{"id":42797,"date":"2010-01-05T11:46:31","date_gmt":"2010-01-05T11:46:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/05\/garantir-um-rendimento-minimo-para-todos\/"},"modified":"2010-01-05T11:46:31","modified_gmt":"2010-01-05T11:46:31","slug":"garantir-um-rendimento-minimo-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/garantir-um-rendimento-minimo-para-todos\/","title":{"rendered":"Garantir um rendimento m\u00ednimo para todos"},"content":{"rendered":"<p>O combate &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o social estar&aacute; no centro das prioridades da Uni&atilde;o Europeia (UE) durante este ano. A coordenadora t&eacute;cnica da <a href=\"http:\/\/www.reapn.org\/\" target=\"_blank\">sec&ccedil;&atilde;o portuguesa da Rede Europeia Anti-Pobreza<\/a>, Sandra Ara&uacute;jo, pretende que em 2010 haja um refor&ccedil;o da protec&ccedil;&atilde;o social e do rendimento m&iacute;nimo.<\/p>\n<p>A respons&aacute;vel considera que a estrat&eacute;gia de crescimento econ&oacute;mico preconizada pela UE tem que ser acompanhada por medidas de protec&ccedil;&atilde;o ao emprego e pela diminui&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as entre ricos e pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &#8211; &nbsp;Um dos objectivos do <a href=\"http:\/\/ec.europa.eu\/social\/main.jsp?langId=pt&amp;catId=637\" target=\"_blank\">Ano Europeu do Combate &agrave; Pobreza e &agrave; Exclus&atilde;o Social<\/a> (AECPES) consiste na promo&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es &ldquo;com um impacte positivo na erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e da exclus&atilde;o social&rdquo;. Diante da actual situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, ser&aacute; dif&iacute;cil deter o crescimento destes fen&oacute;menos e, mais ainda, erradic&aacute;-los&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>Sandra Ara&uacute;jo &#8211;<\/em> &nbsp;Exactamente. Mas esse objectivo, que &eacute; de facto muito ambicioso, n&atilde;o &eacute; totalmente descabido. Quando os trabalhos preparat&oacute;rios do AECPES come&ccedil;aram, em 2007\/8, est&aacute;vamos longe de adivinhar o aparecimento da crise econ&oacute;mica internacional e as suas consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Este compromisso na luta contra a pobreza tem a ver com o fim de uma d&eacute;cada iniciada com a assinatura, em 2000, da &ldquo;Estrat&eacute;gia de Lisboa&rdquo;. Passados 10 anos, esperava-se uma interven&ccedil;&atilde;o bem sucedida no combate &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o social. A verdade &eacute; que isso n&atilde;o se verificou, e portanto sent&iacute;amo-nos um pouco defraudados na expectativa que t&iacute;nhamos. Por isso a <a href=\"http:\/\/www.eapn.org\/\" target=\"_blank\">Rede Europeia Anti-Pobreza<\/a> fez muita press&atilde;o junto do Parlamento e da Comiss&atilde;o da UE para que houvesse uma avalia&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria das pol&iacute;ticas sociais e dos esfor&ccedil;os das institui&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais. Pretende-se tamb&eacute;m que durante o AECPES as entidades estatais, as Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais (ONG) e toda a sociedade civil estabele&ccedil;am um compromisso pol&iacute;tico e fa&ccedil;am um esfor&ccedil;o concertado na luta contra a pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Com que resultados?<\/em><\/p>\n<p><em>SA &#8211; <\/em>&Eacute; evidente que n&atilde;o esperamos acabar 2010 sem pobreza. O que queremos &eacute; alertar os decisores para uma Europa mais justa e equitativa e com medidas sociais mais adequadas. E tamb&eacute;m fazer press&atilde;o para que isso aconte&ccedil;a &ndash; &eacute; o <em>lobby<\/em> pol&iacute;tico que est&aacute; em quest&atilde;o.<\/p>\n<p>A Europa tem de pensar numa estrat&eacute;gia para a pr&oacute;xima d&eacute;cada. Gostaria de salientar que h&aacute; um documento de trabalho da Comiss&atilde;o Europeia, que est&aacute; sob consulta at&eacute; 15 de Janeiro. O texto &eacute; basicamente sobre o futuro da UE at&eacute; 2020. A Rede Europeia Anti-Pobreza j&aacute; reagiu e a sec&ccedil;&atilde;o portuguesa est&aacute; neste momento a fazer um esfor&ccedil;o para se pronunciar. &Eacute; extremamente importante que as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, e n&atilde;o s&oacute;, se manifestem sobre esta proposta dado que ela estar&aacute; no topo da agenda pol&iacute;tica da pr&oacute;xima cimeira europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Redistribuir a riqueza<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; &nbsp;Pensa que a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza e a promo&ccedil;&atilde;o da autonomia pessoal das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de car&ecirc;ncia se poder&atilde;o concretizar com o actual modelo de desenvolvimento econ&oacute;mico?<\/em><\/p>\n<p><em>SA &#8211;<\/em> &nbsp;H&aacute; uma aposta europeia no crescimento econ&oacute;mico, com vista &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de empregos. Obviamente que esta tem que ser uma das prioridades &ndash; n&atilde;o negamos essa evid&ecirc;ncia. Mas n&atilde;o chega. &Eacute; preciso que a riqueza seja bem distribu&iacute;da, e esse &eacute; que &eacute; que o problema do modelo social europeu. No nosso pa&iacute;s, o n&iacute;vel das desigualdades sociais &ndash; um dos maiores da UE &ndash; &eacute; muito significativo. Tamb&eacute;m sabemos que Portugal tem uma taxa elevada de trabalhadores pobres &#8211; &nbsp;apesar de terem emprego, muitas pessoas n&atilde;o saem debaixo da linha de pobreza.