{"id":42780,"date":"2010-01-04T13:29:59","date_gmt":"2010-01-04T13:29:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/04\/homilia-de-d-antonino-dias-no-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2010-01-04T13:29:59","modified_gmt":"2010-01-04T13:29:59","slug":"homilia-de-d-antonino-dias-no-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonino-dias-no-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Antonino Dias no Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA MUNDIAL DA PAZ<br \/>1 DE JANEIRO DE 2010 &ndash; S&Eacute; DE CASTELO BRANCO<\/p>\n<p><\/strong>A Liturgia celebra, no primeiro dia do ano civil, a Solenidade de Santa Maria M&atilde;e de Deus. Com esta celebra&ccedil;&atilde;o, a Igreja pretende colocar o novo ano, com todas as preocupa&ccedil;&otilde;es e cuidados, problemas e interroga&ccedil;&otilde;es que ele encerra, sob a protec&ccedil;&atilde;o maternal de Maria e quer tamb&eacute;m lembrar a import&acirc;ncia da miss&atilde;o que Ela desempenha na Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o, como M&atilde;e do Salvador. A Maternidade de Maria, conforme lemos na Constitui&ccedil;&atilde;o Dogm&aacute;tica <em>Lumen Gentium,<\/em> &ldquo;perdura na economia da gra&ccedil;a sem interrup&ccedil;&atilde;o, desde o consentimento que fielmente deu na Anuncia&ccedil;&atilde;o e que manteve inabal&aacute;vel junto da cruz, at&eacute; &agrave; consuma&ccedil;&atilde;o eterna de todos os eleitos. De facto, depois de elevada ao C&eacute;u, n&atilde;o abandonou esta miss&atilde;o salvadora, mas, com a sua multiforme intercess&atilde;o, continua a alcan&ccedil;ar-nos os dons da salva&ccedil;&atilde;o eterna&rdquo; (LG 62). &Eacute;, sem d&uacute;vida, na Maternidade divina que se encontra o fundamento da especial rela&ccedil;&atilde;o de Maria com Cristo e da sua presen&ccedil;a na economia da salva&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Efectivamente, a Virgem Maria, que na Anuncia&ccedil;&atilde;o do Anjo recebeu o Verbo no cora&ccedil;&atilde;o e no seio, e deu ao mundo a Vida, &eacute; reconhecida e honrada como verdadeira M&atilde;e de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em aten&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;ritos de Seu Filho, e unida a Ele por um v&iacute;nculo estreito e indissol&uacute;vel, foi enriquecida com a excelsa miss&atilde;o e dignidade de M&atilde;e de Deus Filho.&rdquo; Saud&aacute;mo-la como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeit&iacute;ssimo na f&eacute; e na caridade. A Igreja cat&oacute;lica, ensinada pelo Esp&iacute;rito Santo, consagra-lhe, como a m&atilde;e amant&iacute;ssima, filial afecto de piedade (cf. LG 53).<\/p>\n<p>E Maria n&atilde;o frustra as expectativas do homem contempor&acirc;neo. Pela sua condi&ccedil;&atilde;o de &ldquo;disc&iacute;pula perfeita de Cristo&rdquo; e de mulher que se realizou perfeitamente como pessoa, ela &eacute; uma fonte perene de fecundas inspira&ccedil;&otilde;es de vida, e oferece aos homens a vit&oacute;ria da esperan&ccedil;a sobre a ang&uacute;stia, da comunh&atilde;o sobre a solid&atilde;o, da paz sobre a perturba&ccedil;&atilde;o, da alegria sobre o t&eacute;dio e da vida sobre a morte&rdquo; (MC 57).<\/p>\n<p>Mais: Jean Guiton escreveu que &ldquo;a explica&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica de Maria ser&aacute; um factor de uni&atilde;o da Igreja do s&eacute;culo XXI&rdquo; e que &ldquo;n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel realizar nenhuma unidade sem ela&rdquo; porque ela &ldquo;&eacute; a pedra angular, gra&ccedil;as &agrave; qual se encontram reunidas todas as aspira&ccedil;&otilde;es da humanidade&rdquo;. &Eacute; verdade que &ldquo;o nosso Mediador &eacute; s&oacute; um&hellip;Jesus Cristo: Mas a fun&ccedil;&atilde;o maternal de Maria em rela&ccedil;&atilde;o aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta &uacute;nica media&ccedil;&atilde;o de Cristo; antes manifesta a sua efic&aacute;cia&rdquo; (LG 60).