{"id":43023,"date":"2010-01-23T10:21:48","date_gmt":"2010-01-23T10:21:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/23\/musica-sacra-regressa-ao-baixo-alentejo\/"},"modified":"2010-01-23T10:21:48","modified_gmt":"2010-01-23T10:21:48","slug":"musica-sacra-regressa-ao-baixo-alentejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/musica-sacra-regressa-ao-baixo-alentejo\/","title":{"rendered":"M\u00fasica Sacra regressa ao Baixo Alentejo"},"content":{"rendered":"<p>6.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Terras sem Sombra arranca em Santiago do Cac\u00e9m <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Famosa pelas suas condi&ccedil;&otilde;es ac&uacute;sticas, a igreja matriz de Santiago do Cac&eacute;m recebe este S&aacute;bado,a 23 de Janeiro, o concerto de abertura da 6.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do Festival Terras sem Sombra de M&uacute;sica Sacra do Baixo Alentejo, com Jordi Savall e Pedro Estevan. &Eacute; o ponto de partida para uma temporada que se estende at&eacute; 8 de Maio e tem como objectivo o aprofundamento das rela&ccedil;&otilde;es entre a m&uacute;sica antiga e a express&atilde;o art&iacute;stica contempor&acirc;nea, segundo lembra o t&iacute;tulo escolhido: &ldquo;Limites Imensos &ndash; A Contemporaneidade na M&uacute;sica Antiga&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Resultante da parceria do Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja com a Arte das Musas, o Festival Terras sem Sombra &eacute; dirigido, desde a primeira hora, por Jos&eacute; Ant&oacute;nio Falc&atilde;o e Filipe Faria. Visando a forma&ccedil;&atilde;o de novos p&uacute;blicos e a abertura de igrejas de not&aacute;vel valor, algo fundamental numa regi&atilde;o em que, at&eacute; h&aacute; pouco, estas lacunas eram gritantes, os seus espect&aacute;culos s&atilde;o, todos eles, de acesso livre. Sem bilhetes ou reservas, porque a cultura deve ser um bem acess&iacute;vel a todos, mesmo longe dos grandes circuitos nacionais. Conta-se para isso com a colabora&ccedil;&atilde;o da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral das Artes do Minist&eacute;rio da Cultura, da Delta e das c&acirc;maras municipais dos concelhos visitados. Aos pontos j&aacute; habituais (Almod&ocirc;var, Alvito, Beja, Castro Verde e Santiago do Cac&eacute;m) associou-se este ano, pela primeira vez, Gr&acirc;ndola.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Atingida a maturidade, o Festival permanece fiel &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o &ndash; dar a conhecer os grupos portugueses mais qualificados, com um especial aten&ccedil;&atilde;o para os jovens int&eacute;rpretes &ndash;, mas n&atilde;o descura a internacionaliza&ccedil;&atilde;o. O concerto que abre a edi&ccedil;&atilde;o de 2010 representa um passo de gigante nesta caminhada. Conseguir trazer Jordi Savall a Santiago do Cac&eacute;m, quando se sabe que ele trabalha com uma agenda a longo prazo e &eacute; muito rigoroso na selec&ccedil;&atilde;o dos eventos para os quais &eacute; convidado, exigiu persist&ecirc;ncia e diplomacia. O passo inicial ocorreu em 2002, na altura em que se estudava o lan&ccedil;amento do projecto Terras sem Sombra. Savall realizou um concerto na igreja de Santo Ant&oacute;nio dos Portugueses, em Roma, coincidindo com a exposi&ccedil;&atilde;o &ldquo;As Formas do Esp&iacute;rito &ndash; Arte Sacra da Diocese de Beja&rdquo;, apoiada pela Santa S&eacute; e por Portugal. O m&uacute;sico ficou entusiasmado com o que viu e quis conhecer o Baixo Alentejo. Ficou assim lan&ccedil;ada a base de uma ideia que, desenvolvida com todo o cuidado ao longo dos &uacute;ltimos anos, p&ocirc;de finalmente concretizar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A escolha da igreja matriz de Santiago do Cac&eacute;m para o arranque da 6.