{"id":42790,"date":"2010-01-04T17:47:06","date_gmt":"2010-01-04T17:47:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/04\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-maria\/"},"modified":"2010-01-04T17:47:06","modified_gmt":"2010-01-04T17:47:06","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-solenidade-de-santa-maria\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Aveiro na Solenidade de Santa Maria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA MARIA, M&Atilde;E DE DEUS<br \/><\/strong><strong>DIA MUNDIAL DA PAZ<br \/><\/strong><strong>S&eacute; de Aveiro, 1 de Janeiro de 2010<\/p>\n<p><\/strong>1. &Eacute; Dia de Ano Novo. Uma d&eacute;cada est&aacute; passada sobre o in&iacute;cio do mil&eacute;nio. &Eacute; neste limiar de um tempo novo que somos chamados a viver com alegria e com entusiasmo o ano que hoje come&ccedil;a.<\/p>\n<p>Celebramos o Ano Novo em ambiente de Natal. Deus veio ao nosso encontro. Habita no meio de n&oacute;s. Somos testemunhas desta certeza e mensageiros deste an&uacute;ncio.<\/p>\n<p>N&atilde;o nos faltam na Igreja de Aveiro sinais e gestos, palavras e ac&ccedil;&otilde;es em que o Natal se diz, se sente, se celebra e se testemunha. Neste Natal encontrei igualmente outras Igrejas com ar de festa e com tons de alegria. Vi comunidades vivas e saboreei o entusiasmo da f&eacute;, celebrada por gente de todas as idades e culturas. Senti o encanto da gratid&atilde;o de comunidades por inteiro e de uma multid&atilde;o de amigos reunidos &agrave; volta de sacerdotes que fazem da vida dom de Deus ao mundo por onde passam e &agrave;s pessoas, fam&iacute;lias e institui&ccedil;&otilde;es a quem servem. H&aacute; pastores e magos, vestidos de hoje e envolvidos pela cultura do nosso tempo nos v&aacute;rios continentes da terra, que est&atilde;o atentos e gratos aos rostos de Deus presentes no seu meio.<\/p>\n<p>Neste arco da vida que em cada ano come&ccedil;amos n&atilde;o vamos s&oacute;s. Acompanha-nos, com a serenidade terna e com a presen&ccedil;a discreta das M&atilde;es, Santa Maria, a M&atilde;e de Deus, que hoje solenemente celebramos.<\/p>\n<p>O princ&iacute;pio da vida e o in&iacute;cio do tempo falam-nos sempre do ber&ccedil;o, do dom da vida e do sentido de fam&iacute;lia. &Eacute; assim que os crist&atilde;os vivem o Natal celebrado em fam&iacute;lia. Fazemo-lo nas comunidades crist&atilde;s desta querida diocese que &eacute; cada vez mais a nossa fam&iacute;lia. Para alguns, quase a &uacute;nica fam&iacute;lia! Os nossos gestos de caridade crist&atilde;, de solidariedade humana, de fraternidade universal, de abertura a todas as criaturas, de preocupa&ccedil;&atilde;o com os que sofrem e com os pobres que vivem sem p&atilde;o, sem abrigo ou sem esperan&ccedil;a, s&atilde;o sinais desta dimens&atilde;o essencial da Igreja como fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Celebramos o Novo Ano nesta S&eacute;, Igreja M&atilde;e da Diocese, dedicada a Nossa Senhora da Gl&oacute;ria, pedindo a Maria, Senhora e M&atilde;e da Igreja, que ajude a nossa Igreja Diocesana a ser educadora da f&eacute; e fundamento de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>2. H&aacute; 43 anos, Paulo VI escolheu o primeiro dia do Ano como Dia Mundial da Paz. As mensagens que ano a ano se seguem, os temas que nelas se reflectem e tantas iniciativas que a prop&oacute;sito desta ideia original se concretizam dizem-nos da import&acirc;ncia e da urg&ecirc;ncia da paz na vida das pessoas, das fam&iacute;lias e dos povos.<\/p>\n<p>Muito caminho foi percorrido, muito esfor&ccedil;o foi realizado e muitos objectivos est&atilde;o conseguidos. Mas a paz desejada, a paz de que necessitamos e a paz sonhada, que &eacute; dom de Deus e presente de Natal, ainda est&aacute; longe de ser direito e justi&ccedil;a, amor e fraternidade vividos por todos.<\/p>\n<p>Na mensagem deste Ano, o Santo Padre Bento XVI diz-nos que se quisermos cultivar a paz temos de preservar a cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O respeito pela cria&ccedil;&atilde;o e o reconhecimento do seu valor no equil&iacute;brio ecol&oacute;gico e no desenvolvimento humano conduzem-nos a Deus, fundamento e origem de todas as obras criadas.