<\/p>\n<p>Tem de haver um trabalho muito concertado de todos os parceiros econ&oacute;micos e sociais, no sentido de se repensarem estas pol&iacute;ticas. Esta mudan&ccedil;a n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel s&oacute; pela via do crescimento econ&oacute;mico, que desconhecemos quando ocorrer&aacute;. Vai ser tamb&eacute;m necess&aacute;rio redistribuir a riqueza gerada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; &nbsp;Tirar aos que t&ecirc;m mais n&atilde;o ser&aacute; uma medida popular&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>SA &#8211;<\/em> &nbsp;N&atilde;o &eacute; popular e n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Exige uma mudan&ccedil;a de mentalidades e exige que se mudem as formas de actuar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Portugal precisa de mais &ldquo;energia pol&iacute;tica&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; &nbsp;O que &eacute; que este ano vai trazer de novidade no combate &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o em Portugal? <\/em><\/p>\n<p><em>SA &#8211; <\/em>O discurso de Ano Novo do Presidente da Rep&uacute;blica n&atilde;o foi nada animador. N&oacute;s tememos que em Portugal estes problemas continuem a sentir-se com muita intensidade, pelo que &eacute; necess&aacute;rio ter mais energia pol&iacute;tica. &Eacute; preciso tamb&eacute;m que os cidad&atilde;os percebam as causas da pobreza e da exclus&atilde;o e que compreendam melhor estes fen&oacute;menos. Enquanto n&atilde;o assumirmos estas realidades como uma responsabilidade colectiva, dificilmente conseguiremos ter algum impacto positivo na erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza.<\/p>\n<p>Nestes momentos de crise, a vertente assistencialista n&atilde;o pode ser negligenciada &#8211; &nbsp;as pessoas precisam de comer e precisam de apoio, pelo que a satisfa&ccedil;&atilde;o dessas car&ecirc;ncias &eacute; inadi&aacute;vel. Mas, no nosso entender, n&atilde;o podemos ter uma interven&ccedil;&atilde;o que seja apenas dirigida para as consequ&ecirc;ncias. &Eacute; preciso tamb&eacute;m combater as causas da pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Promover o envolvimento de toda a sociedade<\/strong><\/p>\n<p><em>AE &#8211; &nbsp;Qual tem sido o envolvimento da sociedade portuguesa neste Ano Europeu?<\/em><\/p>\n<p><em>SA &#8211;<\/em> &nbsp;Esperamos que 2010 seja uma grande oportunidade para se investir na participa&ccedil;&atilde;o de toda a sociedade civil e das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza. Esta vertente, em que temos trabalhado desde h&aacute; alguns anos, ser&aacute; uma prioridade para n&oacute;s.<\/p>\n<p>Neste momento j&aacute; temos um conselho consultivo constitu&iacute;do por pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza ou de exclus&atilde;o, provenientes de cada um dos distritos do pa&iacute;s. Este organismo, que ao longo do ano vai ter reuni&otilde;es peri&oacute;dicas com a equipa t&eacute;cnica da Rede Europeia Anti-Pobreza\/Portugal, procurar&aacute; apresentar ideias de actividades e participar&aacute; no desenvolvimento das ac&ccedil;&otilde;es e na sua avalia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por outro lado, anim&aacute;mos as ONG&rsquo;s nossas associadas a inclu&iacute;rem nos seus programas anuais campanhas informativas e de sensibiliza&ccedil;&atilde;o, bem como debates sobre a pobreza e a exclus&atilde;o social. Al&eacute;m disso, os nossos n&uacute;cleos, que se distribuem por todos os distritos, est&atilde;o a trabalhar a n&iacute;vel local com pessoas em situa&ccedil;&otilde;es de pobreza.<\/p>\n<p>Apresent&aacute;mos tamb&eacute;m 18 candidaturas ao programa do AECPES, em parceria com ONG, autarquias e escolas. Est&atilde;o tamb&eacute;m envolvidas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o e alguns <em>media<\/em>, que ser&atilde;o nossos parceiros nos projectos que forem aprovados.<\/p>\n<p>H&aacute; ainda uma iniciativa muito interessante a decorrer em um ou dois estabelecimentos de ensino por distrito, denominada &ldquo;Escolas Contra a Pobreza&rdquo;. Muitos alunos est&atilde;o a trabalhar este tema com projectos de investiga&ccedil;&atilde;o, realiza&ccedil;&atilde;o de trabalhos pr&aacute;ticos, visitas &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es, e recolha de alimentos e de vestu&aacute;rio.<\/p>\n<p>Esta Ter&ccedil;a-feira [5 de Janeiro] haver&aacute; uma sess&atilde;o de inaugura&ccedil;&atilde;o do AECPSE, na Escola Art&iacute;stica Soares dos Reis, no Porto. O encontro ser&aacute; marcado pela apresenta&ccedil;&atilde;o de uma pe&ccedil;a de ourivesaria alusiva ao Ano Europeu, feita pelos alunos.<\/p>\n<p>Neste sentido, as dimens&otilde;es da participa&ccedil;&atilde;o e da sensibiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o para n&oacute;s o grande desafio deste Ano Europeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O combate &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o social estar&aacute; no centro das prioridades da Uni&atilde;o Europeia (UE) durante este ano. A coordenadora t&eacute;cnica da sec&ccedil;&atilde;o portuguesa da Rede Europeia Anti-Pobreza, Sandra Ara&uacute;jo, pretende que em 2010 haja um refor&ccedil;o da protec&ccedil;&atilde;o social e do rendimento m&iacute;nimo. 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