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do Festival resulta tamb&eacute;m de um trabalho constante. Fundado em in&iacute;cios do s&eacute;culo XIII, este monumento, sede de uma antiga colegiada da Ordem militar de Santiago, &eacute; um dos mais belos exemplos do G&oacute;tico mon&aacute;stico-militar. Apesar de pertencer ao Estado e possuir a classifica&ccedil;&atilde;o de monumento nacional, permaneceu durante muito tempo ao abandono. Uma comiss&atilde;o local de salvaguarda conseguiu, em colabora&ccedil;&atilde;o com o Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas e a C&acirc;mara Municipal, recuper&aacute;-lo e mant&ecirc;-lo aberto. As condi&ccedil;&otilde;es ac&uacute;sticas e a aura espiritual fazem dele um s&iacute;tio muito cobi&ccedil;ado para a interpreta&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sica antiga, ocupando posi&ccedil;&atilde;o de relevo no Festival Terras sem Sombra.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Savall, mestre de mestres<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Jordi Savall ocupa um lugar pr&oacute;prio no universo da m&uacute;sica. H&aacute; trinta anos que se dedica a revelar maravilhosos fen&oacute;menos musicais, abandonados na obscuridade e na indiferen&ccedil;a, estudando-os e interpretando-os na viola da gamba ou como maestro. Trata-se de um repert&oacute;rio fundamental oferecido aos mel&oacute;manos exigentes. Atrav&eacute;s dos tr&ecirc;s <em>ensembles<\/em> musicais fundados com Monserrat Figueras, Hesp&egrave;rion, La Capella Real de Catalunya e Le Concert des Nations, soube criar um universo repleto de emo&ccedil;&otilde;es e beleza, d&aacute;diva para todos os apaixonados pela m&uacute;sica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nascido na Catalunha, Savall &eacute; uma das personalidades musicais mais polivalentes da sua gera&ccedil;&atilde;o. Concertista, pedagogo, investigador, tornou-se um dos protagonistas da actual revaloriza&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica hist&oacute;rica. A participa&ccedil;&atilde;o no filme de Alain Corneau, <em>Todas as Manh&atilde;s do Mundo<\/em> (C&eacute;sar para a Melhor Banda Sonora), a intensa actividade de concertos (cerca de 140 por ano), a discografia (seis grava&ccedil;&otilde;es por ano), sem esquecer a cria&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria etiqueta, Alia Vox, provam que a m&uacute;sica antiga nada tem de elitista.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Colaborador habitual de Savall e Figueras, Pedro Estevan estudou no Conservat&oacute;rio Superior de M&uacute;sica de Madrid e em Aix-en-Provence, onde frequentou o Curso de Percuss&atilde;o Contempor&acirc;nea e Africana com o senegal&ecirc;s Doudou Ndiaye Rose. Aprofundou tamb&eacute;m a t&eacute;cnica de &ldquo;hand drums&rdquo; com Glen Velez. Foi membro fundador da Orquestra das Nuvens e do Grupo de Percuss&atilde;o de Madrid. M&uacute;sico ecl&eacute;tico, dedica-se principalmente &agrave; m&uacute;sica antiga e contempor&acirc;nea. &Eacute; professor de Percuss&atilde;o Hist&oacute;rica na Escola Superior de M&uacute;sica da Catalunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Savall e Estevan, peritos na recupera&ccedil;&atilde;o de sonoridades esquecidas, assinalam o ponto de partida de um programa ambicioso. O seu recital, fruto de muitos anos de investiga&ccedil;&atilde;o musicol&oacute;gica, privilegia o di&aacute;logo