<\/p>\n<p>Lembra-nos o Santo Padre que todos os excessos, exageros, abusos e desleixos em rela&ccedil;&atilde;o ao ambiente e &agrave; natureza s&atilde;o ofensa ao pr&oacute;prio homem e a Deus. A sobriedade e a solidariedade s&atilde;o valores que devemos viver n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o com as pessoas mas tamb&eacute;m no respeito pelas coisas que s&atilde;o dom de Deus.<\/p>\n<p>Na natureza espelha-se a beleza de Deus e o seu amor por todas as criaturas. A preocupa&ccedil;&atilde;o que todos sentimos pela sa&uacute;de ecol&oacute;gica da terra e a dificuldade experimentada ainda recentemente na Cimeira de Copenhaga em encontrar crit&eacute;rios comuns pela sua defesa e preserva&ccedil;&atilde;o, dizem-nos que passa por aqui tamb&eacute;m a renova&ccedil;&atilde;o cultural que todos desejamos em ordem a construirmos um futuro melhor para a Humanidade.<\/p>\n<p>Convida-nos Bento XVI a encontrar neste respeito pela natureza o seu &ldquo;des&iacute;gnio de amor e de verdade&rdquo; e a descobrir o lugar do homem e da mulher no centro do cosmos como seres que s&atilde;o &ldquo;imagem e semelhan&ccedil;a de Deus&rdquo;. Este convite exprime-se, tamb&eacute;m, num apelo &agrave; responsabilidade de &ldquo;cultivar e guardar&rdquo; a obra da cria&ccedil;&atilde;o de Deus e de viver a solidariedade entre gera&ccedil;&otilde;es e entre povos, uma verdadeira solidariedade global, que nos ajude a pensar em todos e a olhar para l&aacute; do tempo presente.<\/p>\n<p>&ldquo;Fa&ccedil;o votos, diz o Santo Padre, para que se adopte um modelo de desenvolvimento, fundado na centralidade do ser humano, na promo&ccedil;&atilde;o e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consci&ecirc;ncia da necessidade de mudar os estilos de vida e na prud&ecirc;ncia, virtude que indica as ac&ccedil;&otilde;es que se devem realizar hoje na previs&atilde;o do que poder&aacute; suceder amanh&atilde;&rdquo; ( Mens.n.&ordm; 9 ).<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia constitui elemento essencial e lugar insubstitu&iacute;vel na educa&ccedil;&atilde;o dos valores da ecologia, no respeito sagrado e inviol&aacute;vel pela vida humana, pela dignidade da pessoa humana, pela natureza e pelo equil&iacute;brio da cria&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se constr&oacute;i a paz nem se respeita a cria&ccedil;&atilde;o, destruindo a fam&iacute;lia humana ou alterando a sua ess&ecirc;ncia antropol&oacute;gica e a sua natureza original.<\/p>\n<p>Por seu lado a beleza, a harmonia e a complementaridade da natureza, quando respeitadas, devolvem ao homem serenidade e paz. Ao contemplarmos a natureza descobrimos, ao bom jeito de S. Francisco, que Deus cuida de n&oacute;s e nos convida a ser construtores da paz e do bem. S&oacute; os pac&iacute;ficos sabem ser construtores de paz e art&iacute;fices de uma nova civiliza&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>3. S&atilde;o palavras de paz as que hoje dizemos uns aos outros, em belas sauda&ccedil;&otilde;es e oportunas mensagens. S&atilde;o palavras aprendidas desde sempre nesta heran&ccedil;a de uma longa tradi&ccedil;&atilde;o religiosa, constru&iacute;da &agrave; volta do pres&eacute;pio e a partir do acontecimento do Natal de Jesus.<\/p>\n<p>Palavras mais distantes ainda, aquelas que, segundo o Livro dos N&uacute;meros, Deus ensinou a Mois&eacute;s e a seu irm&atilde;o Aar&atilde;o. Palavras renovadas na alian&ccedil;a de Deus com Israel. Palavras de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, ditas ao Povo a quem Deus oferece uma terra de paz e um tempo de esperan&ccedil;a. A Palavra de Deus &eacute;, em Cristo, seu Filho, nascido de mulher e sujeito &agrave; lei, como nos diz S. Paulo, na segunda leitura, na Carta aos G&aacute;latas, uma Palavra que nos faz filhos e nos torna herdeiros.