmt":"2010-01-18T12:20:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/18\/viver-o-ecumenismo-no-casamento\/"},"modified":"2010-01-18T12:20:13","modified_gmt":"2010-01-18T12:20:13","slug":"viver-o-ecumenismo-no-casamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viver-o-ecumenismo-no-casamento\/","title":{"rendered":"Viver o ecumenismo no casamento"},"content":{"rendered":"<p>Um pastor presbiteriano e uma catequista cat\u00f3lica falam da sua rela\u00e7\u00e3o e das reac\u00e7\u00f5es que suscita <!--more--> <\/p>\n<p>Foi na Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa que se encontraram, em Lisboa. Pedro Brito, de 36 anos, e Elizabete Francisco, 34, casaram no passado dia 15 de Novembro, depois de seis anos de namoro, numa cerim&oacute;nia celebrada pelo Pe. Carlos, jesu&iacute;ta, e pela pastora Eva Michel, presbiteriana. Em comum, o facto de serem crist&atilde;os e o amor que os une, num casamento especial: ele &eacute; pastor presbiteriano, ela cat&oacute;lica, catequista.<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &#8211; Nunca foi um problema serem de confiss&otilde;es diferentes?<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro &#8211;<\/em> As ra&iacute;zes da minha fam&iacute;lia sempre foram cat&oacute;licas. Nunca tive nenhum problema com a Igreja Cat&oacute;lica. Costumo dizer, a algumas pessoas que estou mais pr&oacute;ximo da Elizabete do que de muitas pessoas da minha confiss&atilde;o.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Porqu&ecirc;?<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro<\/em> &#8211; Em termos de ideias. O fundamental para n&oacute;s &eacute; Cristo e tudo o que &eacute; em torno de Cristo. Tudo o que cerca n&atilde;o &eacute; fundamental. Focamo-nos nesse aspecto. Por vezes debatemos quest&otilde;es confessionais, mas mais na perspectiva de cada um compreender a perspectiva do outro. No fundamental estamos muito unidos.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Nas celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas como se organizam?<\/em><\/p>\n<p><em>Elizabete<\/em> &ndash; Cada um faz a sua ora&ccedil;&atilde;o pessoal. As ora&ccedil;&otilde;es comuns acontecem antes da refei&ccedil;&atilde;o. Eu sigo sempre um rito cat&oacute;lico, geralmente termino as minhas ora&ccedil;&otilde;es com &laquo;gl&oacute;ria ao Pai&raquo; e o Pedro diz sempre &laquo;Em nome de Jesus Cristo&raquo; e respondemos &laquo;Amen&raquo;. Quando temos visitas nota-se a diferen&ccedil;a se &eacute; um ou outro a conduzir a ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E a celebra&ccedil;&atilde;o de Domingo? O Pedro tem responsabilidades pastorais&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro <\/em>&ndash; Cada um vai &agrave; sua Igreja. Sou pastor e tenho os meus servi&ccedil;os. Tenho duas igrejas a meu cargo e a Elizabete frequenta a Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p><em>Elizabete<\/em> &ndash; O mais interessante &eacute; que trabalhamos na mesma comunidade. Sou enfermeira e frequento a igreja cat&oacute;lica das Alhadas, onde dou tamb&eacute;m catequese. No in&iacute;cio colocavam-se muitas quest&otilde;es: &laquo;Ent&atilde;o, o pastor deixa ir a sua mulher &agrave; Igreja?&raquo;. Com naturalidade, os rituais continuam como cada um sempre os realizou. Eu sempre o conheci como protestante e ele sempre me conheceu como cat&oacute;lica.<\/p>\n<p><em>Pedro <\/em>&ndash; Por vezes, na igreja onde eu vou, as pessoas perguntam-me pela Elizabete e alguns dizem que ela, como eu sou pastor, deveria ir comigo. Mas eu acho que n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o nenhuma para ela sair da sua confiss&atilde;o. O ideal era que as duas igrejas se unissem. Como isso ainda n&atilde;o aconteceu temos de respeitar. Acredito que n&atilde;o faltar&aacute; muito tempo para o Cristianismo encontrar outras formas de uni&atilde;o. Isso est&aacute; j&aacute; a acontecer em alguns locais da Europa &#8211; ser comunidade de Cristo fora das institui&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o &agrave; margem, mantendo as tradi&ccedil;&otilde;es, mas encontrando formas inovadoras.<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; poss&iacute;vel ver para al&eacute;m da pr&oacute;pria identidade institucional?<\/em><\/p>\n<p><em>Elizabete <\/em>&ndash; Existem jovens que se re&uacute;nem em Lisboa e s&atilde;o um exemplo real: uma comunidade que se re&uacute;ne, em que rezam todos juntos. Identificam-se como crist&atilde;os que rezam.<\/p>\n<p><em>Pedro <\/em>&ndash; O Cristianismo tem de passar pela comunidade. N&atilde;o h&aacute; cristianismo individualista.