{"id":42783,"date":"2010-01-04T14:35:16","date_gmt":"2010-01-04T14:35:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/04\/homilia-do-bispo-de-santarem-no-dia-mundial-da-paz-2\/"},"modified":"2010-01-04T14:35:16","modified_gmt":"2010-01-04T14:35:16","slug":"homilia-do-bispo-de-santarem-no-dia-mundial-da-paz-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-santarem-no-dia-mundial-da-paz-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Santar\u00e9m no Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o permanente para a Paz<\/strong><\/p>\n<p>No in&iacute;cio do um novo ano sa&uacute;do todos os fi&eacute;is presentes desejando a paz do Senhor, uma paz assente na harmonia com Deus com a vida e com os outros. A Missa que estamos a celebrar convida-nos a dar gra&ccedil;as ao Senhor por todos os benef&iacute;cios que nos concedeu no ano transacto e a pedir-Lhe a Sua B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para o novo ano 2010. Certamente esses sentimentos de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as e de intercess&atilde;o da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus est&atilde;o no cora&ccedil;&atilde;o de todos n&oacute;s.<\/p>\n<p>A Igreja consagra o primeiro dia do ano a Santa Maria M&atilde;e de Deus. Por Ela nos foi concedida a maior b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e a fonte de todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os, Jesus Cristo, luz e salva&ccedil;&atilde;o para todos os homens. As leituras da Missa, relacionadas com o mist&eacute;rio do Natal, convidam-nos a considerar a vinda de Jesus como uma manifesta&ccedil;&atilde;o da plenitude dos tempos, como um novo per&iacute;odo da hist&oacute;ria da humanidade, repleto de gra&ccedil;a e de verdade, de justi&ccedil;a e de paz.<\/p>\n<p>Na realidade, por&eacute;m, estamos ainda longe de alcan&ccedil;ar o dom messi&acirc;nico da paz. Para chegarmos &agrave; paz precisamos de superar a impiedade, o ego&iacute;smo, a agressividade, a mentira, as trevas, as injusti&ccedil;as. A paz nasce do cora&ccedil;&atilde;o misericordioso do Pai Celeste, est&aacute; associada ao reconhecimento da gl&oacute;ria de Deus, da Sua santidade e bondade. &ldquo;Gl&oacute;ria a Deus nos c&eacute;us e Paz na terra aos homens de boa vontade&rdquo;, anuncia a mensagem de Natal e continuamos n&oacute;s a proclamar no hino lit&uacute;rgico das missas festivas. Portanto, &eacute; com o nosso Mestre e Senhor que podemos aprender o caminho da paz. Na verdade, Jesus nasceu e assumiu a nossa condi&ccedil;&atilde;o para habitar connosco e nos guiar no caminho da paz. Como afirmava S&atilde;o Paulo no texto da Carta aos G&aacute;latas que ouvimos, Ele sujeitou-se &agrave; lei para nos tornar livres e filhos adoptivos e com esse fim nos deu o dom do Esp&iacute;rito Santo. Agrade&ccedil;amos ao Senhor a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o que nos concedeu atrav&eacute;s da Santa M&atilde;e de Deus e aprendamos com ela a escutar e a seguir a mensagem de paz que Jesus nos prop&otilde;e.<\/p>\n<p>As outras leituras tamb&eacute;m nos convidam a dar gra&ccedil;as e a pedir a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o. No evangelho os pastores louvam e glorificam a Deus pelo dom da vinda do Messias. Dar gra&ccedil;as &eacute; uma atitude caracter&iacute;stica de quem acredita na bondade de Deus. Quando na eucaristia o celebrante nos recomenda: &ldquo;Demos gra&ccedil;as ao Senhor Nosso Deus&rdquo;, n&oacute;s respondemos: &ldquo;&eacute; nosso dever &eacute; nossa salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;. &Eacute;, de facto, um dever de reconhecimento e um exerc&iacute;cio proveitoso para a nossa salva&ccedil;&atilde;o porque nos incentiva a prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es de Deus na nossa vida. Ao longo de cada ano encontramos muitos sinais da presen&ccedil;a