{"id":43027,"date":"2010-01-18T12:10:31","date_gmt":"2010-01-18T12:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/18\/musica-ponto-de-encontro-dos-cristaos\/"},"modified":"2010-01-18T12:10:31","modified_gmt":"2010-01-18T12:10:31","slug":"musica-ponto-de-encontro-dos-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/musica-ponto-de-encontro-dos-cristaos\/","title":{"rendered":"M\u00fasica, ponto de encontro dos crist\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>&laquo;Como te poderemos chamar por outro nome, a ti que est&aacute;s para l&aacute; de tudo? Que hino te poderemos cantar? N&atilde;o h&aacute; palavras que te possam expressar&hellip; O desejo universal, o gemido de todos, aspira por ti.&raquo;<\/p>\n<p>S. Greg&oacute;rio de Nazianzo, no s&eacute;c. IV, canta assim os mist&eacute;rios de Deus e fala deste desejo universal, deste gemido que junta todo o universo e toda a humanidade numa s&oacute; sede de Deus (1). Toda a humanidade se volta para Deus num mesmo gesto de contempla&ccedil;&atilde;o e louvor. Somos chamados a formar um Corpo, a nos reunirmos em Igreja, a sermos parte de um Povo que caminha para Deus. Esta certeza deveria iluminar a nossa procura e o nosso ponto de vista nas quest&otilde;es mais concretas do mundo. Nada nos &eacute; indiferente pois tudo nos diz respeito: o que quer que seja infligido a um irm&atilde;o do outro lado do mundo, &eacute; a Cristo que se atinge e a n&oacute;s tamb&eacute;m, enquanto membros do seu corpo.<\/p>\n<p>&laquo;Para l&aacute; das grandes diferen&ccedil;as culturais que podem criar barreiras entre os continentes, todos os seres humanos formam uma s&oacute; fam&iacute;lia&raquo; (2)<\/p>\n<p>Os te&oacute;logos e as vontades humanas n&atilde;o foram sempre bem sucedidos a encontrar um caminho de comunh&atilde;o para as diferentes confiss&otilde;es do cristianismo. Mas haver&aacute; certamente outros campos em que &eacute; poss&iacute;vel avan&ccedil;ar numa viv&ecirc;ncia ecum&eacute;nica posta em pr&aacute;tica: a viv&ecirc;ncia do amor fraterno, a ora&ccedil;&atilde;o, a reflex&atilde;o b&iacute;blica, a partilha de vida, as ci&ecirc;ncias e as artes podem e devem ser &ldquo;laborat&oacute;rios&rdquo; naturais do ecumenismo.<\/p>\n<p><strong>A linguagem universal da m&uacute;sica<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; caracter&iacute;sticas que diferenciam as culturas e os povos, mas haver&aacute; express&atilde;o mais universal do que a m&uacute;sica? A m&uacute;sica est&aacute; presente em todas as culturas do mundo e ser&aacute; por isso a mais democr&aacute;tica das artes. No cristianismo, durante s&eacute;culos as diferentes confiss&otilde;es foram construindo a sua hist&oacute;ria desenvolvendo est&eacute;ticas pr&oacute;prias. A tradi&ccedil;&atilde;o ortodoxa desenvolveu a sua m&uacute;sica lit&uacute;rgica em eslav&atilde;o e em grego, a igreja do ocidente usava o latim. Com a reforma, as igrejas reformadas introduziram as l&iacute;nguas vern&aacute;culas com vista a facilitar a compreens&atilde;o dos textos lit&uacute;rgicos por parte dos fi&eacute;is. Este foi um gesto pioneiro que s&oacute; s&eacute;culos mais tarde foi adoptado pela igreja cat&oacute;lica romana. N&atilde;o se pode falar de m&uacute;sica sem se referir o grande Johann Sebastian Bach. Bach e outros compositores seus contempor&acirc;neos introduziram nas celebra&ccedil;&otilde;es dominicais a forma da Cantata, que inclu&iacute;a &aacute;rias para cantores solistas, recitativos e corais (entoados por toda a assembleia) [3]. A escrita dos corais veio romper com a m&uacute;sica da pr&eacute;-reforma que, apesar de muito bela, tinha ganho uma complexidade e virtuosismo excessivos aos olhos destes compositores da igreja reformada. Nos corais de Bach, os textos sagrados ganharam um novo destaque e os fi&eacute;is podiam compreender o que cantavam e o que era cantado. Esta import&acirc;ncia dada &agrave; Palavra &eacute; princ&iacute;pio transversalmente inspirador para todas as confiss&otilde;es do cristianismo. Este aspecto serve aqui de exemplo para ilustrar a import&acirc;ncia de se estar aberto ao que outras tradi&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m para ensinar: a hist&oacute;ria tem-nos vindo a revelar que ningu&eacute;m pode considerar que domina todo o conhecimento e que nada tem a aprender com o dos outros.<\/p>\n<p><strong>Pequenos gestos de encontro<\/strong><\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos em Portugal t&ecirc;m sido gravados alguns &aacute;lbuns de m&uacute;sica lit&uacute;rgica, o que parece ser um grande passo para uma maior qualidade musical das celebra&ccedil;&otilde;es &ndash; enquanto utens&iacute;lio para uma aprendizagem mais rigorosa e eficaz da m&uacute;sica, garante uma maior uniformidade entre as vers&otilde;es cantadas nas diferentes comunidades eclesiais e paroquiais. Est&aacute; em fase de produ&ccedil;&atilde;o o segundo CD Ecum&eacute;nico (4) que re&uacute;ne m&uacute;sica lit&uacute;rgica de quatro confiss&otilde;es crist&atilde;s (Igreja cat&oacute;lica romana, lusitana, metodista e presbiteriana). A letra das m&uacute;sicas &eacute; o portugu&ecirc;s e este projecto promovido pelo Grupo Ecum&eacute;nico Juvenil reuniu jovens do norte e do sul do pa&iacute;s, vindos das comunidades crist&atilde;s representadas no CD. Este projecto corrobora a universalidade da m&uacute;sica enquanto ponto de encontro entre as diversas tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s e &eacute; composto por m&uacute;sicas que poder&atilde;o ser integradas por qualquer uma das confiss&otilde;es nas suas celebra&ccedil;&otilde;es. Porque em Deus todos podemos cantar e falar a mesma l&iacute;ngua.<\/p>\n<p>Rui Aleixo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Como te poderemos chamar por outro nome, a ti que est&aacute;s para l&aacute; de tudo? 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