Oriente-Ocidente, pondo em confronto &ldquo;m&uacute;sicas antigas&rdquo; e &ldquo;m&uacute;sicas do mundo&rdquo;. Das tradi&ccedil;&otilde;es sefarditas da Arg&eacute;lia e da Turquia &agrave;s &ldquo;dan&ccedil;as do vento&rdquo; e &ldquo;das espadas&rdquo; dos berberes e &agrave;s melodias lit&uacute;rgicas do Ocidente medieval (It&aacute;lia, Castela, Le&atilde;o), um percurso de v&aacute;rios s&eacute;culos relembra a identidade do Grande Mediterr&acirc;neo, ponto de encontro do Juda&iacute;smo, do Cristianismo e do Isl&atilde;o em torno de uma heran&ccedil;a comum. Algo que faz todo o sentido numa iniciativa destinada a unir a arte de dois senhores da m&uacute;sica ao patrim&oacute;nio religioso do Baixo Alentejo, tamb&eacute;m ele alvo de intenso esfor&ccedil;o de resgate nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Alian&ccedil;a das Civiliza&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O interesse pela alian&ccedil;a das civiliza&ccedil;&otilde;es, ali&aacute;s, manifesta-se em toda a arquitectura do Festival, que aposta forte no cruzamento de tend&ecirc;ncias art&iacute;sticas diversas, sem preconceitos, mas assumindo, como em edi&ccedil;&otilde;es anteriores, grande preocupa&ccedil;&atilde;o com a coer&ecirc;ncia e a qualidade das propostas apresentadas. Existe uma aposta na valoriza&ccedil;&atilde;o das grandes correntes da m&uacute;sica sacra, associando-a &agrave; redescoberta das igrejas do Baixo Alentejo enquanto espa&ccedil;os de refer&ecirc;ncia para a identidade do territ&oacute;rio. Esta op&ccedil;&atilde;o p&otilde;e em destaque uma realidade que n&atilde;o olha s&oacute; para o passado e continua a ter papel importante na cultura dos nossos dias. O fio condutor da iniciativa, de resto, assenta no di&aacute;logo com os criadores do presente, agentes fundamentais para dar voz a um conjunto de viv&ecirc;ncias hoje muitas vezes esquecido (ou silenciado).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Isto desperta o interesse do p&uacute;blico e da cr&iacute;tica. Contando invariavelmente com &ldquo;casa cheia&rdquo; &ndash; e algumas igrejas levam mais de 500 pessoas! &ndash;, o Terras sem Sombra perfila-se hoje como o ciclo musical mais importante do Alentejo. A sua &aacute;rea de influ&ecirc;ncia, ali&aacute;s, vai para al&eacute;m das fronteiras da regi&atilde;o, atraindo espectadores de diferentes pontos do pa&iacute;s e da vizinha Espanha. Para tal contribuem algumas marcas pr&oacute;prias do Festival, a come&ccedil;ar pelo facto de que este se prop&otilde;e tra&ccedil;ar, numa linguagem sem elitismos, pensada para o grande p&uacute;blico, uma &ldquo;hist&oacute;ria da m&uacute;sica&rdquo;, subordinando cada edi&ccedil;&atilde;o a um cap&iacute;tulo do patrim&oacute;nio musical. Outro tra&ccedil;o distintivo da iniciativa prende-se com o seu car&aacute;cter itinerante. Ao inv&eacute;s de estar centrada numa terra, a programa&ccedil;&atilde;o abrange diferentes concelhos da regi&atilde;o, escolhendo igrejas com relev&acirc;ncia art&iacute;stica e musical. Cada espect&aacute;culo &eacute; antecedido por visitas guiadas e por uma palestra sobre a hist&oacute;ria e a arte do monumento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>6.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Terras sem Sombra arranca em Santiago do Cac\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[119,168,171,265],"class_list":["post-43023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-arte-sacra","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-beja","tag-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43023\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}