{"id":42795,"date":"2010-01-05T11:36:52","date_gmt":"2010-01-05T11:36:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/05\/responsabilidade-colectiva-na-luta-contra-a-pobreza\/"},"modified":"2010-01-05T11:36:52","modified_gmt":"2010-01-05T11:36:52","slug":"responsabilidade-colectiva-na-luta-contra-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/responsabilidade-colectiva-na-luta-contra-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Responsabilidade colectiva na luta contra a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1983, a Europa lan&ccedil;a todos os anos uma campanha de sensibiliza&ccedil;&atilde;o denominada &ldquo;Ano Europeu&rdquo;, visando atrair a aten&ccedil;&atilde;o dos governos nacionais para tem&aacute;ticas de natureza social, bem como informar e promover o di&aacute;logo com os cidad&atilde;os europeus, a fim de fazer evoluir as mentalidades e os comportamentos em quest&otilde;es especiais e de interesse geral.<\/p>\n<p>Assim, no dia 22 de Outubro de 2008, o Parlamento Europeu e o Conselho da Uni&atilde;o Europeia aprovaram uma decis&atilde;o relativa &agrave; institui&ccedil;&atilde;o do ano 2010 como &ldquo;Ano Europeu do Combate &agrave; Pobreza e &agrave; Exclus&atilde;o Social&rdquo; (AECPES) com o grande objectivo de refor&ccedil;ar o empenho da Uni&atilde;o e de cada Estado-Membro na solidariedade, na justi&ccedil;a social e no aumento da coes&atilde;o, exercendo um impacto decisivo na erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza que (ainda) se faz sentir por toda a Europa. De um modo mais concreto, &rdquo;reconhecer o direito fundamental das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza e de exclus&atilde;o social a viverem com dignidade e a tomarem uma parte activa na sociedade; aumentar a ades&atilde;o do p&uacute;blico &agrave;s pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o social, sublinhando a responsabilidade colectiva e individual na luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o social; promover uma maior coes&atilde;o na sociedade e assegurar que ningu&eacute;m duvide das vantagens que resulta, para todos, de uma sociedade sem pobreza; e, renovar o envolvimento da Uni&atilde;o Europeia e dos Estados Membros de lutarem contra a pobreza e a exclus&atilde;o social e de associaram, para isso, todos os n&iacute;veis de poder&rdquo; s&atilde;o os grandes desideratos para este Ano, os quais ganham ainda mais relev&acirc;ncia no contexto actual marcado por m&uacute;ltiplos paradoxos de cariz pol&iacute;tico, financeiro, econ&oacute;mico, social e de valores, que paira n&atilde;o s&oacute; sobre os europeus mas sobre todo o mundo.<\/p>\n<p>Como facilmente se perscruta, a &ldquo;nossa&rdquo; Europa est&aacute; longe de ser de &ldquo;todos&rdquo; em virtude das desigualdades e injusti&ccedil;as de que (ainda) &eacute; palco. Neste &ldquo;nosso&rdquo; cen&aacute;rio, a luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o social figura entre os principais objectivos da Uni&atilde;o Europeia e dos seus Estados Membros que, em Mar&ccedil;o de 2000, por ocasi&atilde;o do lan&ccedil;amento da &ldquo;Estrat&eacute;gia de Lisboa&rdquo;, se comprometeram a dar &ldquo;um impulso decisivo &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o da pobreza&rdquo; at&eacute; 2010. Mais concretamente, foi acordado o seguinte: &ldquo;fazer da uni&atilde;o Europeia a economia baseada no conhecimento mais din&acirc;mica e competitiva do mundo, capaz de sustentar mais e melhores empregos e com coes&atilde;o social&rdquo;.<\/p>\n<p>Apesar dos esfor&ccedil;os desenvolvidos ao longo da &uacute;ltima d&eacute;cada, com uma Agenda Social inicial delineada no ano 2000, e com uma Agenda Social renovada nos meados da d&eacute;cada, uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o europeia vive (ainda) em profunda car&ecirc;ncia e n&atilde;o tem acesso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos, tanto a n&iacute;vel de cuidados alimentares e de habita&ccedil;&atilde;o como a n&iacute;vel de cuidados de sa&uacute;de. Apesar dos sistemas de protec&ccedil;&atilde;o social europeus se contarem entre os mais desenvolvidos no mundo, ainda hoje existem muitos europeus a viver na pobreza, como o atestam, entre outros, os seguintes n&uacute;meros: 78 milh&otilde;es de pessoas vivem abaixo do limiar de pobreza (fixado em 60 % da mediana de rendimento do respectivo pa&iacute;s), o que representa 16 % da popula&ccedil;&atilde;o europeia; um europeu em cada dez vive numa fam&iacute;lia onde ningu&eacute;m trabalha; para 8 % dos europeus, o emprego n&atilde;o &eacute; suficiente para sair da pobreza; na maioria dos Estados Membros, as crian&ccedil;as est&atilde;o mais expostas a este problema do que o resto da popula&ccedil;&atilde;o, ou seja, 19% delas est&atilde;o amea&ccedil;adas de pobreza somando 19 milh&otilde;es de crian&ccedil;as. Num cen&aacute;rio de rankings europeus onde figuram indicadores econ&oacute;mico-sociais, Portugal aparece quase sempre nos &uacute;ltimos lugares donde sobressai o n&uacute;mero de dois milh&otilde;es de portugueses pobres ou em risco de pobreza, afectando, sobretudo, crian&ccedil;as, idosos e uma fatia consider&aacute;vel de trabalhadores com rendimentos insuficientes para fazer face &agrave;s respectivas necessidades pessoais, familiares e sociais.