<\/p>\n<p><strong>Caros fi&eacute;is<\/strong><br \/>Estamos ainda a celebrar o nascimento de Jesus Cristo que foi anunciado pelos profetas como o Pr&iacute;ncipe da Paz. &ldquo;Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz&rdquo;. No entanto, esta paz que Cristo nos veio trazer e nos deu n&atilde;o existe no interior de muitas pessoas. N&atilde;o existe no seio de muitas fam&iacute;lias nem no seio da sociedade. A Igreja, desde h&aacute; quarenta e tr&ecirc;s anos a esta parte, preocupada com a falta de paz, celebra, no primeiro dia do ano, o Dia Mundial da Paz para nos dizer que s&oacute; Cristo &eacute; a Paz e que n&rsquo;Ele todos somos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Assim, o Santo Padre Bento XVI escolheu para este Dia: <em>Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o<\/em>. Colocando a cria&ccedil;&atilde;o como &ldquo;o princ&iacute;pio e o fundamento de todas as obras de Deus&rdquo; ele afirma que &ldquo;a sua salvaguarda se torna hoje essencial para a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica da humanidade&rdquo;. Na verdade, se j&aacute; s&atilde;o muitos os &ldquo;perigos que amea&ccedil;am a paz e o aut&ecirc;ntico desenvolvimento humano integral, devido &agrave; desumanidade do homem para com o seu semelhante &hellip; n&atilde;o s&atilde;o menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se n&atilde;o mesmo do abuso, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu.&rdquo; E acrescenta: embora &ldquo;entre as causas da actual crise ecol&oacute;gica&rdquo; esteja a &ldquo;responsabilidade hist&oacute;rica dos pa&iacute;ses industrializados&rdquo;, tamb&eacute;m os pa&iacute;ses menos desenvolvidos e emergentes devem assumir as suas &ldquo;pr&oacute;prias responsabilidades&rdquo; porque o &ldquo;dever de adoptar gradualmente medidas e pol&iacute;ticas ambientais eficazes pertence a todos&rdquo;.<\/p>\n<p>O Santo Padre alerta ainda para um conjunto de &ldquo;problem&aacute;ticas que derivam de fen&oacute;menos como as altera&ccedil;&otilde;es climat&eacute;ricas, a desertifica&ccedil;&atilde;o, a deteriora&ccedil;&atilde;o e a perda de produtividade de vastas &aacute;reas agr&iacute;colas, a polui&ccedil;&atilde;o dos rios e dos len&ccedil;&oacute;is de &aacute;gua, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, a desfloresta&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas equatoriais e tropicais&rdquo;. Isto provoca &ldquo;o fen&oacute;meno crescente dos chamados &laquo;pr&oacute;fugos ambientais&raquo;&rdquo; que por causa da degrada&ccedil;&atilde;o do ambiente onde vivem, se v&ecirc;em obrigados a abandon&aacute;-lo com preju&iacute;zo do acesso aos recursos naturais e vendo-se na urg&ecirc;ncia de &ldquo;enfrentar os perigos e as inc&oacute;gnitas de uma desloca&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada&rdquo;. Estas situa&ccedil;&otilde;es, refere, &ldquo;t&ecirc;m um impacto profundo no exerc&iacute;cio dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito &agrave; vida, &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, &agrave; sa&uacute;de, ao desenvolvimento&rdquo;.<\/p>\n<p>Perante a necessidade de fomentar uma verdadeira consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica, j&aacute; o Santo Padre Jo&atilde;o Paulo II falava da necessidade de salvaguardar as condi&ccedil;&otilde;es morais de uma aut&ecirc;ntica ecologia humana, social e cultural, com respostas novas capazes de inventar novos relacionamentos com a natureza, novos estilos e cultura de vida.<\/p>\n<p>&ldquo;O ser humano, denuncia Bento XVI, deixou-se dominar pelo ego&iacute;smo (&hellip;). No relacionamento com a cria&ccedil;&atilde;o, comportou-se como explorador pretendendo exercer um dom&iacute;nio absoluto sobre ela (&hellip;). E quando o homem, em vez de desempenhar a sua fun&ccedil;&atilde;o de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebeli&atilde;o da natureza&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que toda esta problem&aacute;tica reclama que se tomem medidas urgentes. Como sabemos, a Cimeira de Copenhaga sobre o clima n&atilde;o permitiu que os governantes do mundo se entendessem sobre as verdadeiras medidas a tomar. No entanto, compete &agrave; &ldquo;comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo&rdquo;. Torna-se, pois, necess&aacute;rio agir: por um lado, &ldquo;no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jur&iacute;dico e econ&oacute;mico e, por outro, tendo em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regi&otilde;es mais pobres da terra e &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras&rdquo;.