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A vossa viv&ecirc;ncia &eacute; um exemplo de que &eacute; poss&iacute;vel a uni&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>Elizabete<\/em> &#8211; H&aacute; amigos que acham interessante. O nosso dia-a-dia passa para as outras pessoas e n&oacute;s nem nos apercebemos. Fazemos com simplicidade, tal como os outros casais. A base &eacute; o respeito. N&atilde;o &eacute; muito diferente de outros casais.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; E os filhos?<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro<\/em> &ndash; Essa &eacute; a pergunta cl&aacute;ssica. Quando dizemos que eu continuo protestante e a Elizabete cat&oacute;lica as pessoas compreendem. Mas surge a quest&atilde;o de onde educar os filhos. N&oacute;s n&atilde;o sabemos. O que interessa &eacute; o que continuamos a fazer. N&oacute;s relacionamo-nos bem e a nossa f&eacute; n&atilde;o est&aacute; separada do que somos. A Elizabete surgiu na minha vida porque Deus a p&ocirc;s na minha vida. Se os filhos chegarem vamos continuar focados no mesmo tipo de rela&ccedil;&atilde;o que temos at&eacute; agora e que ultrapassa as confiss&otilde;es.<\/p>\n<p>Perguntam-me como pastor que exemplo darei se os meus filhos n&atilde;o forem &agrave; minha Igreja ou &laquo;Como &eacute; que vou ter crian&ccedil;as na escola dominical se os teus filhos v&atilde;o &agrave; catequese?&raquo; Se eu souber que na Igreja Cat&oacute;lica ensinam melhor a B&iacute;blia e o Evangelho de uma forma mais aut&ecirc;ntica e verdadeira, porque n&atilde;o?<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Na pr&aacute;tica ser&atilde;o eles a escolher quando forem mais velhos?<\/em><\/p>\n<p><em>Elizabete<\/em> &ndash; N&atilde;o. Tem de haver uma educa&ccedil;&atilde;o desde o in&iacute;cio. Desde a concep&ccedil;&atilde;o ou desde a nascen&ccedil;a existe j&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o dessas pessoas com Deus. Se os pais s&atilde;o crentes, estes v&atilde;o naturalmente introduzi-la na rela&ccedil;&atilde;o com Deus. O mais importante &eacute; desenvolver esta rela&ccedil;&atilde;o. Quanto &agrave; confiss&atilde;o, n&atilde;o sei. Vejo tantos que foram educados na Igreja Cat&oacute;lica ou Protestante e depois professam outra coisa ou s&atilde;o agn&oacute;sticos ou ateus. A educa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; feita com a presen&ccedil;a de Cristo.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A comunidade presbiteriana questiona a vossa rela&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro<\/em> &ndash; Est&aacute; demasiado enraizado, acho que culturalmente, que o pastor tenha de ter uma mulher que, n&atilde;o sendo oficialmente pastora, o ajude. Na Igreja presbiteriana eu n&atilde;o conhe&ccedil;o outro casal que tenha outra pessoa t&atilde;o empenhada como a Elizabete &eacute; na Igreja dela. Eu sempre tive uma postura de relativiza&ccedil;&atilde;o perante a institui&ccedil;&atilde;o. O que &eacute; importante &eacute; anunciar Cristo e o Evangelho. A Elizabete ajuda-me muitas vezes teologicamente.<\/p>\n<p><em>Elizabete<\/em> &ndash; Eu sinto-me querida nas comunidades protestantes. Sempre me senti muito acolhida. No colectivo poder&atilde;o surgir algumas quest&otilde;es, mas penso que mais culturalmente.<\/p>\n<p><em>Pedro<\/em> &ndash; O nosso testemunho &eacute; o amor que nos une aos dois e depois a Deus. A hist&oacute;ria vai-se fazendo.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; At&eacute; que ponto a aproxima&ccedil;&atilde;o entre as igrejas crist&atilde;s &eacute; efectivo?<\/em><\/p>\n<p><em>Pedro<\/em> &#8211; H&aacute; de facto um trabalho feito nos &uacute;ltimos anos. Mas o di&aacute;logo ecum&eacute;nico estagnou. As pessoas continuam presas &agrave;s suas institui&ccedil;&otilde;es. O objectivo cimeiro do movimento ecum&eacute;nico &eacute; que a unidade fosse vis&iacute;vel. E isso n&atilde;o se vislumbra. Penso que seria essencial que o di&aacute;logo nas c&uacute;pulas tivesse caminho por onde andar e n&atilde;o vejo isso. O movimento ecum&eacute;nico vai continuar a existir pela base e atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de comunidades.<\/p>\n<p><em>Elizabete <\/em>&ndash; Quando todos participarmos da mesma mesa, a&iacute; seremos uma comunidade vis&iacute;vel e os entraves ser&atilde;o ultrapassados. Enquanto isso n&atilde;o acontecer, temos ainda um grande caminho para fazer.<span id=\"_marker\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pastor presbiteriano e uma catequista cat\u00f3lica falam da sua rela\u00e7\u00e3o e das reac\u00e7\u00f5es que suscita<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127,192,203],"class_list":["post-43029","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese","tag-ecumenismo","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43029\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}