<\/p>\n<p>&Eacute; a mesma Palavra de Deus que no Evangelho nos recorda o an&uacute;ncio dos Anjos aos pastores, incumbidos de cuidar da terra e de guardar os rebanhos, e que foram os primeiros convidados a adorar o Filho de Deus e a ser mensageiros da paz aos homens de boa vontade.<\/p>\n<p>&Eacute; esta, tamb&eacute;m, a Palavra contemplada, guardada e meditada no cora&ccedil;&atilde;o de Maria.<\/p>\n<p>4. Vivemos numa sociedade em mudan&ccedil;a, numa cultura a exigir presen&ccedil;a atenta de todos e empenhamento l&uacute;cido dos crist&atilde;os, num momento de dificuldades sociais e de priva&ccedil;&otilde;es graves no seio de muitas fam&iacute;lias, a impor respostas urgentes, solid&aacute;rias e criativas. Somos Igreja em miss&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e estamos em Ano Sacerdotal, feito de gratid&atilde;o pelos sacerdotes que somos e de esperan&ccedil;a projectada nos nossos Semin&aacute;rios e na Pastoral Vocacional para que n&atilde;o faltem &agrave; sua Igreja trabalhadores necess&aacute;rios, generosos e dispon&iacute;veis.<\/p>\n<p>Demos visibilidade ao bem realizado nas nossas comunidades crist&atilde;s e movimentos apost&oacute;licos, intensifiquemos o nosso esfor&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o e de educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, abramos caminhos &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o para l&aacute; das fronteiras do quotidiano, fa&ccedil;amos pontes de di&aacute;logo com os que n&atilde;o cr&ecirc;em e saibamos ir em gestos e sinais, em caminhos novos n&atilde;o andados e veredas ainda desconhecidas, ao encontro dos que agora chegam &agrave;s nossas terras ou daqueles que h&aacute; muito j&aacute; vieram e de quem ainda n&atilde;o nos apercebemos.<\/p>\n<p>A beleza e a harmonia do trabalho a realizar s&oacute; se conseguem se envolvermos todas as gera&ccedil;&otilde;es: crian&ccedil;as, jovens, adultos e idosos. Os doentes e os que sofrem devem ter, ao longo do Ano que hoje come&ccedil;a, uma peculiar e insubstitu&iacute;vel miss&atilde;o e um lugar de relevo, de aten&ccedil;&atilde;o e de afecto ainda maiores.<\/p>\n<p>A vinda do Santo Padre Bento XVI a Portugal vai trazer-nos certamente momentos de viv&ecirc;ncia maior da f&eacute; e oportunidades de iniciativas mobilizadoras que nos digam a alegria de sermos Igreja, educadora da f&eacute; e fundamento de esperan&ccedil;a para o mundo. Preparemos desde j&aacute; esta visita com alegria.<\/p>\n<p>5. Na manh&atilde; de cada dia, &eacute; de louvor a nossa ora&ccedil;&atilde;o. Quero que assim seja tamb&eacute;m no in&iacute;cio do Novo Ano.<\/p>\n<p>&Eacute; de louvor a minha ora&ccedil;&atilde;o,<br \/>Senhor da vida, do tempo e da eternidade;<br \/>Pai e Criador que nos destes a terra e o c&eacute;u;<br \/>Deus, fonte de amor, de salva&ccedil;&atilde;o e de paz.<\/p>\n<p>&Eacute; de louvor a minha ora&ccedil;&atilde;o,<br \/>Pela Humanidade e pela Cria&ccedil;&atilde;o;<br \/>Pela Igreja e seus servidores;<br \/>Pelo Mundo e seus dons.<\/p>\n<p>&Eacute; de louvor a minha ora&ccedil;&atilde;o,<br \/>Pela alegria, pela amizade e pela doa&ccedil;&atilde;o de tantos;<br \/>Pela aten&ccedil;&atilde;o aos que sofrem e aos que choram;<br \/>Pela gratid&atilde;o sentida e pelo bem partilhado.<\/p>\n<p>&Eacute; de louvor a minha ora&ccedil;&atilde;o,<br \/>Pela lembran&ccedil;a e pela saudade dos que ao longo do ano partiram;<br \/>Pela b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos que v&atilde;o nascer;<br \/>Pelos cora&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis para amar e servir.<\/p>\n<p>&Eacute; de louvor a minha ora&ccedil;&atilde;o,<br \/>Pela M&atilde;e que escolhestes para o vosso Filho;<br \/>Pela mesma M&atilde;e que nos destes;<br \/>Pela Igreja que, a exemplo de Maria, diariamente se faz nossa M&atilde;e.<\/p>\n<p>&Aacute;men.<br \/><em><br \/>D. Ant&oacute;nio Francisco Santos<br \/><\/em><em>Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HOMILIA NA SOLENIDADE DE SANTA MARIA, M&Atilde;E DE DEUSDIA MUNDIAL DA PAZS&eacute; de Aveiro, 1 de Janeiro de 2010 1. &Eacute; Dia de Ano Novo. 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