{"id":429,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/catolicismo-portugues-e-fatima\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"catolicismo-portugues-e-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catolicismo-portugues-e-fatima\/","title":{"rendered":"Catolicismo Portugu\u00eas e F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Os cat\u00f3licos portugueses s\u00e3o mais devotos de F\u00e1tima do que ap\u00f3stolos da sua mensagem&#8221; <!--more--> Catolicismo Portugu\u00eas e F\u00e1tima \u00c9 exerc\u00edcio para a imagina\u00e7\u00e3o perceber como seria o catolicismo portugu\u00eas sem F\u00e1tima. Talvez mais disperso e sem vincada consci\u00eancia nacional? Mais racionalista e mais enfraquecido nas express\u00f5es sens\u00edveis e menos materno e mariano na afei\u00e7\u00e3o do sentimento religioso?  O catolicismo portugu\u00eas convive com o fen\u00f3meno de F\u00e1tima em rela\u00e7\u00f5es que poderia caracterizar por quatro atitudes essenciais: aceita\u00e7\u00e3o, influ\u00eancia, resist\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o. A primeira rela\u00e7\u00e3o que se estabeleceu entre o catolicismo portugu\u00eas dos princ\u00edpios do s\u00e9culo XX e as apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima podemos chamar-lhe de aceita\u00e7\u00e3o. Aceita\u00e7\u00e3o dos pastorinhos que acolhem os sinais de uma presen\u00e7a no contexto do seu mundo religioso, nos limites infantis da sua inicia\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica deficiente e doutrinalmente rudimentar, bem como na admira\u00e7\u00e3o estupefacta de uma forte experi\u00eancia espiritual, de que beneficiavam, sem plenamente entender o alcance.  Aceita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dos cat\u00f3licos portugueses a quem paulatina e gradualmente a not\u00edcia conquista. A tend\u00eancia para exaltar o maravilhoso, pr\u00f3pria da religi\u00e3o natural e as afli\u00e7\u00f5es sociais e os sofrimentos de tempos conturbados para a Igreja cat\u00f3lica s\u00e3o terreno favor\u00e1vel para a aceita\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o chega a aprova\u00e7\u00e3o da hierarquia que confirma os factos ocorridos como integrados na mensagem crist\u00e3 e sem elementos que contradigam a revela\u00e7\u00e3o de Deus, plenamente anunciada e acontecida em Jesus Cristo. A maioria dos cat\u00f3licos aceitou e integrou o evento das apari\u00e7\u00f5es no seu mundo religioso. F\u00e1tima foi um dom acolhido por cora\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o Mist\u00e9rio. O que temos feito desse dom como cat\u00f3licos portugueses? A segunda atitude na rela\u00e7\u00e3o apelido-a de influ\u00eancia. Aqui incluo v\u00e1rios elementos: por um lado, a leitura que sofreu a experi\u00eancia fundadora por parte da mentalidade cat\u00f3lica portuguesa, as valoriza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da mensagem, as contra-propostas dos confrontos ideol\u00f3gicos envolventes, as interpreta\u00e7\u00f5es espirituais sobre os videntes, realizadas em momentos teol\u00f3gicos anquilosados e pobres. Por outro lado, assinalo a influ\u00eancia que o fen\u00f3meno de F\u00e1tima exerce sobre o catolicismo das comunidades crist\u00e3s do pa\u00eds. \u00c0 imagem do que se vive em F\u00e1tima multiplicam-se, por mimetismo, pr\u00e1ticas religiosas, prociss\u00f5es, formas de rezar o ter\u00e7o, venera\u00e7\u00e3o de imagens, c\u00e2nticos ouvidos. E ainda, alargando esta rela\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia, seria de registar o impacto not\u00e1vel que proporciona na vida dos crist\u00e3os a exist\u00eancia de F\u00e1tima. A\u00ed tantos encontram confian\u00e7a total para enfrentar a vida, olhando Maria como consoladora dos aflitos e muitos experimentam a