{"id":42769,"date":"2010-01-04T11:24:56","date_gmt":"2010-01-04T11:24:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/04\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-solenidade-da-epifania-do-senhor\/"},"modified":"2010-01-04T11:24:56","modified_gmt":"2010-01-04T11:24:56","slug":"homilia-de-d-carlos-azevedo-na-solenidade-da-epifania-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-carlos-azevedo-na-solenidade-da-epifania-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Carlos Azevedo na Solenidade da Epifania do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;1.Hoje &eacute; a festa do fim das barreiras que criam obst&aacute;culo &agrave; luz.<\/p>\n<p>A Palavra eterna do Pai, dirigida ao segredo das consci&ecirc;ncias e dada a conhecer pela luminosidade dos profetas de ontem e de hoje, chama toda a gente, judeus e pag&atilde;os, pastores pr&oacute;ximos e magos long&iacute;nquos, uns orientados pela lei, outros pelos sinais astrol&oacute;gicos da sua ci&ecirc;ncia, a participar da mesma heran&ccedil;a, da mesma salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Deus &eacute; reconhecido na fr&aacute;gil humanidade de Jesus por quem estava distante da cultura, na simplicidade dos pastores. Deus &eacute; manifestado a pessoas estranhas ao passado judaico, porque n&atilde;o se reduz ao j&aacute; vivido. Todos os isolacionismos, todos os particularismos religiosos dizem mal de Deus. Deus une, cria comunh&atilde;o, n&atilde;o exclus&atilde;o.<\/p>\n<p>A estrela, representa essa luz capaz de dar sentido &agrave; escurid&atilde;o de todas as situa&ccedil;&otilde;es. Alguns t&ecirc;m resist&ecirc;ncias, reagem mal &agrave; luz.<\/p>\n<p>Herodes faz a figura daquele que &eacute; incapaz de ler os sinais dos tempos maduros, incapaz de ver os passos do futuro e que tem muito medo dos que se deixam surpreender pelo mist&eacute;rio da vida e com liberdade interior seguem novos caminhos.<\/p>\n<p>Os s&aacute;bios do Oriente, seguindo com coragem a luz, encontram o Messias, o salvador e adoram-no na humilde realidade de uma crian&ccedil;a. Estes homens encontram o que ansiavam e levam ofertas reveladoras da sinceridade da sua procura cordial: ouro da realeza, incenso da divindade e mirra da humanidade.<\/p>\n<p>Isa&iacute;as v&ecirc; a cidade no alto, banhada de luz. &Eacute; o que recorta a identidade das cidades: &eacute; o tom das suas luzes e das suas sombras. &Eacute; o que d&aacute; brilho &agrave; urbe. O esp&iacute;rito humano precisa de luz, de boa inspira&ccedil;&atilde;o para conceder &agrave;s cidades e ao pa&iacute;s o esplendor de um recorte humanizador.<\/p>\n<p>2. Car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s<\/p>\n<p>N&oacute;s, crist&atilde;os reunidos em Igreja, temos a miss&atilde;o de ser, para os que andam &agrave; procura de orienta&ccedil;&atilde;o l&uacute;cida, esse reflexo da luz, que &eacute; Jesus Cristo. N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m exclu&iacute;do da mensagem salvadora de Jesus. A luz da salva&ccedil;&atilde;o &eacute; para todos. N&atilde;o h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es, nem culturas, nem modos de vida que n&atilde;o possam ser visitados por esta luz. Se esta luz brilhou para todos, na plenitude da verdade, ocorre em cada hora permanecer atento e aberto &agrave; novidade de Deus e disposto a abater todos os muros que impe&ccedil;am qualquer ser humano de ver a gl&oacute;ria de Deus.