e da bondade de Deus e, portanto, muitos motivos para dar gra&ccedil;as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Desde o ano 1968 o Papa Paulo VI dedicou o primeiro dia do ano &agrave; paz. Foi uma iniciativa que se revelou muito enriquecedora no sentido de despertar as consci&ecirc;ncias para a import&acirc;ncia da paz no pleno desenvolvimento da vida humana. Em cada in&iacute;cio de ano, recebemos uma mensagem que nos alerta para os perigos que amea&ccedil;am a paz e convida todas as pessoas de boa vontade a dar um contributo para construir a paz na justi&ccedil;a e na caridade.<\/p>\n<p>Esta proposta constitui um desafio para que o primeiro dia do ano n&atilde;o seja apenas um momento de divertimentos, de festejos ruidosos e de banalidades mas uma oportunidade de revis&atilde;o do percurso das sociedades e de reorienta&ccedil;&atilde;o do rumo para um futuro mais humano. As mensagens lan&ccedil;adas cada ano tem-se revelado oportunas e t&ecirc;m merecido uma aten&ccedil;&atilde;o cada vez mais alargada das pessoas empenhadas no bem comum e no desenvolvimento global da qualidade de vida.<\/p>\n<p>A mensagem deste ano foi dedicada por Bento XVI &agrave; defesa da cria&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Se quiseres cultivar a paz preserva a cria&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A defesa da cria&ccedil;&atilde;o &eacute; uma responsabilidade individual e colectiva, exige novos estilos de vida, implica UM novo modelo econ&oacute;mico e requer solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es: &ldquo;<em>N&atilde;o podemos ficar indiferentes perante as problem&aacute;ticas que derivam de fen&oacute;menos como as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, a desertifica&ccedil;&atilde;o, a deteriora&ccedil;&atilde;o e a perda de produtividade de v&aacute;rias &aacute;reas agr&iacute;colas, a polui&ccedil;&atilde;o dos rios e len&ccedil;&oacute;is de &aacute;gua, o aumento de calamidades naturais&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>Bento XVI chama a nossa aten&ccedil;&atilde;o para a rela&ccedil;&atilde;o da crise ecol&oacute;gica com a crise cultural e moral. A solu&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e um novo estilo ou modo de viver marcado pela sobriedade e pela solidariedade, com novas regras e formas de compromisso. A maneira como o homem se entende na rela&ccedil;&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o tem a ver com a maneira como se relaciona com Deus. Na verdade, o Criador do Universo confiou ao homem a guarda da cria&ccedil;&atilde;o mas, ao perder o sentido de Deus, o ser humano comporta-se como senhor absoluto e explorador dos recursos naturais. Recomenda, por isso, o Papa um modelo de desenvolvimento global fundado <em>&laquo;na centralidade do ser humano, na promo&ccedil;&atilde;o e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consci&ecirc;ncia da necessidade de mudar os estilos de vida e na prud&ecirc;ncia, virtude que indica as ac&ccedil;&otilde;es que se devem realizar hoje, na previs&atilde;o das que se devem realizar amanh&atilde;&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>De facto, a paz n&atilde;o se alcan&ccedil;a sem a convers&atilde;o. Precisamos, portanto, de uma educa&ccedil;&atilde;o permanente para a paz que &eacute; dom de Deus, oferta de Cristo e esfor&ccedil;o constante de cada um de n&oacute;s por praticar a justi&ccedil;a, a verdade, o amor e o perd&atilde;o. Pe&ccedil;amos &agrave; Santa M&atilde;e de Deus, Rainha da Paz que nos ensine os caminhos da paz.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa&ccedil;&atilde;o permanente para a Paz No in&iacute;cio do um novo ano sa&uacute;do todos os fi&eacute;is presentes desejando a paz do Senhor, uma paz assente na harmonia com Deus com a vida e com os outros. 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