{"id":429750,"date":"2026-06-09T17:14:25","date_gmt":"2026-06-09T16:14:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=429750"},"modified":"2026-06-09T17:14:25","modified_gmt":"2026-06-09T16:14:25","slug":"acolhimento-familiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/acolhimento-familiar\/","title":{"rendered":"Acolhimento Familiar"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Nuno Almeida,\u00a0Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_279392\" aria-describedby=\"caption-attachment-279392\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-279392\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-almeida-2023-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-almeida-2023-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-almeida-2023-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-almeida-2023-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-almeida-2023-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/nuno-almeida-2023.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-279392\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o podiam ser mais certeiras as palavras de Tolstoi, em \u201cAnna Kar\u00e9nina\u201d, quando recorda: \u201c<em>Todas as fam\u00edlias felizes se parecem, cada fam\u00edlia infeliz \u00e9 infeliz \u00e0 sua maneira<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 um <strong>mist\u00e9rio de amor<\/strong>: amor conjugal, maternal, paternal, filial, fraternal, amor dos av\u00f3s pelos netos e dos netos pelos av\u00f3s, dos tios pelos sobrinhos, etc. Nada mais constitui, liga, constr\u00f3i e reconstr\u00f3i a fam\u00edlia sen\u00e3o o amor! De facto, a fam\u00edlia dever\u00e1 ser tecida, \u201cartesanalmente\u201d, pelos fios da conjugalidade, parentalidade e fraternidade.<\/p>\n<p>Na fam\u00edlia \u00e9 decisivo o amor forte, indissol\u00favel e est\u00e1vel. Um amor com estas caracter\u00edsticas gera esperan\u00e7a e confian\u00e7a. E a confian\u00e7a pode gerar comunh\u00e3o, que \u00e9 um fator de coes\u00e3o emocional para a comunidade familiar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a constru\u00e7\u00e3o da unidade familiar \u00e9 uma parte da experi\u00eancia a construir, pois a fam\u00edlia deve igualmente habilitar os seus membros para a aventura da autonomia. <strong>A fam\u00edlia \u00e9 um ninho ou rega\u00e7o, sim, mas deve ser tamb\u00e9m uma escola de voo<\/strong>. <strong>\u00c9 um porto de abrigo, sem deixar de ser um impulso \u00e0 navega\u00e7\u00e3o em mar aberto.<\/strong> Viver isso com naturalidade, sem ansiedade nem com o peso da culpa, \u00e9 uma sabedoria que se vai adquirindo. No processo de aquisi\u00e7\u00e3o desta sabedoria, h\u00e1 tr\u00eas pontos que conv\u00e9m nunca perder de vista. O primeiro \u00e9 compreender que a fam\u00edlia vive numa reconcilia\u00e7\u00e3o permanente, o que implica uma descoberta e redescoberta permanentes. N\u00e3o basta o saber do que era: \u00e9 necess\u00e1rio a disponibilidade para reconhecer o que a cada momento \u00e9 e que est\u00e1 a acontecer agora. Muito facilmente a fam\u00edlia se torna irreconhec\u00edvel de um dia para outro e os seus membros como que estranhos. A pr\u00e1tica da hospitalidade radical que define o amor \u00e9, por isso, um trabalho intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 alternativa <strong>\u00e0 troca atenta de olhares <\/strong>de uns para com os outros e sempre de cora\u00e7\u00e3o desarmado, para aprender do outro aquilo que s\u00f3 ele nos pode ensinar. Pensar que os pais conhecem os filhos de uma vez para sempre, ou vice-versa, \u00e9 um erro grosseiro. O verdadeiro conhecimento \u00e9 aquele que aceita confrontar-se com o desconhecido que imediatamente n\u00e3o vemos, mas que est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso desconfiar dos automatismos. Todas as fam\u00edlias (felizes ou infelizes que se sintam) precisam de aprofundar compet\u00eancias. E esta exig\u00eancia acompanha-as at\u00e9 ao fim. Por exemplo, a transfer\u00eancia das culpas \u00e9 uma cortina que n\u00e3o permite perscrutar o n\u00f3 do problema, nem detetar a armadilha dessa dor, que \u00e9, no fundo, a ilus\u00e3o de que se sabe automaticamente resolver os desafios que se colocam \u00e0 fam\u00edlia. N\u00e3o se sabe. E a consci\u00eancia desta ignor\u00e2ncia \u00e9 mais fecunda do que se sup\u00f5e. Desperta, por exemplo, a atitude da aten\u00e7\u00e3o e da escuta, nas quais est\u00e1 o primeiro passo para a resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos. Sensibiliza para a necessidade de procurar ajuda sempre que \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 que valorizar o papel da esperan\u00e7a. Uma fam\u00edlia \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o assumidamente colaborativa, fruto da coopera\u00e7\u00e3o dos seus membros, no sentido que depende de todos no aqui e no agora. Mas \u00e9 uma hist\u00f3ria maior do que aquela que o presente hist\u00f3rico pode decidir. O modo original como cada gera\u00e7\u00e3o interpreta as ra\u00edzes ou a dire\u00e7\u00e3o surpreendente que empresta ao pr\u00f3prio florescer mostram como a fam\u00edlia \u00e9 sobretudo um fruto da esperan\u00e7a. A felicidade da fam\u00edlia depende sempre do investimento em esperan\u00e7a que est\u00e1 disposta a realizar.