<\/p>\n<p>Citando Paulo VI, Bento XVI acentua a necessidade de uma leal <em>solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es<\/em>. &ldquo;Herdeiros das gera&ccedil;&otilde;es passadas e benefici&aacute;rios do trabalho dos nossos contempor&acirc;neos, temos obriga&ccedil;&otilde;es para com todos, e n&atilde;o podemos desinteressar-nos dos que vir&atilde;o depois de n&oacute;s aumentar o c&iacute;rculo da fam&iacute;lia humana. A solidariedade universal &eacute; para n&oacute;s n&atilde;o s&oacute; um facto e um benef&iacute;cio, mas tamb&eacute;m um dever&rdquo;. Mas n&atilde;o basta. Para al&eacute;m duma leal solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es, a Mensagem Papal fala tamb&eacute;m da necessidade de &ldquo;reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada <em>solidariedade entre os indiv&iacute;duos da mesma gera&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;. E faz votos para que se adopte &ldquo;um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promo&ccedil;&atilde;o e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consci&ecirc;ncia da necessidade de mudar os estilos de vida e na prud&ecirc;ncia, virtude que indica as ac&ccedil;&otilde;es que se devem realizar hoje na previs&atilde;o do que poder&aacute; suceder amanh&atilde;&rdquo;.<\/p>\n<p>A &laquo;nova solidariedade&raquo; que Jo&atilde;o Paulo II prop&ocirc;s e a &laquo;solidariedade global&raquo; de que Bento XVI fala tornam presente a &ldquo;forte rela&ccedil;&atilde;o que existe entre a luta contra a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma din&acirc;mica imprescind&iacute;vel, j&aacute; que &laquo;o desenvolvimento integral do homem n&atilde;o pode realizar-se sem o desenvolvimento solid&aacute;rio da humanidade&raquo;.<\/p>\n<p>Em seguida, Bento XVI, refere-se &agrave;s muitas &ldquo;oportunidades cient&iacute;ficas&rdquo; e aos &ldquo;potenciais percursos inovadores, mediante os quais &eacute; poss&iacute;vel fornecer solu&ccedil;&otilde;es satisfat&oacute;rias e respeitadoras da rela&ccedil;&atilde;o entre o homem e o ambiente&rdquo;, como sejam, &ldquo;encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar&rdquo;; prestar igual aten&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o &ldquo;da &aacute;gua e ao sistema hidrogeol&oacute;gico global, cujo ciclo se reveste de prim&aacute;ria import&acirc;ncia para a vida na terra, mas est&aacute; fortemente amea&ccedil;ado na sua estabilidade pelas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. De igual modo se deve procurar apropriadas estrat&eacute;gias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas fam&iacute;lias, sendo necess&aacute;rio tamb&eacute;m elaborar pol&iacute;ticas id&oacute;neas para a gest&atilde;o das florestas, o tratamento do lixo, a valoriza&ccedil;&atilde;o das sinergias existentes no contraste &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e na luta contra a pobreza. (&hellip;) Enfim, &eacute; necess&aacute;rio sair da l&oacute;gica de mero consumo para promover formas de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e industrial que respeitem a ordem da cria&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;am as necessidades prim&aacute;rias de todos&rdquo;.<\/p>\n<p>Em conclus&atilde;o: o Papa defende que &ldquo;proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz &eacute; dever de toda a pessoa&rdquo;; e que no combate &agrave; actual crise ecol&oacute;gica h&aacute; &ldquo;uma oportunidade providencial para entregar &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es a perspectiva de um futuro melhor para todos&rdquo;.<\/p>\n<p>Fomentemos tamb&eacute;m n&oacute;s a paz preservando a cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Amemos, respeitemos e contemplemos a natureza, verdadeiro livro aberto que nos fala do poder e da beleza de Deus e da grandeza do Seu amor por n&oacute;s, homens e mulheres de todos os tempos.<\/p>\n<p>Feliz Ano para todos!<\/p>\n<p>+Antonino Dias<br \/>Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIA MUNDIAL DA PAZ1 DE JANEIRO DE 2010 &ndash; S&Eacute; DE CASTELO BRANCO A Liturgia celebra, no primeiro dia do ano civil, a Solenidade de Santa Maria M&atilde;e de Deus. 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