gratid\u00e3o reconhecida pela realidade da sua presen\u00e7a e companhia, intercess\u00e3o e esperan\u00e7a em horas dif\u00edceis. F\u00e1tima \u00e9 o maior contributo para vivenciar a emo\u00e7\u00e3o religiosa e vibrar com o peso de uma multid\u00e3o orante e peregrina. A terceira atitude classifiquei-a de resist\u00eancia. Explico-me. As sucessivas fases do catolicismo s\u00e3o tamb\u00e9m fases da hist\u00f3ria da F\u00e1tima. Aconteceu a purifica\u00e7\u00e3o dos exageros penitenciais menos coerentes com o Evangelho de Jesus, a insist\u00eancia na convers\u00e3o como din\u00e2mica essencial da vida crist\u00e3, o santu\u00e1rio como espa\u00e7o de sil\u00eancio contemplativo e lugar de refer\u00eancia para refazer as energias do esp\u00edrito. F\u00e1tima resistiu aos sucessivos modos de encarar a f\u00e9 crist\u00e3, adaptou-se \u00e0 perspectiva conciliar sobre Maria e seu papel na espiritualidade crist\u00e3, com resist\u00eancia capaz de atender \u00e0s mudan\u00e7as. Ser\u00e1 que tem prevalecido a navega\u00e7\u00e3o na corrente de pendor fatalista e tradicionalista, resistindo a ampliar a vis\u00e3o do nosso olhar ao que Maria diz \u00e0 Igreja em cada hora da sua hist\u00f3ria? Assim se insere a \u00faltima rela\u00e7\u00e3o entre catolicismo portugu\u00eas e F\u00e1tima, que na minha breve an\u00e1lise denomino renova\u00e7\u00e3o. Fen\u00f3meno catalisador como lugar nacional de peregrina\u00e7\u00e3o, s\u00edtio de reuni\u00f5es, semanas de estudos e congressos, morada de congrega\u00e7\u00f5es religiosas, F\u00e1tima tem proporcionado aos cat\u00f3licos portugueses caminhos renovadores na viv\u00eancia da f\u00e9. Mesmo que muitos l\u00e1 cheguem espectadores, com mentalidade pag\u00e3 dentro da alma, ainda que baptizados, com manifesta\u00e7\u00f5es exteriores de uma religiosidade pouco evangelizada, t\u00eam hip\u00f3teses de sair renovados pela mente, gra\u00e7as ao tipo de instru\u00e7\u00f5es recebidas; ao estilo de prega\u00e7\u00e3o que abandonou o tom amedrontador e de amea\u00e7a apocal\u00edptica; \u00e0 pastoral global que convoca para, como Maria, ouvir Cristo, perceber o n\u00facleo do seu apelo, sentir-se igreja congregada, combater o individualismo cr\u00f3nico de um catolicismo com sarro, pouco solid\u00e1rio, e abrir-se ao sentido comunit\u00e1rio do cristianismo. Concluindo, F\u00e1tima tem feito mais pelos cat\u00f3licos do que os cat\u00f3licos por F\u00e1tima, ou seja corresponderem aos apelos de Deus com redobrado vigor pela entrega \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o de modo profundo e serem semeadores de paz no mundo.  Os cat\u00f3licos portugueses s\u00e3o mais devotos de F\u00e1tima do que ap\u00f3stolos da sua mensagem. Mas F\u00e1tima n\u00e3o contribui para o nosso atraso na evangeliza\u00e7\u00e3o, evidencia-o! A pouca determina\u00e7\u00e3o para uma perspectiva sistem\u00e1tica e perseverante de renova\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica denuncia a superficialidade de passageiros sentimentos a que se reduz um catolicismo de verniz. Nada se retira contudo \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o: tanta novidade e renascimento aconteceram no cruzar de vidas com os caminhos do santu\u00e1rio; surgir\u00e1 verdadeira radicalidade em novas experi\u00eancias, com a disponibilidade de Maria, na fidelidade \u00e0 mensagem.  P. Carlos A. Moreira Azevedo Vice-reitor UCP <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os cat\u00f3licos portugueses s\u00e3o mais devotos de F\u00e1tima do que ap\u00f3stolos da sua mensagem&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[199,207,316,321],"class_list":["post-429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-espiritualidade","tag-fatima","tag-terco","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}