{"id":42782,"date":"2010-01-04T14:33:25","date_gmt":"2010-01-04T14:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/04\/homilia-de-d-antonio-marto-no-ultimo-dia-de-2009\/"},"modified":"2010-01-04T14:33:25","modified_gmt":"2010-01-04T14:33:25","slug":"homilia-de-d-antonio-marto-no-ultimo-dia-de-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-marto-no-ultimo-dia-de-2009\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Marto no \u00faltimo dia de 2009"},"content":{"rendered":"<p><strong>Maravilha, Gratid&atilde;o e Louvor pela Gra&ccedil;a de Deus<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; uma grande alegria estar aqui juntamente convosco para concluir o ano 2009 e iniciar o novo ano diante do Senhor. Com esta alegria sa&uacute;do, afectuosamente, a todos e a cada um em particular.<\/p>\n<p>Deixemo-nos inspirar pela Palavra de Deus que suscita em n&oacute;s os sentimentos mais simples e mais profundos perante o dom do tempo que o Senhor nos concedeu e concede viver.<\/p>\n<p>Fixemo-nos na figura de Maria cuja Maternidade divina hoje celebramos. S. Lucas apresenta-no-la assim: &ldquo;Maria guardava todas estes acontecimentos, meditando-os em seu cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp; Maria recolhe-se em medita&ccedil;&atilde;o, procurando perceber o significado do mist&eacute;rio que a envolveu: o ter dado &agrave; luz o Filho de Deus feito carne humana no seu seio. Assim, concentra-se toda no dom com que Deus, no seu amor gratuito, a agraciou.<\/p>\n<p>Uma maravilha que se torna gratid&atilde;o &ndash; uma gratid&atilde;o cantada. Como n&atilde;o pensar no <em>Magnificat<\/em> de Maria, na sua alegre ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as? Sim, naquela ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as em casa de Isabel e naquela ainda mais intensa e vibrante no seu cora&ccedil;&atilde;o, na gruta de Bel&eacute;m? A maravilha converte-se em louvor a Deus. At&eacute; os pastores foram contagiados, como diz S. Lucas: &ldquo;Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as no final do ano<\/strong><\/p>\n<p>Eis, pois, qual deve ser o nosso sentimento dominante no final deste ano: <em>a<\/em> <em>maravilha, a gratid&atilde;o e o louvor a Deus<\/em> pelos seus dons de salva&ccedil;&atilde;o e de gra&ccedil;a, postos pelo seu amor em cada um dos dias do ano que est&aacute; prestes a terminar.<\/p>\n<p>Quais os dons que nos levam a estar gratos e a louvar o Senhor? Espontaneamente pensamos em tantas experi&ecirc;ncias de bondade, de serenidade, de alegria;&nbsp; em momentos particulares de encontro com Deus e de partilha com os irm&atilde;os; e ainda em experi&ecirc;ncias de cansa&ccedil;o, de fadiga e de prova&ccedil;&atilde;o em que sentimos a companhia, a m&atilde;o amiga e a for&ccedil;a do Senhor.<\/p>\n<p>Todavia, a interroga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Quais os dons que devem ser motivo de reconhecimento e louvor ao Senhor?&rdquo;, chama-nos tamb&eacute;m a referi-los &agrave; nossa fam&iacute;lia, aos nossos amigos e &agrave;s pessoas que nos est&atilde;o particularmente pr&oacute;ximas, aos nossos grupos e movimentos, &agrave;s nossas comunidades, &agrave; nossa par&oacute;quia, aos diversos ambientes da nossa vida social, &agrave; Igreja diocesana e universal, a toda a fam&iacute;lia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A gratid&atilde;o e o louvor da nossa Igreja<\/strong><\/p>\n<p>Com esta Eucaristia e com o canto do <em>Te Deum<\/em> queremos fazer mem&oacute;ria de todos os dons do Senhor e cantar-Lhe, todos juntos, o nosso reconhecimento, de modo particular por algumas experi&ecirc;ncias mais marcantes vividas pela Igreja, que evoco sumariamente.