<\/p>\n<p>Porque a pobreza e a exclus&atilde;o social afectam (ainda) n&atilde;o s&oacute; o bem-estar das pessoas e a possibilidade de participarem na vida da sociedade como tamb&eacute;m prejudicam o desenvolvimento econ&oacute;mico, a Uni&atilde;o Europeia quer reafirmar, com a celebra&ccedil;&atilde;o do AECPES, a import&acirc;ncia da responsabilidade colectiva na luta contra a pobreza, pretendendo envolver, n&atilde;o s&oacute; os decisores, mas tamb&eacute;m os demais intervenientes dos sectores p&uacute;blico, privado e das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. Para a Europa, este Ano encerra em si, pois, um simbolismo particular marcando o fim de um ciclo pol&iacute;tico iniciado com a Estrat&eacute;gia de Lisboa no ano 2000 e, simultaneamente, inaugurando um novo processo no qual se quer dar um novo impulso ao projecto europeu, quer institucionalmente, com o novo Tratado de Lisboa, quer ao n&iacute;vel das diversas pol&iacute;ticas, mais concretamente as relacionadas com a protec&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o social dos europeus.<\/p>\n<p>Para Portugal, a realiza&ccedil;&atilde;o do AECPES cria uma oportunidade &uacute;nica de sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos mais variados agentes para as quest&otilde;es da pobreza e da exclus&atilde;o social no sentido de alertar para os seus contornos, n&atilde;o s&oacute; a n&iacute;vel das suas consequ&ecirc;ncias mas tamb&eacute;m a n&iacute;vel das suas causas. Al&eacute;m disso, poder&aacute; permitir questionar estrat&eacute;gias implementadas sem grandes resultados e delinear novas estrat&eacute;gias capazes de atenuar ou erradicar alguns dos problemas diagnosticados. O n&uacute;mero de pobres que as estat&iacute;sticas revelam em Portugal, com os rostos que reflectem, dever&atilde;o ser a grande base para questionar tanto as pol&iacute;ticas implementadas ao longo dos &uacute;ltimos anos em que estes n&uacute;meros teimam em n&atilde;o se reduzir, como as mentalidades e comportamentos de toda uma sociedade que longe de contrariar e erradicar a pobreza, mais parece que a potencia e multiplica. Como tal, as t&atilde;o sentidas desigualdades salariais e sociais, a corrup&ccedil;&atilde;o, o oportunismo, a explora&ccedil;&atilde;o, a especula&ccedil;&atilde;o, a indiferen&ccedil;a, entre outras atitudes que ecoam pela pra&ccedil;a p&uacute;blica, n&atilde;o poder&atilde;o deixar de ser discutidas, debatidas, dirimidas e resolvidas em prol de mais coes&atilde;o social, mais transpar&ecirc;ncia e honestidade democr&aacute;ticas, mais sentido de respeito pela dignidade de todos e de cada um dos seres humanos, mais preocupa&ccedil;&atilde;o pelo bem comum e mais participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, de forma plena, consciente e activa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Contribuir para um Portugal e para uma Europa mais justos e mais solid&aacute;rios corresponde a um compromisso e a um objectivo estruturante, que implica a participa&ccedil;&atilde;o de todos, denunciando as injusti&ccedil;as que grassam por a&iacute; e anunciando a justi&ccedil;a como seu verdadeiro ant&iacute;doto.<\/p>\n<p>Ao longo deste AECPES ser&atilde;o muitas as iniciativas que, de uma forma ou de outra (<em>Lobby<\/em>, <em>Advocacy,<\/em> entre outras) e atrav&eacute;s de m&uacute;ltiplas institui&ccedil;&otilde;es (organismos p&uacute;blicos, empresas e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil) far&atilde;o dar conta deste ano. Desde j&aacute;, sejam todas bem vindas, venham de onde vierem, procurando envolver o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de actores, a come&ccedil;ar pelos que sofrem na pele as injusti&ccedil;as, ang&uacute;stias e incertezas do tempo presente. Ao longo dos pr&oacute;ximos meses, estaremos atentos n&atilde;o s&oacute; &agrave; discuss&atilde;o que se produzir mas tamb&eacute;m aos problemas que se ajudarem a resolver, com a certeza de que, por detr&aacute;s de cada n&uacute;mero que se disser e de cada atitude que se proclamar existem pessoas concretas que anseiam por mais justi&ccedil;a social e por uma verdadeira cultura de respeito pelos direitos humanos, de todos e de cada um dos seres humanos. Como um slogan diz por a&iacute;, cabe-nos a todos dar pequenos grandes contributos para que &ldquo;a pobreza n&atilde;o se transforme em paisagem&rdquo; e que o AECPES seja, primeiro que tudo, um ano verdadeiramente assumido como Ano Pessoal de Combate &agrave; Pobreza e Exclus&atilde;o Social. Para que seja mesmo um &ldquo;Bom Ano&rdquo;&hellip;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Paulo Neves, C&aacute;ritas da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1983, a Europa lan&ccedil;a todos os anos uma campanha de sensibiliza&ccedil;&atilde;o denominada &ldquo;Ano Europeu&rdquo;, visando atrair a aten&ccedil;&atilde;o dos governos nacionais para tem&aacute;ticas de natureza social, bem como informar e promover o di&aacute;logo com os cidad&atilde;os europeus, a fim de fazer evoluir as mentalidades e os comportamentos em quest&otilde;es especiais e de interesse geral. 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