<\/p>\n<p>O que &eacute; que impede os que conhecemos de chegar &agrave; luz? O que fazer para que a luz do Verbo chegue a gente de longe ou amedrontada por Herodes de cabe&ccedil;a perdida?<\/p>\n<p>3. Iniciamos o ano de combate &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o social. Como podemos entre n&oacute;s celebrar a Festa da Epifania, qual tempo a correr ao sabor da Gra&ccedil;a, sem atender aos que n&atilde;o t&ecirc;m voz na sociedade. N&atilde;o s&atilde;o s&oacute; os pobres a quem importa dar voz. S&atilde;o os desempregados que n&atilde;o t&ecirc;m quem os represente. S&atilde;o as centenas de milhares de pessoas a recibo verde. S&atilde;o as pequenas e m&eacute;dias empresas injustamente impedidas de aceder ao cr&eacute;dito que lhes garantiria a sobreviv&ecirc;ncia. Estes n&atilde;o t&ecirc;m sindicatos a encher telejornais, tantas vezes obcecados nas suas lutas e esquecidos do bem comum do pa&iacute;s&hellip; A inseguran&ccedil;a sobre o futuro ganha espa&ccedil;o nos cora&ccedil;&otilde;es e, dada a falta de confian&ccedil;a nos actores pol&iacute;ticos, n&atilde;o se antev&ecirc;em melhores dias. Os crist&atilde;os s&atilde;o chamados a uma cultura de exigente responsabilidade para ousarem sendas de luz, caminhos de verdadeira lucidez que nos retirem de incertezas abismais.<\/p>\n<p>H&aacute; ainda muita car&ecirc;ncia de Epifania real de Cristo salvador. A festa que celebramos quer aprofundar, dentro de cada um de n&oacute;s, a gozosa experi&ecirc;ncia do amor para, com entusiasmo contagiante e genu&iacute;no, integrarmos todos os seres humanos neste c&iacute;rculo de amor salvador. H&aacute; muitos que aguardam pelo brilho da verdadeira caridade! A for&ccedil;a salvadora da vida de Jesus n&atilde;o se armazena, nem se reserva, experiencia-se tanto mais quanto mais &eacute; para todos e n&atilde;o para alguns. Quanto h&aacute; ainda a fazer para que na Igreja todos se sintam em casa! Mas se assim n&atilde;o for a estrela n&atilde;o brilha, n&atilde;o atrai e os Herodes, d&eacute;spotas de cada hora, ganham espa&ccedil;o na teia da confus&atilde;o mental, nas obscuridades e nas vias corrompidas pelo Pai da mentira.<\/p>\n<p>A nossa identidade crist&atilde; de pregoeiros da luz de Cristo faz-nos levar, em carne real de humanidade, alternativas luminosas para esta escurid&atilde;o social. A ilumina&ccedil;&atilde;o sobrenatural em ordem &agrave; salva&ccedil;&atilde;o passa por uma coer&ecirc;ncia respons&aacute;vel nos actos e passos a desenhar e a realizar para completar o que falta ao Natal, para o deixar hoje ser manifesta&ccedil;&atilde;o de salva&ccedil;&atilde;o universal, express&atilde;o urgente da vontade salv&iacute;fica de Deus sobre cada ser humano.<\/p>\n<p>Adoremos o Menino ao colo da M&atilde;e! Ofere&ccedil;amos-lhe o ouro da realidade da vida, o incenso da nossa vontade de subir &agrave; altura de Deus e a mirra da nossa pobre condi&ccedil;&atilde;o humana. Uma luz chegar&aacute; &agrave; cidade, para a encher de beleza.<\/p>\n<p>O nosso conhecimento mais profundo, largo e denso do Mist&eacute;rio de Cristo impulsiona-nos para ousar sempre mais fazer convergir for&ccedil;as construtivas sem acep&ccedil;&atilde;o de pessoas, para reencontrarmos a Estrela, o sentido, a paz e a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Purifica&ccedil;&atilde;o de Oeiras, 3 de Janeiro de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;1.Hoje &eacute; a festa do fim das barreiras que criam obst&aacute;culo &agrave; luz. 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