<\/p>\n<p>1. Come&ccedil;o por evocar o <em>Ano Sacerdotal<\/em> como um verdadeiro ano de gra&ccedil;a para levar as comunidades crist&atilde;s a redescobrirem e estimarem o dom do sacerd&oacute;cio ministerial e da sua beleza para a Igreja e para o mundo; um ano de ora&ccedil;&atilde;o intensa pelo florescimento das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais e pela santifica&ccedil;&atilde;o dos sacerdotes para que sejam verdadeiros pastores segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, testemunhas da ternura e da miseric&oacute;rdia de Deus como o Santo Cura d&rsquo;Ars: &ldquo;Um bom pastor, segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus, &eacute; o maior tesouro que o bom Deus pode dar a uma par&oacute;quia&nbsp; e um dos mais preciosos dons da miseric&oacute;rdia divina&rdquo;.<\/p>\n<p>2. Uma outra gra&ccedil;a para a Igreja universal foi a enc&iacute;clica social do Santo Padre, <em>&ldquo;O<\/em> <em>Amor na Verdade&rdquo;,<\/em> sobre o desenvolvimento integral da pessoa humana e dos povos na era da globaliza&ccedil;&atilde;o.<em> <\/em>De um modo geral, eu diria que ela pretende colocar a fraternidade e a &eacute;tica no cora&ccedil;&atilde;o da globaliza&ccedil;&atilde;o e dar uma alma social &agrave; economia de mercado. &ldquo;A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n&atilde;o nos faz irm&atilde;os&rdquo; &ndash;adverte, como quem nos diz: sem fraternidade, sem solidariedade e sobriedade n&atilde;o h&aacute; futuro.<\/p>\n<p>3. Nesta linha, desejaria ressaltar toda <em>a ac&ccedil;&atilde;o social da Igreja em Portugal <\/em>em favor das v&iacute;timas da crise econ&oacute;mica e social e que teve express&atilde;o emblem&aacute;tica no F&oacute;rum nacional <em>&ldquo;Reinventar a solidariedade&rdquo;,<\/em> por ocasi&atilde;o da celebra&ccedil;&atilde;o do Cinquenten&aacute;rio do monumento a Cristo Rei. O rosto de uma Igreja solid&aacute;ria tem sido o melhor testemunho da realeza do amor social de Cristo e do sacerd&oacute;cio comum de todos os fi&eacute;is no servi&ccedil;o aos mais necessitados, como t&atilde;o belamente diz S. Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo: &ldquo;Pensa que te tornas sacerdote de Cristo dando, com a tua pr&oacute;pria m&atilde;o, n&atilde;o carne mas p&atilde;o; n&atilde;o sangue, mas um copo de &aacute;gua&rdquo;.<\/p>\n<p>Este testemunho torna-se num <em>apelo aos governantes<\/em> a olhar a crise e enfrent&aacute;-la a partir das v&iacute;timas da pr&oacute;pria crise (os desempregados, os novos pobres, os marginalizados) e n&atilde;o a partir dos poderosos do mundo.<\/p>\n<p>4. Ao n&iacute;vel da nossa querida diocese de Leiria-F&aacute;tima s&atilde;o motivo de louvor e reconhecimento as v&aacute;rias iniciativas em ordem realizar o percurso pastoral tra&ccedil;ado para este ano na Carta Pastoral <em>&ldquo;Ir ao cora&ccedil;&atilde;o da Igreja. Comunh&atilde;o e<\/em> <em>corresponsabilidade na comunidade crist&atilde;&rdquo;.<\/em> Trata-se de descobrir a beleza do mist&eacute;rio de comunh&atilde;o divina e humana que constitui o cora&ccedil;&atilde;o da Igreja e de todos se sentirem seus membros vivos, participantes e correspons&aacute;veis. S&oacute; na Igreja podemos experimentar aquela nova comunh&atilde;o de gra&ccedil;a que vai para alem dos crit&eacute;rios puramente humanos de simpatia ou conveni&ecirc;ncia e nos faz irm&atilde;os na mesma f&eacute; e no mesmo amor em Cristo. Cultivemos um amor apaixonado pela Igreja: &eacute; a nossa m&atilde;e, &eacute; a nossa casa espiritual, &eacute; o ambiente em que a f&eacute; no Senhor Jesus pode crescer e dar os seus frutos.