<\/p>\n<p>A vida crist\u00e3 est\u00e1 inevitavelmente \u201cobrigada\u201d a ser testemunho da <strong>Esperan\u00e7a<\/strong> e da <strong>Confian\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ser testemunhas de esperan\u00e7a e confian\u00e7a se cultivarmos a \u201carte crist\u00e3 de amar\u201d.<\/p>\n<p>Como Igreja e para sermos testemunhas e semeadores de <strong>esperan\u00e7a e de confian\u00e7a<\/strong>, em cada dia, procuremos, antes de mais, <strong>contemplar com f\u00e9 e gratid\u00e3o Jesus Cristo<\/strong> e o seu modo de parar, olhar, falar, servir, descobrindo que o Seu primeiro olhar se dirige ao sofrimento, manifestando amor: como miseric\u00f3rdia que cura, perd\u00e3o dos pecados, ternura que acompanha, di\u00e1logo que devolve dignidade, acolhimento de quem est\u00e1 \u00e0 margem. A sensibilidade radical de Jesus para com o sofrimento humano carateriza o seu modo de viver, servir e amar at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p>Para sermos testemunhas e semeadores de esperan\u00e7a e de confian\u00e7a, a aprendamos de Jesus a viver um amor que est\u00e1 atento, que se inclina, se ocupa, carrega e se doa sem reservas at\u00e9 ao fim<strong>. <\/strong><\/p>\n<p>Temos uma imensa necessidade de pessoas servidoras; hoje mais que ontem. Estamos cada vez mais inundados por sofrimento ps\u00edquico, moral e espiritual, mas o terreno n\u00e3o consegue absorver esta \u00e1gua porque <strong>s\u00e3o demasiado poucas as pessoas capazes de compaix\u00e3o, e menos ainda aquelas que servem com perseveran\u00e7a<\/strong>. S\u00e3o, no entanto, estas que mudam radicalmente a qualidade moral dos lugares onde vivem. <strong>Basta, por vezes, uma \u00fanica pessoa realmente servidora para melhorar uma comunidade inteira<\/strong>.<\/p>\n<p>Para que tudo isto aconte\u00e7a \u00e9 decisivo escutarmos juntos, e em todos os momentos da vida, a Palavra de Deus, principalmente nas ocasi\u00f5es importantes da vida pessoal e familiar, deixando-nos \u201cvisitar\u201d, como Maria, pela Palavra, (cf. Lc 1, 26-38) para que ela nos envolva e nos converta.<\/p>\n<p>Trata-se de procurar ouvir a Palavra de Deus juntamente com os que fazem parte da nossa fam\u00edlia, deixando que d\u00ea sentido \u00e0 vida, para que sejam vividas com beleza as circunst\u00e2ncias festivas e enfrentados com coragem os momentos de prova e sofrimento. Como \u00e9 importante colocar-se ao redor da Palavra de Deus, para que como que como crist\u00e3os \u00a0sejamos \u201cprofetas de sentido e inimigos do absurdo\u201d (Paul Ricoeur), semeadores, anunciadores e testemunhas da Esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>Ao reunirmos para a escuta da Palavra e para que a Palavra se fa\u00e7a vida e a nossa vida se fa\u00e7a Palavra, descobrimos a verdade das afirma\u00e7\u00f5es do Papa Francisco: \u00ab<em>A Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade, que n\u00e3o a podemos prever. [&#8230;]. A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrol\u00e1vel da Palavra, que \u00e9 eficaz a seu modo e sob formas t\u00e3o variadas que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previs\u00f5es e quebrando os nossos esquemas<\/em>\u00bb (EG 22).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Permanecem incisivas e oportunas as palavras do Papa Francisco pronunciadas, em 2022, no Encontro Mundial das Fam\u00edlias: \u201c<em>Ao afirmarmos a beleza da fam\u00edlia, sentimos mais do que nunca que devemos defend\u00ea-la. N\u00e3o permitamos que seja inquinada pelo veneno do ego\u00edsmo, do individualismo, da cultura da indiferen\u00e7a e do descarte, e perca assim o seu \u201cDNA\u201d que \u00e9 o acolhimento e o esp\u00edrito de servi\u00e7o. Os tra\u00e7os pr\u00f3prios da fam\u00edlia: o acolhimento e o esp\u00edrito de servi\u00e7o dentro da fam\u00edlia<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, confiamos a nossas fam\u00edlias de acolhimento e aquelas que poder\u00e3o vir a ser:<br \/>\n<em>Protege, Santa Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, as nossas fam\u00edlias,<br \/>\n<\/em><em>Todos os casais, os filhos e os pais,<br \/>\n<\/em><em>E enche de alegria, mais, mais e mais,<br \/>\n<\/em><em>Todos os seus dias, manh\u00e3s, tardes, noites e vig\u00edlias.<br \/>\n<\/em><em>Vela, Santa Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, por cada crian\u00e7a,<br \/>\n<\/em><em>por cada m\u00e3e, por cada pai, por cada irm\u00e3o,<br \/>\n<\/em><em>A todos os velhinhos, Santa Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, dai a m\u00e3o,<br \/>\n<\/em><em>e deixai em cada rosto um afago de esperan\u00e7a. Am\u00e9n<\/em>!<\/p>\n<p>+<em>Nuno Almeida<br \/>\n<\/em>Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n<p><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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