<\/p>\n<p>5. Por fim, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; <em>vida do nosso Santu&aacute;rio<\/em> quero evocar, antes de mais,&nbsp; o momento comovente da comemora&ccedil;&atilde;o dos <em>vinte e cinco anos da Consagra&ccedil;&atilde;o do<\/em> <em>Mundo ao Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria<\/em> pelo Papa Jo&atilde;o Paulo II,<em> a Consagra&ccedil;&atilde;o de Portugal ao Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus<\/em> por ocasi&atilde;o da visita das rel&iacute;quias de Santa Margarida Maria Alacoque e o <em>Centen&aacute;rio do nascimento da Beata Jacinta Marto<\/em>, exemplo de como uma crian&ccedil;a &eacute; capaz de ter o verdadeiro sentido da Igreja, de a amar e de se sacrificar por ela e, particularmente, pelo Santo Padre.<\/p>\n<p>Por isso, quero acrescentar, como motivos de ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, o an&uacute;ncio da <em>pr&oacute;xima visita do Papa Bento XVI<\/em> como peregrino de F&aacute;tima e <em>a proclama&ccedil;&atilde;o das<\/em> <em>virtudes her&oacute;icas dos Papas Pio XII e Jo&atilde;o Paulo II<\/em>, como primeiro passo para a sua beatifica&ccedil;&atilde;o. <em>Estes tr&ecirc;s Pont&iacute;fices s&atilde;o tamb&eacute;m &ldquo;Papas de F&aacute;tima&rdquo;.<\/em> Na Mensagem de Nossa Senhora receberam a for&ccedil;a para o testemunho de uma Igreja que n&atilde;o tem medo do futuro, atrav&eacute;s daquela destemida express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II que ainda hoje ressoa aos nossos ouvidos: &ldquo;N&atilde;o tenhais medo&rdquo;!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A &ldquo;car&iacute;cia&rdquo; de Deus, b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para o novo ano<\/strong><\/p>\n<p>No in&iacute;cio do Ano Novo, a liturgia da Palavra convida-nos a come&ccedil;ar o nosso caminho e a prossegui-lo, dia ap&oacute;s dia, com a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do Senhor: <em>&ldquo;O Senhor te aben&ccedil;oe e te proteja. O Senhor fa&ccedil;a resplandecer sobre ti o seu rosto e te seja favor&aacute;vel&rdquo;.<\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p>Estas palavras s&atilde;o como <em>uma &ldquo;car&iacute;cia&rdquo; que Deus reserva para todos e cada um de n&oacute;s.<\/em> Sim, uma car&iacute;cia de Deus que testemunha o seu amor terno, a sua proximidade de Pai e Amigo, o seu tomar-nos pela m&atilde;o e acompanhar-nos, passo a passo, na vida, a sua resposta sol&iacute;cita &agrave;s nossas invoca&ccedil;&otilde;es, o seu conforto nas dificuldades, a sua consola&ccedil;&atilde;o nos momentos de prova&ccedil;&atilde;o e de solid&atilde;o, a sua miseric&oacute;rdia sem limites para com as nossas infidelidades&#8230; Uma car&iacute;cia que tem uma for&ccedil;a extraordin&aacute;ria de nos impulsionar a viver o novo ano na f&eacute;, na esperan&ccedil;a e na caridade, no amor verdadeiro.<\/p>\n<p>&Agrave; b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do Senhor pertencem ainda estas palavras: <em>&ldquo;O Senhor volte para ti o seu olhar e te conceda a paz&rdquo;. <\/em>Tamb&eacute;m este &ldquo;voltar o olhar&rdquo; &ndash; que s&oacute; pode ser olhar de amor &ndash; &eacute; express&atilde;o da car&iacute;cia de Deus. S&oacute; dela nos pode chegar o grande dom da paz.<\/p>\n<p><em>Sim, &oacute; Senhor, n&atilde;o nos deixes &oacute;rf&atilde;os do Teu amor, da Tua ternura: d&aacute;-nos a paz! N&oacute;s Ta pedimos para todos os povos do mundo, para as nossas aldeias e cidades, para as nossas fam&iacute;lias, para cada um de n&oacute;s. D&aacute;-nos a paz por intercess&atilde;o de Maria, nossa M&atilde;e e Rainha da paz!<\/em><\/p>\n<p>Feliz Ano, cheio de paz, para todos v&oacute;s e para todos os que vos s&atilde;o queridos!<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 31 de Dezembro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maravilha, Gratid&atilde;o e Louvor pela Gra&ccedil;a de Deus &Eacute; uma grande alegria estar aqui juntamente convosco para concluir o ano 2009 e iniciar o novo ano diante do Senhor. Com esta alegria sa&uacute;do, afectuosamente, a todos e a cada um em particular. 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